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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Acerca das manifestações de solidariedade com o povo grego

'Abaixo a ditadura da União Europeia dos monopólios'.por KKE
Ultimamente, têm sido efectuadas em muitos países do mundo manifestações com slogans abrangentes de "solidariedade com a Grécia" e de que "todos nós somos gregos" [1] . A solidariedade popular e da classe trabalhadora são armas poderosas na luta dos povos. Mas os trabalhadores devem livrar-se de quaisquer tentativas para enganá-los.
Qual Grécia precisa de solidariedade? A Grécia dos capitalistas, os quais procuram obter novos empréstimos da UE e do FMI a fim de fortalecer a lucratividade do seu capital, para reforçar a sua posição contra o povo, ou a Grécia da classe trabalhadora e de outros estratos populares, a qual está a sofrer devido às consequências da crise capitalista, pela qual não tem responsabilidade?
Em muitos destes eventos esta questão não ficou clara. E isto é o caso porque há um esforço de certas forças (principalmente da social-democracia, os oportunistas do Partido de Esquerda Europeu e os "Verdes") para utilizar vagamente a "solidariedade com o povo grego" a fim de branquear o apoio que eles deram no passado ao Tratado de Maastricht e a outros euro-tratados, à UE do próprio capital, a qual é reaccionária e de modo algum pode ser "democratizada", como eles estão agora a afirmar.
Além disso há uma tentativa para que a questão da Grécia seja utilizada nas rivalidades inter-imperialistas, dentro e fora da UE.
Sim, os trabalhadores na Grécia querem a solidariedade dos trabalhadores na Europa e em todo o mundo! Mas solidariedade com suas lutas, suas greves, suas exigências militantes, com o KKE e o movimento sindical com orientação de classe, o PAME que está na linha de frente da luta e não a "solidariedade" que procura a continuação da exploração capitalista e o esmagamento dos trabalhadores.
A respeito desta questão o Gabinete de Imprensa do CC do KKE emitiu a seguinte declaração:
"O KKE dirige uma mensagem a todos os trabalhadores da Europa: Não é necessário para vocês "tornarem-se gregos" a fim de posicionarem-se ombro a ombro com o povo da Grécia.
Apelamos a que se juntem a nós na mesma estrada para os direitos contemporâneos da classe trabalhadora e dos estratos populares pobres, a fim de impedir e derrubar o nosso inimigo comum, a ditadura dos monopólios, a UE, os partidos que as servem.
O seu derrube em todo país ou grupo de países, a socialização dos monopólios, o desligamento da UE, da NATO, com o poder popular da classe trabalhadora, será a maior contribuição para a luta dos povos da Europa e do mundo todo.
O slogan mais moderno e contemporâneo, mais oportuno do que nunca, é: "Trabalhadores de todos os países, Uni-vos!".
[1] É o caso do manifesto recente encabeçado por Mário Soares


O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-02-17-allilleggi/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

“Pusemos fogo nos bancos”

Por Celso Lungaretti

O relato é do enviado especial da Folha de S. Paulo a Atenas, Rodrigo Russo:
Um membro do movimento anarquista de Atenas, que participou dos protestos de domingo, justificou os incêndios que atingiram cerca de 50 edifícios: ‘Pusemos fogo nos bancos, nas grandes lojas internacionais, porque esses são os culpados da crise’, disse à Folha o jovem, que não quis se identificar.

‘O pacote aprovado pelo Parlamento é para salvar os bancos, e não o povo. A situação está terrível, as pessoas aqui estão se matando por não terem como pagar as contas. Até as faculdades, que antes eram gratuitas, nós teremos que pagar’, criticou o estudante de economia.
É compreensível que os gregos reajam com violência à penúria que lhes está sendo imposta sem qualquer motivo aceitável –pois crise real não existe nenhuma.

Se as safras tivessem sido devastadas por catástrofes, os rebanhos dizimados por pestes ou a capacidade de geração de energia fosse insuficiente para as indústrias produzirem itens necessários, haveria problemas de verdade.


Mas, são apenas números que não batem na contabilidade artificial do capitalismo.

Para os poderosos, seres humanos têm de ser abatidos –metaforicamente, ou mesmo a balas– porque os números não batem.

Para os seres humanos, muito melhor será queimar-se tal contabilidade perversa.

Bem que Marcuse advertiu: a lavagem cerebral da indústria cultural condicionaria os homens a encararem a organização atual da sociedade como a única possível, a sentirem-se impotentes para mudar aquilo que os infelicita.

Então, ninguém mais se pergunta, seriamente: para que precisamos de bancos?

Para que precisamos de grandes lojas internacionais, ou lojas de qualquer tipo?

Por que precisamos pagar por seja lá o que for (vivendo nós também agoniados por causa de números que não batem)?

Não seria muito mais simples organizarmo-nos coletivamente para produzir o realmente necessário, entregando a cada família o quinhão de que realmente necessita e tendo muito mais tempo livre para fazermos o que quiséssemos?


Hoje já ultrapassamos a barreira da escassez e, se aproveitarmos racionalmente o potencial produtivo disponível, garantiremos tranquilamente a cada habitante do planeta tudo de que necessita para uma existência digna –sem estourarmo-nos de trabalhar e sem colocarmos a própria sobrevivência da humanidade em risco por causa da ganância desmedida.

Então, mais do que nunca, só depende de nós deixarmos de ser peões, não dançarmos mais amarrados pelo pescoço com cordão, não sermos mais empregados e também não virarmos patrões, como cantou o grande Elomar Figueira de Melo.

É óbvia a impossibilidade de vivermos assim, como seres humanos dignos deste nome, sob o capitalismo. Mas, quem precisa verdadeiramente do capitalismo? O que nos impede de deletarmos os que parasitam nosso trabalho e fazermos nós mesmos o que tem de ser feito, em nosso benefício e dos que virão depois de nós?

Quando, secundarista de 17 anos, participei da minha primeira passeata, no início de 1968, fiquei frustradíssimo porque os universitários montaram um esquema de segurança para impedir o apedrejamento do First National City Bank, na famosa esquina da Ipiranga com a avenida São João. Aquelas vidraças eram uma tentação!

Viraram cacos quando a repressão se abateu sobre passeatas seguintes e ninguém viu mais motivo para refrear sua gana por justiça… simbólica.

Hoje, quando passo por esses imensos e luxuosíssimos bancos das nossas principais avenidas, não penso em vê-los apedrejados (ou queimados).

Penso em quanta coisa útil poderá ser feita nessas edificações, depois que enxotarmos os parasitas e as colocarmos a serviço dos homens.

Fonte: http://www.consciencia.net/

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Centro de Atenas transformado em praça de guerra


Confrontos duraram horas. Foto EPA/ORESTIS PANAGIOTU

Confrontos com a polícia duraram horas, num dia de greve total em que só o metro de Atenas funcionou para transportar os manifestantes. Papandreu usa argumento de patriotismo para tentar evitar defecções na sua bancada.
O centro de Atenas foi transformado numa praça de guerra, com confrontos que duraram horas entre manifestantes e polícia, no primeiro dia da greve geral de 48 horas em protesto contra as novas medidas de austeridade que o governo quer fazer aprovar no Parlamento estas quarta e quinta-feiras.
Jovens atiraram pedras e paus contra a polícia de choque no centro de Atenas, que ripostou com saraivadas de gás lacrimogéneo e granadas de efeito moral. A polícia disse que 18 pessoas foram detidas, sendo cinco delas mais tarde presas, enquanto 21 polícias foram feridos.

Greve total

A greve paralisou todos os serviços públicos e os transportes. De médicos a condutores de ambulâncias, dos trabalhadores dos casinos e até mesmo actores de teatro aderiram à paralisação. No sector da energia, a greve provocou apagões em diversos pontos do país.
Centenas de voos foram cancelados ou reprogramados devido à greve dos controladores de tráfego aéreo. As greves dos trabalhadores dos transportes públicos tornaram o trânsito caótico e deixaram os turistas abandonados no porto de Pireu. Os trabalhadores do metro de Atenas, porém, que começaram o dia em greve, voltaram ao trabalho para transportar os trabalhadores que quiseram participar das manifestações.

Maioria em risco

O Partido da Nova Democracia, de direita, opõe-se ao novo pacote do governo socialista do primeiro-ministro Papandreu, criticando os aumentos de impostos. O Pasok, porém, dispõe de maioria absoluta: 155 deputados em 300, o que garantiria uma maioria confortável. Mas há quatro deputados socialistas que se rebelaram, deixando a maioria do Pasok por um fio.
A Comissão Europeia e os governos alemão e francês têm feito chantagem sobre Atenas, exigindo a unanimidade do apoio (governo e oposição) às novas medidas de austeridade, para pagar a última tranche do empréstimo negociado há um ano. Mas, com a recusa da Nova Democracia, o máximo que pode acontecer é uma aprovação por pequena margem. Mas o resultado é de tal forma incerto que já levou Papandreu a invocar o último e desesperado argumento: o patriotismo.
As novas medidas incluem aumentos de impostos e taxas e criação de novos impostos, cortes de subsídios sociais, privatizações de praticamente todas as estatais e despedimentos de funcionários públicos.
O comissário dos assuntos económicos, Olli Rehn, reforçou o tom ameaçador, afirmando que "não existe plano B" para a situação grega.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Greve geral contra austeridade paralisa a Grécia

Os serviços públicos, hospitais e escolas, os transportes e os meios de comunicação paralisaram suas atividades nesta quarta-feira devido à greve geral convocada pelas principais centrais sindicais gregas. 150 mil "indignados" gregos cercaram o Parlamento e tentaram furar a barreira policial, o que deu origem a confrontos violentos. Governo tenta aprovar novo pacote de cortes e privatizações para receber nova "ajuda" externa, um pacote de empréstimo de 110 bilhões de euros.

Os maiores sindicatos gregos iniciaram uma greve geral de 24 horas contra a austeridade, a terceira deste ano, enquanto o Governo se prepara para uma batalha legislativa para avançar com um novo plano de cortes, no valor de 28 bilhões de euros, e privatizações exigidos pela troika, em troca de mais “ajuda” externa, um pacote de empréstimo de 110 bilhões de euros.

Além da circulação de comboios e barcos, a greve também paralisou a imprensa (na rádio e na televisão há programas que não foram para o ar), os bancos, escolas, creches e as empresas estatais em vias de privatização.

Os hospitais públicos apenas atendem casos urgentes e o comércio em Atenas estará fechado durante três horas, até ao meio-dia. As exceções são as companhias aéreas e os aeroportos, que vão funcionar normalmente, uma vez que o sindicato dos controladores de tráfego aéreo cancelaram a sua participação na greve.

"Eles continuam a pedir-nos para darmos mais", disse Ilias Iliopoulos, o secretário-geral da ADEDY, sindicato dos funcionários públicos. "Agora eles vão, novamente, cortar os nossos salários a partir do pouco que nos resta."

Milhares tomam as ruas de Atenas em protesto
Milhares de gregos invadiram as ruas de Atenas, numa manifestação gigante que tenta impedir a aprovação de um novo plano de austeridade pelo Parlamento e que já provocou alguns feridos em confrontos com a polícia.

Durante a manhã, 150 mil “indignados” gregos reuniram-se na praça Syntagma, em Atenas, à frente do Parlamento. Acampados na praça há três semanas, os manifestantes tentaram formar uma cadeia humana e cercar o parlamento. Mas a polícia colocou 1500 agentes na rua e uma barreira de dezenas de veículos estacionados à frente da entrada do parlamento, erguendo barricadas de 2 metros para permitir o acesso aos deputados e impedir a multidão de se aproximar. Várias ruas em torno do parlamento foram fechadas à circulação e aos pedestres.

Vários manifestantes tentaram romper a barreira policial que circunda o Parlamento mas foram repelidos com gás lacrimogêneo pelos agentes das forças de segurança. Nos confrontos desta manhã, pelo menos 40 pessoas foram detidas.

Um balanço das autoridades de saúde aponta para três feridos ao início da tarde, mas os serviços de ambulância contabilizaram pelo menos sete. Este é um balanço bastante deficitário uma vez que os confrontos com a polícia mantém-se e mais pessoas vão chegando à Praça Syntagma, em Atenas.

Eurogrupo num impasse em relação à ajuda à Grécia
Os ministros das Finanças da Zona Euro reúnem-se domingo, no Luxemburgo, para avançar na definição de um segundo plano financeiro de ajuda à Grécia, na sequência da falta de acordo durante o encontro extraordinário que decorreu esta terça-feira, em Bruxelas.

"Vamos continuar a trabalhar sobre a Grécia numa reunião do Eurogrupo no Luxemburgo, no domingo", anunciou o ministro belga das Finanças, Didier Reynders, à saída da reunião extraordinária, citado pela Efe.

Fonte: Agencia Carta Maior

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Grécia nas garras do FMI/BCE/UE - Taxa de desemprego atinge os 16,2% !




por Jorge Figueiredo

Em Março de 2011 a taxa de desemprego na Grécia atingiu os 16,2%, percentagem a ser comparada com os 11,6% de Março de 2010 e com os 15,9% de Fevereiro de 2011. Estes são números oficiais, agora divulgados pela Hellenic Statistical Authority.

Em Março deste ano o número de empregados era de 4.185.325 pessoas, o de desempregados de 811.340 e o de inactivos de 4.335.461. Os números correspondentes em Março de 2006 e Março de 2011 são apresentados na Tabela 1

"O número de empregados diminuiu em 238.574 em comparação com Março de 2010 (uma taxa de diminuição de 5,4%) e aumentou em 7.013 em comparação com Fevereiro de 2011 (aumento de 0,2%). Os desempregados aumentaram em 232.617 pessoas (aumento de 40,2%) em comparação com Março de 2010 e em 24.111 em comparação com Fevereiro de 2011 (aumento de 3,1%)", declara o press release divulgado pela Hellenic Statistical Authority .

Gr�fico.

Como se observa, o crescimento da curva é quase parabólico. Eles resultam das "ajudas" do FMI/BCE/UE.

Tabela 1.

As tabelas 2, 3 e 4 mostram a taxa de desemprego por regiões NUTS II, por género e por faixa etária de Março de 2006 a Março de 2011.

Tabela 1.


Tabela 1.


Tabela 1.

A decomposição demográfica é ainda mais espantosa. Exactamente 42,5% (!) do desemprego está entre aqueles que têm menos de 24 anos e 22,6% entre os que estão na faixa dos 25 aos 34 anos. Isto explica em grande medida os protestos da juventude indignada. Mesmo o desemprego de 5% na faixa dos mais idosos é espantoso quando se considera que esta taxa era nula (0,0%) em Março de 2008.

Trata-se de uma situação aberrante. Ela mostra as consequências da ditadura imposta ao povo grego pelo capital financeiro e imperialista (com a colaboração aquiescente do governo PASOK). As "ajudas" foram e são para salvar os banqueiros credores da Grécia, sobretudo os alemães e franceses. Para o povo grego, não há qualquer luz no fundo do túnel destas "ajudas". O seu sacrifício está a ser inútil. Não haverá uma mítica segunda fase de crescimento após o pacote que lhe está a ser aplicado. O seu objectivo é precisamente impor a servidão do país através da dívida, como bem o demonstra Michael Hudson . As novas "ajudas" ou bail-outs para pagar dívidas geram ainda mais dívidas, as quais eternizam a escravização do país

A trágica situação grega – cuja génese é cuidadosamente escondida pelos media portugueses – mostra que não há saída sem que se transcenda o modo de produção capitalista. A saída real está na ruptura com o sistema, com o abandono do euro, da UE e das demais organizações imperialistas (NATO e outras). A Grécia de hoje dá uma antevisão do que poderá acontecer a Portugal após um par de anos de aplicação das receitas FMI/BCE/UE. A inconsciência dos votantes no dia 5 de Junho (votantes não é o mesmo que eleitores pois 41,1% destes abstiveram-se) poderá ter um rude despertar com o desenvolvimento da aplicação do pacote da troika . As forças progressistas deveriam desde já começar a estudar:
1) os caminhos para sair do euro;
2) a moeda que se seguirá após o euro e, sobretudo;
3) quem deve ter o poder de emitir a nova moeda .
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Grécia parou mais uma vez nesse dia 29










G-20 orienta a política de cortes de gastos a “todos os países industrializados”

A Grécia viveu mais um dia de greve geral nesse dia 29 de junho, terça –feira, contra os planos de cortes e ajustes fiscais do governo de George Papandreou, do FMI e da União Europeia. A imprensa já perdeu a conta de quantas greves já ocorreram só esse ano no país. Enquanto uns afirmam que essa foi a quinta greve geral, outros veículos enumeram como a sexta paralisação geral.
Mais uma vez, trabalhadores do setor público e privado cruzaram os braços contra os cortes e os ataques aos salários e à aposentadoria. A greve foi convocada pela GSEE, central que reúne os sindicatos privados e a Adedy, central dos trabalhadores públicos. A greve afetou os serviços públicos, principalmente o setor de transportes. O turismo também parou. Trabalhadores de veículos de comunicação, como jornais e TV, também pararam.

Mobilizações

Manifestações também acompanharam o dia de greve. Em Atenas e na cidade de Salónica, segunda maior cidade da Grécia, os trabalhadores foram às ruas e, em vários momentos, enfrentaram a repressão da polícia. Na capital grega cerca de 70 mil manifestantes foram às ruas.

Os sindicatos organizam uma nova greve geral já para o início de julho, quando começa a tramitar no parlamento o projeto de lei que aumenta a idade mínima de aposentadoria, reduz as pensões e facilita as demissões. O debate está marcado para o dia 8 de julho.

Greve na Espanha
Na Espanha o dia também foi de greve contra o corte de salários e direitos. Em Madri, os trabalhadores do metrô cruzaram os braços contra o corte nos salários dos servidores públicos. Em todo o país basco houve greves e mobilizações contra o plano de cortes.
Já no último dia 25 foi a vez da Itália ter seu dia de greve geral. Sindicatos organizaram 4 horas de paralisação e impulsionaram manifestações que reuniram algo como 1 milhão de pessoas pelas ruas do país.


G-20 aponta generalização da política de cortes

Como se não bastasse a política coordenada de cortes nos salários e direitos, a fim de reduzir o déficit fiscal da Europa, imposto pelo FMI e a União Europeia, agora foi a vez do G-20 orientar esse mesmo plano de ajustes fiscais para o restante do mundo.
A cúpula das vinte maiores economias do mundo se realizou nos dias 26 e 27 em Toronto, no Canadá e aprovou uma carta em que orienta o mesmo ajuste fiscal da Europa para o resto dos países.
“O corte do déficit público se impôs como prioridade, primeiro na Europa e agora em todos os países industrializados” , diz o comunicado final do G-20. Isso significa que os cortes de salários e ataques aos direitos e à previdência pública não serão exclusividade dos países endividados da Europa.Geografia e Luta - Prof.Mazucheli
Enquanto o mundo vivia a mais grave crise financeira desde 1929, o G-20 exortava os governos a aprovarem vultuosos pacotes de ajuda ao mercado . Agora, com os bancos a salvo, o mesmo G-20 quer que a conta seja paga pelos trabalhadores.
Isso reforça a tese de que o desenrolar da luta de classes na Europa será um indicativo do que deve ocorrer no restante do mundo. Uma vitória dos trabalhadores contra os planos de ajuste fiscal pode barrar essa política, do mesmo modo que uma vitória do FMI vai ser o pontapé inicial para a generalização dessa política em todos os continentes.


  • Leia entrevista com Sotires Martalis, trabalhador grego, durante o Conclat

  • Fonte: Sitio do PSTU

    segunda-feira, 28 de junho de 2010

    De olhos bem abertos. A Grécia dá o exemplo


    Por Gil Garcia
    A situação política e económica grega está de tal modo interligada à situação de toda a Europa (desde logo ao espaço da actual União Europeia) que da dinâmica do conflito aberto no seio da nação que "fundou" o mundo ocidental resultará o destino de todos, pelo menos a curto e a médio prazo. E porquê?
    A ofensiva do mundo dos negócios, da especulação financeira, da burguesia grega e europeia (principalmente francesa e alemã) sobre as dívidas internas e externas dos chamados PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) resultou em violentos planos de austeridade, agora conhecidos por PECs. Ou seja, trocado por miúdos. Nos EUA rebentou uma mal classificada crise financeira que rapidamente se transformou numa crise económica e que velozmente se alastrou a todo o mundo, incluindo a Europa. Resultado? Os poderosos do globo colocaram os orçamentos dos estados nacionais (os tais Estados que diziam que estavam a atrapalhar a economia) a pagarem as crises do capitalismo moderno.
    Em Portugal, por exemplo, durante anos foi-nos vendida a ideia que não haveria dinheiro para aumentar os magros salários dos nossos funcionários públicos (onde se incluíam os professores), mas sempre houve 4.000 milhões de euros para acudir a um banco privado, o BPN que era conhecido por banco laranja, tal a conotação partidária a que estava ligado. O roubo foi deles mas a conta pagamos nós. Na Grécia, algo semelhante se passa com uma diferença: primeiro a sua juventude (2008) e depois a larga maioria do povo resolveu ser actor ou protagonista do seu próprio destino e entrou em cena. Tal como o povo português o fez há 36 anos com a revolução portuguesa de Abril de1974.
    Não dizemos que a situação grega seja idêntica à revolução portuguesa, mas convenhamos que não é "normal" um país assistir à convocação e concretização de 5 greves gerais e de enormes (e em alguns casos, a 5 de Maio, de gigantescas) manifestações de rua.
    Quando o autor destas linhas aterrou em Atenas e pôde assistir e participar em várias reuniões e actos públicos da esquerda grega notou que é (ainda) "normal" na Grécia o ensino público ser completamente gratuito, um luxo a que os portugueses pagam a 900 euros/ano. E com refeições completamente gratuitas nas cantinas para todos os estudantes. Lá é "normal" as manifestações acompanharem as greves gerais, e começam logo pela manhã cedo. Em Portugal ainda se convocam manifestações (a do dia 29 de Maio) para sábados e na parte da tarde.
    A última greve geral convocada em Portugal, em Maio de 2007, não só não foi geral como não contou com nenhuma manifestação de massas a suportá-la nas ruas. E tudo isto porque os seus responsáveis cá o não quiseram. A direcção da CGTP é merecedora do nosso aplauso quando convoca as manifestações como a do dia 29, em que participámos activamente, mas é igualmente merecedora de crítica (ninguém está nunca isento de crítica) quando escolhe os timings errados, como foi o caso em 2007.
    Agora voltamos ao mesmo: Portugal está ou não amadurecido para a convocação de uma greve geral? Cremos que sim. Inúmeras lutas e protestos se têm destacado desde o início deste ano e as actuais medidas de saque aos salários de quem trabalha torna urgente um forte protesto nacional.
    Tamanho da fonte
    Na Grécia, a dinâmica dos protestos aponta no sentido de ainda estar longe de recuos. É certo que a última manifestação de massas (a que ocorreu durante a greve geral do dia 20 de Maio) foi bem menor (calcula-se que perto de 85.000 manifestantes) que a do dia 5 de Maio, em que estiveram 350.000 pessoas. Mas atente-se a que foram duas greves gerais num espaço de quinze dias. E, no essencial, a população trabalhadora parou mesmo o fundamental da vida nas cidades.
    Só em Atenas pudemos testemunhar que não circulou um só autocarro, nem um só metropolitano, e os transportes são sempre um bom indicador da adesão dos trabalhadores, da sua combatividade e da simpatia do coração da classe trabalhadora à decisão de convocar um greve geral. Podemos discutir se a situação grega já vive uma conjuntura ou etapa pré-revolucionária ou se já esteve ao bordo até de crises deste tipo, como as vividas no verão quente de 1975, em Portugal. Mas o que é inegável é que está longe de se normalizar a situação grega. E se os trabalhadores gregos e a sua juventude persistirem em manter em alta temperatura a resposta às mediadas de assalto aos salários de quem trabalha para pagar crises é porque toda a Europa estará sobre a influência de tão importante processo político.
    Fonte:http://www.diarioliberdade.org

    segunda-feira, 17 de maio de 2010

    Solução da crise grega é implementação de ultra-neoliberalismo

    Por Renato Rovai
    A crise fiscal grega está levando a Grécia a uma solução ultra-neoliberal imposta pelo FMI e pela União Européia para que o país não entre em default. O empréstimo de 110 bilhões de euros será pago não apenas com juros considerados altos, de 5%, como com congelamento de salários, liberalização de direitos trabalhistas, redução nos valores de aposentadorias do setor público, fusão de fundos de pensão, aumento do número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, como também uma previsão de queda no PIB de 4% em 2010 e de 2,6% em 2011. As medidas levaram o deputado europeu Daniel Cohn-Bendit, que faz parte do Partido Verde Alemão e foi um dos líderes dos protestos estudantis de 1968 na França, a dizer que a União Européia enlouqueceu ao colocar tais medidas como condição para que o empréstimo fosse concedido.
    O objetivo é fazer com que o déficit público do país que é de 13,6% seja reduzido para abaixo de 3% em 2014. Nesta semana estive em Atenas e Salônica, a primeira e a segunda cidades gregas. Em Atenas no dia 5, quarta-feira, havia acontecido o maior protesto das últimas décadas no país. Líderes do movimento social local afirmam que aproximadamente 300 mil pessoas estiveram na passeata.
    O evento, porém, não teve um desfecho favorável. Alguns manifestantes lançaram uma bomba de gasolina em um banco e três bancários morreram sufocados. Uma delas estava grávida de quatro meses. O fato causou comoção no país, em especial em Atenas, e está sendo explorado pela mídia e pelo governo. Isso pode levar os protestos a perderem força e apoio popular.
    Antes desse episódio, uma pesquisa apontava que aproximadamente 2/3 da população era contra as medidas e a favor das manifestações para que o acordo com a União Européia não fosse implementado nos termos que foi anunciado. Em Salônica, não se vê indícios das manifestações, mas em Atenas muitas lojas de grifes e principalmente bancos estão com suas vitrines e portas vidros quebradas e pichadas. Há uma parte mais radicalizada do movimento social que tem como bandeira principal a nacionalização do sistema financeiro como uma das soluções para enfrentar a crise. Isso explica em parte o ataque às agências bancárias e a tragédia que levou à morte os três bancários.
    A crise grega ainda não foi solucionada com o empréstimo de 110 bilhões de euros pelo FMI e pela comunidade européia. A solução apresentada pelo mercado é exageradamente neoliberal e dura com trabalhadores e aposentados e por isso deve resultar em uma forte reação popular. Quando as medidas começarem a ser implementadas e seus efeitos passarem a ser sentidos no dia a dia, tudo indica que os protestos podem ser ainda mais duros e radicais.
    Conheça as principais medidas que têm motivado os protestos:
    • Os benefícios dos trabalhadores do setor público serão reduzidos em 8%, enquanto os salários dos empregados em empresas estatais sofrerão corte de 3%;
    • Os bônus de férias dos servidores públicos civis que ganham mais de 3 mil euros por mês serão cortados para até 1 mil euros, sendo que serão pagos da seguinte forma (250 euros no Natal, 250 na Páscoa e 500 nas férias);
    • Os salários e aposentadorias do setor público serão congeladas por 3 anos;
    • Corte de 13º e 14º salários no setor público;
    • Drástica revisão da legislação trabalhista, que permitará pagamentos de salários menores que o mínimo e elimina adicional de hora extra, por exemplo;
    • Aumento da idade mínima para aposentadoria para 65 anos para homens e mulheres. Sendo que a idade média aumenta em função do aumento da expectativa de vida;

    quarta-feira, 7 de abril de 2010

    Terceira etapa da grande crise: a Grécia em toda parte

    À sombra da crise financeira, floresce sobretudo na Europa o negócio com a dívida pública. Os Estados são os melhores devedores que um credor pode desejar. A lógica é perversa e beira o surrealismo. Nos últimos meses, o Banco Central Europeu inundou os bancos europeus com créditos baratos, negando-se ao mesmo tempo a emprestar dinheiro a Estados membros em dificuldade. Os bancos europeus – a começar pelos alemães – tomaram empréstimos do BCE a juros ínfimos para oferecê-los como empréstimos ao Estado grego com taxas de juro elevadíssimas. Ao mesmo tempo, como resposta à crise, propõe novas "reformas" neoliberais. O artigo é de

    Por Michael Krätke - Sin Permiso
    Como era previsível, à crise bancária e financeira não tardou em seguir a crise econômica mundial. E a elas vem somar-se agora a crise das finanças públicas, terceira etapa da Grande Crise. Dívida, culpa e expiação, uma luta encarniçada: os cidadãos devem subsidiar o generoso resgate dos bancos. As dívidas públicas ampliadas aceleradamente são usadas para alimentar essa lógica. Alguns pequenos povos – os islandeses no Norte, os gregos no Sul – tentam resistir a este absurdo dominante e se negam a pagar pela crise. Do dia para a noite, as dívidas de terceiros se converteram em problema de todos.De acordo com as últimas cifras do FMI, cinco dos Estados do G-8 têm um déficit público superior a 100% do PIB, com o Japão (200%) liderando esse ranking.
    Alemanha e Canadá, até aqui, estão abaixo do patamar dos 100%. Já os membros da União Européia – Espanha, Portugal, Itália e Grécia – estão beirando esse limite ou já o ultrapassaram. Nunca antes em tempos de paz o déficit público havia subido de maneira tão extrema nos países capitalistas desenvolvidos como vem ocorrendo agora desde o início da crise financeira mundial, no final de2007.Somente em 2009, os títulos de obrigações emitidos pela República Federal da Alemanha cresceram até alcançar a cifra de 1,6 trilhão de euros. Só em 1995, quando se fizeram sentir de verdade pela primeira vez os custos da reunificação, o salto da dívida pública alemã registrou um salto maior.
    Nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o nível médio dos déficits públicos chegou a alcançar cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) e, em poucos anos, poderia rebaixar de maneira generalizada a marca dos 100%. A Grécia está em todas as partes.Os economistas estão fortemente divididos em matéria de dívida pública. Um Estado que contrai pouca dívida pública compromete o futuro; um Estado com demasiados credores arruína a economia nacional. Na Alemanha, como em todos os países governados por neoliberais, impera o dogma segundo o qual as dívidas públicas são um mal em si mesmas, levam à inflação, a uma carga fiscal exorbitante e à bancarrota do Estado.
    Tentam fazer esquecer, contando para isso com todo o poder dos meios de comunicação, a conexão entre crise financeira, socorro bancários e explosão da dívida pública. Em troca, entoam a cantilena do arrocho e dos cortes com o refrão do “Estado social insustentável”.Não há razão para o pânico. Nenhum Estado europeu tem que ir à falência. Tampouco os gregos devem devolver esses quase 300 bilhões de euros (cerca de 130% de seu PIB), mas sim devem limitar-se ao refinanciamento regular, isto é, ir substituindo regularmente as velhas dívidas por dívida nova. Em princípio, isso não deveria representar o menor problema.
    O Estado, dotado de monopólio fiscal e monetário, é o melhor devedor. Ao contrário dos grandes bancos, só pode quebrar quando toda a economia nacional está arruinada. Mas, apesar da crise, isso não pode ocorrer em nenhum lugar da União Européia.Quanto mais crescem as dívidas dos Estados, mais se coloca dívida pública em alguns mercados financeiros que, em geral, estão ávidos em comprá-las, inclusive com ganhos de cotização, porque os empréstimos oferecidos estão super valorizados. Nem a Grécia teve problemas no início do ano para colocar o triplo da dívida nos mercados financeiros. No conjunto da União Européia, emitiram-se em 2008 mais de 650 bilhões de euros de dívida pública.
    Em 2009, foram mais de 900 bilhões. Em 2010, segundo as estimativas mais prudentes, esse valor chegará a 1,1 trilhão de euros.O conjunto dos Estados da União Européia já tem mais de 8 trilhões de dólares inscritos como dívida pública. Os EUA os acompanham com mais de 2,3 trilhões de dólares de dívida pública fresca. O negócio com os títulos de dívida pública floresce como nunca. Por que, então, a inquietude nos mercados financeiros? Por que a repentina preocupação com as dívidas da Grécia, Itália, Espanha, Portugal ou Irlanda? De onde vem o medo de uma bancarrota pública na qual, manifestamente, os mercados financeiros não acreditam nem um pouco? Agora como antes, os pacotes de dívida pública grega, espanhola e portuguesa são comprados com pães quentes saídos do forno; são tão desejados quanto os títulos públicos alemães. Naturalmente, com suculentas cobranças pelo risco, o que torna ainda mais rentável o negócio com esses pacotes.A dívida pública é mais velha que o capitalismo moderno.
    A bancarrota do Estado foi outrora – antes do descobrimento do déficit público permanente – um meio bm provado de que se serviam os governantes para submeter seus credores, que se vingavam com juros exorbitantes. Em nossos dias, a falsa demagogia sobre os perigos da bancarrota pública é um meio sumamente efetivo de submeter governos, povos e nações pretensamente soberanos aos interesses dos mercados financeiros. Se o crédito de um Estado é posto efetivamente em dúvida, isso serve sobretudo aos credores e, hoje em dia, a regra geral é que os credores não são outros Estados, mas sim investidores privados, bancos, companhias seguradoras e fundos. Uma parte considerável da riqueza de uma nação vai parar em seus bolsos.As meras taxas de déficit e de dívida pública pouco dizem sobre o risco efetivo do devedor. Obviamente, os leigos em economia que formam a classe política adoram essas taxas, porque elas desviam a atenção das verdadeiras debilidades da economia nacional (por exemplo, no caso da Alemanha, a extrema dependência das exportações). Também se simplificam de muito bom grado os tipos de juros, a relação entre as receitas fiscais anuais e os juros pagos anualmente. Quando, como ocorre agora na Grécia, as receitas fiscais caem, então os tipos de juros sobem rapidamente até 30 ou 40%.
    Quando isso ocorre, ou seja, quando o serviço da dívida gera um rombo no orçamento público, o país afetado cai, efetivamente, na armadilha devedora. Para evitá-la é preciso reduzir a carga de juros. Uma comunidade como a formada pelos euro-países poderia conseguir isso de maneira mais simples, fortalecendo a credibilidade de um membro como a Grécia sem necessidade de aumentar a pressão de sua dívida pública. Com isso, seriam desfeitas todas as necessidades populistas de Merkel e companhia.Foram e seguem sendo os bancos – no caso, os europeus – os compradores da dívida pública grega, os controladores da mesma e os principais responsáveis por sua crise financeira: seguradoras e institutos bancários franceses, suíços e alemães são os principais credores, seguidos de longe por bancos britânicos e estadunidenses. Os bancos portugueses possuem quase tanta dívida pública grega quanto os dos EUA.
    Não resta dúvida: os déficits públicos podem ser enxugados com uma vigorosa inflação que desvalorize os títulos da dívida e reduza os juros nominais que o Estado tem que pagar por esses títulos. Mas, para ajudar no curto prazo, a inflação teria que ser galopante. Apesar de uma dívida pública crescente em escala planetária, isso é agora praticamente impossível, pois, dado que existem supercapacidades estruturais em praticamente todos os ramos da economia, os preços podem apenas levantar a cabeça. Por ora, o impulsionador dos preços é o Estado e algumas grandes corporações empresariais capazes de controlar a energia e os recursos. E isso não basta para uma hiperinflação.Que saída resta então? Pois bem, por uma vez só e para variar um pouco, por que não proceder com bom juízo em vez de adotar zelo dogmático e tendência populista? Seria possível ajudar o povo grego de modo simples e efetivo sem aumentar um centavo a dívida pública do país.
    Por exemplo, com eurobônus ou créditos do Banco Central Europeu (BCE). Bastaria agarrar-se à regra extraordinária que permite que os bancos centrais da Zona Euro aceitem dívida pública e obrigações da Grécia e de outros países.Para evitar crises deste tipo no futuro faria mais sentido mudar as regras. Não tem nenhuma lógica econômica que os estatutos do BCE proíbam comprar e possuir dívida pública dos países membros da Zona do Euro. Conforme essa regra absurda, o BCE inundou nos últimos meses os bancos europeus com créditos baratos, negando-se ao mesmo tempo a emprestar dinheiro a Estados membros. Ao invés disso, os bancos europeus – a começar pelos alemães – tomaram empréstimos do BCE a juros ínfimos para oferecê-los como empréstimos ao Estado grego com taxas de juro elevadíssimas. Bonito negócio. Ackerman (1) e companhia estão fascinados.Não se trata só de necessidade; a coisa tem método. Com o medo da bancarrota pública e a ameaça de um caos monetário em caso de queda do euro, promovem-se novas “reformas” neoliberais. Na Espanha, Itália, Portugal e Inglaterra; a ordem do dia é a aposentadoria aos 67 anos.
    Em toda parte elas impõem aos cidadãos comuns - não aos proprietários de capital e de patrimônio – drásticos aumentos de impostos. Por toda parte se cortam serviços públicos, se reduz o setor público. Impulsionada agora pela situação de suposta emergência financeira do Estado, avança-se irresponsavelmente na privatização da propriedade pública. Os gregos são massacrados, os portugueses são torrados; as facas contra a Espanha perfilam-se com zelo digno da melhor causa. De te fabula narratur (A história fala de ti).
    (1) Josef Ackerman é o presidente executivo do Deutsche Bank, o principal banco privado alemão.
    (*) Michael R. Krätke, membro do Conselho Editorial de Sinpermiso, é professor de Política Econômica e Direito Tributário na Universidade de Amsterdan, investigador associado ao Instituto Internacional de História Social dessa mesma cidade e catedrático de Economia Política e diretor do Instituto de Estudos Superiores da Universidade de Lancaster, na Inglaterra.

    Tradução: Katarina Peixoto

    domingo, 21 de março de 2010

    GRÉCIA: A GRANDE MANIFESTAÇÃO DO PAME EM 11/MARÇO



    Grécia: isto é só o começo!
    por Christakis Georgiou
    As medidas de austeridade impostas aos trabalhadores gregos para reduzir os défices não são senão um prelúdio do que poderia acontecer em outros países europeus. A crise grega demonstra os desacordos da classe dirigente sobre as estratégias a adoptar. Pela segunda vez desde Dezembro de 2008, a Grécia está no centro da situação política na Europa. Desde a chegada ao poder do Pasok, o partido social-democrata grego, e das revelações referentes às aldrabices com os números do défice orçamental (o governo de direita havia falsificado os números para anunciar um défice menos elevado que o seu nível real, o que lhe permitiu continuar a tomar emprestado a baixas taxas de juro nos mercados), uma espécie de tragédia grega desenrola-se sob os nossos olhos.

    Os sociais-democratas abandonaram muito rapidamente as suas promessas eleitorais e anunciaram a inevitabilidade das medidas de rigor. A imprensa alemã conduz uma campanha de difamação da população grega. O primeiro-ministro grego, Papandreu, faz o giro das principais capitais da Europa para implorar um salvamento europeu. Na imprensa burguesa, o debate sobre a oportunidade de salvar ou não o Estado grego é tempestuoso. Nos mercados financeiros, a especulação ligada aos défices gregos faz deslizar o euro e inquieta os seus arquitectos. Na própria Grécia, os planos de austeridade seguem-se com uma rapidez impressionante (o do mês de Janeiro não foi suficiente para acalmar os grandes investidores financeiros e foram precisas medidas suplementares, anunciadas em Fevereiro, de âmbito bem mais vasto), as greves multiplicam-se e o medo de um novo Dezembro grego assombra a Europa.

    A crise grega é representativa da situação de vários países europeus. Primeiro, ela reflecte as divisões daqueles que dirigem as nossas sociedades. É o que revela o debate em torno da ajuda que a Europa poderia dar à Grécia. Alguns não querem ouvir falar do mínimo cêntimo de ajuda à Grécia. "A Alemanha não dará um centavo à Grécia", declarou Rainer Brüderle, ministro da Economia e membro do FDP, o partido liberal-democrata alemão, parceiro da CDU de Merkel no governo.

    Os liberais do FDP e os bávaros da CSU opõem-se ferozmente a um salvamento da Grécia. Ele fazem campanha para que o Estado grego faça o serviço em sua casa e imponha aos trabalhadores a totalidade da factura através de medidas de rigor. Mas face a isso, outros querem a todo preço evitar uma falência do Estado e dentre eles bom número de banqueiros que emprestaram maciçamente à Grécia e ficariam novamente numa situação muito difícil se o país não reembolsasse as suas dívidas. É o que explica a visita a Atenas do patrão do Deutsche Bank no fim de Fevereiro, a fim de negociar com o governo grego um eventual apoio alemão.

    Nesta situação, Papandreou tenta jogar todas as suas cartas para fazer pressão sobre o governo alemão. Após a sua visita a Berlim a 5 de Março e a Paris no dia 7, ele encontrou-se segunda-feira com Barack Obama em Washington para evocar a possibilidade de um apoio do FMI. Os dirigentes europeus nem querem ouvir falar. Uma tal solução mostraria a incapacidade da UE em resolver sozinha os seus problemas. E antes de ver o FMI intervir, estão prontos a fazê-lo por si próprios.

    O contexto de todas estas escaramuças é saber como se vai distribuir o fardo dos défices gregos. É um braço de ferro entre as classes dirigentes europeias. Mas a sua fonte principal é a incapacidade do governo grego para fazer com que sejam os trabalhadores do seu país a pagar a louça partida da crise. Pois se Papandreu estivesse em condições de impor o rigor necessário para reduzir rapidamente os défices e acalmar os investidores financeiros, não haveria necessidade de um apoio europeu. É isto que reclamam os "falcões" na Alemanha. Crise europeia Atrás da Grécia, um conjunto de outros países aguardam a sua vez.

    Os défices gregos não são muito mais elevados do que os da Espanha, de Portugal, da Irlanda, da Itália ou ainda da Grã-Bretanha. À parte este últimos, os outros fazem parte do euro. Se a Grécia receber apoio, isto seria um sinal de que os grandes países europeus – nomeadamente a Alemanha, principal potência económica europeia – fariam a mesma coisa para os outros. Isto enfraqueceria a pressão que se exerce sobre eles para imporem medidas de austeridade. De certa forma, portanto, a luta actual dos trabalhadores gregos tem um âmbito europeu. Quanto mais eles conseguirem resistir às medidas de austeridade, mais isto criará condições mais favoráveis aos trabalhadores dos outros países europeus para lutarem contra os planos de austeridade que dentro em breve cairão sobre eles.

    E da mesma forma, já em vários países os trabalhadores do sector público passam à acção. Dias 8 e 9 de Março, os funcionários britânicos fizeram greve contra a redução dos seus bónus de despedimento. Em Portugal, em trabalhadores do sector público fizeram greve quinta-feira 5 de Março contra o congelamento dos seus salários, medida tomada para reduzir os défices portugueses. Na Espanha, a terça-feira 2 de Março foi uma jornada contra a elevação da idade de reforma de 65 para 67 anos.

    Em França, o dia 23 de Março será uma jornada inter-profissional. A crise grega tornar-se-á certamente uma crise europeia quando os outros governos adoptarem medidas semelhantes. A resistência dos trabalhadores gregos deverá seguir o mesmo caminho.
    O original encontra-se em
    http://www.npa2009.org/content/grece-ce-n'est-qu'un-debut%E2%80%89

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .