Mostrando postagens com marcador Orientação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Orientação. Mostrar todas as postagens
sábado, 4 de maio de 2019
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Orientação e Cartografia (2ª parte)
Orientação e Cartografia (2ª parte)
Nesta segunda parte do tema Orientação e Cartografia, vamo-nos cingir especificamente a uma componente prática, na sequência da primeira parte, que abordou apenas a componente teórica, que serviu para ajudar melhor a compreender esta continuação.
Como agir no caso de se perder
O que deve fazer se se perder num local deserto depende em grande parte das circunstâncias. De noite ou com tempo frio, a prioridade é encontrar um abrigo, com bom tempo, a prioridade é encontrar uma estrada, uma povoação ou um telefone.
Mal suspeite de que se perdeu, pare e avalie a situação. Continuar às cegas apenas poderá agravá-la.
Se tiver um mapa, verifique a legenda para saber o que significam os símbolos. Provavelmente ficará com uma noção aproximada do local onde se encontra.
Olhe em volta à procura de pontos de referência que condigam com o mapa.
Procure localizar no mapa a última posição antes de se perder e tente traçar o caminho desde então, recordando cursos de água ou outros pontos de referência por onde tenha passado.
Estude as curvas de nível do mapa para fazer uma ideia da configuração do terreno na área onde se perdeu. As curvas de nível muito espaçadas correspondem a terreno pouco acidentado. A inexistência de curvas de nível indica uma planície ou um planalto. As curvas muito fechadas assinalam normalmente os contrafortes de um monte ou vale.
Verifique também a escala do mapa, por exemplo 1:50 000 significa que 1 cm no mapa equivale a 50 000 cm (0,5 km) no terreno.
Sirva-se de um dedo como medidor tosco, se não tiver papel e lápis. O dedo indicador da maioria dos adultos mede cerca de 2,5 cm da ponta até à primeira articulação. Além disso, as cartas topográficas apresentam uma quadrícula que juntamente com a escala pode ser utilizada para calcular distâncias sem a ajuda de uma régua.
Rode o mapa até os símbolos ficarem alinhados com os pontos de referência que representam. Decida-se quanto à direcção a tomar para alcançar uma estrada ou uma povoação.
Verifique se existe algum obstáculo, uma escarpa ou um rio largo por exemplo, a barrar-lhe o caminho até ao destino escolhido. Se houver, arranje maneira de o contornar sem se desviar demasiado.
Procure no mapa e no terreno um ponto de referência para se orientar. Verifique no mapa o seu avanço, procurando outros pontos de referência de um lado e do outro do caminho, à medida que for avançando.
E se não tiver mapa nem bússola?
Mesmo que não tenha mapa ou bússola, poderá encaminhar-se para local seguro, desde que observe alguns preceitos.
Considere em primeiro lugar voltar atrás pelo mesmo caminho até à ultima estrada principal por onde tenha passado.
Se não for possível voltar atrás, olhe à sua volta. Se avistar uma estrada dirija-se para lá.
Se conseguir orientar-se por pontos de referência no terreno de modo a reconhecer pelo menos vagamente o sítio onde se encontra, dirija-se para a estrada, caminho, via férrea ou curso de água mais próximo que saiba ir dar a lugar seguro.
Orientação sem Carta ou Bússola
O passo fundamental para se determinar a direcção, é localizar os quatro pontos cardeais no terreno. Existem vários métodos para o fazer sem bússola.
Pelo Sol
O Sol nasce a Este e põe-se a Oeste nos dias do Equinócio (por volta de 21 de Março e 21 de Setembro), mas ligeiramente a Sul destes pontos no Outono e Inverno e ligeiramente a Norte destes pontos na Primavera e Verão. Contudo convém lembrar que a direcção é função do nosso propósito. Se formos obrigados a atingir um ponto ou local específicos, é forçoso que alinhe a direcção pretendida com o Norte ou o Sul Magnéticos ou Geográficos. Mas se apenas pretende manter uma direcção, a trajectória do Sol é o melhor ponto de referência permanente.
A Bússola das mãos
Se for de manhã, estenda o braço direito na direcção em que o Sol está a nascer, que é o Este, desta forma, ficaremos com o Oeste na direcção do braço esquerdo, o Norte estará à nossa frente e o Sul estará atrás de nós. Se for da parte da tarde, basta estender o braço o braço esquerdo na direcção em que o Sol vai caindo, que é o Oeste, assim o Este ficará no lado do braço direito, o Norte à frente e o Sul atrás.
Método da sombra da vara
1 - Cravar uma vara no chão, em local onde se possa projectar uma sombra distinta, marcar onde a sombra da ponta da vara bater no chão.
2 – Aguardar que a sombra da vara se desloque alguns centímetros. Se a vara tiver cerca de 1 metro, bastam quinze minutos. Quanto mais comprida for a vara, tanto mais rapidamente se deslocará a sombra. Marcar a nova posição da sombra da ponta da vara.
3 – Traçar uma linha recta, passando pelas duas marcas referidas, obtendo aproximadamente, a linha Este-Oeste. A primeira marca fica sempre para Oeste, a segunda marca fica sempre para Este, a qualquer hora do dia e em qualquer lugar da Terra.
4 – Qualquer linha perpendicular à anterior indicará, aproximadamente, a direcção Norte-Sul, a qual ajudará a orientar para qualquer direcção de marcha.
Determinação da hora pelo método da sombra da vara
Ao meio-dia, a hora dada por este relógio de Sol está próxima da hora dos relógios convencionais e o espaçamento das outras horas, comparado com o das horas convencionais, varia um pouco o local e a data.
Para saber as horas do dia crava-se a estaca verticalmente na intersecção das linhas Este-Oeste e Norte-Sul. A ponta Oeste da linha Este-Oeste indica as 6 horas e a ponta Este as 18 horas, em qualquer ponto da Terra. A linha Norte-Sul fica assim transformada na linha do meio-dia. A sombra da vara é o ponteiro das horas deste relógio de Sol e com ela pode estimar as horas usando a linha do meio-dia e a linha das 6-18 horas como referências. A sombra pode deslocar-se quer no sentido do movimento dos ponteiros do relógio, quer no sentido contrário, conforme a localização e a estação do ano, mas este facto não altera a maneira de ler este relógio de Sol. O relógio de Sol não é um relógio em sentido comum. Nele o dia tem doze horas desiguais e lêm-se sempre 6 horas ao nascer do Sol e 18 horas ao pôr do Sol.
Método do relógio
Pode usar-se o relógio para determinar, aproximadamente, quer o Norte quer o Sul verdadeiros. Apenas na zona temperada do Norte o ponteiro das horas é apontado para o Sol. A meia distância entre o ponteiro das horas e s 12 horas do relógio corre uma linha que aponta o Sul. Para poupar tempo e à luz do dia, a linha Norte-Sul pode ser determinada a meia distância entre o ponteiro das horas e a 1 hora. Se tiver dúvidas acerca de qual das extremidades da linha aponta o Norte, basta recordar que o Sol está a Este antes do meio-dia e a Oeste da parte da tarde.
O relógio também pode ser usado para orientação na zona temperada do Sul, porém o método é diferente. Aponta-se a marca das 12 horas do relógio para o Sol e a meia distância entre as “12” e o ponteiro das horas estará a linha que indica o Norte. À luz do dia, e para poupar tempo, esta linha pode ser determinada a meia distância entre o ponteiro das horas e o “1”. As zonas temperadas em ambos os hemisférios ficam compreendidas entre os 23,5º e os 66,5º de latitude.
Método das sombras iguais
1. Crava-se uma vara ou ramo verticalmente em local apropriado para se obter uma sombra nítida com, pelo menos 30 cm de comprimento. Marca-se a sombra do topo da vara com uma pedra, cavaco ou qualquer outra coisa. Esta operação tem de ser feita cinco a dez minutos antes do meio-dia (hora solar).
2. Traça-se um arco cujo raio seja o comprimento da sombra anteriormente marcada e cujo centro seja a base da vara. Para fazer isto, pode-se usar um cordel, os atacadores dos sapatos ou uma outra vara.
3. À medida que o meio-dia se for aproximando, a sombra irá encurtando. Após o meio-dia, o comprimento da sombra irá aumentando até cruzar o arco. Mal a sombra da ponta da vara tocar o arco pela segunda vez, marque o sítio.
4. Risque uma linha recta que passe pelas duas marcas para obter a linha Este-Oeste.
Embora esta seja a versão mais rigorosa do método da sombra da vara:
. Tem de ser efectuada próximo do meio-dia.
. Para se completar o processo, o observados tem de estar atento à sombra e executar o passo 3 no instante em que a ponta da sombra tocar o arco.
Orientação durante a noite
Orientar-se à noite no céu parece ser difícil, mas na realidade é como ler um mapa de estradas. Se olharmos para o céu durante algum tempo percebemos que toda a esfera celeste parece rodar em torno de um ponto fixo. No hemisfério Norte, a esse ponto chamamos Pólo Norte Celeste. Próximo desse ponto encontra-se uma estrela não muito brilhante, mas importante porque está orientada a Norte e ao contrário de todas as outras estrelas mantendo a mesma posição ao longo da noite. No meio de tantas estrelas apenas temos que encontrar a Estrela Polar.
Encontrar o Norte
A Polar encontra-se na constelação da Ursa Menor, mas é mais fácil de localizar pela constelação da Ursa Maior. As duas estrelas da extremidade da “caçarola” (que são as mais brilhantes desta constelação e dão pelo nome de Dubhe e Merak), são normalmente designadas por “guardas”. A Estrela Polar fica no prolongamento da linha que une as “guardas” (cerca de cinco vezes a distância que as une), esta linha tem que ser prolongada para o lado de convexidade da cauda. A Uesa Maior roda lentamente em torno da Estrela Polar e nem sempre aparece na mesma posição.
A constelação de Cassiopeia também pode ser usada. Este grupo de cinco estrelas brilhantes apresenta-se como um “M” cambado (ou como um “W”, quando está próxima da linha do horizonte). A Estrela Polar fica exactamente em frente da Estrela do centro a cerca de meio caminho entre a Cassiopeia e a Ursa Maior. A Cassiopeia também roda lentamente em torno da Estrela Polar e localiza-se sempre em posição quase diametralmente oposta à da Ursa Maior. Esta posição constitui um auxiliar valioso quando a Ursa Maior se encontra baixa ou fora da vista devido à vegetação ou ao terreno elevado.
Encontrar o Sul
A Sul do Equador, encontrar esse ponto cardeal não é assim tão fácil, pois não há uma estrela brilhante próxima. Ainda assim, a constelação do Cruzeiro do Sul ajudará a localizar a direcção geral do Sul e, a partir desta base, qualquer outra direcção. Este grupo de quatro estrelas brilhantes tem a forma de uma cruz, e daí o seu nome. As duas estrelas que formam o eixo maior do Cruzeiro são designadas por “pontas”. Prolonga-se o eixo maior da Cruz, na direcção do nosso pé, quatro vezes e meia a distância que separa as duas “pontas” e obtém-se um ponto imaginário. Este ponto assinala a direcção geral do Sul. Deste ponto, olha-se perpendicularmente à linha do horizonte e escolhe-se uma referência no terreno.
Pela Lua
Tal como o Sol, a Lua nasce aproximadamente a Este e põe-se a Oeste. Mas por ter um período de rotação diferente da Terra, ela nasce e põe-se sempre em horas diferentes.
As fases da Lua são causadas pela sua posição em relação ao Sol, a parte iluminada é a que se encontra na direcção do Sol.
A Lua Cheia é visível toda a noite, nasce a Este, atinge a máxima altura no céu na direcção Sul e põe-se aproximadamente a Oeste. Pelo contrário, a Lua Nova não é visível porque atravessa o céu durante o dia.
Em Quarto Crescente (forma de “D”) a Lua é visível no início da noite aproximadamente a Sul e põe-se a Oeste no início da madrugada. Pelo contrário em Quarto Minguante (forma de “C”) a Lua nasce a Este no início da madrugada e encontra-se na direcção Sul ao amanhecer.
Para os habitantes do Hemisfério Sul, a Lua não é visível na direcção Sul, mas sim a Norte. A Lua em Quarto Crescente passa a ter a forma de “C” e consequentemente, tem a forma de “D” em Quarto Minguante.
Orientação por indícios e informações
Igrejas – (Nas antigas) estão normalmente orientadas de Oriente para Ocidente, isto é, a entrada está voltada a poente e o altar a nascente. Outra maneira, o altar fica do lado da Terra Santa.
Cataventos – Colocados nas torres das igrejas e noutros edifícios com uma cruzeta, com as indicações dos pontos cardeais.
Acção Clorofilia – O cimo (copa) dos pinheiros inclinam-se mais para o Sol nascente. Os ramos das árvores são maiores e mais numerosos do lado Sul, por ser desse lado que incide mais o Sol.
Casca das árvores – Apresentam-se mais rugosas, mais grossas e com mais fendas do lado em que são batidas pelas chuvas, isto é, do lado voltadas a Norte ou Noroeste.
Caracóis – Geralmente encontram-se mais nas paredes voltadas a Sul e a Este.
Formigas – Têm o formigueiro e principalmente as estradas abrigadas dos ventos dominantes (Norte em Portugal, ficando portanto a entrada virada a Sul).
Moínhos – Em Portugal, a porta está geralmente voltada para Sudeste (também devido aos ventos dominantes).
Criptogâmicos – (Musgo, cogumelos, etc) A sua existência, que se desenvolve mais no lado húmido, indica-nos o Norte. O Sol incide no lado Sul porque estamos a Norte da zona tórrida.
A título de curiosidade, é importante no final do dia sabermos quanto tempo temos de luz solar. Pois existe um método simples de o calcular, basta estender o nosso braço colocando a nossa mão em frente e colocando o sol na intersecção do dedo polegar e do indicador, os dedos que ficam para baixo em direcção à linha do horizonte, dão-nos um tempo aproximado de quando o sol desaparecerá, contando que cada dedo equivale a 15 minutos de luz solar, basta somar quinze minutos pelos dedos que separam o Sol da linha do horizonte.
A Variação ou Declinação Magnética
Aparentemente, para orientar a carta, o único que temos que fazer, é verificar a direcção que a bússola nos indica o Norte e alinhar a carta com essa direcção. Mas desgraçadamente a vida não é assim tão simples. Para tornar isto mais complicado e como já dissemos no artigo anterior, existem 3 Nortes, entre os quais temos que eleger e o mais exacto ou não que resultará a nossa orientação vai depender do que elegermos. O Norte Geográfico é o Pólo Norte, que não terá grande interesse para nos orientarmos na montanha. O Norte Verdadeiro é o Norte que assinalam as linhas de coordenadas, da quadricula, da carta e o Norte Magnético, que muda ligeiramente de posição todos os anos e que nos é assinalado pela bússola. A diferença entre o Norte Verdadeiro e o Norte Magnético chama-se Variação ou declinação magnética. A causa desta aparente anomalia é derivada pela atração magnética que se situa numa pequena ilha situada ligeiramente a Oeste do Polo Norte Geográfico, e consequentemente a variação magnética será um pouco diferente dependendo do local onde nos encontremos. Nas cartas, geralmente está indicado o valor aproximado da declinação.
Portanto o Norte Verdadeiro, que é o que as cartas nos indicam, está na direcção do Polo Norte Geográfico e o Norte que nos assinala a agulha da bússola está a cerca de 2.250 km de distância do geográfico. No Dakota existe muito pouca declinação, porque o Norte Magnético está mesmo muito próximo. Na Califórnia, o Norte Magnético situa-se ligeiramente a Este do Norte Verdadeiro e no New England está um pouco a Oeste. Estas diferenças servem para exemplificar um pouco as diferenças existentes.
Para corrigir a declinação na bússola e podermos orientar a carta correctamente, temos que ler primeiro na legenda da carta qual é a declinação (neste exemplo prático será 352 graus).
1. Roda-se o limbo até que o Norte coincida com a seta de direcção do rumo.
2. Coloca-se um dos lados da bússola paralelo a qualquer meridiano (ou linha de quadrícula Norte-Sul) no mapa.
3. De seguida, giram-se ambos, a bússola e o mapa, até que a ponta vermelha da agulha imãnada indique a declinação (neste caso 352 graus). O mapa neste momento está orientado e portanto coincide com o terreno.
Processos de Orientação
A carta topográfica
As cartas topográficas estão divididas em quadriculas com numeração, estas servem para calcularmos as coordenadas geográficas. Portanto as quadrículas das cartas ajudam-nos a localizar com toda a precisão, a nossa posição. Para calcular as coordenadas, primeiro seguimos as linhas horizontais (a) e verificamos que o quadrado sombreado (neste caso será a nossa localização) se situa entre as linhas com os números 43 e 44. De seguida subimos pelas linhas verticais (b) e verificamos que o quadrado se situa entre os números 25 e o 26. A posição do quadrado é portanto 4.325. Para sermos mais exactos utilizaremos uma referência com 6 dígitos. Podemos utilizar o lado graduado da bússola para dividir os lados da quadrícula identificada com a referência de 4 dígitos em 10 partes iguais e deste modo conseguimos a terceira e sexta numeração. Desta forma sabemos que a nossa posição exacta é 436.253.
Orientação de uma carta
Sabe-se que muita gente se colocou a caminhar em direcção errada, simplesmente porque pegaram na carta como se fosse um livro, que tem uma parte de cima e uma parte de baixo e não como um mapa que tem um Norte e um Sul. Portanto, um mapa deve-se segurar comparando-o com os acidentes de terreno, ainda que implique pegar nele de pernas para o ar. Devemos observar as características da paisagem que nos rodeia, identificando lagos, bosques, colinas, etc, e comparar com as suas representações na carta. Se não estiverem no seu sítio, devemos dar a volta ao mapa até que todos os pontos identificados fiquem no devido sítio em relação à carta. Devemos levar em conta que não temos uma perspectiva de um pássaro em relação ao terreno, pelo que é necessária uma certa práctica para orientar e interpretar a carta desta forma.
Métodos de orientação:
a) Com a bússola: Determina-se a declinação cartográfica, marca-se sobre a carta a direcção do Norte Magnético (na escala de tangente).
Faz-se coincidir a direcção da agulha magnética com a direcção marcada na carta (Norte Magnético) ficando assim a carta orientada.
b) Conhecendo o ponto de estação (ponto onde nos encontramos) e identificando um ponto do terreno na carta.
Faz-se coincidir a direcção do terreno (ponto estação – ponto identificado) com a sua homóloga na carta (ponto de estação na carta – ponto identificação na carta). A carta fica orientada.
c) Não sendo conhecido o ponto estação, mas sendo conhecido e identificado no terreno uma linha bem defenida (estrada, linha de água, linha férrea, etc).
1) Há que determinar o ponto estação para isso.
a) Por comparação com os objectos que nos rodeiam. Depois de a carta estar orientada através da comparação carta-terreno e pelo cálculo da distância a 1 ou 2 acidentes comparados, sabe-se a nossa posição (ponto de estação).
b) Por intersecções – Orienta-se a carta, escolhe-se um ponto de referência no terreno e com uma régua, marca-se na carta a direcção segundo a qual se vê o ponto (a direcção marcada deve passar pelo sinal que representa na carta o ponto escolhido). Repete-se a operação para outro ponto de referência. O cruzamento das duas linhas traçadas, de preferência 3, é o ponto estação.
Determinar o local onde nos encontramos
Procurar os símbolos.
Uma vez orientada a carta, segure-a com firmeza. Examine no mapa a área onde julgamos encontrar-nos e procurar localizar símbolos que representem pontos de referência fáceis de identificar, tais como o cume de um monte, uma ponte ou uma igreja. Devemos olhar à nossa volta e procurar encontrar esses pontos de referência no terreno. Depois, mira-se ao longo do mapa de modo que o símbolo neste e o ponto correspondente no terreno fiquem alinhados. A nossa posição situa-se algures ao longo dessa linha. Repete-se o processo com outros pontos de referência e a nossa posição será algures no triângulo formado geralmente por essas linhas.
Como Utilizar a bússola
. Colocamo-nos em frente ao objecto cuja direcção tomamos como referência.
. Mantemos a bússola nivelada (deve estar paralela ao solo de preferência). Mantendo-a assim, a agulha move-se livremente.
. Mantemos a bússola directamente à nossa frente, não angulada.
. Para alinhar a agulha magnética e a flecha de orientação, mantemos a bússola o mais próxima possível, de forma que se veja a esfera olhando-a para baixo e não desnivelada. Assim seremos capazes de situar a agulha exactamente sobre a flecha de orientação com os extremos alinhados.
. Devemos estar afastados de tempestades magnéticas, rochas eruptivas, grandes massas de ferro (torres, pontes, hangares, etc), cabos condutores de energia eléctrica, etc, pois provocam desvios da agulha da bússola.
Orientação pela bússola
. A agulha magnética da bússola indica-nos o Norte Magnético, pelo que, para se determinar o Norte Geográfico, bastará entrar em linha de conta com o valor da declinação magnética.
. Na prática, para nos orientarmos com a bússola, colocamo-la horizontalmente e rodamos o limbo graduado até que o Norte fique alinhado com a linha de leitura. Com este procedimento obtemos uma orientação Norte, que é o mesmo que 0º ou 360º. De seguida segura-se a bússola nivelada à nossa frente a uma distância que se consiga ver facilmente.
Seguidamente roda-se o corpo e a bússola simultaneamente, até que o extremo vermelho da agulha fique sobre a ponta da seta de direcção.
Neste momento estaremos orientados para o Norte magnético. Para seguir essa direcção, deslocamo-nos ao longo da linha indicada pela seta de direcção.
. A direcção a seguir, no terreno é definida com base na linha Norte-Sul do mostrador.
Como determinar o azimute magnético de um alvo usando a bússola
Primeiro deve-se alinhar a fenda de pontaria com a linha de pontaria e com o alvo. Depois deste alinhamento, espreita-se pela ocular para o mostrador e lê-se a medida junto ao ponto de referência.
Quando nos é dado um azimute
Se nos é fornecido um azimute em graus, rodamos o mostrador da bússola de modo que esse valor fique virado para a linha de referência. Segura-se a bússola horizontalmente à nossa frente, com a linha de direcção a apontar para a frente.
Rodamos o corpo até que a ponta vermelha da agulha magnética esteja alinhada com o Norte do mostrador. Neste momento ficamos virados na direcção do deslocamento.
Orientação com carta e bússola
. Coloca-se a bússola sobre a carta, de modo a que as respectivas linhas Norte-Sul fiquem paralelas.
. Roda-se todo o conjunto (a carta e o mostrador da bússola devem manter as mesmas posições relativas), até que a ponta da agulha que indica o Norte Magnético fique sobre o ponto do mostrador que define a declinação.
. Deve-se notar que esta operação deverá ser efectuada fora da influência de quaisquer massas metálicas.
Transformação de um rumo do mapa para a bússola
1. Segura-se a carta, plana e calcula-se o rumo a olho, para evitar erros de 180º no rumo final. No exemplo apresentado, o rumo de “A” a “B” é de aproximadamente 45 graus.
2. Coloca-se a bússola sobre a linha imaginária que une “A” a “B”, de forma que a seta indicadora do rumo apresente essa direcção.
3. Roda-se o limbo da bússola, até que as linhas de orientação fiquem paralelas aos meridianos da carta, e agora lê-se o rumo na marca de indicação dos graus. Já temos o rumo verdadeiro. Se nos situamos numa zona onde a variação magnética é superior a 3 graus, devemos tomar particular atenção. Para conseguirmos um rumo magnético teremos que aumentar (somar) de modo que se o rumo verdadeiro for de 46 graus e a declinação magnética, segundo o mapa, fôr de 5º, o rumo magnético será de 51 graus. Teremos então que rodar o limbo da bússola até que a marca indicadora, marque 51 graus.
4. Para conseguir o rumo, segura-se a bússola plana na mão, à nossa frente. Rodamos até que o extremo vermelho da agulha imânada coincida com o Norte do limbo e seja paralela às linhas de orientação. A direcção a seguir, é a que aponta a seta de indicação do rumo.
Como devem compreender Muito fica por abordar sobre este tema, mas apenas tentamos deixar uma ideia simples de como nos orientarmos. Lógicamente, aconselhamos que frequentem uma formação e saiam para o campo com pessoas que dominem esta matéria, de forma a aprofundarem os conhecimentos. E para terminar este artigo, gostaríamos de deixar algumas chamadas de atenção de forma a evitar problemas de desorientação quando sairmos para o monte.
Assim, qualquer pessoa que se aventure a pé na montanha, pode reduzir ao mínimo os riscos de se perder, se observar algumas regras simples:
Informe alguém do local aonde vai e da hora a que espera chegar. Confirme a sua chegada para que o seu contacto não peça desnecessariamente auxilio.
Calcule quanto tempo a sua viagem irá demorar. Um adulto em boa forma pode estimar a caminhada em campo aberto à velocidade de cerca de 4 km/h, excluindo as paragens para descansar.
Acrescente 50 minutos à sua estimativa por cada 500 m de escalada ao longo do percurso.
Informe-se das condições meteorológicas antes da partida e vista-se em conformidade com a previsão do estado do tempo.
Se se deslocar para um local desconhecido, tente reunir um grupo de pelo menos quatro pessoas. Se uma se ferir ou magoar, um membro do grupo pode ficar junto à vítima, enquanto os outros dois buscam socorro.
Se tiver pouca experiência de caminhar em campo aberto, pondere bem antes de se aventurar sozinho.
Se os seus planos forem alterados por qualquer razão após a partida, informe aqueles que o esperam, se tal for possível. Deste modo poderá evitar alarmes falsos e impedir que quaisquer serviços de socorro sejam alertados desnecessariamente.
Posto isto, basta-nos terminar com os votos de boas caminhadas … e, orientados
Nota: gostaríamos de deixar aqui o nosso agradecimento ao Benjamim Ribeiro, pela sua colaboração na parte de orientação nocturna.
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
História da Bússola
A bússola
ou compasso magnético é
um instrumento que serve para determinar a orientação e que tem sua base
apoiada na propriedade de uma agulha magnetizada. Esta agulha imantada assinala
a direção do Norte magnético, a qual é ligeiramente diferente para cada zona do
planeta e apresenta-se distinto do Norte geográfico. A bússola utiliza
como meio de funcionamento o magnetismo terrestre. A agulha imantada indica a
direção do campo magnético terrestre, apontando para os polos Norte e Sul.
Entretanto a bússola é inútil nas zonas polares norte e sul, devido à
convergência das linhas de força do campo magnético terrestre.
Em meados do século XX a bússola magnética começou
a ser substituída, principalmente nas aeronaves, pela bússola giroscópica e que atualmente os giroscópios de tais bússolas estão
calibrados por feixes de laser.
Na atualidade a bússola está sendo substituída por sistemas
de navegação mais avançados e completos, que proporcionam mais informações e
precisão; no entanto, ainda é muito popular em atividades que requerem alta
mobilidade ou que impeça, devido a sua natureza, o acesso a energia elétrica,
da qual dependem os demais sistemas do giroscópio.
História da bússola
A bússola
é um instrumento que indica o rumo de
uma direção e é empregada por marinheiros, pilotos, caçadores, excursionistas e
viajantes para se orientarem. Há dois tipos fundamentais de bússola:
a bússola
magnética, que em versões primitivas já era
utilizada no século XIII, e o giroscópio ou bússola giroscópica, o qual constituise de um dispositivo desenvolvido no
início do século XX. Na bússola
magnética o rumo é determinado a partir de uma
ou várias agulhas magnetizadas que assinalam a direção do polo norte magnético,
sob a influência do campo magnético terrestre. O giroscópio,
o qual não é afetado pelo magnetismo terrestre, consiste em um equipamento cujo
rotor gira ao redor de um eixo confinado ao plano horizontal de forma que este
eixo se alinha com a direção Norte-Sul, paralela ao eixo de rotação terrestre,
indicando assim o norte verdadeiro.
A origem da bússola
Pouco se sabe sobre a origem da bússola,
ainda que os chineses afirmem que eles a inventaram a mais de 2.500 anos a.C. É
provável que fosse usada nos países da Ásia Oriental desde o terceiro século da
era Cristã. E há os que opinam que um milênio mais tarde, Marco Polo a
introduziu na Europa.
Os chineses usavam um pedaço de cana contendo uma agulha magnética
que flutuava sobre a água, e esta indicava o norte magnético. Porém em certas
ocasiões não servia, pois necessitava estar em águas calmas, tendo sido
posteriormente aperfeiçoada pelos italianos.
O fenômeno do magnetismo era conhecido; se sabia desde a muito
tempo que um elemento fino de ferro magnetizado indicava a direção do norte. Já
no século XII existiam bússolas
rudimentares e em 1269, Pietro
Peregrino de Maricourt, alquimista da região da Picardía, descreveu e desenhou
em um documento, uma bússola com agulha fixa (entretanto sem a rosa dos
ventos). Os árabes se sentiram muito
atraídos por este invento; utilizando-a em seguida e a fizeram ser conhecida em
todo o Oriente.
A bússola
(de "buxula", caixa feita de madeira) é um instrumento magnético que aparece descrito na
Divina Comédia de Dante, da seguinte maneira: "Os navegantes têm uma bússola que no meio tem encravado
em um parafuso, uma folha de papel leve que gira em torno do dito parafuso;
dita folha tem muitas pontas e numa delas tem pintada uma estrela traspassada
por uma ponta de agulha; quando os navegantes desejam ver onde está a direção
seguida, marcam tal ponta com o imã."
Outros historiadores assinalam que a primeira bússola de
navegação prática
foi inventada por um armeiro de Positano (Itália), Flavio Gioja, entre os séculos XIV
e XV. Ele foi quem a aperfeiçoou suspendendo a agulha sobre uma pua de forma
similar a que atualmente temos e a encerrou em uma caixa com tampa de vidro.
Mais tarde apareceu a "rosa dos ventos", um disco com marcas de divisões de graus e
subdivisões, que assinalavam 32 direções celestes, e que foi a bússola maritima que se utilizou até o fim do século XIX.
Posteriormente se logrou um novo avanço, quando o físico
inglês Sir William Thomson (Lord Kelvin) logrou
independizar este instrumento do movimento do barco durante as tempestades e
anulou os efeitos dos materiais de construção dos barcos sobre a bússola magnética.
Utilizou oito fios delgados sujeitos à rosa dos ventos, em
lugar de uma agulha pesada e preencheu o recipiente de azeite para diminuir as oscilações.
No começo do século XX aparece a bússola giroscópica ou
também chamada girocompasso. Consiste em
um giroscópio, cujo rotor gira ao redor de um eixo horizontal paralelo ao eixo
de rotação da terra. São agregados dispositivos que corrigem a desviação, a velocidade
e o rumo; e nos transatlânticos e navios normalmente estão
conectados eletricamente a um piloto automático. Este giroscópio nos
dá a direção do norte verdadeiro, enquanto que a bússola magnética,
nos dá a direção do norte magnético.
No século VI a.C., se descobriu (através de um pastor, segundo a lenda) que certa classe de mineral atraía o ferro. Como foi
achado nas cercanias da cidade de Magnesia, na Ásia Menor, foi chamada de pedra
de Magnesia, e o fenômeno se denominou magnetismo. Este foi estudado pela
primeira vez por Tales de Mileto. Mais adiante se descobriu que se um fragmento
de ferro ou aço fosse friccionado com o mineral magnético (imã),
ficava magnetizado (imantado).
Também foi descoberto que se fosse permitido a uma agulha magnética
girar livremente, sempre assinalaria a direção Norte-Sul.
Ignora-se como foi o processo do descobrimento, porém os
chineses foram os primeiros em perceber essa propriedade. Assim se refere nos livros
chineses que datam do século II.
Os chineses nunca se serviram da bússola para
estabelecer o rumo na navegação. Os Árabes aprenderam com os chineses o fenômeno
da imantação e talvez alguns cruzados o aprenderam por sua vez dos Árabes,
chegando assim a Europa.
Em 1180, o sábio inglês Alexander Neckam (1157-1217)
foi o primeiro europeu que fez referência a essa capacidade do magnetismo para
assinalar a direção. Com o tempo a agulha magnética foi colocada sobre um
cartão marcado com várias direções, a agulha podia mover-se livremente em torno
do cartão. Ao dispositivo foi dado o nome de
bússola,
palavra que deriva de outra latina que significa caixa. Na terminologia marinha
a bússola é chamada de compasso (que provém de uma palavra
francesa que significa girar).
História prévia
Antes da criação da bússola, a orientação em mar aberto era determinada
através da posição dos corpos celestes. Em algumas vezes a navegação se apoiava
no uso de sondas. As dificuldades principais que se apresentavam com o uso
destes métodos eram as águas demasiadamente profundas para o uso de sondas, e
ainda que muitas vezes o céu se encontrava demasiadamente nublado ou o clima apresentava
muita neblina. A bússola era usada principalmente para resolver estes problemas,
entretanto, culturas que não padeciam destes problemas adotaram pouco o uso deste
instrumento. Tal é o caso dos árabes, que geralmente contavam com céu claro ao
navegar o Golfo Pérsico e o Oceano Índico. Por sua parte, os marinheiros do pouco
profundo mar Báltico fizeram uso intensivo e extensivo das sondas. O astrolábio,
antiga invenção grega, também ajudava na navegação.
Mesoamérica
O descobrimento de um artefato Olmeca de hematita que
funcionava de forma similar a uma bússola tem
gerado teorias de que “os Olmecas” poderiam ter descoberto e usado uma bússola de
magnetita antes do ano 1000 a.C.
China
Joseph Needham atribui a invenção da bússola à
China em
Science and Civilization in China (Ciência e
Civilização na China), porém devido à existência de
desacordo na data de aparição do artefato, é apropriado listar literaturas
antigas que fazem referência a sua possível invenção, em ordem cronológica:
· A mais antiga referência ao
magnetismo, na literatura chinesa, se encontra em um livro do século IV
denominado 鬼谷子: "Livro do chefe do vale dos demônios" (Book of the Devil Valley Master): "A magnetita faz com que o ferro seja
atraído."
· A primeira menção da atração
magnética de uma agulha se encontra no livro chinês, escrito entre os anos 20 e
100 (Louenheng): "Uma magnetita atrai uma agulha." Em 1948,
Wang Tchen-touo tentou construir uma bússola em forma de colher que apontava
para o sul, baseando-se no texto. Entretanto disse que "não há nenhuma
menção explícita de um magneto no Louenheng" e que
"se deve assumir algumas hipóteses para poder chegar a alguma
conclusão".
· A primeira referência a um
dispositivo magnético usado como sinalizador de direções está em um livro da
Dinastia Song com data de 1040-1044. Ali se encontra uma descrição de um "peixe que assinalava o sul" em um taça de água, que se alinhava na direção do
sul. No escrito, o objeto é recomendado como método de orientação na "escuridão da noite". Não há, entretanto, nenhuma menção a seu uso na navegação,
nem de como o peixe fora magnetizado.
· A primeira referência indiscutível a
uma agulha magnetizada em escritos chineses aparece em 1086. O “Ensaio do tesouro
dos sonhos” escrito por Shen Kuo, da dinastia Song, o qual continha uma
descrição detalhada de como os geomantes magnetizaram uma agulha friccionando
sua ponta com magnetita e suspendendo a agulha magnética com um fio de seda com
um pouco de cera no
centro da agulha. Shen Kuo assinalou que uma agulha
preparada deste modo, algumas vezes apontava para o norte e outras vezes para o
sul.
· O primeiro escrito que faz alusão ou
uso de uma agulha
magnetizada na
navegação é o livro “Charlas de la mesa de
Pingzhou” (Pingzhou Table Talks,
de Zhu Yu, com data do ano de 1117: "O navegante conhece a geografia, ele
observa as estrelas de noite, observa o sol de dia; quando está escuro e
nublado, ele observa a bússola". Isto, supostamente, haveria recebido uma valiosa
ajuda do descobrimento de Shen Kuo, do conceito do norte verdadeiro: a
declinação magnética para o polo norte magnético.
Muitas das antigas bússolas chinesas eram utilizadas conjuntamente
na magia, na ciência e na protociência, por exemplo a bússola magnética é um instrumento fundamental na geomancia e o feng shui; as bússolas chinesas tradicionais para o feng shui em lugar dos
pontos cardiais (N-E-S-W) normalmente tem por marco os hexagramas binários do I
Ching, quer dizer que tais bússolas chinesas estão no centro do diagrama
chamado Pa Kua e o ponto cardial que normalmente utiliza como referência é o
Sul já que para a tradição Chinesa o Norte era desastroso (pois o frio era associado a morte) e por oposição o Sul era (como o Este) farto e abençoado (de onde
consideravam que vinha o calor e com ela a vida).
Desenvolvimentos e usos posteriores na China
· O primeiro uso de uma bússola de navegação de 48 posições no mar está mencionado em um livro
intitulado "Las aduanas de Camboya", escrito por Zhou Daguan, diplomático da dinastia
Yuan.
Ali se descreve sua viagem em 1296 desde Wenzhou até
Angkor Thom, aonde um marinheiro tomou a direção da agulha de
"ding wei", equivalente a 22,5° SO. Logo ao chegar em Bária, o marinheiro
tomou o dado da "Agulha (bússola) de Kun
Shen", equivalente a 52,5° SO.
· O mapa de navegação de Zheng He,
também conhecido como o "Mapa Mao Kun", contém
uma grande quantidade de detalhadas tomadas de agulha de
viagens de Zheng He.
· Um manual de instruções intitulado Shun Feng Xiang Song (Ventos propícios ou justos
para campanhas) na Biblioteca Bodleiana contém
grandes detalhes acerca do uso da bússola de navegação.
Difusão
Existe um grande debate em torno do que aconteceu com a
bússola logo
de seu aparecimento na China. Diferentes teorias incluem:
· Viagem da bússola desde
a China até o Médio Leste através da Rota da Seda, e logo a Europa.
· Transferência direta da bússola da
China à Europa, e logo da Europa ao Médio Leste.
· Criação independente da bússola na
Europa, e logo passou desta ao Médio Leste.
As duas últimas teorias se apóiam em evidências do
aparecimento da bússola em trabalhos europeus antes que nos arábicos. A primeira menção
européia de uma agulha magnetizada e seu uso entre marinheiros ocorreu em De naturis rerum (As coisas naturais), de Alexander Neckam, provavelmente escrito em Paris em
1190. Outra evidência para isto inclui a palavra árabe para "bússola"
(al-konbas),
similar ao kompass ou compass das línguas germânicas, possivelmente
derivada da antiga palavra italiana para "brujula".]
No mundo árabe, a mais remota referência ao dispositivo se
encontra no livro "Tesaurus de los mercaderes" (The Book of the Merchant's Treasure), escrito em árabe por Baylak al-Kibjaki no Cairo em
1282. Dado que o autor descreve ter presenciado o uso de uma bússola em
uma viagem de barco 40 anos antes, alguns eruditos se inclinam a anteceder a
possivel data de aparição do objeto consequentemente. Também há uma menção
muçulmana a uma
bússola com
forma de peixe de ferro em um livro persa de 1232.
Na Europa a bússola ou compasso magnético é oficialmente
conhecido desde o Renascimento, inicialmente se acreditava
que funcionava através de bruxaria, donde provém seu nome mais comum que é um
diminutivo de bruxa; desde o final da Idade Média até aproximadamente metade do
século XIX se acreditava que a agulha imantada apontava para
o Polo Norte e se acreditava que isto acontecia porque, se imaginava a
exigência, no Polo Norte, de uma gigantesca montanha de ferro ou de magnetita
no meio de uma ilha (imaginária) a qual se chamou Escarpa Negra.
Possível invenção independente na Europa
Existem vários argumentos a favor ou contrários da teoria
de que a bússola européia foi um invento independente.
Argumentos a favor:
· A bússola de navegação européia aponta para o norte, contrária a bússola chinesa que sempre
aponta para o sul.
· A bússola européia sempre
teve 16 divisões básicas, não 24 como a
chinesa.
· A aparente impossibilidade dos árabes
de servirem como intermediários entre leste e oeste devido ao aparecimento mais
cedo da bússola na Europa que no mundo muçulmano.
· O fato de que a bússola européia evoluiu rapidamente da agulha
magnetizada (1190) à bússola seca (entorno de 1300) poderia
indicar que o anterior invento do artefato de agulha e
taça foi feito independentemente.
Argumentos contra:
· A prioridade temporal da bússola de
navegação chinesa (1117) comparada com a européia (1190).
· A forma comum das primeiras bússolas européias
com uma agulha flutuante em uma taça de água.
Impacto no Mediterrâneo
No Mediterrâneo, a introdução da bússola de navegação, no início somente conhecida como um sinalizador magnetizado
flutuando em uma taça de água gerou, juntamente com as melhorias nos métodos de
cálculos "a olho" e o desenvolvimento das cartas portulanas, um incremento
na navegação durante os meses de inverno na segunda metade do século XIII.
Enquanto que a tradição até então evitava realizar viagens marítimas entre outubro e abril,
devido, em parte, a falta de céu claro durante o inverno, o prolongamento das temporadas
de navegação resultaram em um gradual, porém sustentado incremento do tráfico
marinho. Em torno de 1290, a temporada de navegação podia iniciar ao final de
janeiro ou em fevereiro, e terminar em dezembro. Esses meses adicionais eram de
considerável importância econômica. Por exemplo, permitiu as frotas venezianas
fazerem duas viagens anuais, em vez de uma só.
Ao mesmo tempo, o tráfico entre o norte da Europa e sua
zona mediterrânea se incrementou notoriamente, com o aparecimento de viagens
comerciais diretas desde o Mediterrâneo até o canal inglês nas décadas finais
do século XIII.
Alguns críticos como Kreutz opinam que não foi se não a
partir de 1410 que realmente o uso da bússola, como meio de orientação se popularizou.
Utilização na mineração
A bússola
foi utilizada pela primeira vez como
ferramenta de orientação, em baixo da terra, na cidade mineira de Massa,
Itália, aonde agulhas magnetizadas flutuantes se usaram como guias para determinar
a direção dos túneis a partir do século XIII. Na segunda metade do século XV, a
bússola pertencia ao equipamento básico que eram utilizados pelos
mineiros do Tirol para seus trabalhos e terem a localização das rotas
planejadas e, pouco tempo depois foi publicado um tratado que continha os usos
da bússola em trabalhos subterrâneos, escrito pelo mineiro alemão
Rülein von Calw (1463- 1525).
A bússola seca
A bússola
seca foi inventada na Europa ao redor do
ano de 1300. Este instrumento consta de três elementos: uma agulha magnetizada,
uma caixa com recobrimento de vidro e uma carta náutica com a rosa dos ventos
desenhada em uma de suas faces. A carta seria aderida na agulha, que por sua
vez se encontrava sobre um eixo de forma que poderia girar livremente. Como a bússola era
posta em linha com a quilha do barco e a carta girava sempre que o barco
mudasse de direção, o instrumento indicava a todo o momento o rumo que apresentava
o barco. Apesar de que o sistema de agulhas em caixas já havia sido descrito
pelo erudito francês Peter Peregrinus em 1269, foi o italiano Flavio Gioja,
piloto marinheiro originário de Amalfi, quem aperfeiçoou a bússola de navegação suspendendo a agulha sobre a carta náutica, dando ao
instrumento sua aparência familiar. Esse modelo de bússola,
com a agulha atada a um cartão rotatório, também é descrito em um comentário da
Divina Comédia de Dante (1380),
e em outra fonte se fala de uma bússola portátil em uma caixa (1318),
supondo-se que a bússola seca era conhecida na Europa nesta época.
Bússola marítima do século XIX
Bússolas modernas
Bússolas moderna com líquido. Bússola Suunto
As bússolas
de navegação atuais utilizam uma agulha ou disco magnetizados
dentro de uma cápsula cheia com algum líquido, geralmente azeite, querosene ou
álcool; ditos fluídos fazem com que a agulha se detenha rapidamente em vez de
oscilar repetidamente ao redor do norte magnético. Foi em 1936 que Tuomas
Vohlonen inventou a primeira bússola portátil cheia
de líquido, desenhada para uso individual. Ademais, algumas bússolas incluem
um transportador incorporado que permite tomar medidas exatas dos rumos
diretamente de um mapa. Algumas outras características usuais nas bússolas modernas
são escalas para obter medidas de distâncias em mapas, marcas luminosas para
usar a bússola em condições de pouca luz e mecanismos ópticos de
aproximação e observação (espelhos, prismas, etc.)
para obter medidas de objetos distantes com grande precisão.
Bússola com espelho e clinômetro Bússola de
Geólogo
Algumas bússolas especiais usadas atualmente incluem a
bússola de Quibla, usada pelos muçulmanos para obterem a direção de Meca ao fazerem
suas preces, e a bússola de Jerusalém, usada pelos judeus para acharem a
direção de Jerusalém para realizarem suas orações.
Bússola de Quibla
Balanceamento de uma bússola
Devido a que a inclinação e intensidade do campo magnético
terrestre varia a diferentes latitudes, as bússolas geralmente são balanceadas durante
sua fabricação. Este balanceamento previne medidas errôneas da bússola devido
às mencionadas variações do campo magnético. A maioria dos fabricantes
balanceiam suas bússolas para uma das 5 zonas terrestres, que vão desde à zona 1,
que cobre a maior parte do hemisfério norte, à zona 5, que cobre a Austrália e
os oceanos do sul. Suunto, fabricante de equipamentos para exploração, introduziu
no mercado as primeiras bússolas
de 2 zonas, que podem serem usadas em
um hemisfério completo, inclusive serem usados no outro em terem falhas
importantes de precisão.
Países representativos de cada zona
· Zona 1: Hemisfério Norte (Estados Unidos, Norte da Europa e
Ásia)
· Zona 2: México, América central, Panamá, Colômbia, Venezuela, Norte
da África
· Zona 3: Peru, Bolívia, Brasil, África central
· Zona 4: Paraguai, Uruguai, Sul da Argentina, Nova Guiné, Sul da África
· Zona 5: Austrália, Antártica, Nova Zelândia
Sistema de orientação e localização atual
Hoje em dia a tecnologia e a computação, além do avanço
satelitário, tem deixado de lado a bússola substituindo-a
pelo GPS (Global Position System -
Sistema de Posicionamento Global).
Este sistema fornece as coordenadas exatas as quais são calculadas mediante uma
triangulação que realizam os satélites deste sistema. Os equipamentos de
posicionamento têm o tamanho de um telefone celular, ou o de uma calculadora
científica. Estes permitem obter em qualquer parte do globo, informações das
coordenadas, enquanto que outros modelos adicionam mapas da zona que incluem ruas,
posto de combustível, sanitários, hotéis, restaurantes e até o relevo.
Constelação de Satélites do GPS GPS
Atualmente todas as aeronaves, embarcações, equipes
militares podem utilizar estes equipamentos para suas orientações. Entretanto,
barcos e aviões seguem levando bússolas melhoradas que podem servir como guia
para falhas em sistemas mais precisos. As pessoas dedicadas a atividades como
os que praticam caminhadas ou exploração, também continuam utilizando a bússola,
já que não apresentam partes frágeis e os erros são menores. Além disso não necessitam
de pilhas ou baterias (o que é relevante desde o ponto de vista ecológico e prático) ou acesso a uma tomada elétrica.
Referências
Apéndice 2, Mapa Mao Kun; Ying-yai Sheng-lan; en español: "El examen total de la
costa del Océano" realizado en 1433 d.C por Ma Huan (versión más difundida
aún está em inglés como: The Overall Survey of the
Ocean's Shores 1433 by Ma Huan), traducido por J.V.G. Mills, Hakluty
Society, Londres 1970; reimpreso por the White Lotus Press (Imprenta del Loto Blanco) 1997 ISBN 974-8496-78-3 Brunton Basic
Compass with Protractor» (en inglés). Consultado el 16 de maio de 2011.
Carlson, J.B. 1975. Lodestone Compass:
Chinese or Olmec Primacy? Multidisciplinary Analysis of an Olmec Hematite
Artifact from San Lorenzo, Veracruz, Mexico, Science, New Series, Vol. 189, nº 4205 (Sep. 5,
1975), pp. 753-760.
Karl-Heinz L. 1997. Volker Schmidtchen: Propyläen
Technikgeschichte. Metalle und Macht 1000-1600, Berlin, p.62-64 ISBN 3-549-05633-8
Kreutz, B.M. 1973. Mediterranean
Contributions to the Medieval Mariner's Compass, Technology and Culture, Vol. 14, nº3. (Jul., 1973), ps.368, 369, 370, 376.
Kreutz, B.M. 1973. Mediterranean Contributions to the Medieval Mariner's Compass, Technology and Culture, Vol. 14, nº 3. (Jul., 1973), p.368-373f.
Kreutz, B.M. 1973. Mediterranean Contributions to the Medieval Mariner's Compass, Technology and Culture, Vol. 14, nº 3. (Jul., 1973), p.373-374.
Lane, F.C. 1963. The Economic Meaning of
the Invention of the Compass, The American Historical Review, Vol. 68, nº 3. (Abr., 1963), p.616.
Lane, F.C. 1963. The Economic Meaning of
the Invention of the Compass, The American Historical Review
Texto original: Wikipédia, la enciclopedia libre Junho/2011 - Tradução, ampliação e ilustrações: Iran Carlos Stalliviere Corrêa- IG/UFRGS
Assinar:
Postagens (Atom)

















































