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domingo, 15 de novembro de 2009

(VIDEO) NO a las basas gringas en Colombia


Por: Estrella Socialista/Catia TVe Fecha de publicación: 15/11/09

15 de noviembre 2009.- Este documental trata las nuevas bases militares yanquis en Colombia y las consecuencias que estas pueden traer a la integración y la soberanía de América Latina. También se examina el papel clave de la insurgencia en resistir la ingerencia y la invasión imperialista. Finalmente, se desmitifica la concepción de la paz que maneja la burguesía y se expone la significación de la paz para los revolucionarios.

Parte 1


Parte 2



Parte 3


Fonte: http://www.aporrea.org

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Guerra avisada

Para que não digam que não os avisei: há anos escrevo que todo país com hidrocarbonetos tem uma guerra no seu futuro e que o plano mestre dos Estados Unidos é atiçar um conflito entre a Colômbia e a Venezuela para ficar com as ruínas de ambas. Mas um prognóstico não é uma fatalidade. Já examinámos as debilidades que podem vitimar-nos. Estudemos as forças que podem salvar-nos.
Um conflito contra a Venezuela é um conflito contra a região. Disse Bolívar que para nós a Pátria e a América. A intrusão de forças estrangeiras invade-nos a todos. São objectos das bases militares dos Estados Unidos os hidrocarbonetos, a água doce e a biodiversidade do Equador , Brasil e Venezuela e então os da Bolívia, Paraguai, Argentina e o resto da América do Sul. O Brasil é, conforme o ano, a sexta ou a sétima economia do mundo, o oitavo produtor de armamentos e entre os seus 176 milhões de habitantes poderia erguer-se um exército que a partir da sua força actual de 361.928 soldados superará amplamente os 459.687 efectivos que registava o orçamento da Colômbia em 2007. O Grande Exército de Napoleão afundou-se nas vastidões da Rússia; os 8.547.000 km2 do Brasil poderiam ser o túmulo de muito paramilitar. Qualquer agressão nuclearia em torno do Brasil quase toda a região; a União Europeia, a Rússia e a China pressionariam contra o desequilíbrio de poder na zona. Por outro lado, do nosso lado estaria Cuba, que derrotou os Estados Unidos em Playa Girón e o apartheid na África do Sul. É demasiado para uma figurinha que alega não poder controlar o seu próprio território.
Pois o pretexto ou o álibi para abrir as portas ao exército do Estados Unidos seria a incapacidade das forças colombianas para dominar uns quantos cartéis de delinquentes comuns e uma insurgência política de pouco mais de dez mil homens. Em lugar de aplicar a lei aos irregulares, o poder instituído ilegalizou-se transmutando-se em paramilitar, parajudicial, parapolítico, narcopolítico. Mal pode pretender controlar o bairro quem não governa a própria casa. Não cabem dois galos no mesmo galinheiro e se dois exércitos compartilham o mesmo território é porque um está a fazer o papel de galinha. Antes de abrir as portas a um ocupante estrangeiro, um governo que perdeu o controle da situação deveria renunciar por incompetência, deixar a passagem ao seu próprio povo soberano, o sector que mais sofreu numa contenda civil que se prolonga há sessenta anos. Um patriota renuncia ao governo, mas não à soberania.
E, com efeito, na República vizinha ocorreu uma abdicação completa da soberania. Se por esta entendemos a inalienável potestade de se dar leis próprias, executá-las e julgar as controvérsias sobre a sua aplicação, os três atributos deixaram de existir para o governo – não para o povo – do país irmão. Expirou a potestade de legislar, pois foi entregue em acordos secretos que o presidente não se atreve a tornar públicos. Faleceu a faculdade de executá-las, pois soldados estrangeiros sob comando estrangeiros atribuem-se o controle da insurgência e do narcotráfico, que é competência dos poderes públicos locais. Morreu o direito de julgar controvérsias, pois os soldados estrangeiros gozam de imunidade frente às leis da República Irmã e não podem ser processados por seus tribunais.
Sobre o circo, não discuto com o palhaço e sim com o dono. O proprietário das bases estado-unidenses é os Estados Unidos. Planeia envolver-se agora mesmo em outra guerra? Já está atolado em dois conflitos maiores. Ambos começaram com falsos pretextos. Os dois arrancam com a promessa de uma vitória em poucas semanas. Os dois arrastam-se há mais de seis anos. Em ambos as suas forças estão desmoralizadas, drogam-se, suicidam-se, desertam. Em nenhum o final está à vista. Apenas se abre a câmara de horrores e o mundo se espanta perante as torturas, os assassinatos de civis, as deportações em massa. Os Estados Unidos debatem-se entre a crise financeira, o desemprego e a perspectiva de uma insurreição social. Votaram nas eleições por uma mudança: não é provável que aceitem o mesmo remédio.
Se o dono do circo não responde, divirtamo-nos com os palhaços. As bravatas belicosas, os anelos marciais e o escudar-se por trás das botas do polícia do mundo podem parecer projectos napoleónicos, mas na arena todo gesto bombástico dissimula misérias. A ameaça grandiloquente é o malabarismo para fazer pelo aro um Tratado de Livre Comércio e a reeleição de um equilibrista. Cada um é do tamanho dos seus estratagemas.
Perante intenções tão mesquinhas, evitemos grandes frases, pronunciamentos bombásticos. E, melhor, poupemo-nos a frases e pronunciamentos. A oligarquia vizinha só entende a linguagem dos factos. Bastou uma defesa enérgica das águas territoriais para que retirassem a fragata Caldas [1] .
Sobrou um controle do contrabando de extracção para que apresentassem desculpas pelo sequestro de Granda [2] . Será suficiente um moderado filtro aduaneiro para que a oligarquia que se nutre da nossa gasolina e de alimentos subsidiados e exporta anualmente bens no valor de seis mil milhões de dólares para a Venezuela puxe as orelhas ao seu porta-voz brigão e o mande desculpar-se qual ovelha mansa.
Entre ambos os países há um acúmulo de interesses, negócios e postos de trabalho que não podem ser sacrificados a uma estratégia reeleicionista de um político. Vigiemos as bases militares de além fronteiras: destruamos as bases paramilitares que nos ocuparam sem disparar um tiro. Não concedamos imunidade judicial a soldados estrangeiros, nem imunidade judicial e tributária a capitais estrangeiros. Guerra avisada mata quem não se prepara.
Uma áspera corda se ata no pescoço de quem serve de instrumentos dos Estados Unidos. Os talibans e Sadam Hussein foram armados pelo Império, para a seguir serem por ele bombardeados e linchados. Assim paga o diabo a quem o serve.
Enquanto isso, façamo-nos fortes.
[1] Refere-se a um incidente em 1987 quando esta fragata colombiana invadiu águas territoriais da Venezuela.
O original encontra-se em:
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A carta de Chávez à Unasul


Em nome do espírito de Liberdade e Justiça desta suprema época de grandeza que nos convoca neste luminoso presente, quero lhes estender a todos minhas mais sinceras e fraternas saudações.
Começarei recordando que em 10 de agosto de 1809 foi pronunciado pelo valoroso povo equatoriano, o Primeiro Grito de sua desejada Independência em Quito. A mesma cidade em que hoje, a 200 anos de empreendido nosso incessante processo de Independência, reunimo-nos em razão de responder a um compromisso iniludível e uma esperança concreta: honrar o esforço de toda uma geração de libertadores que traçou o caminho das novas repúblicas de Nossa América.
À luz e sombra desta semente libertária, espalhada por nossos predecessores nestas imponentes terras da Abya Yala, reanimou-se a idéia da união de repúblicas, traçada pelo Libertador durante toda sua vida política.
O mesmo Bolívar que nos deixou estas premonitórias palavras em 6 de setembro de 1815, em sua Carta da Jamaica, a qual foi dirigida em resposta ao cidadão Henry Cullen, um súdito britânico residente em Falmouth; como uma grandiosa bitácora ideológica que, por oportuna e verdadeira, permito-me incluir nestas linhas: “Certamente a união é a que nos falta para completar a obra de nossa regeneração”.Entretanto, nossa divisão não é estranha, porque tal é a marca das guerras civis disputadas geralmente entre dois partidos: conservadores e reformadores. Os primeiros são, em geral, mais numerosos, porque o império do costume produz o efeito da obediência às autoridades estabelecidas; os últimos são sempre menos numerosos, embora mais veementes e ilustrados. Deste modo a massa física se equilibra com a força moral, e a luta se prolonga, sendo seus resultados muito incertos. Por sorte nossa, a massa seguiu a inteligência.Revelava o Pai Bolívar uma de suas grandes angustias: ver unidas todas as nações de nosso largo e comprido continente na Pátria Grande. O espírito da nação da Colômbia se expressou pela primeira vez no Estreitamento banhado por nosso indomável Orinoco, no ano de 1819. Surgida dos sonhos de Miranda, Colômbia foi feita realidade por nosso Bolívar naquele ano, e embora fosse desmembrada, seu ânimo, hoje mais que nunca, deve expressar-se para nos dar perseverança de que nunca se perderá. Nossa União era para Bolívar um pródigo fim, ao qual se chegaria unicamente através de feitos sensíveis e esforços bem dirigidos.E hoje, a 200 anos daquele enorme gesto histórico, o nascimento da União de Nações Sulamericanas (Unasur), é a fiel amostra de que o processo de libertação de nossas nações continua impondo-se com mais vigor do que nunca. Entretanto, e trazendo para o presente toda esta síntese histórica, devo dizer com absoluto desgosto que a união e a independência de nossos países constituem uma ameaça para quem aspira seguir controlando nossas riquezas naturais, nossas economias e nossa vontade política, quer dizer, nossa soberania.É evidente que diante dos avanços progressistas e democráticos em nosso continente, o império norte-americano, que nos últimos cem anos exerceu sua hegemonia sobre a vida de nossas repúblicas, iniciou uma contra-ofensiva anti-histórica e retrógrada com o propósito de reverter a união, a soberania e a democracia em nosso continente, e impor a restauração da dominação imperial em todos os âmbitos da vida de nossas sociedades.Neste sentido, compartilhamos a visão de muitos na América Latina e no mundo: esta contra-ofensiva se iniciou em 28 de junho deste ano, com o perverso golpe de estado cometido na irmã Pátria hondurenha.Dizem os militares golpistas de Honduras, e os poderosos porta-vozes conservadores de Washington, que esta operação contra o presidente Zelaya foi uma manobra pensada em função de destruir a Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América (ALBA). Uma aliança que é um projeto de paz, de justiça social, de união solidária, de democracia participativa com e para as maiorias de nossos países; e de uma vez é um projeto independentista guiado por lideranças legítimas dos humildes de hoje.Este infame golpe foi respondido dignamente pelo povo hondurenho, enfrentando a repressão e demonstrando que são dignos herdeiros do heróico Morazán que, passados 200 anos, ainda vigiam.Por isso, em função da unidade que nos convocou sempre, e também seguindo os acontecimentos destes últimos tempos, permito-me lhes fazer um chamado de atenção. Companheiros e companheiras: desde meu Governo estamos realmente e profundamente preocupados com a situação de tensão com a irmã República da Colômbia, frente à instalação de sete bases militares norte-americanas nesse íntimo e irmão território sulamericano.Queremos denunciar, aqui, agora, que este fato é parte de um plano político e militar orquestrado para acabar com o projeto da União de Nações Sulamericanas (Unasur), além de ser a maior ameaça neste momento histórico para as infinitas riquezas que jazem em nosso continente, isto é: o ouro negro, nosso petróleo; o ouro azul, as grandes reserva aqüíferas; o ouro verde, nossa Amazônia.Nos últimos anos tenho denunciado uma perseguição permanente contra nosso país e nossa Revolução Bolivariana, por parte das elites que dirigem o império norte-americano. Nosso povo derrotou — diante do assombro da opinião internacional -- golpes de estado, sabotagem econômica e a investida de um descarnado terrorismo midiático de alcance nacional e internacional.Irmãos da América do Sul: a justificativa política e midiática do Governo da Colômbia e os chefes destas bases militares, são uma ameaça concreta à paz, a independência e aos direitos do povo da Venezuela.Nos últimos dias, recebemos as manifestações de preocupação e de solidariedade dos povos e governos do continente; assim como também de um importante setor da sociedade colombiana. Acreditam, quem nos ameaça, que podem deter o curso da nova e heróica história que hoje escrevemos em paz. “Fazer-nos respeitáveis é a garantia indestrutível de seus afãs ulteriores por lhes conservar”, disse José Gervasio Artigas.Mas assim como faz 200 anos nossos povos fizeram retroceder o decadente império espanhol, hoje contamos com condições morais e políticas superiores para neutralizar a estes setores de guerras e assim garantir que nosso continente seja uma terra de paz, sem ameaça militar.Seria um engano grave pensar que a ameaça é só contra Venezuela; vai dirigida a todos os países do sul do continente, sentencia o companheiro Fidel em suas reflexões intituladas “Sete punhaladas no coração da América“.Geopoliticamente estamos ao sul da hegemonia, e é uma realidade que, transcendendo a tendência política dos governos do mundo, o problema da guerra diz respeito à humanidade inteira. Nunca nossas angústias foram secretas, e dessa verdade eterna deu mostra o Apóstolo da América, José Martí, ao deixar em 1884, para este nosso tempo, uma incógnita vigente: “O que somos General (Máximo Gómez), os servidores heróicos e modestos de uma idéia que nos esquenta o coração, os amigos leais de um povo em desventura, ou os caudilhos valentes e afortunados que com o chicote na mão e a espora no salto se dispõem a levar a guerra a um povo, para assenhorear-se depois dele”.Não podemos ocultar o clamor de todo o povo colombiano e seu desejo de alcançar a paz em seu país. Sete décadas de guerras no interior da Colômbia só acharão resolução em uma saída política e negociada que respeite as garantias e gozem do respaldo de toda América do Sul.O povo da Colômbia tem direito à paz. Não pode pretender uma elite servil, cujo negócio é a guerra no irmão país, expandir e impor seu conflito armado com a pretensão de estigmatizar e desestabilizar aos movimentos progressistas e revolucionários que de maneira legítima, democrática e pacífica avançamos com os sonhos e bandeiras dos libertadores, a cumprir as tarefas ainda pendentes de união, justiça e independência.Não acreditamos em uma sociedade carente de conflitos, isso seria uma besteira, mas entendemos que somos chamados a assumir melhores conflitos, a reconhecê-los e contê-los, a viver não apesar deles, mas sim produtiva e inteligentemente com eles. Só um povo cético, maduro para o conflito, é um povo maduro para a paz, parafraseando o nosso irmão colombiano Estanislao Zuleta. E se quisermos uma paz verdadeira, devemos responder a tempo com clareza e valentia às necessidades mais sentidas de nossos povos.Chegou a hora da América do Sul, a hora da Unasur. Confiamos na capacidade política de nossa nascente união para enfrentar na atualidade esta ameaça, que compromete o futuro de nossas repúblicas, o futuro de nossos povos e o futuro de toda a humanidade.Sigamos, pois, companheiras e companheiros, a máxima de Bolívar: constituamos esse grande Pacto Americano “que formando de todas nossas repúblicas um corpo político, apresente a América ao mundo com um aspecto de majestade e grandeza sem igual nas nações antigas. À América assim unida, se o céu nos conceder este desejado voto, poderá chamá-la rainha das nações e mãe das repúblicas”.
Fraternalmente,Hugo Chávez Frías
Texto reproduzido de:

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

EUA cogitam instalar base militar no Recife


Por Bernardo Joffily; colaborou Ronaldo Carmona
Fonte: vermelho.org.br

A Força Aérea do Pentágono ambiciona instalar uma base na costa do Nordeste brasileiro, perto do Recife, embora julgue difícil consegui-la devido ao "relacionamento político com o Brasil".
A notícia veio à luz na esteira do anúncio da criação de três bases militares na Colômbia.

O plano da base na capital pernambucana consta de um documento do Air Mobility Command (Comando Aéreo de Mobilidade) sobre estratégias de transporte militar.

Fonte: 'Global en route strategy', Air Mobility Command O Air Mobility Command (AMC), sediado em Illinois, é um dos Comandos-Maiores da Força Aérea Americana (Usaf).

A aeronáutica é arma prioritária dos esforços de guerra do Pentágono desde a Guerra do Vietnã. O documento está no site da Universidade do Ar da Usaf. A especulação sobre uma base no Recife reacende um antigo interesse americano pelo papel estratégico do Nordeste brasileiro, que avança como uma cunha, dominando o Atlântico Sul.

"Zonas de Interesse" na "Guerra Global"

O texto traz a data de 4 de março de 2009, já na administração Barack Obama; mas considera que desde o 11 de Setembro de 2001 os Estados Unidos estão em "Guerra Global Contra o Terror" (chamada, familiarmente, pela sigla em inglês, Gwot) e trabalha com a Estratégia de Segurança Nacional elaborada pelo governo George W. Bush. Seu foco é um plano estratégico de mobilidade militar aérea, que cobre todo o planeta e tem abrangência té 2005.
Segundo o Comando Aéreo, as "zonas de hostilidade ou instabilidade" no mundo, que constituem "Zonas de Interesse" do Pentágono são: Oriente Médio, Sudeste Asiático, Coreia, África, Eurásia e Indonésia. Veja a figura 1, reproduzida do documento Global en route strategy, do Air Mobility Command.

Problemas no no flanco sul-atlântico
Todas as zonas citadas ficam distantes do Brasil. Mas logo se verá que, na cabeça dos generais americanos, as rotas até elas podem passar, por exemplo, pelo Aeroporto Internacional do Recife.
Os estrategistas do Comando Aéreo trabalham com duas rotas de acesso às "Zonas de Interesse", pelos oceanos Atlântico e Pacífico. A primeira delas tem à sua disposição, ao norte e ao centro, as numerosas bases da Otan na Europa. O texto elogia em especial as virtudes "únicas" da Base Naval de Sigonella, na Sicília.
Mas a variante sul tem problemas: conta apenas com a base anglo-americana na minúscula Ilha de Ascensão (900 habitantes), no Atlântico Sul, e a base de Camp Lemonier, no Djibuti, pequeno país de meio milhão de habitantes no nordeste africano, às margens do Mar Vermelho, única infraestrutura permanente que o documento adota em todo o Continente Negro.
A dificuldade no flanco sul-atlântico conflita com o "novo paradigma" de guerra aérea ("não linear e não contíguo", ao contrário da Guerra Fria), que "aparentemente será muito mais exigente em mobilidade aérea para deslocamentos, abastecimento e manutenção".
Conforme o documento, o avião prioritário para essa função será o C17 Globemaster. Este tem raio de ação de 3.700 quilômetros, ou 6.500 km numa viagem "ponto a ponto" (sem precisar retornar à mesma base). Isto permite alcançar a maior parte do mundo, a partir do território dos EUA, com exceção d
Negrito
a parte sul da Ásia, da Oceania e do sul-sudeste da África [figura 1]. É onde a América do Sul entra no documenro da Usaf.

Queixa sobre "relação política com o Brasil"
"Incluir a América do Sul em uma estratégia de rotas globais cumpre dois objetivos: ajuda a efetivar a estratégia de engajamento da região e auxilia na mobilidade da rota para a África. Infelizmente, uma estratégia de engajamento sul-americano que inclua facilidades aeroportuárias não está disponível", lamenta o documento.
O Air Mobility Command refere-se à base de Palanquero (uma das três cedidas dias atrás pelo governo colombiano de Alvaro Uribe) como uma "locação de segurança cooperativa". Destaca que a partir dela "cerca da metade da América do Sul pode ser coberta por um C17 sem necessidade de reabastecimento". Agrega que "com reabastecimento de combustível disponível no destino, um C17 pode cobrir toda a América do Sul, exceto a região do extremo sul do Chile e Argentina".
Também são citadas as bases já existentes em Porto Rico e nas Ilhas Virgens, no Caribe. Ambas não dependem de acordos internacionais, pois trata-se de territórios sob controle dos EUA.
Surge então o problema: nenhuma delas permite que os C17 chegue à base de Ascenção, porta de entrada para a África. "O Comando Sul dos EUA, na tentativa de obter acesso à África, colocou que Caiena, na Guiana Francesa, poderia servir como uma possível base. O Comando também considerou o acesso ao Aeroporto do Recife, Brasil", diz o documento.
"No entanto, a relação política com o Brasil não tende aos necessários acordos", diz o texto. Queixa-se ainda de que a distância entre o Recife e a grande base aérea americana de Charleston, na Carolina do Sul, chega a 7.600 km, fora do alcance dos C17, o que exigiria outra escala.

O precedente da Base de Natal
A ducha fria sobre a "relação política com o Brasil" não leva o Air Mobility Command a descartar a "hipótese". O último capítulo do texto, Chaves do sucesso, diz que "uma estratégia de engajamento diplomático de longo alcance é necessária para garantir a habilidade de perseguir esta estratégia". E volta a citar a América do Sul, aventando o possível uso de aeroportos comerciais da região por aviões da Usaf.
"Finalmente, a estratégia não pode ser estática", adverte ainda o documento. Recomenda a respeito que o Air Mobility Command promova a cada dois anos "uma ampla revisão" da temática, optando entre prossegui-la, introduzir ajustes ou modificá-la por completo.
Caso a hipotética base americana no Recife viesse a se instalar, não seria a primeira. Os EUA já tiveram uma base aérea, em Natal (RN), motivados pela mesma condição nordestina de cunha do Atlântico Sul, embora com curta duração.
A base foi implantada em 1942, como parte das operações da 2ª Guerra Mundial, em que os EUA e o Brasil compuseram o bloco dos Aliados contra o Eixo nazifascista. A base foi partilhada entre a FAB e a Usaf, que operava o seu setor leste. Além das missões de patrulha no Atlântico Sul, os americanos montaram através dela uma verdadeira ponte-aérea para o norte da África, a fim de abastecer as tropas aliadas.
Quando a 2ª Guerra acabou, o Pentágono bem que tentou permanecer em Natal. Mas a aliança antinazista cedera lugar à Guerra Fria e os brasileiros logo mudaram de opinião sobre a base. Os militares americanos reclamavam que eram hostilizados em brigas de rua (o que ocorria também no Rio, quando aportavam navios de guerra dos EUA), sutilmente estimuladas pelos comunistas e outras forças incomodadas por aquela presença militar estrangeira em tempo de paz. Meses depois a Usaf se foi e toda a base passou a pertencer à FAB.
Outro episódio, mais recente (embora apenas indiretamente ligado a esforços de guerra), envolveu a base brasileira de Alcântara, no Maranhão. O governo Fernando Henrique Cardoso havia proposto o uso da base por foguetes americanos e a proposta já tramitava no Congresso. A retirada do texto do acordo foi uma das primeiras medidas de política externa do governo Lula, em abril de 2003.

Texto: Por Bernardo Joffily; colaborou Ronaldo Carmona Postado em 06/08/2009
O Texto original encontra-se em:
http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=1bf2efbbe0c49b9f567c2e40f645279a&cod=4619

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Documento sobre bases gera suspeitas do Brasil

Documento sobre bases gera suspeitas do Brasil
Texto da Força Aérea americana exalta autonomia de voos partindo da Colômbia
Governo brasileiro indagará o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, que visitará o país nesta semana, sobre o assunto
Por ELIANE CANTANHÊDE -
O governo brasileiro questionará o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Jim Jones, que vem a Brasília nesta semana, sobre um documento da Força Aérea dos EUA apresentado em abril, num seminário militar, defendendo o uso de uma base no centro da Colômbia, como plataforma de operações de longo alcance.
O documento põe em dúvida as versões preliminares dos EUA e da Colômbia de que a ampliação do acordo militar dos dois países visa exclusivamente o combate ao narcotráfico, sem nenhum objetivo estratégico militar.
Pelo documento, operações a partir da base de Palanquero com o avião militar C-17 podem cobrir metade do continente sem necessidade de paradas técnicas de reabastecimento, o que reforça a desconfiança do Brasil e de países vizinhos de que o objetivo da ampliação militar americana na Colômbia não é interno, para combate à narcoguerrilha, mas externo, para aumentar a presença dissuasória no continente.
A viagem protocolar de Jim Jones já estava marcada previamente, mas ganhou importância com as tensões Colômbia-Venezuela. Ele terá encontros na quarta com os ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Nelson Jobim (Defesa), além de se reunir amanhã com o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia.
Amorim já cobrou publicamente "transparência" na ampliação da presença americana em bases colombianas. As embaixadas em Washington e em Bogotá já pediram informações oficiais aos dois governos.
Uma das dúvidas brasileiras quanto ao avanço dos EUA sobre bases localizadas na Colômbia é que ele é justificado com o combate à guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), mas o próprio governo colombiano diz há tempos que elas já estão bastante fragilizadas.
Ao contrário, o Brasil analisa duas hipóteses: a de que a intenção dos EUA seja transferir para a Colômbia os equipamentos, o efetivo e as operações da sua base de Manta, no Equador, depois que o presidente equatoriano, Rafael Correa, se recusou a renovar o acordo militar com os EUA.
Além disso, Planalto e Itamaraty temem que a investida dos EUA tenha como meta neutralizar a aproximação da Venezuela com o Irã e com a Rússia.

Defesa de Chávez
Na semana passada, a embaixadora Vera Machado, subsecretária de temas bilaterais do Itamaraty, fez três perguntas ao chefe do Comando Sul dos EUA, general Douglas Fraser, que esteve em Brasília: se as bases serão americanas ou continuarão sob controle da Colômbia; se haverá aumento de efetivo e qual é, efetivamente, a intenção da ampliação da presença americana no país.
Fraser contra-atacou perguntando sobre o questionamento da Colômbia e da Suécia ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sobre armas suecas que foram vendidas aos venezuelanos e acabaram em mãos de guerrilheiros das Farc.
Em entrevista publicada ontem pela Folha, Amorim disse que não dá para comparar a questão das armas suecas com o aumento da presença dos EUA em bases colombianas. "[A questão das armas] é desse tamanhinho comparada com as bases militares", disse.
Segundo ele, as armas são de 1988 e ainda não se sabe se foram parar com as Farc antes ou depois de Chávez e como. "E se foram roubadas?"
Amorim contou que, na conversa com Machado, Fraser disse que uma das preocupações, hoje em dia, é que há até "veículos submersíveis" que levam armas para os EUA e as trazem para a América do Sul.Concluiu o ministro: "Então, há armas de várias procedências e nem por isso você pode acusar os EUA de estar mandando essas armas para as Farc ou para favelas do Rio. Muitas armas chegam lá, nas Farc, como chegam nas favelas do Rio".
Fonte: Folha de São Paulo - 03.08.2009.