por Devinder Sharma
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O original encontra-se em http://devinder-sharma.blogspot.in/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
| Desde o fim de semana passado, em Valência, a Polícia Nacional do Estado espanhol está reprimindo com violência inusitada os estudantes que protestam contra os cortes aos orçamentos educativos empreendidos pelo governo direitista que encabeça Mariano Rajoi, quem tenciona dessa maneira satisfazer as exigências da União Europeia e dos organismos financeiros internacionais antes que cobrir as necessidades sociais e garantir direitos fundamentais. Em suas tentativas por desalojar os revoltados "pais de família, professores, alunos e parlamentares" das ruas e de vários centros de ensino, as forças da ordem lesionaron a dezenas de pessoas, prenderam sem justificativa estudantes menores de idade, bateram em jornalistas e desataram perseguições judiciais com base em cargos que, segundo demonstraram em vários casos gravações de video, são inventados. O que mostram os videos, em troca, é que com frequência os elementos da força de choque espancaram pessoas que não cometeram mais falta que se encontrarem nos lugares em que se desenvolveram as cargas policiais. Uma expressão que ilustra a atitude encarniçada da polícia contra os manifestantes é a que utilizou o chefe policial Antonio Moreno, quem se referiu aos manifestantes como "o inimigo". Para maior exasperação cidadã, esse servidor público descreveu a atuação da polícia como uma resposta comedida e mesurada a supostos ataques físicos dos mobilizados em defesa da educação. Com certeza, a brutalidade policial, que várias vozes na mídia espanhola comparam com as cargas dos "grises" ("cinzentos"), como se era conhecida popularmente a força de choque da ditadura franquista, em referência à cor das suas fardas, tem aumentado exponencialmente o descontentamento inicial, e agora os manifestantes não só exigem que se deponha a determinação de cortar o orçamento educativo, como também demandam, ademais, a demissão da delegada do governo espanhol na Comunidade Valenciana, Paula Sánchez de León. É preciso não perder de vista que a brutalidade policial desatada pelo regime de Rajoi é só o mais recente episódio de uma saga de violência não necessariamente física do governo contra a população. Efetivamente, a classe política de Madri decidiu transladar os custos da crise na que se encontra sumido o país e a população em geral, a qual deve enfrentar o aumento do desemprego, a redução de seu nível de vida e a perda ou a redução de serviços educativos, de saúde, morada e outros. Se o governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) claudicou da sua plataforma política, que prometia a promoção e a defesa do estado de bem-estar, sua sucessão na Moncloa, a cargo do Partido Popular de Rajoi e de José María Aznar, faz frente ao mal-estar popular decorrente mediante a força bruta policial e deixa entrever, desde o início, as tendências autoritárias que justificam que se descreva essa organização política como pós-franquista, não só porque foi fundada principalmente por ex servidores públicos da ditadura, como o recentemente falecido Manuel Fraga, mas também por uma herança ideológica inocultável. Em definitivo, o Reino de Espanha foi colocado por seus governantes anteriores e atuais ante a possibilidade de uma escalada de explosões sociais, vagas repressivas e desesperança como a que tem lugar na Grécia. Se o cenário helénico chega a repetir-se em terras do Estado espanhol, Rajoi e sua equipe não poderão argumentar que ignoravam a perspetiva. Fonte: http://www.diarioliberdade.org |
| Protestos da Revolução Islandesa |
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| Bandeira da Islândia ao lado da de Che, nos protestos do Parlamento. |
A luta pelo futuro da Europa joga-se em Atenas e restantes cidades gregas, na sua resistência às exigências da finança, que são a versão do século XXI de um verdadeiro ataque militar. A ameaça de um absoluto domínio da banca não é certamente o tipo de política económica liquidatária que possibilite heróicos feitos de armas. As políticas financeiras destrutivas assemelham-se mais a um exercício da banalidade do mal – neste caso, os pressupostos pro-credores do Banco Central Europeu (BCE), União Europeia (UE) e FMI (incitado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos).
Como sublinhou Vladimir Putin há uns anos atrás, as reformas neoliberais postas nas mãos de Boris Yeltsin pelos Harvard Boys nos anos 90 causaram na Rússia uma descida da natalidade, da esperança média de vida, e uma vaga de emigração – a maior queda do crescimento populacional desde a II Guerra Mundial. A fuga de capitais é outra das consequências da austeridade financeira. A "solução" proposta pelo BCE para o problema da dívida grega assevera-se autodestrutiva. Procura apenas ganhar tempo para que o BCE se aproprie de mais dívida do governo grego, deixando a factura para todos os contribuintes europeus. Foi evitar esta transferência das perdas dos bancos para os contribuintes que Angela Merkel insistiu para que os accionistas privados absorvessem algumas das perdas resultantes dos seus maus investimentos.
Os banqueiros estão a tentar obter receitas extraordinárias utilizando o mecanismo da dívida como forma de realizar aquilo que era antes levado a cabo pela guerra. Exigem a privatização do património público (a crédito, com benefícios fiscais para os juros, de modo a que aflua mais dinheiro para os cofres dos banqueiros). Esta transferência de terra, de serviços e de participações públicas, enquanto saque financeiro e tributo às economias credoras faz com que os efeitos da austeridade financeira se assemelhem nos seus efeitos aos de uma verdadeira guerra.
Sócrates disse que a ignorância é certamente a raiz de todo o mal, uma vez que ninguém é deliberadamente maldoso. No entanto, a "cura" económica que consiste em levar os devedores à miséria e forçá-los a liquidar o seu património público, tornou-se uma ciência socialmente aceite e ensinada nas melhores escolas de gestão. Seria legítimo pensar que, após cinquenta anos de programas de austeridade e privatizações liquidatárias para pagar dívidas, o mundo tivesse aprendido o suficiente no que toca a causas e efeitos.
O sector bancário escolhe deliberadamente a ignorância. As "boas práticas geralmente aceites" são apoiadas por Prémios Nobel da Economia de forma a fornecerem uma capa de negabilidade plausível quando os mercados são "inesperadamente" esvaziados e os novos investimentos abrandam como resultado de economias financeiramente exangues, enquanto a riqueza num estilo medieval é sugada para o topo da pirâmide económica.
O meu amigo David Kelley gosta de citar o gracejo de Molly Ivin: "É difícil convencer as pessoas de que as estás a matar para o seu próprio bem". A União Europeia tentou fazê-lo na Islândia, sem êxito. Tal como os islandeses, os manifestantes gregos já tiveram a sua dose da estudada ignorância neoliberal, segundo a qual a austeridade, o desemprego e a contracção dos mercados seriam o caminho para a prosperidade e não para o agravamento e aprofundamento da pobreza. Por isso, devemos perguntar-nos o que leva os bancos centrais a promoverem gestores de vistas curtas, que seguem as ordens e a lógica de um sistema que impõe o desperdício e sofrimentos desnecessários – e tudo isto para persistir na obsessão segundo a qual os bancos não devem perder dinheiro?
É forçoso concluir que os novos planificadores centrais europeus (não era a isto que Hayek chamava " Caminho da Servidão "?) agem como guerreiros de classe ao exigir que todas as perdas sejam sofridas pelas economias impondo uma deflação da dívida permitindo assim aos credores arrebatar os mais diversos activos. Como se isto não tornasse o problema pior. Esta linha dura do BCE é apoiada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, para que as instituições americanas não percam as suas apostas nas jogadas com derivativos que subscreveram.
Trata-se de uma repetição da actuação de Geithner para impedir a mitigação da dívida irlandesa. O resultado é que entrámos no território do absurdo quando o BCE e o Tesouro insistem numa "renegociação voluntária" com base no facto de que alguns bancos podem ter feito investimentos fraudulentos do tipo dos da AIG ao oferecerem seguros de incumprimento ou apostas que os teriam feito perder tanto dinheiro que um novo resgate seria necessário. É como se as apostas financeiras fossem economicamente necessárias e não algo digno de Las Vegas.
Porque é que isto deveria interessar aos gregos? É um problema intra-europeu de regulação da banca. No entanto para contornar o verdadeiro problema, o BCE ordena à Grécia que venda as suas redes de águas e esgotos, portos, ilhas e outras infraestruturas.
É uma viragem rumo ao teatro financeiro do absurdo. Claro que alguns interesses especiais lucram sempre com o absurdo sistémico, por muito banal que pareça. Os mercados financeiros apostam já na possibilidade de a Grécia acabar por não poder pagar. É apenas uma questão de tempo. Os bancos estão a usar esta oportunidade para lucrar ao máximo e transferir as perdas para o BCE, UE, e FMI – instituições públicas que têm mais poder de alavancagem financeira que os credores privados. Assim os banqueiros tornam-se os patrocinadores do absurdo – e da teoria económica lixo (junk economics) recitada irrefletidamente por aqueles que impõem e apologistas da banalidade do mal. Pouco importa que se chamem Trichet, Geithner ou Papandreu. Estes são apenas parte integrante do polvo vampírico das exigências dos credores.
As multidões gregas que se manifestam diante do parlamento na praça Syntagma estão a procurar reproduzir o seu equivalente da "Primavera Árabe". Mas que poderão fazer, para além da violência, enquanto a polícia e os militares continuarem a alinhar com o governo que por sua vez esta do lado dos credores estrangeiros?
A táctica mais eficiente é a de exigir um referendo nacional perguntando da aceitação dos termos da austeridade impostos pelo BCE, assim como do aumento dos impostos, cortes na despesa pública, das privatizações. Foi desta forma que o Presidente da Islândia impediu que um governo social-democrata comprometesse a economia do seu país com os pagamentos ruinosos (e legalmente desnecessários) exigidos pelo Partido Trabalhista de Gordon Brown e pelos holandeses para o resgate do Icesave e do Kaupthing.
A única base legal para a exigência do pagamento por parte da UE do resgate dos bancos franceses e alemães – assim como a exigência do secretário do Tesouro americano Tim Geithner, para que as dívidas sejam sagradas, e não as vidas dos cidadãos – é a aceitação e consentimento públicos de tais políticas. De outra forma a imposição da dívida pode ser tratada como um simples acto de guerra financeira.
As economias nacionais têm o direito de se defenderem contra tal agressão. Os líderes dos manifestantes podem insistir em que na ausência de um referendo, seja eleita uma lista comprometida com a anulação da dívida. O direito internacional proíbe as nações de tratarem os seus nacionais de forma diferente dos estrangeiros, assim todas as dívidas de categorias específicas teriam de ser anuladas para que se possa pôr a zero (to create a Clean State) as contas públicas. A reforma monetária imposta pelos Aliados à Alemanha em 1947 que pôs as contas publicas a zero, foi um dos casos de maior êxito de uma política desse tipo libertando a economia alemã da dívida [incluindo as indemnizações devidas à Grécia pelas destruições causadas pela II Guerra Mundial] e tornou-se a base do milagre económico nacional.
Esta não é a primeira vez que tal hipótese se apresenta à Grécia. No final do século III a.c., os reis espartanos Ágis e Cleómenes exigiram o cancelamento da dívida, assim como o fez Nabis depois deles. Plutarco conta-nos a história, explicando também o defeito trágico desta medida. Os proprietários ausentes que haviam pedido dinheiro emprestado para comprar bens imobiliários apoiaram o cancelamento da dívida, obtendo assim inesperadamente enormes ganhos.
Isto seria ainda mais verdade hoje do que no passado, pois actualmente a maior parte da dívida são precisamente hipotecas imobiliárias. Imagine-se o que o cancelamento da dívida faria pelos Donald Trumps deste mundo – tendo adquirido as suas propriedades a crédito, com o mínimo de investimento próprio, subitamente não deveriam nada à banca! O objectivo da reforma financeira deveria ser libertar a economia da sobrecarga financeira que é tecnologicamente desnecessária. Para evitar dar almoços grátis aos proprietários ausentes, o cancelamento da dívida teria de ser secundado por um imposto sobre as rendas dos bens imobiliários. O sector público receberia assim o valor das rendas da terra como base fiscal.
Este foi o objectivo fundamental dos economistas do mercado livre do século XIX: tributar a terra e a natureza – e os monopólios naturais – em vez de tributar o trabalho e os meios de produção do capital. O objectivo era fazer reverter para o público aquilo que a natureza e as infraestruturas públicas criavam. Há um século atrás acreditava-se que os monopólios, hoje cobiçados pelo sector privado, deviam ser operados pelo sector público; ou ainda que, no caso destes serem operados pelo sector público, os seus preços deveriam ser regulados de modo a estarem de acordo com o custo real de produção. No caso da terra, das minas e dos monopólios que já se encontravam na mão de privados, as receitas das rendas seriam inteiramente tributadas. Isto incluiria o privilégio financeiro de que os bancos desfrutam na criação do crédito.
A maneira de reduzir os custos de produção é a redução dos "maus" impostos que se aumentam o preço de produção, sobretudo os impostos sobre o trabalho e o capital, as vendas e os impostos de valor acrescentado. Em contrapartida, a tributação da rendas recolhe os "almoços grátis" da economia, deixando menos para ser entregue aos bancos para que estes capitalizem a dívida dos empréstimos mais elevados. Transferir a carga fiscal grega do trabalho para a propriedade reduziria o preço do trabalho, e reduziria também o preço dos bens imobiliários que está a ser inflacionado pelo crédito bancário.
Uma alteração da taxa sobre os bens imóveis foi a principal reforma proposta nos séculos XVIII e XIX, dos Fisiocratas a Adam Smith passando por John Stuart Mill e pelos reformadores da época progressista americana (American Progressive Era). A ideia era libertar os mercados das rendas hereditárias da aristocracia que remontavam às conquistas medievais Vikings. Isto libertaria as economias do feudalismo, alinhando os preços com os custos de produção socialmente necessários. Na ausência da renacionalização da terra e da infraestrutura, tributar plenamente a sua renda económica (pagamentos de acesso a sítios cujo valor é criado pela natureza ou pelo investimento público) recuperaria para as autoridades gregas aquilo que os credores estão a tentar agarrar à força.
Esta ameaça clássica dos reformadores do séc. XIX pode ser a resposta dos gregos ao Banco Central Europeu. Eles podem relembrar ao resto do mundo que se trata, afinal de contas, do ideal do mercado livre tal como foi expresso por Adam Smith e John Stuart Mill em Inglaterra, o mesmo que esteve na base da despesa pública, das agência reguladoras e da política fiscal estado-unidense na época da sua ascensão.
Quão estranho (e triste) é que o governo do Partido Socialista grego, cujo líder está à frente da II Internacional, tenha rejeitado este programa reformista centenário. Não se trata de comunismo. Nem sequer de algo intrinsecamente revolucionário, ou pelo menos não na altura em que foi formulado. Trata-se de um socialismo de tipo reformista, que é o ponto culminante de dois séculos de pensamento político-económico clássico.
Mas este é o tipo de mercados livres contra os quais luta o Banco Central Europeu, apoiado pelas exortações estridentes dos Estados Unidos na pessoa do seu secretário do Tesouro Geithner. O presidente Obama não intervém, deixando aos burocratas da Wall Street a tarefa de definir as políticas económicas nacionais. É isto perverso? Ou apenas passivo e indiferente? E faz alguma diferença no que toca ao resultado final?
Para falar de forma sucinta, podemos dizer que os objectivos da agressão financeira estrangeira são os mesmos que os de uma conquista militar: a terra e o domínio público. Mas as nações têm o direito de tributar os lucros das rendas das suas terras, bem para além do simples retorno do capital investido. Ao contrário do que está implicado na "desvalorização interna" (cortes nos salários) exigida pela UE, como forma de diminuir o custo do trabalho na Grécia, tornando-o assim mais competitivo, a diminuição do nível de vida não deve ser o caminho a seguir, uma vez que isso reduz a produtividade do trabalho, ao mesmo tempo que corrói o mercado interno, levando a uma espiral descendente de contracção económica.
A necessidade de um referendo popular
Todo o governo tem o direito e, na verdade, a obrigação política de proteger a prosperidade e assegurar a subsistência da sua população de forma a que esta possa viver no seu país e que não seja obrigada a imigrar ou posta numa posição de completa dependência financeira face aos investidores. No âmago da democracia económica encontra-se o princípio segundo o qual nenhuma nação soberana pode ser forçada a abrir mão do seu património público ou dos impostos que sobre ele recebe, e por conseguinte da sua prosperidade económica e subsistência futura, em favor de estrangeiros ou de qualquer classe financeira doméstica. Foi por este motivo que a Islândia votou "Não" no referendo da dívida. A sua economia encontra-se agora em recuperação.
A Irlanda votou "Sim" e enfrenta já uma nova Diáspora que compete com os grandes movimentos migratórios pelos quais, em meados do séc. XIX, os irlandeses procuraram escapar à miséria e à fome. Se a Grécia não se impuser, será uma vitória para a agressão financeira e fiscal e para o seu objectivo de impor a escravatura pela dívida.
A finança tornou-se o tipo de guerra preferido do séc. XXI. O seu objectivo é a apropriação, pelas suas próprias elites, da terra e das infraestruturas públicas. A realização financeira deste fim, através da imposição da escravatura pela dívida às populações subjugadas, evita o sacrifício de vidas por parte do agressor – mas é possível apenas enquanto os países devedores carregarem voluntariamente o seu fardo. Se não houver um referendo, a economia nacional não pode ser responsabilizada pelo pagamento da dívida, nem mesmo aos seus principais credores: o FMI e o BCE. Bens que foram privatizados graças à pressão exercida pela banca internacional podem ser renacionalizados e tal como as nações que são alvo de ataques militares podem processar aqueles que as atacam, assim também a Grécia pode processá-las pela devastação causada pela austeridade – pela perda de emprego, produtividade e população, bem como pela fuga de capital.
A economia grega não acabará com o dinheiro de qualquer "salvamento" do BCE. Os bancos obterão o dinheiro. Eles gostariam de dar meia volta e emprestá-lo novamente aos compradores da terra, monopólios e outras propriedades que a Grécia está a ser obrigada a privatizar. As taxas cobradas aos seus utilizadores (sem dúvida cobrando encargos no processo, para cobrir os juros e pagarem-se os aumentos de salário habituais nos bens privatizados) serão pagas a título de juro. Não se assemelha tudo isto a um tributo militar?
Margaret Thatcher costumava dizer "Não há alternativa". Mas claro que há. A Grécia pode simplesmente optar por não participar nesta dádiva de bens e privilégios económicos aos credores.
O que é que os colegas de Papandreu na Internacional Socialistas têm a dizer sobre os acontecimentos que se desenrolam na Grécia? Creio que é evidente que a antiga Internacional Socialista está morta, uma vez que Papandreu é o seu líder. Aquilo que é hoje em dia tido como socialismo opõe-se diametralmente às reformas promovidas sob a mesma designação há um século, na época imediatamente anterior à Primeira Guerra Mundial. Os partidos sociais-democratas e trabalhistas europeus actuais estiveram na linha da frente das privatizações e da financiarização das suas economias sob condições que bloquearam o aumento do nível de vida. O resultado será provavelmente um realinhamento político internacional.
A austeridade económica não consegue, em última análise, assegurar as exigências dos credores
Quinta-feira à tarde o Dow Jones, que já estivera a cair 230 pontos, reagiu subitamente e fechou a perder "apenas" 60 pontos, tudo por causa dos rumores segundo os quais a Grécia tinha dado o seu aval ao plano de austeridade do FMI. Mas o que é a "Grécia"? É apenas o governo? Certamente, não se tratava ainda da totalidade do parlamento. Haverá um voto parlamentar contrário ao interesse público, aceitando a austeridade e as privatizações?
Só um referendo pode comprometer o governo grego com o pagamento de novas dívidas resultantes da austeridade. Só um referendo pode impedir a renacionalização dos bens que foram privatizados. Tal transferência não é legítima sob as concepções comumente aceites de democracia política e económica. De qualquer forma um imposto sobre o rendimento pode recuperar para a economia grega aquilo de que os seus agressores financeiros estão a tentar desapropriar.
A História é rica em exemplos instrutivos. As oligarquias locais da região convidaram Roma a atacar Esparta, e esta derrubou os reis e o seu sucessor Nabis. Em seguida, Roma instalou-se à cabeça de um império oligárquico, usando a violência para assassinar reformadores democráticos internos como os irmãos Graco, mergulhando a República num século de guerra civil. Os interesses dos credores acabaram por dominar inteiramente, e o seu egoísmo mergulhou o Império Romano do Ocidente numa idade das trevas económica e social.
Resta-nos esperar que o resultado seja melhor desta vez. Irá certamente haver luta, num campo fiscal e financeiro mais do que num campo abertamente militar. Tal luta só poderá, em última análise, ser ganha pela compreensão das dinâmicas corrosivas da "mágica combinação dos interesses" e da necessidade social de subordinar os interesses dos credores aos da economia real. Mas para que tal compreensão possa ter lugar, é preciso que a teoria económica seja subtraída da banalidade da sua corrente pós-clássica e neoliberal. [*] Antigo economista da Wall Street. Professor e Investigador na Universidade de Missouri, Kansas City (UMKC), autor de vários livros entre os quais, Super Imperialism: the Economic Strategy of American Empire (Pluto Press, 2002) e Trade, Development and Foreing Debt: A History of Theories of Polarization v. Convergence in the World Economy. Pode ser contactado através do endereço mh@michael-hudson.com
Por Amartya Sen
A Europa liderou o mundo no que diz respeito à prática da democracia. É, portanto, preocupante que os perigos para a governabilidade democrática de hoje, que entram pela porta traseira das prioridades financeiras, não recebam a atenção que merecem. Há questões de fundo que devem ser enfrentadas a respeito de como o governo democrático da Europa pode ser minado pelo papel enormemente aumentado das instituições financeiras e das agências de classificação de riscos, que hoje se apropriaram de certas partes do terreno político da Europa.
É preciso separar duas questões diferenciadas. A primeira se refere ao lugar das prioridades democráticas, incluindo o que Walter Bagehot e John Stuart Mill consideravam a necessidade do “governo por meio da discussão”. Suponhamos que aceitemos que os poderosos chefes das finanças possuem uma compreensão realista do que é preciso fazer. Com isso se fortaleceria o argumento favorável a prestar atenção em suas vozes em um diálogo democrático. Mas isso não é o mesmo que deixar às instituições financeiras internacionais e às agências de classificação de risco o poder universal de mandar sobre governos eleitos democraticamente. Em segundo lugar, é difícil ver que os sacrifícios que os comandantes financeiros vêm exigindo dos países em situação precária vão garantir a viabilidade destes países e a continuidade do euro dentro de um modelo sem reformar o setor financeiro e um conjunto de membros sem mudanças dentro do clube do euro.
O diagnóstico dos problemas econômicos por parte das agências de qualificação não é a voz da verdade como pretendem. Vale a pena lembrar que o histórico dessas agências nas instituições de certificação financeira e de negócios antes da crise econômica de 2008 era tal que o Congresso dos EUA debateu seriamente se deviam ser processadas. Dado que grande parte da Europa encontra-se agora empenhada em conseguir uma rápida redução do déficit público mediante a redução drástica do gasto público, é fundamental examinar com realismo que possíveis repercussões poderiam ter essas medidas políticas, tanto no caso da população quanto no da geração de receitas públicas por meio do crescimento econômico.
A alta moral de “sacrifício” tem um efeito embriagante. Esta é a filosofia do corpete “correto”. “Se a senhora se sente muito cômoda com ele, então certamente precisa de um tamanho menor”. No entanto, se as exigências de adequação financeira se vinculam de maneira demasiadamente mecânica aos cortes imediatos, o resultado pode ser o de matar a galinha dos ovos de ouro do crescimento econômico. Essa preocupação se aplica a uma série de países, desde a Inglaterra até a Grécia. A comunidade da estratégia do “sangue, suor e lágrimas” de redução do déficit outorga uma aparente plausibilidade ao que está sendo imposto aos países mais precários como Grécia ou Portugal. Também faz com que seja mais difícil ter uma voz política unida na Europa que possa fazer frente ao pânico gerado nos mercados financeiros.
Além de uma visão mais política, há necessidade de um pensamento econômico mais claro. A tendência a ignorar a importância do crescimento econômico na geração de receitas públicas deveria ser um assunto importante de análise. A sólida conexão entre crescimento econômico e receitas públicas é uma coisa observada em muitos países, como Índia, China, Estados Unidos e Brasil. Também aqui se tiram lições da história. A grande dívida pública de muitos países ao término da Segunda Guerra Mundial provocou uma enorme ansiedade, mas o gravame diminuiu rapidamente graças a um rápido crescimento econômico. Do mesmo modo, o enorme déficit que o presidente Clinton enfrentou quando assumiu seu cargo em 1992 se dissipou durante sua presidência, em grande medida graças à ajuda de um rápido crescimento econômico.
O temor de uma ameaça à democracia não se aplica, com certeza, a Inglaterra, já que estas medidas políticas foram escolhidas por um governo investido pelo poder das eleições democráticas. Apesar de que o desenvolvimento de uma estratégia não revelada no momento das eleições possa ser razão para uma reflexão, este é o tipo de liberdade que um sistema democrático permite aos que saem vencedores nas eleições. Mas com isso não se elimina a necessidade de uma maior discussão pública, mesmo na Inglaterra. Também existe a necessidade de reconhecer de que modo as políticas restritivas resultantes da eleição na Inglaterra parecem dar verossimilhança às medidas ainda mais drásticas impostas a Grécia.
Como os países do euro se meteram nesta enrascada? A rara singularidade de ir na direção de uma moeda única sem uma maior integração política e econômica sem dúvida contribuiu para isso, ainda mais considerando as transgressões financeiras que sem dúvida cometeram no passado países como Grécia ou Portugal (inclusive depois da importante advertência de Mario Monti de que uma cultura de “excessiva deferência” na União Europeia permitiu que essas transgressões ocorressem sem controle). É preciso reconhecer imensamente o governo grego – e Yorgos Papandreu, o primeiro ministro, em particular -0 que está fazendo o que pode apesar da resistência política, mas a vontade aflita de Atenas de cumprir certos termos não elimina a necessidade de os europeus estudarem a razoabilidade desses termos – e os tempos – que estão sendo impostos a Grécia.
Não é nenhum consolo para mim lembrar que me opus firmemente ao euro, apesar de estar fortemente a favor da unidade europeia. Minha preocupação com o euro guardava em parte relação com o fato de que cada país renunciara à liberdade de sua política monetária e dos ajustes na taxa de câmbio, que ajudaram enormemente a países em dificuldade no passado e evitou a necessidade de uma desestabilização massiva de vidas humanas nos frenéticos esforços por estabilizar os mercados financeiros.
Essa liberdade monetária poderia ser permitida mesmo com uma integração política e fiscal (como tem os estados nos EUA), mas a pressa em inaugurar uma casa que estava em construção acabou resultando numa receita desastrosa. Obrigou-se a incorporar à maravilhosa ideia de uma Europa democrática unida um precário programa de incoerente fusão financeira. Reordenar a zona euro suporia muitos problemas, mas as questões difíceis devem ser discutidas de maneira inteligente, ao invés de permitir uma Europa à deriva em meios aos ventos financeiros, alimentada por um pensamento de mentalidade estreita com um terrível histórico.
O processo tem que começar com certa restrição imediata do poder sem oposição das agências classificadoras de emitir mandatos unilaterais. Estas agências são difíceis de disciplinar mesmo com seu péssimo histórico, mas a voz bem refletida dos governos legítimos pode supor uma grande diferença para a confiança financeira enquanto se elaboram soluções, sobretudo se as instituições financeiras internacionais prestarem seu apoio. Deter a marginalização da tradição democrática na Europa envolve uma urgência que é difícil de exagerar. A democracia europeia é importante para a Europa...e para o mundo.
(*) Professor na Universidade de Harvard, prêmio Nobel de Economia em 1998.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Agencia Carta Maior
Esquerda.net
A Comissão Europeia aprovou no dia 10 de junho o Regulamento 562/2011, que reduz o programa europeu de ajuda alimentar de 500 milhões de euros para 113 milhões, um corte de 77,4%. A Federação Europeia dos Bancos Alimentares (FEBA) lançou um apelo ao Conselho Europeu de ministros da Agricultura a que chegue a um acordo sobre novas formas de financiamento.
Segundo a FEBA, em 2010 a sua rede “cobriu 40% dos alimentos fornecidos pelo Programa Europeu. Os 240 bancos alimentares distribuíram 360 mil toneladas de alimentos para associações caritativas e serviços sociais em 21 países europeus. Por sua vez, as organizações de caridade distribuíram alimentos para pessoas indigentes, tais como pacotes ou refeições. 51% desses suprimentos vieram do Programa Europeu, a outra parte de doações de empresas e colectas locais. Se nada for feito, esta decisão levará a uma grave crise”.
A FEBA lembra em comunicado que, de acordo com as estatísticas europeias, 43 milhões de pessoas estão em risco de pobreza alimentar, ou seja não podem pagar uma refeição adequada a cada dois dias.
A FEBA salientando que “o alimento é a base da vida e é um direito humano fundamental”, refere que “a aplicação desta decisão poderá reforçara percepção de uma Europa tecnocrática que não se preocupa com o destino das pessoas”.
Fonte: http://www.cartamaior.com.br
Por Giovanni Alves (*)
Por Robert Kuttner - SinPermiso
A história econômica está cheia de pileques de euforia financeira seguidos por dolorosas ressacas matinais. Quando as nações despertam enfermas por causa de dívidas contraídas em guerras financeiras, episódios frustrados de especulação ou projetos faraônicos que se revelaram inúteis, têm duas opções. Ou bem prevalece a classe dos credores às custas de todos os demais, ou bem os Estados encontram a maneira de reduzir a carga da dívida, de maneira que a capacidade produtiva da economia consiga se recuperar.
Os credores – a classe rentista, no jargão clássico – são normalmente os ricos e os poderosos. Os devedores, quase por definição, dispõem de poucos recursos e de escasso poder. A “questão monetária” nos EUA do século XIX – a questão sobre se o crédito deveria ser caro ou barato – foi também uma batalha entre o crescimento e a austeridade.
A classe credora vê as coisas assim: qualquer coisa que não passe pela plena reintegração do que é devido leva inexoravelmente ao colapso da civilização econômica. O certo, no entanto, é que, frequentemente, as dívidas não são plenamente satisfeitas. No século XX, os especuladores perderam fortunas por causa de dezenas de nações que deixaram de pagar suas dívidas. No século XIX, muitos estados federados e muitos municípios norte-americanos quebraram. Os perdedores de guerras e de revoluções raramente pagam suas dívidas (os velhos bônus czaristas carecem de valor, salvo nos leilões de antiguidades). O Plano Brady, do final dos anos 80 do século passado, pagou 70 centavos por dólar aos portadores de títulos dos devedores quebrados do Terceiro Mundo a fim de que o crescimento econômico pudesse retomar seu curso.
Às vezes, simplesmente, as dívidas não podem ser pagas. Por isso era ruinosa a ideia da prisão por dívida (salvo como dissuasão). A questão real é como reestruturar a dívida quando é impossível pagá-la. Não se trata somente de uma luta entre quem tem e quem não tem, mas entre os direitos do passado e o potencial do futuro.
A dívida pode ser reduzida ou mesmo anulada de maneiras construtivas. Ou pode levar ao caos. A inflação, por exemplo, é uma forma de erodir a dívida, uma forma arriscada. Pode haver uma quebra calamitosamente súbita (Lehman Brothers), ou uma reestruturação cuidadosa e benéfica (General Motors).
A bancarrota fornece de modo engenhoso um alívio ordenado da dívida passada, de modo que a empresa produtiva não precisa necessariamente ser destruída. Um juiz valora os ativos, os passivos e a viabilidade de um negócio insolvente. Se é considerado viável, não se permite que os credores vendam a maquinaria, mas paga-se a eles vários centavos por dólar, e a empresa termina sendo recuperada para usos construtivos.
O mundo dos negócios nos EUA valora o sistema de bancarrota conforme seus próprios objetivos, ainda que os investidores sofram com ele, de vez em quando, mais de uma derrota. Mas essa mesma elite empresarial vê com receio que outros – proprietários de casas, pequenas nações ou o sistema econômico inteiro – busquem alívio ao castigo econômico representado por uma dívida perversa. Não por acaso, um dos mais sagazes críticos do modo pelo qual o colapso financeiro terminou por privilegiar os credores às custas de todos os demais é também um dos maiores especialistas em processos de falência e bancarrota: a professora Elisabeth Warren.
Os dois maiores exemplos históricos sobre o modo de lidar com dívidas insustentáveis ocorreram após as duas guerras mundiais: um foi extremamente negativo; o outro, muito positivo. Na Conferência de Versailles, realizada em 1919, prevaleceu a mentalidade credora e a recuperação europeia do pós-guerra foi abortada. Inglaterra e França imaginaram que podiam sangrar a derrotada Alemanha a fim de pagar suas próprias dívidas de guerras, imensas (contraídas, sobretudo, com os EUA). A Inglaterra praticou também uma política de rigor monetário para manter o valor de sua própria moeda em níveis de pré-guerra, a fim de proteger a sua própria classe credora. Essa política destruiu a economia alemã e manteve o desemprego britânico com taxas de 10% durante duas décadas. O grande crítico da loucura britânica foi John Maynard Keynes, então conselheiro do Tesouro britânico. O livro publicado por Keynes em 1919, “As consequências econômicas da paz”, alertou profeticamente que a política de espremer a Alemanha até o último centavo causaria a depressão e uma segunda guerra mundial.
Após a II Guerra Mundial, a história ofereceu a Keynes a oportunidade para fazer as coisas corretamente. Seu sistema de Bretton Woods colocou a ênfase na recuperação interna, tanto das potências perdedoras como das vencedoras, e criou um sistema monetário global no qual se negava aos especuladores financeiros privados toda capacidade para forçar as nações a empreender cursos deflacionários. Nossa própria Reserva Federal (EUA) combinava então políticas monetárias suaves com uma regulação estrita, de modo que as baixas taxas de juros pudessem financiar a colossal dívida bélica sem levar a uma especulação destrutiva. Dinheiro barato e investimento expansivo preveniram a recaída dos EUA na depressão.
Hoje, essa lógica expansiva foi posta de avesso e os credores voltaram a ser hegemônicos de novos. Os bancos querem dinheiro barato para si mesmos e termos draconianos para os demais. Uma União Europeia afligida por banqueiros está castigando a Grécia ao invés de buscar um caminho para que o país possa voltar a crescer. Nos EUA, nega-se qualquer alívio aos proprietários de casas com água no pescoço, porque os contratos de dívida são sagrados, ainda que essa política prolongue a agonia. Por toda parte se propagandeia a austeridade orçamentária como via para o crescimento, apesar de que, ao invés disso, todas as evidências indicam que essa política nega à economia seu potencial produtivo.
E se fala sobre essas questões como se fossem ou tecnicamente inacessíveis ou simplesmente indiscutíveis. Nem uma coisa, nem outra. Necessitamos democratizar, mais uma vez, a questão do dinheiro.
(*) Robert Kuttner é um economista norte-americano, co-fundador e atual editor da revista The American Prospect, criada em 1990. Durante 20 anos, foi colunista da Business Week e é um dos cinco fundadores do Economic Policy Institute, um think tank de esquerda.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Agencia Carta Maior
Por Esquerda.net
Segundo o jornal espanhol Público, o movimento 15M ganhou este domingo a forma de um enorme 19J (19 de Junho), juntando mais de 150 mil pessoas na Praça de Netuno, em Madrid, às portas do Congresso dos Deputados, guardado por um forte cordão policial. Ali, os organizadores leram um manifesto no qual incentivam os cidadãos a participar numa Greve Geral.
Os manifestantes partiram logo pela manhã de seis zonas distintas da capital, juntando-se ao início da tarde na praça Netuno, junto ao Congresso dos Deputados.
Sustentando cartazes e faixas com palavras de ordem como “caminhemos contra a crise e o capital”, “escutem a ira do povo” ou “não sejas violento”, os manifestantes – gente de todas as idades e de vários estratos sociais, jovens, reformados, famílias com crianças – gritavam slogans já identificados com o Movimento 15M, como “chamam-lhe democracia, mas não o é” ou “não, não nos representam”.
"Contra o desemprego. Organiza-te e luta. Vamos marchar juntos contra o desemprego", lia-se num grande cartaz que liderava o caminho da "coluna sudoeste", que partiu de manhã de Leganes, uma comunidade-dormitório a cerca de quinze quilômetros a sul de Madrid. "Nós não somos mercadoria nas mãos de políticos e banqueiros", estava escrito com letras vermelhas num outro cartaz.
Ao microfone, um manifestante gritava: "Vamos preparar uma greve geral. Nós vamos parar o país". "Os bancos e os governos que provocaram esta situação devem estar cientes de que não estamos de acordo com as medidas e os cortes nos orçamentos. Temos a intenção de ser ouvidos e vamos conseguir", afirma o movimento 15M.
No final da tarde, teve lugar um piquenique “anti-fadiga” e uma orquestra interpretou a Nona Sinfonia de Beethoven - ver vídeo. Às 20h, foi realizada uma assembleia popular na Porta do Sol.
Já em Barcelona, às 17h encontravam-se milhares de pessoas concentradas na Praça da Catalunha que iniciaram depois uma manifestação até à Praça do Palau. O jornal Público espanhol cita os números avançados pelos organizadores do protesto nesta cidade: 270 mil manifestantes. O único incidente registado relaciona-se com um momento mais tenso durante o qual uns jovens identificaram uns polícias à paisana infiltrados na manifestação.
Na cidade de Valência, a manifestação começou no final da tarde e juntou vários milhares de pessoas. A marcha que se caracterizou também pelo caráter festivo, embora aguerrido nas palavras de ordem anti-crise, seguiu até à Rua Colón e terminou em frente à delegação do Governo regional.
100 pessoas detidas em Paris
A polícia francesa prendeu uma centena de "indignados" quando estes tentavam manifestar-se em frente da Catedral de Notre Dame, em Paris, França, no âmbito da convocatória internacional "Democracia verdadeira já!". Mais tarde, os manifestantes sentaram-se em frente ao monumento para continuar o protesto, que começou ao meio-dia. O Comando da Polícia da capital francesa anunciou que os detidos seriam libertados assim que verificada a sua identidade.
Na sua conta oficial no Twitter @acampadaparis, os indignados de Paris denunciam a repressão policial com fotografias.
Fonte: Agencia Carta Maior