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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Liberdade de Imprensa: "Stálin do Sudeste" age novamente


Quem manda falar em pedágio perto do jenio ?

Gabi ocupa lugar de Heródoto na Cultura

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Nada a ver com os méritos - e nem com a independência, coisas que ela tem de sobra – de Marília Gabriela para ser a nova apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura. Mas é estranho que o afastamento do jornalista – que o apresentava desde fevereiro de 2009 e, antes, em 94 e 95 – tenha acontecido logo depois de ter insistido com o candidato José Serra na questão dos preços dos pedágios paulistas. Vejam no video que republico aí em cima.

Não é desconhecido entre os jornalistas de São Paulo o terror provocado por certos telefonemas a altas horas para as redações pedindo cabeças. Barbeiro, de quem nunca se falou ser um profissional hostil a Serra, contou sua própria experiência como usuário das rodovias e recebeu como resposta que “o pedágio não é caro, não” e que isso era “trololó petista”.

Curiosamente, hoje, Geraldo Alckmin, candidato tucano ao Governo de São Paulo, defendeu a revisão do pedágio das rodovias paulistas na região de Campinas. Deve ser por causa do trololó.

Em tempo: Clique aqui e leia: “Pedágio: Serra toma dinheiro do povo para dar às concessionárias” e aqui para conhecer o Pedagiômetro.

E não Parou por ai...

Pedágio derruba mais um jornalista da TV Cultura

Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura.

Ontem, planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aloízio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando.

Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.

Hoje, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana.

Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.

Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado.
Quem será que o proóximo a ser mandado para a Sibéria pelo Istálin do Sudeste
Fonte:
http://www.conversaafiada.com.br
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/

domingo, 23 de agosto de 2009

Atenas, a ANJ e a liberdade

Por Venício A. de Lima
Na comemoração dos seus 30 anos, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou 31 casos que considera de "violação à liberdade de imprensa", ocorridos no país ao longo dos últimos três meses: dezesseis se referem a decisões judiciais de primeira instância e outros, por exemplo, dizem respeito à "proposta" feita pelo ministro da Defesa de mudança no princípio constitucional do sigilo da fonte e ao "projeto de lei" enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional "para punir jornalistas". Da lista consta ainda a criação do blog da Petrobras.
Nada de novo. Apesar de dizer que defende o Estado de Direito, a ANJ não aceita que cidadãos ou entidades que se considerem prejudicados pela ação de jornais recorram à Justiça; também não aceita que sejam feitas "propostas" ou que "projetos de lei" que considera contra seus interesses tramitem no Congresso Nacional. Além disso, a ANJ, apesar de dizer defender a liberdade de expressão, considera a criação de blogs de fontes públicas uma "violação à liberdade de imprensa".
No dia dos seus 30 anos a ANJ publicou também, sob o título "Pela Liberdade", artigo assinado por sua presidente em diversos jornais brasileiros. O texto omite as verdadeiras razões que levaram à criação da ANJ (ver texto de Alberto Dines,
"ANJ, 30 anos: Para celebrar é preciso contar a verdade") e reafirma a velha posição de que "o governo" é a ameaça número um à sociedade democrática e que cabe aos jornais a defesa da democracia e do interesse público.
A presidente da associação dos donos dos jornais afirma no "Pela Liberdade" que "a tensão entre jornais e governos é inevitável e existe mesmo nas democracias mais consolidadas. Não é fácil erigir a maturidade para administrar esta convivência tensa por natureza – especialmente quando, como é o caso brasileiro, também está em curso o amadurecimento das próprias instituições, em parte forçado pelos jornais, que são vitais na exposição pública das vísceras do organismo político". Até aí, nada de novo.
Atenas, a deusa grega
A novidade no "Pela Liberdade" foi a dupla citação da deusa da mitologia grega Atenas (Minerva, para os romanos) no contexto de uma guerra – a guerra de Tróia.
Primeiro, evoca-se Atenas pelo grau de "sofisticação" da atual luta pela liberdade de expressão. Está lá: "A luta pela liberdade de expressão agora é muito mais sofisticada e por isso mesmo exige muito mais prontidão e obsessão analítica, num esforço cotidiano e discreto, mas poderoso, como o papel desempenhado por Atena, de apoio e proteção aos guerreiros gregos na luta contra Tróia".
E segundo, compara-se o papel da ANJ ao longo dos últimos 30 anos com aquele de "coadjuvante" desempenhado por Atenas e, por conseqüência, os jornais com guerreiros em luta: "Nestes 30 anos, a ANJ tem desempenhado seu papel de coadjuvante imprescindível, como o de Atena na defesa dos guerreiros em Tróia".
Quem era Atenas?
Atenas (ou Minerva) é mais conhecida pelo seu famoso voto de desempate no julgamento de Orestes. Como se sabe, Orestes havia matado sua própria mãe para vingar a morte de seu pai. Apolo fez a defesa de Orestes, reafirmando a posição patriarcal. O voto dos jurados deu empate e coube a Atenas o desempate que foi favorável a Orestes (daí a expressão "voto de Minerva"). Orestes e os princípios patriarcais foram os vencedores.
Já o comportamento de Atenas como estrategista durante a guerra de Tróia foi eticamente condenável. Numa das situações mais conhecidas, no auge da guerra, para proteger seu favorito Aquiles que duelava contra Heitor, Atenas fez com que o herói troiano acreditasse que seu irmão estava ao seu lado com o porta-lança. Depois de ter atirado a última lança, no entanto, Heitor se deu conta que estava sozinho. Ele havia sido enganado por Atenas.
Para Atenas não interessava a questão ética ou moral. Quando se tratava de "manobras enganadoras", este era o terreno onde ela se saia bem. O que importava era se sua ação estratégica era efetiva.
Qual liberdade?
Diante da inédita evocação da deusa Atenas, do cenário de guerra e dos jornais como guerreiros, antecipa-se que a "luta" da ANJ "Pela Liberdade" será cada vez mais ativa e mais "efetiva".
Como nunca tivemos qualquer regulação sobre a propriedade cruzada dos meios de comunicação, alguns dos maiores e mais poderosos grupos de mídia do país são, ao mesmo tempo, controladores da mídia impressa e da mídia eletrônica. Isso torna a ANJ capaz de articular a atuação das diferentes associações representativas dos (mesmos) empresários de mídia, seja de jornais, de revistas ou de radiodifusão.
Diante de tudo isso, talvez, na comemoração dos 30 anos da ANJ, o cidadão comum devesse questionar: quando a ANJ defende "a liberdade", de quem é a liberdade que está sendo defendida? Contra que tipo de restrições? E a favor de quem?

Testo portado em: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=551IMQ006