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domingo, 15 de novembro de 2009

CAMPANAS POR LA GRIPE A

FREIRA DOUTORADA EM MEDICINA REFLECTE SOBRE A GRIPE A
Teresa Forcades, freira catalã doutorada em Saúde Pública, faz uma reflexão sobre a história da Gripe A (H1N1) e da sua vacina. Ela apresenta dados científicos e descreve as muitas irregularidades que envolvem o assunto. Na entrevista explica que a Organização Mundial de Saúde modificou a definição de pandemia, analisa as implicações políticas e os interesses subjacentes à campanha de vacinação, analisa os perigos das vacinas que estão a ser fabricadas e faz um apelo à activação urgente de mecanismos legais a fim de não penalizar os cidadãos que se recusem a deixar-se vacinar.
A entrevista está num castelhano bastante acessível a pessoas de língua portuguesa. Embora extensa, vale a pena ouvi-la na íntegra.

CAMPANAS POR LA GRIPE A from ALISH on Vimeo.

Fonte:http://resistir.info/

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Falsas epidemias, big business e cobaias humanas: Os bastidores do cartel Farbem

Por Hugo RC Souza
A IG Farben foi um cartel de empresas alemãs fundado em 1925 que se tornou um dos maiores conglomerados da indústria petroquímica e farmacêutica da primeira metade do século XX. Foi determinante para a ascensão do Nacional Socialismo alemão, detendo não apenas o monopólio da produção química na Alemanha nazista, mas utilizando também força de trabalho escrava do campo de concentração de Auschwitz para a produção de borracha e óleo sintéticos.
Levava a marca IG Farben o pesticida Zyklon B, registrado e patenteado pela empresa, e utilizado para massacrar pessoas de forma rápida e barata nas câmaras de gás.Cartaz da IG Farben de 1940: generais nazistas traçam planos sobre mapa da EuropaLisboa - Em 1947, no âmbito dos processos de Nuremberg**, um tribunal ianque condenou 13 diretores alemães da IG Farben à prisão por crimes contra a humanidade — o tribunal teve o cuidado de não tocar no nome dos acionistas ianques da empresa. Mas a lógica dos interesses que pautaram os bons negócios entre uma grande farmacêutica e um governo fascista — do USA com seus fiéis aliados e subalternos — está muito longe de ser coisa do século passado.Desde então, o oligopólio das empresas transnacionais que controla a indústria farmacêutica em todo o mundo é responsável por milhões de mortes prematuras.
O genocídio se dá através do boicote sistemático à prevenção e erradicação de inúmeras doenças que vitimam principalmente as populações pobres, com acesso precário aos medicamentos transformados em especulações financeiras sob a forma de combinados químicos e suas designações científicas.Tudo em nome da expansão do mercado mundial de remédios e do aumento da margem de lucro dos fabricantes. Um filão há muito descoberto por empresas que oscilam nas bolsas de valores de acordo com a expansão ou retração das enfermidades e com o maior ou menor número de patentes detidas.Um dia patrocinou os nazistas, mas atualmente a indústria farmaco-imperialista conta com governos ditos democráticos, a cooptação da “comunidade científica” e a cumplicidade do oligopólio dos meios de comunicação para garantir a sustentabilidade de um dos negócios mais rentáveis do planeta, à custa da saúde pública mundial.
Simples: a política do imperialismo — enquanto persistir no mundo — é o fascismo, pouco importa se aparece sob a corrente nazista, sob a roupagem dos impérios ianque, francês, inglês, ou que associação possam fazer entre si.
O grupo Rockfeller, nos Estados Unidos, e o grupo Rotchisld, na Inglaterra — dois gigantes do investimento farmacêutico — foram grandes financiadores das campanhas de George Bush e Tony Blair, e exercem hoje os maiores lobbies do Farma-Cartel de que se tem notícia. Eles sabem o que fazem: USA e Inglaterra são, atualmente, os dois maiores exportadores de remédios do planeta. Só no USA, os laboratórios doaram 10 milhões de dólares para candidatos que disputaram a última campanha presidencial.
Através da manipulação, propriedade intelectual e tráfico de influência estabelecem com a humanidade uma relação de dependência de seus fármacos que deixa os traficantes de drogas ilegais enrubescidos. Com a complacência da Organização Mundial de Saúde OMS, o Farma-Cartel gasta milhões de dólares no contra-ataque às ações judiciais contra as patentes e no boicote às alternativas não-patenteáveis de medicina natural.
A farsa aviária
Mapa das instalações quimicas da IG Farben pelo mundo em 1936
Os recentes episódios envolvendo a chamada gripe aviária — ou gripe do frango — dão conta da lógica que rege a atuação das indústrias farmacêuticas, particularmente o consórcio OMS-Roche-Gilead.Um relatório de 2004 da OMS dizia que para um futuro próximo haveria “riscos de que as condições presentes em certas regiões da Ásia resultem numa pandemia da gripe. Segundo certas estimativas prudentes baseadas em modelos matemáticos, a próxima pandemia poderia provocar a morte de 2 a 7,4 milhões de pessoas”.
No final de 2005, em meio às notícias de vários seres humanos contaminados pelo vírus H5N1, a OMS voltou a alarmar o mundo dizendo novamente que a pandemia de gripe aviária era uma possibilidade real. Surgiram especulações e comparações com a Peste Negra, a pandemia de peste bubônica que dizimou 25 milhões de europeus no século XIV. O alerta virou manchete nos quatro cantos do planeta, ainda que, desde que foi detectado no Vietnã, há nove anos, o vírus da gripe aviária tenha vitimado pouco mais de 100 pessoas em todo mundo. Uma média de 11 mortes por ano.Pouco depois de lançar o pânico, a OMS considerou o antiviral Tamiflú, fabricado pela farmacêutica suíça Roche, o medicamento mais eficiente para reduzir o risco de morte dos pacientes infectados pelo vírus H5N1.
O Tamiflú é comercializado pela Roche desde 1999, quando foi lançado como um antigripal comum, sem maiores pretensões de mercado.Com prescrição direta da OMS — que orientou os governos a comprar doses suficientes para dar conta de 25% da população de seus países — as vendas do remédio subiram em mais de 260%, gerando receitas extras de mais de 500 milhões de dólares para os cofres da empresa suíça.
Diante da impossibilidade de dar conta da demanda, a Roche descartou compartilhar os direitos de comercialização da fórmula do Tamiflú — patente sobre a qual detém o direito de exploração até 2016. Um acordo de propriedade intelectual no âmbito da OMC, firmado em 1994, prevê que um país em qualquer situação de emergência, em relação a qualquer doença, pode requerer a quebra de patentes.
Obviamente, não era o caso para emergências — a não ser a título da valiosa contribuição da OMS para alavancar as vendas da Roche — e apesar das ameaças de países como Tailândia, Índia e Argentina de quebrar compulsoriamente a patente do Tamiflú, o acordo não foi aplicado. No USA, realizou-se um vantajoso negócio, tanto para a Roche quanto para o Farma-Cartel ianque: a Roche anunciou que venderia licenças de valor hierarquicamente inferior aos laboratórios, saindo no lucro diante da possibilidade de compartilhamento gratuito da patente; as outras farmacêuticas comemoraram o acordo de cavalheiros que lhes poupou de ver um precedente tão “midiático” de quebra de exclusividade de comercialização.Um acordo de cavaleiros, entre sócios - empresas e administrações de países. Caso o alarmismo da OMC não tivesse servido apenas para aquecer um mercado farmacêutico arranhado pelos processos contra a propriedade intelectual, o hemisfério sul estaria condenado a esperar a pandemia chegar para só então pedir licença e remediar com atraso suas populações.O detalhe interessante fica por conta dos negócios da Roche particularmente com uma transnacional farmacêutica ianque, a Gilead Sciences Inc.
A patente do Tamiflú era propriedade exclusiva da Gilead até 1996, quando os direitos de comercialização foram “licenciados” para o laboratório suíço, que possui 90% da produção mundial de anis estrelado — base do princípio ativo utilizado na fórmula do antiviral.
Biografia de Rumsfeld
Latas vazias de Zyklon: cada lata é uma seção da assassinatos nas câmaras de gás
Hoje, a Gilead e a Roche administram conjuntamente a fabricação mundial do Tamiflú, decidem juntas as eventuais autorizações de “sub licença” e coordenam em dueto as vendas nos mercados mais importantes, como Estados Unidos e Europa. Os acertos garantiram ainda à Gilead cerca de 80 milhões de dólares de royalties sobre o faturamento das vendas de Tamiflú fabricado e comercializado pela Roche — apenas referente aos períodos de 1999 e 2003. Quem fechou o negócio da China com a Roche em 1996 foi Donald Rumsfeld, então presidente da Gilead, depois secretário de Defesa dos Estados Unidos.
Rumsfeld deixou a presidência da empresa, mas continua sendo seu principal acionista. A carteira de ações do grande estrategista está avaliada em cerca de 25 milhões de dólares. O editorial de abril da revista médica espanhola Dsalud levou o título “O Tamiflú, Donald Rumsfeld e o negócio do medo”.O doutor José Antonio Campoy começa o texto dizendo que, apesar da média de apenas 11 mortes anuais provocadas pela gripe aviária, isso “não impediu George Bush de empreender sua segunda ‘guerra preventiva'em pouco tempo, desta vez para lutar contra uma outra arma de destruição em massa tão poderosa quanto as ‘encontradas' no Iraque: o vírus H5N1”.
Campoy escreve ainda que a eficácia do Tamiflú vem sendo questionada por grande parte da comunidade científica, por médicos que se perguntam como o remédio pode ser eficaz contra um vírus mutante quando seus efeitos sobre a gripe comum não passam do alívio dos sintomas. Obviamente, diz, “o protagonismo do Tamiflú em nossas vidas não é científica, mas comercial”.No entanto, talvez as informações mais interessantes contidas no editorial da Dsalud sejam as referências aos precedentes envolvendo o nome de Donald Rumsfeld e as relações mafiosas entre a indústria farmacêutica e o governo ianque.
Como lembra a revista, Rumsfeld aparece ligado à decisão de vacinar 40 milhões de pessoas em 1976, durante a administração Gerald Ford, diante da suposta iminência do que se chamou de “gripe do porco”. O programa de vacinação custou cerca de 135 milhões de dólares e foi levado a cabo por indústrias farmacêuticas privadas. Até hoje não existe prova de que a “gripe” era uma ameaça real, mas o “porco” sim, tanto que 10% das pessoas vacinadas desenvolveram um distúrbio nervoso chamado síndrome de Guillain-Baré, que pode provocar paralisia permanente e morte por problemas respiratórios.
Em 1981, três meses depois da incorporação de Rumsfeld ao gabinete do então presidente Ronald Reagan, a Food and Drug Administration — FDA — órgão do governo ianque que regulamenta e aprova o uso e a comercialização de alimentos e medicamentos — autorizou a utilização do aspartame para uso em alimentos secos. A FDA há dez anos se recusava a liberar a droga, sustentando-se na possibilidade de que ela podia causar derrames e tumores cerebrais. Pouco antes de assumir um cargo no governo Reagan, Rumsfeld saiu da presidência do laboratório que produzia o aspartame, da mesmíssima forma que saiu da presidência da Gilead pouco antes de assumir o cargo de secretário de Segurança da administração Bush.A Gilead, aliás, é a fabricante do Vistide, um remédio comprado a granel pelo Pentágono e administrado nos soldados enviados ao Iraque para evitar os efeitos colaterais da vacina contra a varíola.
Cooptação e mortes lentas
O filme O Jardineiro Fiel, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, levou ao cinema o tema dos testes clandestinos de medicamentos realizados pelos laboratórios farmacêuticos nas regiões mais pobres da África.O enredo conta a história da esposa de um funcionário do alto comissariado britânico assassinada após descobrir o envolvimento do governo inglês e donos de laboratórios nas mortes de quenianos feitos de cobaia humana para um novo remédio contra a tuberculose. No filme, diplomatas e empresários “previam” para breve uma nova epidemia da doença.
Não se trata de ficção. A própria Gilead, de Donald Rumsfeld, financiada pelo governo dos Estados Unidos e pela Fundação Bill e Melinda Gates, era a responsável por testes na Nigéria, em Camarões e no Camboja com um medicamento para tratamento da AIDS. Estes testes foram suspensos após pressões populares com força suficiente para resistir à mutilação do organismo de sua própria população.
Oficialmente, foram suspensos por causa de “problemas éticos graves”. Problemas que não parecem existir em países como Tailândia, Botsuana e Malásia, onde os testes continuam a todo vapor, e nada ficam devendo aos trabalhos do famoso médico nazista Josef Mengele, que torturou e matou um sem número de pessoas em nome da ciência nazista. Os bastidores da indústria farmacêutica revelam muito mais do que bilhões de dólares gastos anualmente com publicidade direta ao consumidor — não raro tentando vender pela TV remédios para doenças como o câncer —, revelam que o tráfico de influência vai além do aliciamento de médicos, pesquisadores e estudantes de medicina em todo o mundo, que muitas vezes se convertem em meros vendedores intermediários de drogas industrializadas, num esforço empresarial para transformar consultórios e hospitais em lojas com consultas rápidas e receitas extensas.A biografia fármaco-imperialista de Donald Rumsfeld demonstra que o domínio dos interesses empresariais dos grandes laboratórios sobre a saúde pública mundial está longe de ser coisa de cinema ou teoria da conspiração. As populações da África continuam sucumbindo à Malária, AIDS, e tuberculose, enquanto a ONU e a OMS continuam comprando remédios de farmacêuticas que não estão interessadas em erradicação, mas em genocídios lentos, graduais e lucrativos.
*Cartel, forma de monopólio, uma associação de poderosas empresas capitalistas de produção quase sempre similar. A cartelização tem por finalidade manter e expandir o monopólio a qualquer custo para assegurar o lucro máximo, a super-exploração da classe operária e do povo em geral. O cartel evolui para a forma de trust, onde as empresas perdem toda a sua autonomia e obedecem a uma direção única. São tais as disponibilidades financeiras dos trusts que as empresas por eles dirigidas têm, sob a mesma direção, todas as fases e operações, inclusive de corporações no exterior. Necessariamente, esse tipo de monopólio, típico da fase imperialista, estende seu controle ao sistema de Estado e de governo, dentro e fora do país de origem.** Dirigido contra os grandes criminosos nazistas, o Processo de Nuremberg, aconteceu na cidade do mesmo nome, na Alemanha, diante do Tribunal Militar Internacional, entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946. Foram julgados os membros do governo imperialista alemão, dirigentes do Estado-maior e do alto comando das forças armadas, incluindo a Gestapo, além dos dirigentes do partido nazista, acusados dos mais graves crimes contra a humanidade.Nuremberg foi o primeiro processo internacional que efetivamente castigou criminosos de guerra e a agressão foi considerada o pior dos crimes internacionais. Ele fazia parte dos acordos de desnazificação da Europa impostos pela URSS revolucionária de Stalin, durante as três grandes conferências ocorridas ainda durante a Segunda Guerra. Mas as potências imperialistas tudo fizeram para apaziguar e trair os acordos, principalmente através dos subsequentes (ao processo principal) julgamentos, dessa vez a cargo do tribunal militar ianque. Foi esse tribunal que se encarregou do julgamento dos diretores da IG Farben, no processo no. 6, entre 14 de agosto de 1947 a 30 de julho de 1948.Texto Original Publicado:

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Gripe suína: armas, germes e aço


por Reinaldo José Lopes
Está difícil pensar em qualquer outra coisa que não seja o apocalipse porcino nesta semana (ainda mais trabalhando com jornalismo em tempo real. *Suspiro*.) Portanto, melhor usar a histeria (?) em favor de uma lição arqueológica importantíssima: como a domesticação de porcos e outros animais transformou a saúde das sociedades humanas. Em muitos casos, para pior -- muito pior.
Colocando a coisa de forma um tanto resumida e simplificada, é quase certo que a nossa espécie só enfrenta doenças infecciosas de avanço rápido e potencialmente letais porque aprendeu a criar outros bichos em larga escala. Gripe (claro!), varíola, coqueluche, sarampo, cólera, difteria, tifo, tuberculose -- antes do desenvolvimento de antibióticos e da medicina moderna em geral, dá para imaginar como essa listinha matava gente. Acontece que todas essas doenças começaram sua "carreira" como zoonoses, a julgar pela proximidade genética dos patógenos responsáveis por elas com vírus ou microrganismos carregados por animais domésticos.
A tese é um dos elementos proeminentes do já clássico livro "Armas, Germes e Aço", do biogeógrafo americano Jared Diamond, da Universidade da Califórnia em Los Angeles -- daí o título deste post. É só olhar para o processo que transformou javalis (como o simpático bicho da foto acima) em porquinhos domésticos para se dar conta de que a dinâmica epidemiológica virou do avesso por causa da domesticação.
Densidades, densidadesPrimeiro, mal dá para comparar as densidades populacionais de humanos e bichos antes dos eventos de domesticação e depois dos eventos de domesticação. É verdade que mamíferos de grande porte como cavalos, javalis, ovinos e bovinos selvagens já viviam em bandos antes de virar criaturas de fazenda, mas raramente tantos bichos eram confinados em espaços tão pequenos quanto por obra e graça da ação humana.
E, claro, houve um feedback positivo entre população de animais domésticos e população humana. A quantidade de proteína animal (carne e leite), combustível (fezes), adubo (fezes again), matéria-prima (ossos) e agasalho (peles) disponível para criadores de grandes mamíferos é exponencialmente superior à que podia ser adquirida pelo melhor dos caçadores-coletores. Junte a isso a agricultura e você tem, claro, a possibilidade de sustentar muito mais gente no mesmo espaço de terra. Com sorte, esse excedente de gente, também graças aos bichos, fica até mais móvel, podendo se deslocar e colonizar novas terras no lombo de cavalos, bois, jumentos e búfalos.
Pare para pensar um instante em quão antinatural (do ponto de vista dos 6 milhões de anos de evolução humana) é essa situação dos últimos dez milênios. A chance de contato próximo com grandes mamíferos ou mesmo bandos de aves que os caçadores-coletores tinham era minúscula. Neguinho dava graças a todos os deuses se abatesse um bisão por mês. Só que agora você tem um monte de gente e um monte de bicho amontoado no mesmo assentamento -- pessoas mexendo com esterco, carne, sangue, banha e sabe-se lá o que mais de vaquinhas, porquinhos e cabrinhas. (O "sabe-se lá o que mais" não é só pra efeito dramático. Em Papua-Nova Guiné, mulheres de certos tribos amamentam leitões órfãos. É, amamentam leitões.)
Esse cenário inédito não só facilitou a transmissão de doenças entre humanos e animais como também fez com que doenças infecciosas epidêmicas se tornassem autossustentáveis pela primeira vez. Se você é um caçador-coletor e tem o desprazer de ser infectado por um patógeno assassino oriundo, digamos, de macacos, tem o grande consolo de saber que sua tribo de 50 pessoas vai morrer inteirinha, ou ficar inteirinha imune, rapidão. E a doença muito provavelmente vai ficar por ali mesmo, porque aqueles 50 coitados raramente têm contato com outros grupos.
A coisa muda completamente de figura quando temos densas populações de criadores de animais e agricultores interligadas por rotas de comércio e interação extratribal constante. Agora até patógenos assassinos podem se beneficiar da massa crítica populacional para se espalhar por um ou mais continentes inteiros e fazer muito, muito estrago, coisa um bocado improvável de acontecer na era pré-domesticação.
Vencedores e vencidosDiamond extrai uma conclusão interessante desse raciocínio todo. (Confira, aliás, o trecho da adaptação em documentário do livro dele no vídeo abaixo, o qual trata desse tema.) Quando invasores europeus pisaram nas Américas, na Polinésia e na Austrália pela primeira vez, quem morreu dizimado por varíola, gripe, sarampo e outros flagelos eurasiáticos foram os nativos. Não há nenhum caso de doença oriunda desses locais que tenha detonado os europeus.




Ora, nenhum desses povos domesticou animais em grande escala, com exceção das lhamas incas (as quais, aliás, são o único grande* mamífero domesticado das Américas). Diamond aponta que, junto com a menor densidade populacional, a falta de animais domésticos é a chave. Os europeus eram os herdeiros de um caldeirão de microrganismos transferidos por bichos, o qual matou tanta gente na Eurásia que acabou levando ao surgimento de imunidade entre os conquistadores -- mas não entre os nativos.
Não dá para negar que a conclusão que a gente tira de tudo isso é um tanto sombria. Medidas modernas de higiene e monitoramento contínuo podem ajudar. Mas, se a história serve de guia, a criação intensiva de animais e o contato de seres humanos com eles ainda vai nos dar muitos sustos ligados a epidemias no futuro.
Os povos andinos também domesticaram o porquinho-da-índia. Além disso, quase todas as tribos americanas tinham cães, assim como muitas das polinésias. Nada, no entanto, que se compare em escala ou variedade aos mamíferos domesticados da Eurásia.
Texto original publicado em:

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Gripe suína: estudo minimiza poder de mutação do vírus


Coloque o vírus da gripe suína numa sala com outras versões do causador da influenza e eles não se juntarão para formar uma nova superdoença. Em vez disso, a gripe suína simplesmente derrotará as outras, diz um estudo publicado ontem no site PLoS Currents:
Influenza (
www.ploscurrents.org), criado pela "Public Library of Science" para compartilhar informações científicas sobre a enfermidade.
Os pesquisadores da Universidade de Michigan infectaram furões com várias versões da gripe para investigar os temores de que a suína poderia se fundir às outras e gerar um vírus mais letal. Mas o vírus da gripe suína, o H1N1, não sofreu mutações - análise da secreção nasal dos furões mostrou que não houve troca genética.
No entanto, os animais que receberam os dois tipos de vírus foram os que ficaram pior. E eles também transmitiram facilmente a gripe suína para os vizinhos - com muito mais facilidade do que transmitiram a gripe sazonal. Por enquanto, ela não sofre pressão evolucionária para desenvolver mutações, pois tem uma clara vantagem biológica sobre os vírus concorrentes, concluiu a equipe do virologista Daniel Perez.
No entanto, o estudo, financiado pelo NIH, órgão americano responsável pela pesquisa em saúde, comprova a facilidade de disseminação do vírus, reforçando a preocupação das entidades internacionais em relação à pandemia.
"Os resultados sugerem que a gripe 2009 H1N1 pode derrotar em competição as cepas das sazonais e ser mais contagiosa também", disse o médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, ligado ao NIH.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O H1N1 tornou-se vírus dominante

GENEBRA, Suíça (AFP) - O H1N1, que já fez cerca de 2.200 mortes em 177 países, tornou-se o vírus da gripe dominante no mundo, suplantando o da gripe sazonal, anunciou nesta sexta-feira a Organização Mundial de Saúde.
Nos diferentes lugares nos quais se propagou ficou "comprovado que o vírus pandêmico H1N1 se instalou rapidamente e se converteu na cepa de gripe dominante em grande parte do mundo", explicou a OMS em comunicado.
Até agora, a organização considerava "provável" um domínio do H1N1 a partir deste inverno.
Segundo os dados publicados pela OMS nesta sexta-feira, a considerada desde o 11 de junho como a primeira pandemia do século XXI, causou a morte de "pelo menos 2.185 pessoas" e 209.438 enfermos em mais de 177 países.
A OMS destaca a capacidade de propagação do vírus que terá uma segunda onda atingindo o Hemisfério Norte, com a chegada de uma estação mais fria.
Entre as boas notícias, nota que as redes de laboratórios que acompanham o vírus não constataram mutação para uma "forma mais virulenta ou mortal".
Além disso, assinala que "uma enorme maioria dos doentes vêm sendo contaminados por uma forma mais benigna da doença".
A OMS previne que em relação à rapidez de propagação, um "grande número de pessoas em todos os países são suscetíveis de contrair" esta gripe, o que poderá ter consequências mais significativas que as observadas durante a primeira onda da doença, na primavera (Hemisfério Norte) .
Um dos problemas antecipados pela organização é uma sobrecarga nos serviços de saúde, devido a casos graves. Entre estes últimos, uma proporção importante diz respeito a jovens e a pessoas com boa saúde, o que difere da gripe sazonal.
A OMS destacou que em algumas cidades do Hemisfério Sul, 15% das pessoas hospitalizadas tiveram necessidade de receber cuidados intensivos.
Salvar a vida das pessoas gravement atingidas "dependerá da grande qualidade dos serviços de cuidados intensivos" que serão confrontados a permanências mais longas e caras, explica a organização.
Lembra que as que apresentam mais risco são as com imunidade baixa.
As mulheres grávidas estão no topo da lista, o mesmo acontecendo com os que apresentem riscos cardiovasculares, asma, diabete ou que sejam obesas.
Atualmente, a pandemia parece diminuir na maioria dos países do Hemisfério Sul (Chile, Argentina, Nova Zelândia e Austrália).
O que não é o caso em nações situadas em regiões tropicais (Ásia e América Central), onde a propagação permanece em "nível elevado".
No Hemisfério Norte, a propagação da gripe H1N1 "permanece globalmente fraca" com exceção do Japão.

Texto original postado em:
http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/090828/saude/sa__de_gripe_mundo_oms

Por que tememos a gripe A


Por que tememos a gripe 1 – os antivirais
Escrito por Atila Iamarino
Para começar a jornada deste blog, e tratar do H1N1 e da gripe em geral, resolvi começar com textos que abordem ou outro lado do Influenza.
Vamos ver o que se passa por trás do vírus e das decisões que são tomadas em relação a ele.
Com vírus como o Ebola, que já chegou a matar mais de 90%, por que tememos o Influenza, que normalmente mata menos do que 0,5% dos infectados? Por que achamos que as grandes pandemias serão causadas por um vírus que pode nem causar sintomas?
Antes de tudo, temos que entender porque a maior ameaça pode ser um vírus, já que muitas doenças infecciosas graves são causadas por bactérias. Cólera, tuberculose e outras, muitas das quais ainda matam milhares de pessoas por ano. E apesar dos nossos esforços, ainda seguem causando estragos, principalmente em países subdesenvolvidos. Mas as bactérias possuem um ponto fraco: elas têm metabolismo, elas digerem e produzem moléculas.
Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios. Isso quer dizer que, precisam estar dentro de uma célula para poderem se reproduzir. Eles não são capazes de realizar metabolismo, precisam cooptar o da célula para si. Já as bactérias, por mais que parasitem outros organismos, possuem um metabolismo próprio. É nessa diferença que reside o segredo dos antibióticos.
Como somos bem diferentes das bactérias, elas possuem muitas moléculas diferentes que são alvos de antibióticos. A
penicilina, por exemplo, ataca os peptideoglicanos da parede celular bacteriana. Não existe nada parecido em nosso corpo, assim a penicilina pode atacar as bactérias sem nos atingir.
Já no caso dos vírus, a situação é mais complicada. Como eles quase sempre utilizam nossas moléculas, atacá-las é garantia de graves efeitos colaterais. Problema parecido se apresenta quando tentamos combater tumores, como são nossas células crescendo descontroladamente, é muito difícil de atacá-los sem prejudicar células saudáveis. Nos resta buscar algo de único dos vírus e atacar o que não deve nos atingir. Os primeiros alvos são as enzimas.
Enzimas são proteínas que catalizam reações químicas. Elas aceleram reações que demorariam muito tempo para ocorrer. Para tal, as enzimas precisam ser capazes de se ligar ao que vão reagir, o substrato, e transformá-lo em produto. Isso demanda um formato certo, uma estrutura que comporte o substrato e favoreça a reação que ela acelera. Pense em um espremedor de alho, que cataliza a transformação do mesmo em pasta, ele precisa ter um desenho certo e ser capaz de abrigar o dente de alho para funcionar. Este formato, esta especificidade é o que usamos contra o vírus.
Drogas antivirais em sua maioria são capazes de atacar enzimas do vírus, usando a especificidade delas. Ou se passando por um substrato que não pode ser quebrado e entope a enzima – um dente de alho inquebrável no exemplo acima – ou se ligando a outro ponto da enzima e induzindo uma mudança no formato dela que acaba com a especificidade – como se estragássemos o eixo no qual o espremedor se dobra.
No
caso do HIV por exemplo, um dos alvos do tratamento é a protease do vírus, uma enzima que digere proteínas, com drogas que se ligam e a impedem de funcionar sem atacar nossas proteases. Outra classe de drogas são os terminadores de cadeia, drogas que são incorporadas pelas polimerases virais, enzimas que fazem a cópia do material genético, DNA ou RNA, impedindo-as de continuar a cópia. Nossas polimerases são menos afetadas por estes terminadores porque possuem a atividade de reparo. Quando incorporam a droga, elas são capazes de desfazer a reação e reparar o DNA, ao contrário dos vírus.
Para o influenza, os antivirais disponíveis atualmente são focados em duas proteínas. A M2 forma um poro que o vírus utiliza para escapar da vesícula por onde entrou na nossa célula, e o antiviral entope este poro. A outra proteína é a Neuraminidase. Esta cliva nosso ácido siálico, um açúcar da superfície celular que o vírus usa para entrar e precisa cortar para poder sair.
A especificidade das enzimas também é a fraqueza da nossa estratégia de combate. Bactérias são capazes de escapar de antibióticos, geralmente destruindo a droga ou jogando-a para fora da célula antes que ela faça efeito. Mas ambos requerem novos passos no metabolismo, não tão simples de serem adquiridos.
Já para os vírus, basta a enzima perder a afinidade pela droga. Com algumas mutações, o vírus é capaz de mudar sua enzima de forma que ela perde um pouco da especificidade. Agora, a droga não se liga mais como fazia antes. Isso tem um custo para o vírus, quase sempre uma enzima resistente à droga possui atividade comprometida. Ela se liga com mais dificuldade ao substrato também. Mas uma enzima menos eficaz ainda é melhor do que uma enzima impedida de funcionar, de forma que mesmo com certo custo, um
vírus resistente pode ser bem sucedido.
Enquanto isso, buscamos novas enzimas alvo, novas formas de atacar os vírus, que impossibilitem ou pelo menos dificultem o surgimento e propagação de linhagens resistentes. E principalmente, temos que
planejar a maneira como administramos os remédios atuais para não perdermos os poucos recursos que temos. As vacinas seguem como a melhor medida para prevenir e conter uma epidemia de Influenza.
Fonte: De Clercq, E. (2002). STRATEGIES IN THE DESIGN OF ANTIVIRAL DRUGS Nature Reviews Drug Discovery, 1 (1), 13-25 DOI:
10.1038/nrd703

Texto Original publicado em: http://blog.h1n1.influenza.bvsalud.org/pt/

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Professores da rede de ensino do Estado de São Paulo orientam alunos sobre gripe suína, mas quando ficam doentes (gripados) são obrigados a dar aulas.

Sou professor da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo onde ministro aulas de geografia. Depois do recesso escolar, fomos orientados pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo à prestar esclarecimentos aos alunos e seus respectivos pais sobre a pandemia de gripe A (Influenza H1N1).
Montei estratégias didáticas para que, nas primeiras aulas depois do recesso de julho (prorrogado pela Secretaria da Educação minimizar a disseminação do vírus) discutisse com os alunos o assunto. Enfatizei nessas aulas as precauções para evitar o contágio e também para minimizar a disseminação do vírus. A escola se empenhou em aplicar os protocolos de orientação da OMS e do Ministério da Saúde. E caso aparecesse algum aluno com os sintomas a orientação era: NÂO VÁ AESCOLA OU AO TRBALHO, PROCURE UM SERVIÇO DE SAÚDE.
Essa orientação inclusive estava grafada no "folder" distribuído pela própria secretaria para todos os alunos.
Essa orientação aparece ainda no "folder" online da Secretaria da Educação onde orienta os professores pais e alunos a permanecerem em casa por 7 dias depois do aparecimento dos sintomas.
Só não sabia que essas orientações só “valeriam” para os alunos.
Isso foi constatado nessa quinta-feira 27 de agosto de 2009 , pois apresen
tando os sintomas da nova gripe (Febre, tosse, dor de garganta, dor de cabeça) busquei atendimento no Pronto Socorro Hospital do Servidor.





Logo na recepção percebi que o hospital estava seguindo os protocolos de orientação do Ministério da Saúde, pois havia uma enfermeira fornecendo mascaras para os pacientes que estavam com os sintomas de gripe. Coloquei a mascara e fui para corredor de espera para o atendimento clínico. Lá com mais alguns pacientes aguardei muitos minutos para ser atendido.
Em dado momento uma enfermeira começou a chamar os pacientes pela ordem de chegada, logo em seguida fui chamado. Entrei na mesma sala, me acomodei em uma cadeira e fui atendido por enfermeira. Ela passou a aferir minha pressão, batimentos cardíacos, minha temperatura. Ops! o termômetro quebrado! Termômetro trocado enfim a primeira etapa da consulta concluida. Voltei para o corredor de espera.
Depois de algumas horas fui chamado pelo médico plantonista, o Dr. Leonardo Weissmann
Ele me solicitou para que dissesse o que estava sentindo, disse que estava com os sintomas da gripe: (febre, tosse, dor de garganta, dor de cabeça). Ele me pediu para que tirasse a jaqueta e passou a me examinar, com o estetoscópio, a região dos pulmões. Terminado a consulta disse que possivelmente eu estava com “SINUSITE”.
E me passou a receita:

Exclamei: - SINUSITE!
Questionei:- Estou com os sintomas da gripe o Sr. me diz que estou com sinusite?
Ele respondeu: - Sim!
Retruquei: sou professor e agora era para estar dando aulas como devo proceder?
Ele disse: passe na recepção pegue um comprovante de passagem e vai dar aulas.
Questionei-o novamente: e se meus alunos forem infectados?
Ele não respondeu. Sai e fui diretamente para a ouvidoria (www.ouvidoria@iamspsaude.com.br)
Relatei minha indignação perante a atitude omissa do médico, pois não está seguindo os protocolos do ministério da Saúde. Como não tenho outra opção terei que entrar em sala de aula onde poderei disseminar o vírus pela escola. Quebrando
os protocolos por motivo de força maior.
Relatei o ocorrido para a direção da minha unidade escolar, que está estudando uma opção para contornar esse problema e não colocar em risco a saude dos meus alunos.

Estou aguardando o encaminhamento da reclamação protocolada na Ouvidoria do referido Hospital.

Na sexta-feira 27 de agosto de 2009 apresentando ainda os sintomas da gripe (dor no corpo, tosse, coriza, dor de cabeça, irritação na garganta) procurei atendimento médico pelo SUS, mas precisamente na AMA Jardim Icaraí.
Logo na recepção percebi que a unidade de saúde hospital estava seguindo os protocolos de orientação do Ministério da Saúde, pois havia uma enfermeira fornecendo mascaras para os pacientes que estavam com os sintomas de gripe. Coloquei a mascara e busquei informações na recepção. Recebi uma senha e fiquei aguardando, olhei no relógio e o mesmo marcava 12:15. A sala de espera estava lotada muitas pessoas aguardava impacientes pelo atendimento. Percebi que varias pessoas estava com os sintomas da gripe.
As 14:15 fui chamado para o preenchimento da ficha de atendimento e logo em seguida encaminhado para uma pequena sala onde uma outra enfermeira anotou os causas da minha visita naquela unidade de saúde.
Novamente fui orientado a aguardar mais alguns minutos para o atendimento clínico do médico.
Finalmente fui atendido às 14:30hs depois que descrevi os motivo da minha visita (sintomas da gripe) fui encaminhado para a sala de RX.

Já com o exame pronto retornei ao médico. Ele me orientou a ficar em repouso, indicou um antibiótico e em caso de evolução dos sintomas procurar atendimento médico imediatamente.

Algumas questões não respondida:

Qual dos dois médicos fez o diagnostico correto?

Porque essa discrepância entre os diagnósticos?

Podemos confiar no Hospital do Servidor da Cidade de São Paulo?

Os meus sintomas não poderiam serdiagnosticado como gripe (a "A" ou a comum)

E se fosse um professor irresponsável e voltasse a ministrar aulas, e alguns alunos se contaminassem e viessem a óbito? Quem seria o responsável?

Podemos ler no sítio da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo a frase:

“A Secretaria de Estado da Educação está colocando em prática uma série de iniciativas para combater a gripe suína, na volta às aulas.”

Diante do ocorrido tenho muitas dúvidas se realmente todas as iniciativas estão sendo implementadas.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tamiflu, Donald Rumsfeld e o negócio do medo…

Bastou os Estados Unidos lançarem o alerta para que o mundo ficasse com medo de uma pandemia. Apesar de decorridos 9 anos desde que o vírus da gripe aviária for a detectado no Vietname e não causou sequer 100 vítimas mortais. Uma média portanto de 11 mortes por ano. Em todo o mundo.!
Um detalhe “insignificante” que não impediu George Bush de empreender a sua segunda “guerra preventiva” em pouco tempo, e desta vez para lutar contra outra arma de destruição massiva tão vaporosa como as “encontradas” no Iraque.: O vírus H5n1.
Afinal também haveria uma poderosa “arma preventiva”, um antiviral chamado Tamiflu comercializado pela Empresa suiça Roche e que em apenas alguns dias se converteu na galinha dos ovos de ouro . Disso, os ingressos para a sua venda passaram de 254 milhões no ano 2004 a mais de 1.000 milhões em 2005. O tecto é imprevisível, dado à grotesca reacção dos governos ocidentais com petições massivas do produto. A realidade, no entanto, é que a eficácia do Tamiflu é questionada por grande parte da comunidade científica.
Tamiflu
Muitos se questionam como poderia servir contra um vírus mutável quando apenas alivia alguns dos sintomas , e nem sempre, da gripe aviária. Obviamente a resposta do protagonismo do Tamiflu em nossas vidas não é científica, mas sim puramente comercial.
O Tamiflu até 1996 era propriedade da Gilead Sciences inc. ,empresa que vendeu este ano a patente aos laboratórios Roche. Sabem quem era entretanto o seu presidente??
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, que até hoje continua um dos principais accionistas da empresa.

O sanguinário, senhor das guerras: Donald Rumsfeld
Recordam-se do ano passado? ( 2005) . Quando começou a falar-se da gripe aviária a Gilead Sciences inc quiz reaver o Tamiflu alegando que a Roche não se esforçava o suficiente para fabricá-lo e comercializá-lo. Ambas as empresas se sentaram a negociar e combinaram constituir dois comitées conjuntamente, um para coordenar o fabrico mundial do fármaco e decidir a autorização a terceiros para fabricá-lo e outro comitée para a comercialização de vendas estacionais nos mercados mais importantes , inclusivé Estados Unidos.
Além disso a Roche pagou à Gilead Sciences inc regalias retroactivas no valor de 62,5 milhões de dólares.
Roche ficou com 90% da produção mundial de anis estrelado, árvore que cresce fundamentalmente na China e que se encontra também em Laos e Malásia ,e que faz a base do Tamiflu .
O cenário estava preparado, bastava agora encontrar pouco a pouco aves “contagiadas” pelo vírus em diferentes países , uma ave aqui, outra acolá. Isso, para criar alarme mundial com ajuda de cientistas e políticos pouco escrupulosos ou de escassa capacidade intelectual e dos grandes meios de comunicação –Que não se caracterizam por investigar o que publicam ou emitem.
O nome de Donald Rumsfeld aparece ainda unido a uma vacinação massiva contra a suposta gripe do cerdo durante a administração de Gerald Ford na década de 70.
Resultando em mais de 50 mortes devido aos efeitos secundários .
Também a FDA aprovou o aspartame quando Rumsfeld esteve no gabinete de Ronald Reagan ,apesar de durante dez anos anteriores em estudos não se havia tomado nenhuma decisão. E sabe-se que aspartame é prejudicial.
Rumsfeld foi presidente do laboratório fabricante de aspartame.
Também esteve envolvido no negócio das vacinas anti anthrax, vacinaram milhares de soldados norte-americanos, e o anthrax nunca foi uma ameaça.
Ainda esteve envolvido na vacinação massiva de soldados com vistide, fármaco que supostamente evitaria os efeitos secundários da vacina contra a viruela.
O vistide foi também um produto dos laboratórios Gilead Sciences inc , .
O texto original está em espanhol, por José Antonio Campoy, director da revista Dsalud,
Fonte:
http://www.realidadeoculta.com/tamiflu.html

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Gripe A : algumas ponderações


Diante da atual pandemia de Gripe ( Influenza A ou H1N1 ) faz-se necessário algumas ponderações:
Quanto a nomenclatura do vírus:
A letra A indica o tipo mais variável de vírus, com potencial de fazer adoecer o maior número de pessoas. Os vírus da gripe humana são classificados em A, B ou C, de acordo com esse critério.
A letra H, de H1N1, é a inicial de hemoglutinina, uma proteína localizada na superfície externa do vírus e que ele utiliza para se fixar nas células humanas. O nome vem da aglutinação das células do sangue.
A letra N, de H1N1, é a inicial de neuraminidase, uma proteína que quebra os açúcares da célula sob ataque para liberar novos vírus.
Como as duas proteínas localizam-se no lado externo do vírus, são elas que o sistema imunológico detecta e que os cientistas procuram alvejar na busca por formas de matar o vírus.
Existem 16 tipos de hemoglutinina e 9 tipos de neuraminidase. Apenas as hemoglutininas 1, 2 e 3 ocorrem nos seres humanos (daí os H1, H2 e H3 nas denominações dos vírus). Da mesma forma, apenas as neuraminidases N1 e N2 são frequentes no ser humano.
Os outros tipos são encontrados em aves. Como não ficam gripadas - os vírus atacam seu sistema digestivo e não o sistema respiratório - as aves migratórias misturam os vírus em escala mundial.

Quanto ao poder dos cartéis dos Remédios.
Sabemos que a lógica capitalista é a da maximização dos lucros a qualquer custo, mesmo que seja sobre cadáveres de milhões de víveres. Essa lógica também é observada no combate a gripe suína. Vamos ao fatos:
2005 - A OMS alarma o mundo dizendo que a pandemia de gripe aviária era uma possibilidade real. Surgiram especulações e comparações com a Peste Negra, a pandemia de peste bubônica que dizimou 25 milhões de europeus no século XIV.
OMS considerou o antiviral Tamiflú, fabricado pela farmacêutica suíça Roche, sócia de Rumsfeld (lembra-se do secretário de segurança do governo Bush), o medicamento mais eficiente para reduzir o risco de morte dos pacientes infectados pelo vírus H5N1.
Resultado: Com prescrição direta da OMS orientando muitos governos a comprar doses suficientes para dar conta de 25% da população de seus países. As vendas do remédio subiram em mais de 260%, gerando receitas extras de mais de 500 milhões de dólares para os cofres da empresa suíça. (http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2005/10/18/
ult1766u12527.jhtm). Só o Brasil comprou material suficiente para fazer 9 milhões de doses.
Agora em 2009 aparece a gripe suína que segundo a Folha de São Paulo “Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses” e novamente a OMS orienta muitos governos a comprar milhões de doses dessas drogas. A OMS - O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) - informa que o vírus é sensível, in vitro, a dois inibidores da neuraminidase, o Tamiflu (fosfato de oseltamivir), da Roche, e o Relenza (zanamivir), da GlaxoSmithKline.

Mesmo sob a suspeita da ineficiência desses medicamentos, visto que o vírus Influenza é mutante, (http://www.who.int/csr/disease/swineflu/notes/h1n1_antiviral_resista
nce_20090708/es/index.html) a bondosa Roche doa seus estoques de Tamiflu (fosfato de oseltamivir) à OMS.
Será que estamos diante de uma aberração capitalista? Acredito que não. Não podemos confiar nesse pacote de “bondades” e acreditar no altruísmo dessa empresa.
“O grupo farmacêutico suíço Roche mais do que triplicou no primeiro semestre de 2009 seu faturamento com o Tamiflu, muito usado contra o vírus influenza A(H1N1), a chamada gripe suína”. (
http://www.swissinfo.ch/), (http://www.saudebusinessweb.com.br/noticias/index.asp?cod=51918)
Há muito tempo a saúde deixou de ser direito do cidadão e passou a ser um negócio muito lucrativo para as empresas principalmente àquelas que detêm o monopólio da biotecnologia. Não seria o caso que quebrar a patente desses medicamentos, se realmente for eficaz, e distribuir para os hospitais públicos?

“Me diga com quem andas que digo quem tu és”
Se investigarmos a Roche chegaremos a Gilead, empresa de Donald Rumsfeld, como frisado acima, juntos administram conjuntamente a fabricação mundial do Tamiflú, decidem juntas as eventuais autorizações de “sub licença” e coordenam em dueto as vendas nos mercados mais importantes, como Estados Unidos e Europa. (
http://www.saudebusinessweb.com.br/noticias/index.asp?cod=51918), se prosseguirmos chegaremos também a outras conclusões: a Gilead, de Donald Rumsfeld (O secretário da Defesa dos EUA) , financiada pelo governo dos Estados Unidos e pela Fundação Bill e Melinda Gates, era a responsável por testes na Nigéria, em Camarões e no Camboja com um medicamento para tratamento da AIDS. Estes testes foram suspensos após pressões populares com força suficiente para resistir à mutilação do organismo de sua própria população.
Mas, a podridão é ainda maior.
Em 1996, durante uma epidemia de meningite em Kano, Nigéria, 200 crianças doentes foram objeto dos testes de uma nova droga da Pfizer, o Trovan. A metade delas foi tratada com o Trovan. A outra com um medicamento concorrente do qual foram aplicadas doses abaixo do necessário, com o objetivo de se garantirem resultados inferiores.
Muitas das crianças-cobaia morreram ou sofreram danos permanentes como: cegueira, surdez e paralisia. Graças ao sacrifício das crianças africanas, o Trovan nunca foi aprovado para uso das crianças americanas.
Detalhe: a Pfizer não informou aos pais das crianças que se tratava de um teste, embora sabendo que o Trovan apresentava efeitos colaterais prejudiciais à saúde e poderia ser impróprio para uso humano, nem que existia um produto comprovado e relativamente barato, o clorofenicol. (http://www.correiocidadania.com.br/content/view/400/)
Essa é a lógica capitalista da maximização dos lucros a qualquer custo.

Quantos cadáveres teremos que contar até isso terminar?

Quanto aos investimentos em saúde públicas:
Alguns discursos já começam a ganhar destaque na grande mídia e na Internet.
Alguns meios de comunicação amedrontam a população empurrando-os para as unidades de saúde já superlotadas, espalhando ainda mais o vírus. Outros acusam o Ministério da Saúde de fazer uma centralização excessiva dos antivirais. ” (http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=geral&news
ID=a2589035.xml), “ é uma postura criminosa do governo recolher os antivirais” esbraveja outro internauta. Outros questionam a competência do governo federal em administrar as ações para conter multiplicação dos casos da Gripe A.
Mas, segundo a OMS e o próprio Ministério da Saúde, o índice de mortalidade dessa gripe é bem próximo a da gripe sazonal, portanto é provável que ela se espalhe por todo país sem matar em massa os brasileiros. E a automedicação seria um tiro no pé nesse momento, pois se as pessoas passarem a tomar o medicamento (antiviral) por prevenção, ou ao sentir qualquer coisa que possa ser um sintoma é que teremos é uma variedade de virus resistente, que terá uma vantagem sobre linhagens sensíveis e poderá se espalhar.
O importante nesse momento seria a prevenção (habito básicos de higiene, evitar aglomerações) e somente em caso de complicações procurar uma unidade de saúde.
Portanto, todas as pressões dessa epidemia convergirão para as unidades de saúde. Conseqüentemente é onde deverá ser empregado a grande maioria dos recursos públicos (três esferas da federação). Visto que em todo país há muitos problemas: falta de médicos, pessoal qualificado, equipamentos hospitalares, estrutura degradada ou insuficiente para suprir a demanda.
A Grande Mídia deveria investigar se todas as esferas da federação estão aplicando os recursos conforme estabelece a constituição. (a União - valor determinado a partir do crescimento anual do PIB, os Estados: 12% dos recursos próprios provenientes de impostos; e os Municípios: 15% dos recursos próprios provenientes de impostos).
Tudo indica que isso não vai acontecer. A grande mídia vai continuar desinformando, confundindo e amedrontando a população. Influenciando a automedicação e enriquecendo o cartel dos remédios.
Acredito que nesse momento de redobrarmos a participação dos cidadãos como garantido na constituição (art. 198), que por meios de nossas entidades representativas (sindicatos, movimentos sociais, associações ) e da mídia alternativa participar do processo de formulação das políticas de saúde e do controle de sua execução, em todos os níveis, desde o federal até o local.
Portanto, esse é o momento esclarecer a todos os brasileiros que a saúde é um direito primordial a vida como assegurado na CF de 1988:

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. (Constituição Federal)
Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I – descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II – atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais;
III – participação da comunidade.
§ 1º O sistema único de saúde será financiado, nos termos do
art. 195, com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes. (Parágrafo único renumerado para § 1º pela EC n. 29, de 2000.)

Falsas epidemias, big business e cobaias humanas: Os bastidores do cartel Farma*


Por Hugo RC Souza
A IG Farben foi um cartel de empresas alemãs fundado em 1925 que se tornou um dos maiores conglomerados da indústria petroquímica e farmacêutica da primeira metade do século XX. Foi determinante para a ascensão do Nacional Socialismo alemão, detendo não apenas o monopólio da produção química na Alemanha nazista, mas utilizando também força de trabalho escrava do campo de concentração de Auschwitz para a produção de borracha e óleo sintéticos. Levava a marca IG Farben o pesticida Zyklon B, registrado e patenteado pela empresa, e utilizado para massacrar pessoas de forma rápida e barata nas câmaras de gás.
Cartaz da IG Farben de 1940: generais nazistas traçam planos sobre mapa da Europa
Lisboa - Em 1947, no âmbito dos processos de Nuremberg**, um tribunal ianque condenou 13 diretores alemães da IG Farben à prisão por crimes contra a humanidade — o tribunal teve o cuidado de não tocar no nome dos acionistas ianques da empresa. Mas a lógica dos interesses que pautaram os bons negócios entre uma grande farmacêutica e um governo fascista — do USA com seus fiéis aliados e subalternos — está muito longe de ser coisa do século passado.
Desde então, o oligopólio das empresas transnacionais que controla a indústria farmacêutica em todo o mundo é responsável por milhões de mortes prematuras. O genocídio se dá através do boicote sistemático à prevenção e erradicação de inúmeras doenças que vitimam principalmente as populações pobres, com acesso precário aos medicamentos transformados em especulações financeiras sob a forma de combinados químicos e suas designações científicas.
Tudo em nome da expansão do mercado mundial de remédios e do aumento da margem de lucro dos fabricantes. Um filão há muito descoberto por empresas que oscilam nas bolsas de valores de acordo com a expansão ou retração das enfermidades e com o maior ou menor número de patentes detidas.
Um dia patrocinou os nazistas, mas atualmente a indústria farmaco-imperialista conta com governos ditos democráticos, a cooptação da “comunidade científica” e a cumplicidade do oligopólio dos meios de comunicação para garantir a sustentabilidade de um dos negócios mais rentáveis do planeta, à custa da saúde pública mundial. Simples: a política do imperialismo — enquanto persistir no mundo — é o fascismo, pouco importa se aparece sob a corrente nazista, sob a roupagem dos impérios ianque, francês, inglês, ou que associação possam fazer entre si.
O grupo Rockfeller, nos Estados Unidos, e o grupo Rotchisld, na Inglaterra — dois gigantes do investimento farmacêutico — foram grandes financiadores das campanhas de George Bush e Tony Blair, e exercem hoje os maiores lobbies do Farma-Cartel de que se tem notícia. Eles sabem o que fazem: USA e Inglaterra são, atualmente, os dois maiores exportadores de remédios do planeta. Só no USA, os laboratórios doaram 10 milhões de dólares para candidatos que disputaram a última campanha presidencial.
Através da manipulação, propriedade intelectual e tráfico de influência estabelecem com a humanidade uma relação de dependência de seus fármacos que deixa os traficantes de drogas ilegais enrubescidos. Com a complacência da Organização Mundial de Saúde OMS, o Farma-Cartel gasta milhões de dólares no contra-ataque às ações judiciais contra as patentes e no boicote às alternativas não-patenteáveis de medicina natural.

A farsa aviária
Mapa das instalações quimicas da IG Farben pelo mundo em 1936
Os recentes episódios envolvendo a chamada gripe aviária — ou gripe do frango — dão conta da lógica que rege a atuação das indústrias farmacêuticas, particularmente o consórcio OMS-Roche-Gilead.
Um relatório de 2004 da OMS dizia que para um futuro próximo haveria “riscos de que as condições presentes em certas regiões da Ásia resultem numa pandemia da gripe. Segundo certas estimativas prudentes baseadas em modelos matemáticos, a próxima pandemia poderia provocar a morte de 2 a 7,4 milhões de pessoas”.
No final de 2005, em meio às notícias de vários seres humanos contaminados pelo vírus H5N1, a OMS voltou a alarmar o mundo dizendo novamente que a pandemia de gripe aviária era uma possibilidade real. Surgiram especulações e comparações com a Peste Negra, a pandemia de peste bubônica que dizimou 25 milhões de europeus no século XIV. O alerta virou manchete nos quatro cantos do planeta, ainda que, desde que foi detectado no Vietnã, há nove anos, o vírus da gripe aviária tenha vitimado pouco mais de 100 pessoas em todo mundo. Uma média de 11 mortes por ano.
Pouco depois de lançar o pânico, a OMS considerou o antiviral Tamiflú, fabricado pela farmacêutica suíça Roche, o medicamento mais eficiente para reduzir o risco de morte dos pacientes infectados pelo vírus H5N1. O Tamiflú é comercializado pela Roche desde 1999, quando foi lançado como um antigripal comum, sem maiores pretensões de mercado.
Com prescrição direta da OMS — que orientou os governos a comprar doses suficientes para dar conta de 25% da população de seus países — as vendas do remédio subiram em mais de 260%, gerando receitas extras de mais de 500 milhões de dólares para os cofres da empresa suíça.
Diante da impossibilidade de dar conta da demanda, A Roche descartou compartilhar os direitos de comercialização da fórmula do Tamiflú — patente sobre a qual detém o direito de exploração até 2016. Um acordo de propriedade intelectual no âmbito da OMC, firmado em 1994, prevê que um país em qualquer situação de emergência, em relação a qualquer doença, pode requerer a quebra de patentes.
Obviamente, não era o caso para emergências — a não ser a título da valiosa contribuição da OMS para alavancar as vendas da Roche — e apesar das ameaças de países como Tailândia, Índia e Argentina de quebrar compulsoriamente a patente do Tamiflú, o acordo não foi aplicado.
No USA, realizou-se um vantajoso negócio, tanto para a Roche quanto para o Farma-Cartel ianque: a Roche anunciou que venderia licenças de valor hierarquicamente inferior aos laboratórios, saindo no lucro diante da possibilidade de compartilhamento gratuito da patente; as outras farmacêuticas comemoraram o acordo de cavalheiros que lhes poupou de ver um precedente tão “midiático” de quebra de exclusividade de comercialização.
Um acordo de cavaleiros, entre sócios - empresas e administrações de países. Caso o alarmismo da OMC não tivesse servido apenas para aquecer um mercado farmacêutico arranhado pelos processos contra a propriedade intelectual, o hemisfério sul estaria condenado a esperar a pandemia chegar para só então pedir licença e remediar com atraso suas populações.
O detalhe interessante fica por conta dos negócios da Roche particularmente com uma transnacional farmacêutica ianque, a Gilead Sciences Inc. A patente do Tamiflú era propriedade exclusiva da Gilead até 1996, quando os direitos de comercialização foram “licenciados” para o laboratório suíço, que possui 90% da produção mundial de anis estrelado — base do princípio ativo utilizado na fórmula do antiviral.
Biografia de Rumsfeld
Latas vazias de Zyklon: cada lata é uma seção da assassinatos nas câmaras de gás
Hoje, a Gilead e a Roche administram conjuntamente a fabricação mundial do Tamiflú, decidem juntas as eventuais autorizações de “sub licença” e coordenam em dueto as vendas nos mercados mais importantes, como Estados Unidos e Europa. Os acertos garantiram ainda à Gilead cerca de 80 milhões de dólares de royalties sobre o faturamento das vendas de Tamiflú fabricado e comercializado pela Roche — apenas referente aos períodos de 1999 e 2003.
Quem fechou o negócio da China com a Roche em 1996 foi Donald Rumsfeld, então presidente da Gilead, depois secretário de Defesa dos Estados Unidos. Rumsfeld deixou a presidência da empresa, mas continua sendo seu principal acionista. A carteira de ações do grande estrategista está avaliada em cerca de 25 milhões de dólares.
O editorial de abril da revista médica espanhola Dsalud levou o título “O Tamiflú, Donald Rumsfeld e o negócio do medo”.
O doutor José Antonio Campoy começa o texto dizendo que, apesar da média de apenas 11 mortes anuais provocadas pela gripe aviária, isso “não impediu George Bush de empreender sua segunda ‘guerra preventiva'em pouco tempo, desta vez para lutar contra uma outra arma de destruição em massa tão poderosa quanto as ‘encontradas' no Iraque: o vírus H5N1”.
Campoy escreve ainda que a eficácia do Tamiflú vem sendo questionada por grande parte da comunidade científica, por médicos que se perguntam como o remédio pode ser eficaz contra um vírus mutante quando seus efeitos sobre a gripe comum não passam do alívio dos sintomas. Obviamente, diz, “o protagonismo do Tamiflú em nossas vidas não é científica, mas comercial”.
No entanto, talvez as informações mais interessantes contidas no editorial da Dsalud sejam as referências aos precedentes envolvendo o nome de Donald Rumsfeld e as relações mafiosas entre a indústria farmacêutica e o governo ianque.
Como lembra a revista, Rumsfeld aparece ligado à decisão de vacinar 40 milhões de pessoas em 1976, durante a administração Gerald Ford, diante da suposta iminência do que se chamou de “gripe do porco”. O programa de vacinação custou cerca de 135 milhões de dólares e foi levado a cabo por indústrias farmacêuticas privadas. Até hoje não existe prova de que a “gripe” era uma ameaça real, mas o “porco” sim, tanto que 10% das pessoas vacinadas desenvolveram um distúrbio nervoso chamado síndrome de Guillain-Baré, que pode provocar paralisia permanente e morte por problemas respiratórios.
Em 1981, três meses depois da incorporação de Rumsfeld ao gabinete do então presidente Ronald Reagan, a Food and Drug Administration — FDA — órgão do governo ianque que regulamenta e aprova o uso e a comercialização de alimentos e medicamentos — autorizou a utilização do aspartame para uso em alimentos secos. A FDA há dez anos se recusava a liberar a droga, sustentando-se na possibilidade de que ela podia causar derrames e tumores cerebrais. Pouco antes de assumir um cargo no governo Reagan, Rumsfeld saiu da presidência do laboratório que produzia o aspartame, da mesmíssima forma que saiu da presidência da Gilead pouco antes de assumir o cargo de secretário de Segurança da administração Bush.
A Gilead, aliás, é a fabricante do Vistide, um remédio comprado a granel pelo Pentágono e administrado nos soldados enviados ao Iraque para evitar os efeitos colaterais da vacina contra a varíola.
Cooptação e mortes lentas
O filme O Jardineiro Fiel, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, levou ao cinema o tema dos testes clandestinos de medicamentos realizados pelos laboratórios farmacêuticos nas regiões mais pobres da África.
O enredo conta a história da esposa de um funcionário do alto comissariado britânico assassinada após descobrir o envolvimento do governo inglês e donos de laboratórios nas mortes de quenianos feitos de cobaia humana para um novo remédio contra a tuberculose. No filme, diplomatas e empresários “previam” para breve uma nova epidemia da doença.
Não se trata de ficção. A própria Gilead, de Donald Rumsfeld, financiada pelo governo dos Estados Unidos e pela Fundação Bill e Melinda Gates, era a responsável por testes na Nigéria, em Camarões e no Camboja com um medicamento para tratamento da AIDS.
Estes testes foram suspensos após pressões populares com força suficiente para resistir à mutilação do organismo de sua própria população. Oficialmente, foram suspensos por causa de “problemas éticos graves”. Problemas que não parecem existir em países como Tailândia, Botsuana e Malásia, onde os testes continuam a todo vapor, e nada ficam devendo aos trabalhos do famoso médico nazista Josef Mengele, que torturou e matou um sem número de pessoas em nome da ciência nazista.
Os bastidores da indústria farmacêutica revelam muito mais do que bilhões de dólares gastos anualmente com publicidade direta ao consumidor — não raro tentando vender pela TV remédios para doenças como o câncer —, revelam que o tráfico de influência vai além do aliciamento de médicos, pesquisadores e estudantes de medicina em todo o mundo, que muitas vezes se convertem em meros vendedores intermediários de drogas industrializadas, num esforço empresarial para transformar consultórios e hospitais em lojas com consultas rápidas e receitas extensas.
A biografia fármaco-imperialista de Donald Rumsfeld demonstra que o domínio dos interesses empresariais dos grandes laboratórios sobre a saúde pública mundial está longe de ser coisa de cinema ou teoria da conspiração. As populações da África continuam sucumbindo à Malária, AIDS, e tuberculose, enquanto a ONU e a OMS continuam comprando remédios de farmacêuticas que não estão interessadas em erradicação, mas em genocídios lentos, graduais e lucrativos.

*Cartel, forma de monopólio, uma associação de poderosas empresas capitalistas de produção quase sempre similar. A cartelização tem por finalidade manter e expandir o monopólio a qualquer custo para assegurar o lucro máximo, a super-exploração da classe operária e do povo em geral. O cartel evolui para a forma de trust, onde as empresas perdem toda a sua autonomia e obedecem a uma direção única. São tais as disponibilidades financeiras dos trusts que as empresas por eles dirigidas têm, sob a mesma direção, todas as fases e operações, inclusive de corporações no exterior. Necessariamente, esse tipo de monopólio, típico da fase imperialista, estende seu controle ao sistema de Estado e de governo, dentro e fora do país de origem.
** Dirigido contra os grandes criminosos nazistas, o Processo de Nuremberg, aconteceu na cidade do mesmo nome, na Alemanha, diante do Tribunal Militar Internacional, entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946. Foram julgados os membros do governo imperialista alemão, dirigentes do Estado-maior e do alto comando das forças armadas, incluindo a Gestapo, além dos dirigentes do partido nazista, acusados dos mais graves crimes contra a humanidade.
Nuremberg foi o primeiro processo internacional que efetivamente castigou criminosos de guerra e a agressão foi considerada o pior dos crimes internacionais. Ele fazia parte dos acordos de desnazificação da Europa impostos pela URSS revolucionária de Stalin, durante as três grandes conferências ocorridas ainda durante a Segunda Guerra. Mas as potências imperialistas tudo fizeram para apaziguar e trair os acordos, principalmente através dos subsequentes (ao processo principal) julgamentos, dessa vez a cargo do tribunal militar ianque. Foi esse tribunal que se encarregou do julgamento dos diretores da IG Farben, no processo no. 6, entre 14 de agosto de 1947 a 30 de julho de 1948.
Texto Original Publicado em:
http://www.anovademocracia.com.br/content/view/408/105/

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Gripe Suína - O apocalipse, a pandemídia


Por Gabriel Perissé
Do Observetório da Imprensa (28/7/2009)

Algo semelhante aconteceu por ocasião do surto/susto da febre amarela, sobre o qual escrevi um artigo neste
Observatório da Imprensa. Um ano e meio se passou e nos encontramos novamente envolvidos em clima apocalíptico, apavorados agora com tosses e espirros, embalados por notícias e informações que podem confundir e apavorar mais do que esclarecer.
Virou motivo de piada a explicação que o governador José Serra deu sobre a origem e transmissão da iminente "tragédia", no
YouTube. Mas não fizeram melhor papel outras instâncias. Há dois meses, vários meios de comunicação divulgaram que "pandemia de gripe suína poderia infectar 2 bilhões", em que o uso do futuro do pretérito ("poderia"), indicando que tudo depende de certas condições, não consegue (nem conseguiria...) aplacar-nos o medo de estar entre esses 2 bilhões de infelizes!
No dia 19 de julho, outra chamada alarmista – "Gripe pode afetar até 67 milhões no Brasil em até oito semanas" –, na Folha de S.Paulo e na
Folha Online, o que provocou a reação do ombudsman da Folha no domingo seguinte, criticando a irresponsabilidade dessa reportagem assinada por Hélio Schwartsman.
Mortes no trânsito e por automedicação
Já no dia 25 de julho, a própria Folha lembrou que "gripe comum mata 17 por dia em São Paulo", baseando-se em dados segundo os quais, só na cidade de São Paulo, morreram 6.324 pessoas ao longo de 2008 em decorrência de males provocados pela gripe nossa de cada ano. Na revista Época desta semana (nº 584), o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, explica (seria seu papel fazê-lo com mais contundência e mais rapidez) que esta gripe não é pior do que a sazonal.
Pandemias outras são esquecidas. Forçando o sentido da palavra, mas em sintonia com a sua origem etimológica, toda a desgraça que atinge o "povo inteiro" é pandêmica.
Só o trânsito no Brasil matou cerca de 7 mil pessoas em 2007 e, graças à Lei Seca, um pouco menos em 2008: algo em torno de 5 mil e quinhentas pessoas. Fazendo as contas, podemos admitir que a cada mês morrem muito mais brasileiros em acidentes automobilísticos do que morreram até agora com a famosa gripe suína.
A Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) divulgou recentemente que, no Brasil, 50 pessoas morrem por dia por complicações causadas pela automedicação!
Outras pandemias: a das drogas, a do ensino deficiente, e a do pânico induzido pela mídia...
Texto Original publicado em:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=548FDS001

Gripe Suina - Contar os mortos, disseminar o pânico



Observatório da Imprensa em 28/7/2009
Por Luiz Antonio Magalhães

Sim, há uma nova gripe circulando no país, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, como de resto em praticamente todo o mundo. É fato. Algumas pessoas vão morrer da moléstia, como de resto morre gente vítima das outras gripes existentes. Também é fato. O que tem sido visto na grande imprensa brasileira nos últimos dias, porém, é praticamente um crime contra o bom senso e a inteligência do distinto público.

A cobertura da chamada gripe suína (o nome correto é Influenza A H1N1) se tornou uma verdadeira aberração, provoca pânico na população e certamente vai se mostrar exagerada em menos de dois ou três meses, quando os números da tal "terrível pandemia" começarem a murchar.
Como a mídia não tem autocrítica, porém, logo surgirá outro assunto para a irresponsabilidade dos responsáveis pelas manchetes e escaladas dos telejornais.
Não é preciso ser gênio para perceber que a cobertura dos últimos dias e semanas, focada na contagem do número de mortos que a maléfica gripe já provocou no país, não tem nenhuma outra utilidade senão a de disseminar o pânico. O ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, em sua coluna dominical (26/7) reproduzida ao final deste texto, classificou a cobertura da Folha – e em especial uma reportagem publicada no domingo anterior (19/7), intitulada "Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses" – como "um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008".
Carlos Eduardo se limitou a escrever sobre a Folha, mas as suas observações valem para praticamente todos os grandes jornais e telejornais.
Todos os dias o público vai sendo informado do número de mortos em decorrência da nova gripe, porém sem qualquer referência estatística ou base comparativa que permita a compreensão do fenômeno em curso.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já explicou, inclusive no programa televisivo deste Observatório, que a taxa de letalidade da gripe suína é a mesma da gripe comum – cerca de 0,6% dos infectados acabam morrendo. (Para ser preciso, usando os dados da OMS divulgados na segunda-feira, 27/7, são 87 mil infectados nas Américas para 707 mortes. A taxa de letalidade fica em 0,8%, mas deve ser muito mais baixa porque os países pararam de fazer testes para descobrir os infectados, que devem superar em muito os 87 mil).
Do ponto de vista da imprensa, porém, este é um dado que não deve ser de maneira alguma alardeado – afinal, notícia ruim é o que vende jornal e aumenta audiência na televisão. As estatísticas também mostram que morre muito mais gente de diarréia e verminose por semana no Brasil do que, desde o início do ano (quase oito meses!) de gripe suína. Aliás, só no inverno passado (junho/julho) foram 4,5 mil mortos da gripe "normal" contra os tais 45 da gripe suína neste ano.
Recordar é viver
O pior de tudo é que a mídia insiste em não aprender com os erros passados. Ao contrário, gosta de repetir os mesmos equívocos, mesmo que eles possam vir a cobrar seu preço em perda de credibilidade. A cobertura da nova doença, por exemplo, faz lembrar um pouco a do tal do Ebola, o vírus que dizimaria meia África e deixaria um rastro de desgraça pelo mundo afora. Na época (edição de 9 de agosto de 2000), a revista Veja publicou reportagem cujos títulos e lides eram os seguintes:
Truque assassino
Descoberto mecanismo de infecção do vírus Ebola, que mata nove entre dez contaminados
O Ebola é um pesadelo. Capaz de liquidar suas vítimas em poucos dias, é o mais violento de todos os vírus. De cada dez pessoas contaminadas, nove morrem. Isso ocorre porque o microrganismo ataca veias e artérias de todo o corpo, provocando hemorragia generalizada. Certos órgãos, como o fígado e os rins, simplesmente se desfazem e o sangue jorra em tal profusão que sai pelos olhos e poros. Na semana passada, cientistas americanos anunciaram o primeiro passo para combater esse assassino cruel: a descoberta da proteína usada pelo Ebola para destruir as células, causando o rompimento dos vasos sanguíneos. Entender o mecanismo de infecção torna possível o desenvolvimento de recursos para controlá-lo. "Remédios exigem maior prazo de pesquisa, mas uma vacina pode ser desenvolvida com rapidez", disse a VEJA Gary Nabel, coordenador da pesquisa no Instituto Nacional de Saúde, responsável pelos estudos com o vírus, nos Estados Unidos.
Bem, a África continua por lá e os africanos também. Mundo afora, parece que não foi muita gente que morreu contaminada pelo "pesadelo" da Veja, que mataria nove de cada dez contaminados. É evidente que a taxa de letalidade não poderia ser tão alta, é óbvio que a "reportagem" era uma aula de sensacionalismo barato.
Sensacionalismo ou motivação política
A reportagem da Folha, cuja irresponsabilidade foi apontada pelo ombudsman do jornal, é apenas um exemplo entre tantos outros que poderiam ser colhidos ao acaso em todos os grandes veículos de comunicação do país. Resta então analisar por que a mídia brasileira realiza uma cobertura tão equivocada da gripe suína. Vamos lá:
Qualquer estudante de primeiro ano de jornalismo ou qualquer jovem esperto, sem diploma, que entrar em uma redação percebe, em questão de minutos, o verdadeiro fascínio que as más notícias exercem sobre os jornalistas. Notícia ruim, tragédia das realmente pesadas, vende muito mais do que fatos positivos. A menos, é claro, que a boa notícia seja algum novo milagre de Fátima, a cura definitiva do câncer ou vitória da seleção em Copa do Mundo. O fato é que jornalistas gostam de notícias ruins porque elas vendem, portanto os ajudam a levar para casa o leitinho das crianças (em alguns casos, o "leitinho" é para os adultos mesmo). Enfim, a vida é dura e nada como uma boa manchete trágica para chamar atenção do público.
Por outro lado, já circula na internet, em blogs pró e contra o atual governo, a versão de que a cobertura da imprensa no caso da gripe suína visa desestabilizar o até aqui muito bem avaliado trabalho do ministro Temporão e, por tabela, tirar mais uns pontinhos da altíssima popularidade do presidente Lula. Sim, é a clássica teoria conspiratória: a mídia contra o governo, usando as armas disponíveis, mesmo que elas signifiquem botar no papel ou na telinha da televisão algo que pouco tem a ver com a realidade. Para os partidários desta teoria, o caso da gripe seria ainda mais estratégico, pois o candidato preferido da oposição ao cargo de Lula, o governador paulista José Serra (PSDB), foi ministro da Saúde, e a "desconstrução" da competência do atual ministro cairia como uma luva para a candidatura tucano-demista em 2010. Quem advoga esta tese lembra as "crises artificiais" criadas pela mídia, como a aérea, que no entanto pouco ou nada afetaram a popularidade do governo Lula.
É claro que ainda é cedo para dar um veredicto final sobre a cobertura da imprensa da gripe suína, mas já é possível sustentar a hipótese de a fome (de audiência e vendas) estar colada à vontade de comer (prejudicar um governo em relação ao qual a grande imprensa sempre foi francamente hostil). Os fatos, porém, acabam se impondo e são sempre mais fortes do que as versões construídas pela mídia, como prova o caso do "sequestro da caderneta de poupança", tão ventilado nas folhas e que se mostrou frágil como um castelo de cartas. Portanto, nada como um dia após o outro para que um quadro mais preciso das reais motivações da mídia nesta cobertura acabe aparecendo. O distinto público, para desalento de certos mancheteiros, é mais esperto do que se imagina...
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No limite da irresponsabilidade
Carlos Eduardo Lins da Silva # reproduzido da Folha de S. Paulo, 26/7/2009
"A reportagem e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008.
O título da chamada, na parte superior da página, dizia: ‘Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses’. A afirmação é taxativa e o número, impressionante.Nas vésperas, os hospitais estavam sobrecarregados, com esperas de oito horas para atendimento.
Mesmo os menos paranóicos devem ter achado que suas chances de contrair a enfermidade são enormes. Quem estivesse febril e com tosse ao abrir o jornal pode ter procurado assistência médica.
O texto da chamada dizia que um modelo matemático do Ministério da Saúde `estima que de 35 milhões a 67 milhões de brasileiros podem [em vez de devem, como no título] ser afetados pela gripe suína em oito semanas (...). O número de hospitalizações iria de 205 mil a 4,4 milhões´.
É quase impossível ler isso e não se alarmar. Está mais do que implícito que o modelo matemático citado decorre de estudos feitos a partir dos casos já constatados de gripe A (H1N1) no Brasil.
Mas não. Quem foi à página C5 (e não C4 para onde erradamente a chamada remetia) descobriu que o tal modelo matemático, publicado em abril de 2006, foi baseado em dados de pandemias anteriores e visavam formular cenários para a gripe aviária (H5N1).Ali, o texto dizia que `por ser um esquema genérico e não um estudo específico para o atual vírus, são necessários alguns cuidados ao extrapolá-lo para o presente surto´.
Ora, se era preciso cautela, por que o jornal foi tão imprudente? Ou, como pergunta o leitor Martim Silveira: `já que não tem base em nada nas circunstâncias atuais, qual a relevância de publicar algo que evidentemente só pode causar pânico numa população que já está abarrotando os postos de saúde por causa da gripe, quando os casos mal passam do milhar?´
Muitos leitores se manifestaram ao ombudsman. José Rubens Elias classificou a chamada de `leviana e irresponsável´. José Roberto Teixeira Leite disse que `se o objetivo do jornal era espalhar pânico, conseguiu o intento´. Para José Clauver de Aguiar Júnior, `trata-se claramente de sensacionalismo´.
O pior é que a Redação não admite o erro. Em resposta à carta do Ministério da Saúde, que tentava restabelecer os fatos, respondeu com firulas formalistas como se o missivista e os leitores não soubessem ver o óbvio. Em resposta ao ombudsman, disse que considera a chamada e a reportagem `adequadas´ e que `informar a genealogia do estudo na chamada teria sido interessante, mas não era absolutamente essencial´."
Texto Original em :
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=548FDS002