FIFA BAIXA A BOLA!
quinta-feira, 8 de março de 2012
LEI GERAL DA COPA: Um “chute no traseiro” do povo brasileiro
FIFA BAIXA A BOLA!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Copa e Olimpíadas: o que realmente está em jogo?
Por Débora Prado
A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016 foi amplamente comemorada. Não poderia ser diferente num País em que o orgulho nacional e a paixão pelo esporte são traços culturais marcantes. O que as comemorações ocultaram, entretanto, são os muitos problemas relacionados à forma como é feita a preparação para estes megaeventos esportivos: são obras aprovadas sem licitação, ameaças de despejos de milhares de famílias, transferência de grande quantia de recursos públicos para poucos grupos privados, intervenções realizadas na cidade que ferem as legislações de planejamento urbano e proteção ambiental, extrema falta de transparência e nenhuma participação do conjunto da população nas decisões que já estão sendo tomadas em nome dos jogos.
Alguns atores do governo, da iniciativa privada e das entidades ligadas à Copa e Olimpíadas têm decidido como será a preparação das cidades e alocação dos recursos para os megaeventos, tendendo a reforçar a concentração de renda e poder já existentes. Enquanto isso, na grande mídia, há pouco ou nenhum espaço para importantes questionamentos: o que realmente representa esta preparação? Como o capital atraído para sua realização é distribuído? Como são planejadas as reestruturações urbanas? Quem ganha e quem perde com estes processos? A Caros Amigos conversou com moradores das cidades sedes dos eventos, professores, pesquisadores, intelectuais, parlamentares e integrantes dos movimentos sociais para tentar responder a estas perguntas e mostrar o ‘lado B’ da Copa e das Olimpíadas, ignorado diariamente na campanha pelo orgulho nacional.
“Faz parte da nossa cultura gostar do local onde nascemos e vivemos, as pessoas são apegadas as suas cidades e querem que haja eventos nela. Só que esse sentimento saudável se transforma numa armadilha contra a própria população. É preciso desfazer a cortina de fumaça e mostrar que sim, gostamos de jogos, queremos os eventos, mas sem autoritarismo, sem corrupção e sem comprometer o orçamento público pelos próximos 20 anos”, explica Carlos Vainer, professor do IPPUR/UFRJ (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Os problemas surgem quando as transformações legitimadas pela Copa e Olimpíadas abrem caminho para práticas como o desrespeito a direitos fundamentais e o mau uso dos recursos públicos. A professora da FAU-USP e relatora da ONU para o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik, explica que os megaeventos são uma estratégia que as cidades têm utilizado para promover transformações urbanísticas, com uma dupla serventia: “de um lado, a mobilização que ele provoca em nível nacional e internacional acelera a possibilidade de investimentos e transformações, ao mesmo tempo em que, na competição entre as cidades pela atração de investimentos internacionais, o megaevento traz visibilidade. E, ainda, como se trata de megaeventos esportivos, também tem um apego emocional, que justifica um verdadeiro estado de exceção, uma situação em que as regras normais de como as coisas devem ser feitas não precisam ser cumpridas”.
Ela relata que, com o estado de exceção gerado, tanto o Rio de Janeiro, quanto outras cidades brasileiras que receberão jogos do Mundial de Futebol, estão implementando intervenções que em situações corriqueiras ou demorariam ou teriam uma série de entraves do ponto de vista jurídico-administrativo, ou seriam alvo de resistência por parte da população. “Já estão sendo aprovadas várias excepcionalidades para a Copa do Mundo em relação à lei de licitações, isenção de impostos, a não necessidade de algumas salvaguardas que normalmente são exigidas, que vão desde alterações de Planos Diretores (lei municipal que estabelece diretrizes para a ocupação da cidade) que não passam pelos processos normais. Elas já estão sendo votadas pelas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e pelo Congresso Nacional – em todas as esferas, isso já está acontecendo no Brasil”, relata a professora.
De fato, somente na noite do dia 24 de novembro, o Senado Federal aprovou duas medidas provisórias destinadas especificamente à realização da Copa e Olimpíadas. Uma delas ampliou o limite de endividamento dos municípios em operações de crédito destinadas ao financiamento de infraestrutura para os eventos. Além disso, houve isenção fiscal para a importação de materiais que serão usados nos jogos. As duas MPs foram aprovadas em tempo recorde – em uma semana com apenas duas sessões de poucos minutos na Câmara e Senado.
Com o estado de exceção em curso, grande parte das intervenções feitas nas cidades não estão seguindo parâmetros estabelecidos em documentos internacionais e nacionais, como o “Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais”, a Constituição Federal de 1988, o Estatuto das Cidades de 2001 e os Planos Diretores dos municípios. “Na verdade, nenhuma dessas intervenções faz parte de um processo de planejamento urbano, muito menos de um processo de planejamento participativo, que é aquilo que prega o Estatuto das Cidades”, explica Rolnik.
Como relatora da ONU para o direito à moradia adequada, a professora conta que já tem recebido denúncias de despejos e ameaças de despejos, principalmente de comunidades de baixa renda e de assentamentos precários, em várias cidades do Brasil, em função de obras de infraestruturaou ligadas aos equipamentos da Copa do Mundo. “Tudo aquilo que o Brasil se comprometeu como signatário do Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais - que diz claramente quais são os procedimentos adequados que devem ser adotados e seguidos no caso de ser ecessária uma remoção - não está sendo aplicado. Às pessoas que estão sendo removidas não é dada a chance sequer de ter informação sobre o projeto, sobre qual vai ser a alternativa oferecida a ela para o reassentamento. Também não é dada a chance de se estudar alternativas que evitem ou minimizem as remoções”.
Isto tudo com um agravante: o financiamento das intervenções é majoritariamente público. “São recursos financeiros, patrimoniais (terras), espaços públicos, que são transferidos sob regras de exceção para grupos privados, sem debate público, em negociações nas quais o povo não é consultado. Há uma canalização de recursos públicos para interesses privados, para as construtoras, as empreiteiras, as empresas de telecomunicações e marketing. E as empresas envolvidas são aquelas mesmas que estão nas listas entre as maiores contribuintes das candidaturas, as que fazem doações para todas as campanhas políticas, como a Odebrecht, a Camargo Corrêa, a Votorantim, o grande agronegócio. E, evidentemente, esses recursos são pagos por todas as outras rubricas, pelo transporte popular que não está sendo feito, pelo saneamento que não é feito e por aí vai”, destaca Vainer.
A Odebrecht, por exemplo, somente entre os estádios cujas construtoras já estão definidas, está presente nos consórcios a frente da construção Arena do Corinthians, em São Paulo, da Arena Fonte Nova, em Salvador, da Arena Pernambuco e na reforma do Maracanã, no Rio de Janeiro. Somados, os recursos previstos para estas obras atingem mais de R$ 2,6 bilhões. O economista Luiz Mário Behnken, coordenador da Rede de Mega Eventos Esportivos (REME) e membro do Fórum Popular do Orçamento, avalia que cada megaevento esportivo deve custar em torno de R$ 30 bilhões.
Para o professor Carlos Vainer, com esse procedimentos, as cidades brasileiras se transformam não apenas em um “grande negócio, mas num negócio corrupto e com o aval da presidência da república, financiamento do BNDES, e, como as informações não são transferidas para a população, também com apoio do povo”. Ele considera que a privatização do espaço público é absoluta. “Nos Jogos Pan-americanos de 2007 você não podia nem levar um sanduíche para o estádio, porque o Comitê Olímpico Brasileiro havia feito um contrato com uma rede de fast food que assegurava a ela a exclusividade de fornecer alimentação dentro do estádio”, exemplifica.
Os problemas que surgem com a falta de transparência na preparação para os jogos atingem, inclusive, o âmbito esportivo. Antropólogo e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcos Alvito foi um dos idealizadores da Associação Nacional dos Torcedores (ANT), que luta pela defesa do futebol brasileiro como arte, cultura e um patrimônio popular. Para ele, o apreço pelo esporte também tem sido usado nessa armadilha e o megaevento funciona como uma espécie de nuvem midiática que desarma a opinião pública em relação às transformações que vão ser operadas.
“O gosto pelo esporte é usado pela mídia e pelo poder público para legitimar interesses de pequenos grupos. No caso da Copa do Mundo isso é evidente. A expulsão do povo dos estádios de futebol está sendo financiada com dinheiro do próprio povo. A reforma do Maracanã, por exemplo, vai custar R$ 705,6 milhões e representa a quarta reforma do estádio nos últimos 11 anos”, afirma, complementando: “ela vai diminuir em quase 10 mil o número de pessoas que poderão ir ao estádio. Ou seja, onde já couberam 200 mil pessoas um dia, depois desta reforma, caberão 76 mil. O preço do ingresso só sobe e o campo também vai diminuir. O projeto do Maracanã, na verdade, não é para os torcedores, é o projeto de um shopping, que além de praça de alimentação vai ter uma praça de futebol ali no meio”, avalia.
Modelo de cidade
De acordo com a professora Raquel Rolnik, os megaeventos se inserem no contexto de um novo modelo de cidade. “Havia uma ideia corrente entre os anos 1950 e 1970, nos países desenvolvidos, de uma cidade planejada, com o acesso universal, em que a política de planejamento urbano é vista como uma atividade do Estado, como uma dimensão pública. Isso acabou sendo substituído por um paradigma de ‘empresariamento’ urbano, ou seja, os processos de transformação das cidades ocorrem conectados e dirigidos para a promoção de negócios e atração de investimentos, numa linha direta entre o modelo de política urbana e o capital, sobretudo, o capital imobiliário”.
Vainer explica que os grandes eventos estão relacionados justamente a esta nova modalidade de planejamento que surge nos anos 1980 e que torna a cidade uma empresa a concorrer no mercado com outras ‘cidades-empresas’, na busca por capitais, investimentos e pelos próprios eventos.
“Um dos grandes problemas deste modelo é que, ao competir, a cidade busca esconder tudo aquilo que não interessa aos negócios. Transformada em empresa, o dissenso é banido da cidade porque ameaça a competitividade. A política – a forma pela qual os agentes coletivos vão ao espaço público manifestar seus dissensos – é abolida, porque pode prejudicar os negócios. As regras são a da flexibilização, da cidade de exceção, o que quer dizer, na verdade, ‘tudo o que for necessário para viabilizar os negócios’. É o que eu chamo de democracia direta do capital, as decisões são tomadas numa ação direta do capital privado com o poder público”, descreve o professor.
Para Vainer, o megaevento radicaliza o modelo da cidade empresarial e da exceção. “Basta você ir atrás de todas as leis específicas, a FIFA não paga imposto, os hotéis pra Copa e Olimpíadas não vão pagar IPTU, todas as regras do direito de construir, do uso do solo, inclusive em termos fiscais, todas as regras são suspensas”, exemplifica.
Além de beneficiar a poucos, este modelo tem aspectos perversos: “se o objetivo é fazer da cidade uma vitrine, é preciso esconder tudo aquilo que gera críticas, como a pobreza e a miséria. A cidade é reduzida a sua faceta de exportação, é voltada para o exterior e não para os seus cidadãos. O exemplo da África do Sul está aí para lembrar isso, os pobres foram tirados das ruas, os vendedores ambulantes foram tirados das ruas, para não poluírem a paisagem. No Brasil, em Fortaleza, milhares de pessoas já estão ameaçadas de despejo, para a construção de estradas para a Copa. No Rio de Janeiro, vão construir vias de transportes, todas voltadas para a Barra da Tijuca, atendendo ao interesse da especulação imobiliária, enquanto 80% dos fluxos de transporte, das viagens feitas pelos citadinos, estão em outra direção”.
O palco dos megaeventos
Dentre as cidades brasileiras, a capital fluminense se tornou palco dos megaeventos. Após receber os jogos Pan-americanos em 2007, a agenda segue intensa: o Rio receberá, além da Copa de 2014 e Olímpiadas de 2016, outros eventos esportivos de grande porte, como os Jogos Mundiais Militares, neste ano, e a Copa das Confederações, em 2013.
O legado promete ser semelhante ao do PAN: endividamento público, remoção de favelas, infração de direitos humanos e aumento do apartheid social já marcante na cidade. Um exemplo dessa tendência é o mapa traçado para reformulação do sistema viário carioca. Marcos Alvito relata que o BRT (Bus Rapid Transit) Transoeste – uma espécie de corredor de ônibus que ligará a Barra da Tijuca a Santa Cruz – é muito mais voltado aos interesses da especulação imobiliária do que à população.
“Ele não interliga a cidade, na verdade, ele liga os pontos mais distantes da cidade à Barra da Tijuca, que passa a ser um novo centro. E de quebra, onde essas BRTs passam? Justamente em cima de comunidades de trabalhadores. Então, num só projeto, se cria o transporte para a Barra, remunera as empresas de ônibus, e, além disso, atravessa a favela, que tem que ser removida. Aí é mais um terreno liberado para a indústria de construção e para o setor imobiliário”, cita. Desse modo, os megaeventos vão valorizar uma das áreas já mais valorizadas do Rio de Janeiro, enquanto o subúrbio segue abandonado.
Outras políticas que não estão diretamente ligadas aos jogos reforçam ainda mais este caráter. “Se você ver o mapa das UPPs (Unidades da Polícia Pacificadora), elas não começaram pelas áreas mais conflagradas da cidade. Se há um plano de segurança, o lógico é começar por onde tem mais problema. Aqui não, aqui começa pelas áreas nobres. As UPPs, na verdade, são um corredor que vem lá do aeroporto até a Barra da Tijuca, então elas funcionam como um cordão sanitário”, considera Alvito.
Raquel Rolnik explica que, de fato, a geografia das UPPs corresponde a áreas de interesse no projeto da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.
Fonte: Revista Caros Amigos
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Vale a pena ser sede da Copa 2014? A tragédia das chuvas no RJ indica que não
Por outro, o dinheiro estimado para reerguer as cidades da região serrana fluminense afetadas pelos temporais do dia 12 - considerada a tragédia ambiental com maior número de vítimas da história do Brasil – custará muito menos do que o estado do Rio de Janeiro gastará com a Copa do Mundo no Maracanã. Assim, mesmo se considerarmos outros aspectos para medir o retorno de uma Copa, como o gasto dos turistas ou legado, tomando por base a despesa e essa referência comparativo por si só indicam que sediar o torneio parece uma furada. Afinal, daria para turbinar áreas como saúde, habitação e educação (e ainda movimentar a economia), e evitar novas tragédias, como também reconstruir as regiões atingidas. Segundo os cálculos preliminares da CBF, o Brasil vai precisar gastar R$ 11 bilhões para se preparar para a Copa de 2014. Pelas contas do governo, a Copa deve atrair 500 mil estrangeiros, que gastariam até R$ 3 bilhões. Além disso, se a competição gerar tantos postos de trabalho quanto a Alemanha gerou em 2006 (25 mil novas vagas), dá para computar mais R$ 500 milhões em investimentos, já que o custo médio por novo emprego está na casa dos R$ 20 mil. Há ainda quem identifique uma expansão da economia dos países sede desse tipo de mega-evento esportivo. Mas isso não é consenso. O crescimento econômico é algo difícil de prever com tanta antecedência e estimar seus impactos. No fim das contas, o impacto e a alta do PIB podem ficar próximos de zero. A esperança seriam então os benefícios de longo prazo, ainda mais difíceis de estimar e medir. Um estádio novo, por exemplo, pode gerar um círculo virtuoso no bairro, dinamizando o comércio e elevando a arrecadação para fazer mais obras. Sem contar que o evento pode aumentar o fluxo turístico e melhorar a imagem do país. Se tudo isso acontecer, aí, sim, quem sabe em algumas décadas a gente poderá dizer que sediar uma Copa é um bom negócio, o chamado "legado". Contudo, esse mesmo argumento pode ser questionado. Gastos diretos com saúde, educação, habitação, saneamento e transporte também têm "efeito multiplicador" na economia, além do impacto positivo direto na qualidade de vida, até com mais eficiência que se fossem aplicados em turismo e eventos, especialmente se a comparação for o emprego dos recursos com a mera modernização e construção de estádios e melhoria dos acessos. Fora que os investimentos com arenas e infra-estrutura para o evento se concentrarão obviamente nas cidades que irão realizar os jogos, porém estas cidades já possuem uma infra-estrutura bem melhor que o restante dos municípios brasileiros, ou seja, vão fazer algo para "turista ver" nestas cidades, enquanto outras continuarão como estão. Quando a Copa 2010 se desenrolava, as chuvas destruíram 14.316 casas em Pernambuco. Quando o Mundial 2014 acontecer no Brasil, o governo do Estado terá assumido gastos para construir um estádio que seriam suficientes para recuperar todas as moradias, com sobras. Financiada pela União, a renovação das casas atingidas na tragédia custa, em média, R$ 30 mil. A verba estadual para a Arena Capibaribe, que terá empréstimo federal, é de R$ 464 milhões, mais de 15 mil vezes o valor de uma moradia. Essa inversão de prioridade é verificada em comparação feita entre orçamentos de oito Estados e do Distrito Federal e seus projetos de estádios ao Mundial. Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará e Rio Grande do Norte investirão R$ 4,831 bilhões em seus estádios. Esse dinheiro representa oito vezes o que os nove governos gastaram com habitação em 2009, R$ 589 milhões. Ou seja, se mantiverem esse nível de investimento, os governos estaduais usarão para construir casas à população até 2014 a metade do dinheiro das arenas. A prefeitura de Teresópolis estima que são necessários R$ 500 milhões para a reconstrução das áreas atingidas na cidade após os deslizamentos de terra causados pelos temporais na região do dia 12. Além disso, segundo as autoridades municipais, deverão ainda ser gastos até R$ 98 milhões apenas para a retirada de lama e escombros dos locais atingidos, bem como para a liberação das estradas obstruídas. Esse valor representa a metade do dinheiro previsto para reformar o Maracanã para a Copa do Mundo de 2014. O orçamento para preparar o estádio mais famoso do País para a final da Copa é de R$ 700 milhões. Mas especialistas avaliam que os gastos com a obra podem chegar a R$ 1 bilhão. O dinheiro estimado para reerguer a cidade de Teresópolis também seria inferior ao gasto na construção da Cidade da Música, inaugurada pelo então prefeito carioca Cesar Maia em 2008. Ainda inacabada, e com as obras paradas, ela custou R$ 518 milhões aos cofres públicos. Esse valor também representa praticamente o triplo da previsão orçamentária do governo estadual para gastos com propaganda em 2010, que foi de R$ 160 milhões. A presidente Dilma anunciou que o governo federal liberará rapidamente de recursos para a reconstrução das áreas afetadas, desde que os municípios apresentem projetos estruturados e prestem contas dos recursos empenhados, o que sabemos ser tradicionalmente muito difícil ser feito pelos municípios brasileiros. Ao todo serão liberados R$ 780 milhões para as áreas atingidas do Rio e de São Paulo, mas a presidente não soube detalhar quanto para cada região. A tragédia das chuvas no Rio poderia ter sido evitada com investimentos preventivos. Para resolver o problema de imediato, o que significa retirar 13 mil pessoas que hoje vivem em áreas de risco no Rio de Janeiro e executar as obras necessárias para mitigar os efeitos das enchentes, seriam gastos aproximadamente R$ 550 milhões, segundo especialistas e estudos encomendados. Esse dinheiro seria desembolsado com novas habitações no valor de R$180 milhões, principalmente na construção de novas moradias para os que vivem perigosamente nas encostas. No combate a deslizamentos R$100 milhões em sistemas de tubulação capazes de fazer com que a água da chuva que cai sobre os morros seja levada para os rios e o mar. E na prevenção de enchentes R$270 milhões em piscinões construídos em áreas suscetíveis a enchentes e, em vez de arrastar casas e as pessoas que estão dentro delas. Agora, após as mortes e destruição, a conta será pesada. Portanto, do ponto de vista econômico e social indica que não vale a pena ser sede da Copa 2014, especialmente do jeito que as coisas vêm sendo conduzidas pelos governos brasileiros. A seguir um quadro comparativo: BOLA DIVIDIDA* (por Mario Grangeia, Revista Superinteressante - 02/2008) Abaixo, apresentamos a estimativa de gastos para o torneio. R$ 8,5 bi ONDE Infra-estrutura. QUEM GASTA Governo. Grana para a infra-estrutura das cidades-sede. Segundo a Fifa, 4 candidatas precisam aumentar seu aeroporto e 6 não têm transporte público estruturado para receber adequadamente os jogos. R$ 2 bi ONDE Reforma e construção de estádios. QUEM GASTA Iniciativa privada. A aposta é que os governos locais busquem capital privado para fazer decolar os projetos. Em troca, os empresários teriam o direito de administrar os estádios por no mínimo 20 anos, para, em tese, obter lucro. R$ 700 mi ONDE Instalações oficiais. QUEM GASTA Fifa. Este é o único dinheiro garantido. A Fifa afirma que ela mesma vai bancar a construção de estruturas de apoio para os jogos, da sede do comitê organizador, dos centros de mídia e das centrais de segurança. Aqui, imaginamos um plano alternativo para aplicar a grana. R$ 2,1 bi ONDE Expansão do saneamento. PARA Levar água tratada a 2,2 milhões de casas e coleta de lixo a 2,1 milhões - cerca de 20% do déficit de saneamento. R$ 2,8 bi ONDE Crédito para casas populares. PARA Financiar a construção ou compra de 480 mil casas populares - 6% do déficit habitacional. R$ 2,8 bi ONDE Universalização da eletricidade. PARA Levar luz a 1,6 milhão de pessoas no campo - 13% da população sem acesso à energia. R$ 1,4 bi ONDE Combate ao analfabetismo. PARA Ensinar 600 mil jovens e adultos a ler e escrever - o que representa 4% a menos de analfabetos no país. R$ 1,4 bi ONDE Bolsa Família. PARA Custear o programa por um ano para 1,8 milhão de famílias, que receberiam um auxílio mensal de R$ 62. R$ 700 mi ONDE Saúde da Família. PARA Levar o programa Saúde da Família a mais 2 milhões de pessoas - superaria a população de Curitiba ou Recife. *Fontes: Orçamento Copa 2014 (conversão a partir do valor estimado em dólares), CBF, Fifa. Orçamento alternativo: números recentes dos ministérios do governo federal, IBGE, site Contas Abertas, Agência Brasil, FGV. Fonte: http://www.diarioliberdade.org |
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Debate sobre impactos da Copa no Brasil contextualiza relação entre mega-eventos e políticas de ocupação urbana
[De] bate bola foi ponta-pé inicial para encontros que acontecerão até a Copa de 2014
Na quinta-feira (1º), representantes da sociedade civil, do governo e de espaços acadêmicos participaram, no Anfiteatro 100 da Universidade Federal do Paraná (UFPR), do [De]bate-bola. O evento trouxe a discussão sobre os Impactos Metropolitanos da Copa de 2014 em Curitiba e Região Metropolitana (RMC). Cerca de 70 pessoas acompanharam e questionaram as apresentações dos projetos, que serão executados na capital paranaense para esta ser uma das sedes dos jogos em 2014.
Compuseram a mesa de debatedores a professora da Universidade Federal do Paraná Olga Firkowski, o secretário de Estado Especial para Assuntos da Copa de 2014, Algaci Tulio, a assessora de comunicação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), Zelinda Rosário, e a representante do Observatório de Políticas Públicas do Paraná Andrea Braga. O evento foi promovido pela Universidade Federal do Paraná, Observatório de Políticas Públicas do Paraná e pelo Observatório das Metrópoles.
O debate
Durante o evento houve a contextualização histórica dos mega-eventos nas cidades, a apresentação de plantas e mapas de representação das modificações pelas quais a cidade deve passar antes da Copa e em seguida foram feitas duas rodadas de intervenções da plateia. A professora Olga mediou as intervenções, e na fala inicial ilustrou a situação urbana de hoje dizendo que “entre nós e nossos objetivos há sempre um congestionamento”.
Contextualização
Segundo Olga, pelo menos desde o século XIX se tem grandes interferências em decorrência de grandes eventos nas cidades. Ela citou exemplos como a Exposição Universal em Londres, em 1851, e a exposição da França, em 1988 – da qual o símbolo é a Torre Eifel. Mas o destaque feito pela professora foi a mudança no perfil desses eventos pela interferência da globalização. “Se os primeiros eventos tinham a indústria como atividade motivadora, recentemente, é a requalificação de áreas degradadas que assume a centralidade entre os objetivos de tais eventos. Volta-se a criar novos lugares de encontro e a vender a imagem da cidade”.
O público
Foi nesse aspecto que a maior parte da plateia teceu seus questionamentos. As falas do público tiveram o sentido de colocar que a imagem da cidade e do país não reflete necessariamente uma visão completa do que acontece, sobretudo com a população mais pobre. Além disso, a crítica dos participantes às obras que serão feitas para a Copa é que elas cumprirão exigências técnicas, que não levam em consideração de fato o desenvolvimento igualitário. Isso faz com que as diferentes classes sociais não tenham o mesmo acesso aos benefícios, que terão investimento quase integral do Estado.
A defesa do Estado
Os representantes do governo fizeram uma apresentação essencialmente técnica, e apresentaram os impasses que se tem para cumprir as exigências necessárias para que o evento de fato aconteça na cidade, como o problema da captação de recursos. Zelinda falou sobre a burocracia enfrentada pela Prefeitura de Curitiba para conseguir a inclusão da cidade na lista das 12 cidades que devem receber os jogos da Copa no Brasil. Segundo ela, não fosse por esse trabalho, não se teria ao menos a possibilidade de se ter o evento e os investimentos na cidade.
Já o secretário Algaci Túlio, do governo do estado, falou sobre o problema da reforma da Arena da Baixada, que receberá os jogos, listou as principais obras do trânsito da cidade, mas garantiu que a Copa estará em Curitiba. Ele se definiu como otimista, e contestou o fato de o público questionar a falta de consulta à população para fazer com que o mega-evento aconteça na cidade. “Vocês preferem ver o jogo pela televisão acontecendo lá em Florianópolis ou preferem vê-lo aqui”, questionou.
O ponta-pé inicial
O [de]bate-bola teve seu apito final com o encaminhamento de algumas perguntas a serem discutidas nos próximos encontros,que acontecerão periodicamente até a Copa. Andreia deu o tom daquela que deve ser a principal questão de debate, em sua opinião. “As consequências dos investimentos para a Copa em Curitiba não serão apenas positivas, como salientaram os dois apresentadores anteriores [representantes do Estado], mas em grande parte negativas, como já se constatou em outros lugares, em situações de grandes eventos. É preciso fazer vários questionamentos, mas, principalmente, é fundamental que sejam respeitados os direitos humanos e a cidadania na região metropolitana”.
Fonte: Terra de Direitos
domingo, 11 de julho de 2010
Copa do Mundo: Gerando o riqueza às custas de campos de concentração
África do Sul esconde moradores pobres em "campos de concentração"Blikkiesdorp é um “conjunto habitacional” erguido na Cidade do Cabo, na África do Sul pelas autoridades locais com o intuito de oferecer um teto aos menos favorecidos do local.
Pobres levados para longe dos holofotes voltados à Copa. O governo sulafricano os escondeu num acampamento a 45 km do centro, varrendo-os das imediações do Green Point Stadium – hoje área de exclusão delimitada pela Fifa. Famílias vivem isoladas em pequenos contêineres, numa área cercada por grades, de onde não podem sair à noite.
Os "depósitos de gente" ficam a 30 km do novíssimo estádio Green Point
Com 3 mil habitantes, o local é cercado por grades, fica a 30 km do estádio de Green Point, construído especialmente para o Mundial, e é vizinho do novo aeroporto local. As informações são de uma reportagem publicada nesta terça-feira (8) no jornal "Folha de São Paulo".
Eles antes habitavam regiões centrais da Cidade do Cabo, e agora vivem em barracos de zinco de 18 m2, com o forro do teto de plástico-bolha e adesivos que imitam lajota como piso. Finíssimas, as paredes não protegem contra o frio ou o calor.E em 2014, será que o Brasil também vai tentar "varrer a sujeira para baixo do tapete" para esconder a pobreza? Façam suas apostas...
Mas, quem ganha com a copa?
O mundial de futebol na Alemanha foi o evento esportivo mais lucrativo da história das copas. Calcula-se que a FIFA arrecadou US$ 2,5 bilhões com patrocínios, produtos de merchandising e ingressos. Desse total, US$ 1,7 bilhão vieram da venda de direitos de transmissão à TVs. Esse valor é 25% maior que o pago em direitos de transmissão na última copa, no Japão, que já tinha sido o maior da história. Nesse quadro de investimentos, a Europa desembolsou 65% do valor, cerca de US$ 1,1 bilhão. Em seguida está a América do Sul e a Ásia. A Rede Globo, por exemplo, pagou US$ 450 milhões pelo direito de transmissão exclusiva das copas de 2002 e 2006 para o Brasil.
Marcelo Weishaupt Proni, pesquisador do Instituto de Economia da Unicamp, autor do livro A metamorfose do futebol (Campinas, SP. Unicamp 2000) discorre sobre os aspectos que envolvem esse evento e fazem do futebol um espetáculo, que ele chama de “futebol-empresa”. “Procuro entender a Copa do Mundo como um evento marcante no avanço da complexidade da transformação do futebol como um grande negócio”. Proni alerta que o futebol-empresa faz parte de um mercado muito específico, praticamente fechado. “A Fifa controla e estabelece as regras do jogo que se estrutura a partir da competição esportiva. Um mercado cuja capitalização e rentabilidade é regulamentada pela própria Fifa”, afirma.
Com esse poder de controlar as transações financeiras bilionárias, as grandes corporações transnacionais não perdem tempo e tornam-se sócias da Fifa.
Para o período de 2007 a 2014, a Fifa já estabeleceu seus parceiros comerciais e a garantia de que nos próximos eventos esportivos terá o lucro garantido. Esse período inclui a Copa Mundial Feminina sub-20 da Fifa, a Copa Mundial de Beach Soccer, a Copa Mundial de Clubes da Fifa, a Copa das Confederações (2009 e 2013) e as duas próximas Copas do Mundo, em 2010 na África do Sul e 2014 na América do Sul.
África 2010. Lucros? Com certeza!
Um dos sócios, a Visa International, deixou seu concorrente, a Mastercard, para trás, ao fechar um contrato de US$ 200 milhões com a Fifa. Agora, além de ser o cartão de crédito oficial da federação até 2014, terá preferência na publicidade nos estádios. Já entre os patrocinadores, o que mais se destaca é a parceria com a empresa de alimentos Mc Donald’s.
Antes mesmo de acabar a Copa do Mundo na Alemanha, a empresa norte-americana fechou contrato como patrocinadora da Copa do Mundo da Fifa até 2014. A Fifa não divulgou o valor do contrato, mas a empresa terá a exclusividade na categoria de alimentos fast food, direito ao uso das marcas oficiais do evento (tanto da copa do mundo como na Copa das Confederações em 2009 e 2013), além do marketing e dos painéis de publicidade nos estádios.
Cada vez mais se nota a presença de grandes canais de comunicação, instituições financeiras, grandes empresas de material esportivo, alimentos etc, nesses eventos. “A valorização desse negócio nos últimos 20 anos, desde a copa de 1986, no México, cresceu muito, pois há uma pressão cada vez maior para favorecer os interesses privados e particulares para alterar as regras do jogo e abrir mais as chances de valorização”, lembra Proni. Os gastos com a construção de estádios de futebol, com os transportes, modernização da linha ferroviária, hotéis, restaurantes, entre outras coisas, geram um impacto positivo do ponto de vista econômico. “Essas obras ajudam a alavancar a economia e criam empregos diretos e indiretos, alguns são temporários mas outros permanecem”, afirma. “No caso alemão, o turismo é uma grande oportunidade de marketing para a promoção de algumas cidades”, completa.
Vários estudos procuram mapear o impacto econômico de uma copa do mundo. Um exemplo é a dissertação de Anderson Gurgel Campos “O futebol no campo econômico: construção jornalística da Copa do Mundo de 2002 como negócio”, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). O autor trabalha com a idéia de consumo e com a Copa do Mundo como um produto. “Elemento fundamental na cadeia produtiva, o consumo é extremamente importante no cenário atual do mundo dos esportes”, afirma. Para ele, há uma mudança de caminho brusco que explica a relação entre o futebol e o consumo, que pode ser mais bem entendido se observada a parceria do esporte com as empresas de telecomunicações. “A mudança de paradigma passa pela expansão do esporte enquanto base de consumo, sobre a qual são edificadas diversas estratégias para a venda de produtos, inclusive a partir de ídolos”, pontua Campos.
Mais absurdos: Salário dos jogadores de futebol 2009/2010:
| Jogador | Clube | Mensal (euros) | Anual (euros) | |
| 1 | Cristiano Ronaldo | Real Madrid CF | 1.083.000 | 13.000.000 |
| 2 | Zlatan Ibrahimovic | FC Barcelona | 1.000.000 | 12.000.000 |
| 3 | Lionel Messi | FC Barcelona | 875.000 | 10.500.000 |
| 4 | Samuel Eto´o | Internazionale | 875.000 | 10.500.000 |
| 5 | Ricardo Kaká | Real Madrid CF | 833.000 | 10.000.000 |
| 6 | Emmanuel Adebayor | Manchester City | 708.000 | 8.500.000 |
| 7 | Carlos Tevez | Manchester City | 666.000 | 8.000.000 |
| 8 | John Terry | Chelsea FC | 625.000 | 7.500.000 |
| 9 | Frank Lampard | Chelsea FC | 625.000 | 7.500.000 |
| 10 | Thierry Henry | FC Barcelona | 625.000 | 7.500.000 |
| 11 | Xavi | FC Barcelona | 625.000 | 7.500.000 |
| 12 | Ronaldinho Gaúcho | AC Milan | 625.000 | 7.500.000 |
| 13 | Steven Gerrard | Liverpool FC | 625.000 | 7.500.000 |
| 14 | Daniel Alves | FC Barcelona | 583.000 | 7.000.000 |
| 15 | Michael Ballack | Chelsea FC | 541.000 | 6.500.000 |
| 16 | Raúl Gonzalez | Real Madrid CF | 541.000 | 6.500.000 |
| 17 | Karim Benzema | Real Madrid CF | 541.000 | 6.500.000 |
| 18 | Rio Ferdinand | Manchester United | 541.000 | 6.500.000 |
| 19 | Kolo Touré | Manchester City | 541.000 | 6.500.000 |
| 20 | Wayne Rooney | Manchester United | 500.000 | 6.000.000 |
| 21 | Robinho | Manchester City | 500.000 | 6.000.000 |
| 22 | Iker Casillas | Real Madrid CF | 500.000 | 6.000.000 |
| 23 | Victor Valdéz | FC Barcelona | 500.000 | 6.000.000 |
| 24 | Frederic Kanouté | Sevilha FC | 500.000 | 6.000.000 |
| 25 | Deco | Chelsea FC | 500.000 | 6.000.000 |
| 26 | Didier Drogba | Chelsea FC | 458.000 | 5.500.000 |
| 27 | Gianluigi Buffon | Juventus | 458.000 | 5.500.000 |
| 28 | Francesco Totti | AS Roma | 458.000 | 5.500.000 |
| 29 | Luca Toni | AS Roma (emp) | 458.000 | 5.500.000 |
| 30 | David Villa | Valência | 458.000 | 5.500.000 |
| 31 | Arjen Robben | Bayern Munique | 458.000 | 5.500.000 |
| 32 | Bastian Schweinsteiger | Bayern Munique | 458.000 | 5.500.000 |
| 33 | Ashley Cole | Chelsea FC | 458.000 | 5.500.000 |
| 34 | Fernando Torres | Liverpool FC | 458.000 | 5.500.000 |
| 35 | Gareth Garry | Manchester City | 458.000 | 5.500.000 |
| 36 | Patrick Vieira | Internazionale | 458.000 | 5.500.000 |
| 37 | Charles Puyol | FC Barcelona | 416.000 | 5.000.000 |
| 38 | Andres Iniesta | FC Barcelona | 416.000 | 5.000.000 |
| 39 | Sergio Aguero | Atlético de Madrid | 416.000 | 5.000.000 |
| 40 | Andreas Pirlo | AC Milan | 416.000 | 5.000.000 |
| 41 | Willy Sagnol | Bayern Munique | 416.000 | 5.000.000 |
| 42 | Frank Ribery | Bayern Munique | 416.000 | 5.000.000 |
| 43 | David Beckham | AC Milan | 416.000 | 5.000.000 |
| 44 | Wayne Bridge | Manchester City | 416.000 | 5.000.000 |
| 45 | Lassana Diarra | Real Madrid CF | 416.000 | 5.000.000 |
| 46 | Dimitar Berbatov | Manchester United | 400.000 | 4.800.000 |
| 47 | Andrei Arshavin | Arsenal FC | 400.000 | 4.800.000 |
| 48 | Nicolas Anelka | Chelsea FC | 400.000 | 4.800.000 |
| 49 | Ryan Giggs | Manchester United | 400.000 | 4.800.000 |
| 50 | Alessandro Del Piero | Juventus | 400.000 | 4.800.000 |
Fonte:
África do Sul: 6 bilhões de euros de gastos no país mais desigual do mundo

Organizaciones sudafricanas critican la enorme cantidad de dinero gastado en cumplir las exigencias de la FIFA, entre ellas la exención de impuestos para los inversores en el mundial, cuando los niveles de pobreza siguen siendo alarmantes. Por Joan Canela Barrull / Johannesburgo (Sudáfrica)
La euforia y la pasión con la que los sudafricanos han recibido el Mundial en su país ha superado con creces sus esperanzas estrictamente deportivas. A pesar de que, en 80 años, es la primera vez que una selección anfitriona es eliminada en la primera ronda, la ilusión por el evento no se ha reducido y el país entero ha sido cubierto por una oleada de banderas nacionales que arropan este dividido país.
“Desgraciadamente aún necesitamos proyectos que nos hagan trabajar juntos –contaba el arzobispo y premio Nobel de la Paz, Desmond Tutu– y el Mundial es una ocasión para unirnos de nuevo”. Y realmente el proyecto ha funcionado. Ver a la minoría blanca apoyar a la selección sudafricana de fútbol –en una repetición a la inversa del apoyo negro a la selección de rugby que cuenta Clint Eastwood en su Invictus– no tiene precio.
O sí. Tiene un precio estimado de 6.000 millones de euros, lo que se ha gastado el país en ponerse a punto para el Mundial. Una cifra que para muchos es desproporcionada y que tendría que haber sido invertida en otras necesidades más urgentes, como la salud, la educación o aliviar la extrema pobreza que padece el 40% de los sudafricanos.
Este debate está ahora mismo más abierto que nunca en el país y cada vez más voces se cuestionan si no se podría haber hecho un Mundial diferente. “No se puede exigir a un país en vías de desarrollo las mismas infraestructuras que a uno europeo –opina el documentalista Craig Tanner– y Sudáfrica podría haber hecho el Mundial en sus estadios preexistentes y dedicar estos fondos a necesidades más acuciantes”.
Tanner llegó a esta conclusión tras entrevistar a más de 40 sudafricanos –desde personalidades como Desmond Tutu o Dennis Brutus, hasta trabajadores de la construcción y vendedores ambulantes– para realizar su película Fahrenheit 2010, donde cuenta las esperanzas y dudas en torno al Mundial. “Me di cuenta de que la gente estaba ilusionada con el proyecto, pero también preocupada por su coste”.
La FIFA: un mal socio
Muchos sudafricanos hicieron la misma reflexión que Tanner y ahora se preguntan si la FIFA es un “socio fiable” a la hora de llegar a acuerdos. Hay que tener en cuenta que una gran parte de la factura se debe a las condiciones impuestas por el organismo internacional. Un ejemplo: el estadio Green Point de Ciudad del Cabo tuvo que ser construido de nuevo –a un coste de casi 60 millones de euros– porque la FIFA consideró que el campo que ya tenía la ciudad quedaba demasiado cerca de los barrios marginales. “Mil millones de espectadores no pueden ver pobreza a esta escala”, se escribió en uno de sus informes.
Pero la FIFA no se ha olvidado de sus cuentas de resultados y ha exigido al Gobierno sudafricano exenciones de impuestos, tanto para ella como para sus empresas asociadas. El servicio de Tasas Aduaneras calculó que sólo hasta el mes de abril el país perdió unos diez millones de euros por la importación de bienes relacionados con el Mundial libres de cargas. Los acuerdos también incluían la cesión de jets privados, limusinas, coches, chóferes, descuentos en hoteles y billetes de avión y reservas de habitaciones médicas. Toda una serie de condiciones que han provocado que este organismo haya llegado a compararse con un “poder colonial”.
¿Un Mundial neoliberal?
Para Patrick Bond, profesor de economía y director del Centro para la Sociedad Civil, el problema va incluso más allá. “Se ha asegurado que hasta un 0,5% de nuestro crecimiento en 2010 estará relacionado con el Mundial. El problema viene cuando buscas quiénes son los beneficiarios de este tipo de desarrollo”. Y es que Sudáfrica ya es, desde el año pasado, el país más desigual del planeta según el índice Gini, que calcula la distribución de la renta. En una sociedad tan dual hay que estar muy atento a la hora de saber quién sale ganando según cada enfoque del crecimiento económico. “El Mundial profundiza la inserción de Sudáfrica en el sistema globalizado, un modelo que beneficia a los más ricos y perjudica los más pobres –continua Bond– y ésto sin contar con el peligro de padecer una explosión de la deuda. Se calcula que una buena parte de culpa de la actual situación griega se debe a la factura de los Juegos Olímpicos de 2004”. Y Sudáfrica ya parte con una deuda externa de 60.000 millones de euros.
De momento, la fiesta continúa. Y continuará mientras ruede el balón. Pero el 12 de julio los turistas ya habrán abandonado el país y se habrán recogido las banderas. “El peligro de frustración es elevado”, reconoce Yunnus Ballim, vicerrector de la Universidad de Witts, la mayor del país. Y a mayor frustración, mayor riesgo de que se repitan hechos como las violentas explosiones xenófobas que hace dos años dejaron 62 muertos.
Espíritu combativo durante el mundial
Aunque Sudáfrica es el país más desigual del mundo, también es uno de los más combativos. Y el Mundial no ha significado, precisamente, ninguna tregua. Desde el día de la inauguración se han sucedido las manifestaciones y protestas. El Foro Antiprivatizaciones –una red de organizaciones comunitarias y sindicatos– ha liderado las marchas en contra del alto gasto que ha significado el evento. Otros colectivos también han aprovechado para hacer oír sus demandas concretas. Así, por ejemplo, los chabolistas de Abalhali baseMjondolo han edificado sus barracas justo enfrente del estadio Green Point de Ciudad del Cabo, las asociaciones de enfermos de sida se concentraron ante el consulado estadounidense en Johannesburgo para exigir a la Administración Obama que no recorte las ayudas en este capítulo y los sindicatos de la electricidad han usado la amenaza de dejar el país sin luz en pleno Mundial para asegurarse un aumento de sueldo.
Pero el hecho que quizás mejor define el espíritu reivindicativo sudafricano ha sido la huelga del personal de seguridad de cinco estadios. Contratados por la multinacional sueca Securitas con la promesa de ganar unos 150 euros cada día, se encontraron que al final se les pagaba sólo 20. El paro estalló espontáneamente durante el partido Alemania-Australia en Durban y la policía tuvo que asumir directamente las tareas de los huelguistas.
Fonte: Diagonal Web, http://www.diagonalperiodico.net
Reprodizido de: http://copa2014curitiba.wordpress.com
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Copa da África desmente promessas de desenvolvimento e escancara apartheid intacto

| Por Gabriel Brito | |
| Começou na última sexta-feira a 19º. Copa do Mundo, a primeira realizada na África, no país tido como o mais desenvolvido do continente, a África do Sul. Oportunidade única para levar o melhor do esporte mais popular de todos a localidades carentes de grandes torneios em seus cenários nacionais, como é o caso da sede de 2010. Porém, em um país que ainda se encontra longe de dirimir as diferenças do passado, a Copa acabou se transformando em uma excelente oportunidade de mostrar ao mundo como seguem latentes as tensões entre ricos e pobres, que ainda devem ser lidas como entre brancos e negros. Para os brasileiros, é uma ocasião ainda mais importante para que possamos observar o que está por vir com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. A forma como os preparativos foram feitos por lá em muito se assemelha com as tendências que vemos se desenhar cá. Qualquer semelhança não será mera coincidência... "Os despejos se multiplicaram nos últimos anos, em parte pelo aumento do preço da terra e em parte porque a prefeitura da Cidade do Cabo não nos quer tão perto do centro, onde os turistas podem nos ver", conta Gayika Tshawe, dirigente comunitário do Joe Slovo, terreno que une alguns dos milhares de excluídos da festa da nação arco-íris, em matéria de Joan Canela i Barrull, no catalão El Periodico. Com a organização do Mundial tendo custado cerca de 8 bilhões de reais, integralmente bancados pelo governo, já ficava claro antes do apito inicial que as promessas de melhorias de vida para a população eram cortina de fumaça. Sem esse argumento, é impossível convencer um povo repleto de carências a apoiar tal empreitada. No período de obras, atrasadas por diversos motivos estruturais, incontáveis greves dos operários que labutavam pela Copa (e por suas famílias, claro) foram registradas, a mais famosa dela a dos que construíam o palco principal. Mesmo trabalhando para um evento bilionário, a reclamação era sobretudo a respeito dos baixos salários. E muitas outras paralisações ficaram só na ameaça por terem sido contornadas pelo Comitê Organizador e governo. A Copa chegou e nada mudou. Dezenas de milhares de pessoas foram desalojadas para áreas muito mais distantes dos centros. Em Johanesburgo, para a construção do Soccer City, o maior estádio do Mundial, toda uma comunidade foi expulsa de seu terreno e realocada para cerca de 35 quilômetros dali, para uma precaríssima favela com barracos de zinco. Isso porque a capital do país já possuía dois outros estádios de grande porte. "A Copa do Mundo fez a vida dos pobres ainda mais difícil. Muitas pessoas foram desalojadas para a construção de novos estádios. As pessoas não foram tiradas dos barracos para serem levadas a uma casa. Levaram-nas para outros barracos, sem luz, água, nada", revela Therbani Ngonfoma, do Abahlali baseMjondolo (AbM), movimento que reúne cidadãos prejudicados pela Copa fundado em Durban, em 2005. A FIFA que poucos conhecem E se os africanos esperavam ao menos desfrutar a parte lúdica do evento, também se decepcionaram fortemente. A poucos meses da abertura, a FIFA anunciou que havia um encalhe de cerca de 800 mil ingressos, reclamando abertamente da falta de adesão do povo local ao Mundial. No entanto, ao analisarmos os fatos, veremos que foi a própria senhora do futebol quem propiciou este revés. rimeiramente, ignorou-se a realidade econômica do país sede, com os ingressos sendo postos à venda somente por internet, com cartão de crédito e a preços similares aos da Alemanha-2006, fatores de exclusão imediata de uma infinidade de fãs. De quebra, para os estrangeiros, já atemorizados com as inúmeras notícias da violência das cidades sul-africanas, a intermediação das vendas era obrigatoriamente feita pela Match, agência oficial da FIFA, que tem como sócio Philip Blatter, sobrinho do ilustríssimo Joseph, presidente da entidade e sucessor de João Havelange, unanimemente considerado o homem que injetou o futebol-negócio em nossas veias. E a incompetência (e avareza) da empresa apadrinhada por tio Blatter contribuiu de forma magnífica para que as previsões de 500 mil turistas no país caíssem pela metade. Por conta das imposições que a FIFA faz a toda sede, 80% dos quartos dos hotéis mais estrelados ficam reservados, e não tem conversa, para a Match. Sabendo-se dona do pedaço, a agência cobrou ágios de até 30% na hospedagem dentro dos pacotes de viagem. Assim, muitos torcedores resolveram assistir aos jogos de casa. E a rede hoteleira sul-africana ficou na mão. Mas como toda boa famiglia, os laços sangüíneos tornam as relações inabaláveis. Philipinho Blatter também é dono da empresa que detém a prerrogativa de negociar os direitos de transmissão da Copa em nome da FIFA. Fora que sua consultoria para ajudar na organização de perfumarias da entidade lhe rendeu US$ 7 milhões em honorários. Cabe perguntar por que as emissoras de TV interessadas em transmitir a Copa não podem ir à sede da federação em Zurique e sentar pra negociar diretamente com sua diretoria e departamentos comercial e jurídico. Cabe também questionar por que a intermediadora tem sede no mesmo local (Zug, na Suíça) da ISL, a antiga representante comercial da FIFA, cuja falência a justiça suíça comprovou ser uma fraude após seis sócios confessarem desvios de 96 milhões de dólares. Tais indagações podem ser feitas por qualquer um que leia ‘As contas erradas da FIFA’, no Le Monde brasileiro deste mês de junho.
Estádios revelam as contradições Com o fiasco à vista, a entidade máxima do futebol anunciou que uma vasta quantidade de entradas seria vendida com preços especiais, isto é, acessíveis, exclusivamente para os cidadãos sul-africanos. Porém, a baderna imperou nas bilheterias e muita gente ficou sem conseguir seu bilhete. Além do mais, para a imensa comunidade nigeriana no país, a idéia não serviu para que pudessem prestigiar sua seleção na estréia contra os argentinos, que, mesmo vindo do outro lado do terceiro mundo, tinham mais apoiadores no estádio. Quando enfim chegou o esperado 11 de junho, as contradições do país voltaram à tona. Enquanto a seleção da casa entrava em campo com seus atletas entoando a Shosholoza, histórico canto dos mineiros negros da época da segregação, uma platéia predominantemente branca tomava conta dos 88 mil assentos do novíssimo Soccer City. Era inacreditável, pois além de serem ampla maioria da população, o mundo inteiro sabe que, no país de Mandela, os brancos gostam de rugby e críquete, heranças coloniais, ao passo que os negros dedicam seu amor esportivo ao futebol de forma unânime. Na seqüência das partidas, nós, telespectadores, continuamos a nos surpreender. A grande maioria dos jogos tinha um vazio que variava de 20% a 30% da capacidade das modernas e festejadas arenas. E que fique claro que, mesmo com as injustiças gritantes do país, os fãs locais do esporte bretão apreciam a Copa por lá. Na antevéspera da estréia dos Bafana Bafana, cerca de 200 mil pessoas entupiram o nobilíssimo bairro de Sandton, reduto da alva elite sul-africana, com apartamentos avaliados em 5 milhões de dólares. Com a estátua de Mandela ao centro da multidão, foi uma das poucas vezes que o distrito se tingiu com as cores da casa.
Uma Copa do Apartheid Muitos sul-africanos não escondem a decepção com a vida pós-apartheid, especialmente a desilusão com o Congresso Nacional Africano, partido que representava os negros nas negociações pelo fim do regime racista e que repetiu um processo de encantamento e encastelamento no poder que conhecemos perfeitamente por aqui. "O CNA não cumpriu suas promessas, fazendo agora um apartheid entre ricos e pobres", sentencia Therbani, em entrevista a Gloria Ramírez, da revista eletrônica Desinformémonos. A cruel e definitiva prova de que a Copa do Mundo não foi feita para o povo africano está sendo dada no andamento da competição. Em Durban, dia 13, centenas de pessoas que se alistaram como prestadoras de serviço na Copa ficaram sem receber o valor combinado pelas mais de 12 horas trabalhadas no jogo Alemanha e Austrália. Foram reprimidas violentamente pela polícia e, mais de uma dezena, presas. "Temos família e trabalhamos o dia todo. Você acha isso justo?!", indignou-se uma revoltada trabalhadora da Copa diante de meio mundo de câmeras. No Internacional Broadcasting Center (IBC), QG da mídia no torneio e localizado na capital, todos os prestadores de serviço abandonaram seus postos neste dia 16 por verem a cor de somente metade dos 50 dólares diários combinados. Por ora, sabe-se lá até quando, é a própria polícia quem cuida da circulação de pessoas e demais tarefas que cabiam àqueles que ajudavam a organizar a Copa.
De volta para o futuro Diante de todas as mazelas provocadas e/ou mantidas com o mundial sul-africano, podemos preparar melhor nossos anticorpos para os grandes eventos que se realizarão no Brasil. Desapropriações forçadas já estão sendo tentadas em áreas pobres e potencialmente rentáveis e a truculência do conluio governos/iniciativa privada já se faz sentir em diversas frentes. Além das incontáveis licitações que serão esquecidas ‘em nome da urgência’, projetos como o de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro estão ameaçados pelo senso de oportunidade de Eike Baptista, aquele que triplicou sua fortuna sem triplicar a produção de seus empreendimentos em mágicos 12 meses. Fora que já está sendo articulado o assalto aos aeroportos (rentáveis) pelos privatistas. "Parte da crise da Grécia é explicada pelos gastos extraordinários provocados pelas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Em sociedades com frágil institucionalidade, megaprojetos são fértil campo de práticas de corrupção e da incompetência. Há alta probabilidade de que o Brasil cometa os mesmos erros dos gregos (endividamento interno e, principalmente, externo) que quebrarão as finanças públicas e o sistema financeiro brasileiro no pós 2014-16", disse o economista Reinaldo Gonçalves em entrevista ao Portal IHU Online, em maio. Aliás, quem acompanha a renhida briga de bastidores sobre o estádio paulista da Copa de 2014 pode compreender a motivação da exclusão do Morumbi em favor de uma nova arena na cidade, no bairro de Pirituba, e fazer o paralelo com a Copa 2010. Por R$ 460 milhões, o governo sul-africano queria levantar o Athlone Stadium, na parte mais pobre da Cidade do Cabo. Poderosa, a FIFA conseguiu impor o Green Point, na já abastada, estruturada e turística orla local. Como informou a Folha de S. Paulo, o capricho adicionou R$ 540 milhões na conta do governo Jacob Zuma. Já o Soccer City cairá no colo da iniciativa privada pelos próximos 10 anos, depois de o governo local ter gasto 800 milhões de reais para erguê-lo - outra fortíssima tradição brasileira. De acordo com o professor de Economia da Universidade de Kwa Zulu Natal, Patrick Bond, os projetos dos eventos esportivos que mais mobilizam a humanidade aproveitam-se do relaxamento e desinformação de seus majoritariamente humildes apreciadores para reproduzir um modelo de vida que provou não ser frutífero, quanto menos provido de alguma justiça. "O problema é que se hipotecou grande parte do orçamento público em infra-estruturas que reforçam o modelo de desenvolvimento neoliberal, em vez de se concentrarem em uma aposta social e sustentável", declarou a Joan Barrul. Os engravatados que se encarregam de organizar a festa mais assistida do mundo sabem perfeitamente disso. E, apesar de nunca terem chutado uma bola, já são os maiores ganhadores do Mundial. Só falta bordarem uma estrela no peito. Gabriel Brito é jornalista. Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4751/172/ |