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domingo, 18 de julho de 2010

A violência contra as mulheres é consequência da sociedade machista, capitalista e individualista


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Por Brasil de Fato

A sociedade brasileira está perplexa diante de dois assassinatos brutais, bárbaros. As vítimas são duas jovens, com menos de 30 anos: a modelo Eliza Samudio e a advogada Mércia Nakashima. Os casos estão tendo ampla repercussão na grande imprensa e na sociedade, pela perversidade dos planos macabros, pela condição social das vítimas e pelos atores envolvidos na tragédia. E por terem também ocorrido, nos maiores centros do país: Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo.

Milhares de outros casos não recebem tamanha atenção da imprensa, pois não venderiam tanta audiência... e seguem no anonimato. Mas esperamos que pelo menos os lamentáveis episódios sirvam para reflexão de toda a sociedade sobre a violência que as mulheres vêm sofrendo sistematicamente.

Dados de entidades de direitos humanos revelam que, nos últimos dez anos, foram assassinadas nada menos do que 41 mil mulheres brasileiras. Na maioria dos casos, as vítimas conheciam ou conviviam com o agressor. Uma média de 4.100 mulheres por ano, uma verdadeira tragédia, um genocídio! Pior, um genocídio desconhecido e aceito passivamente pelos familiares, pela comunidade e omitido pela imprensa burguesa.

A ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Nilcéa Freire, participou em meados de julho de uma conferência internacional sobre a violência da mulher e demonstrou revolta diante da insegurança na qual se encontram as mulheres. Segundo ela, elas recebem agressões cotidianas, dos mais diferentes níveis, sem direito a proteção e sofrendo também com a impunidade , pois seus agressores não são devidamente penalizados.

A instalação das delegacias de polícia para cuidar dos casos de violações dos direitos das mulheres e a criação de um Ministério de políticas públicas para as mulheres são insuficientes diante da gravidade do problema.

A sociedade brasileira padece de desvios históricos, não só de machismo e prepotência contra as mulheres, mas enfrenta os problemas cotidianos de uma sociedade extremamente desigual, injusta e exploradora dos mais pobres e humildes.

Todos os dias temos estatísticas divulgadas das diferenças salariais entre homens e mulheres. Diariamente temos exemplos de em quantas áreas profissionais as mulheres ainda são discriminadas ou impedidas de participar, ou ainda são minoria.

A maior categoria de brasileiros são os 16 milhões de trabalhadores rurais. Nessa categoria, a imensa maioria das mulheres camponesas sequer possui alguma renda. Daí o sucesso que fez o programa Bolsa Família, quando destinou a responsabilidade pelo recebimento para as mulheres.

A segunda maior categoria de trabalhadores é a de empregados domésticos, da qual 90% são mulheres. Procurem observar e refletir sobre o tratamento que os trabalhadores domésticos recebem nas residências ou escritórios de seus patrões. Imaginem porque apenas 26% dos empregados domésticos possuem carteira assinada e, portanto, direito a INSS, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, férias e 13º salário, ainda que haja uma lei determinando que todo trabalhador de serviços domésticos tem direito a carteira assinada, garantindo os direitos sociais. Mas a maioria da classe média e rica não cumpre.

A ministra tem toda a razão. A violência contra as mulheres é cotidiana, e não se resume a casos bárbaros de assassinatos, mas vitimiza milhões de trabalhadoras todos os dias.

A sociedade brasileira, que há duas décadas vem sendo hegemonizada pelas ideias burguesas neoliberais, que exaltam apenas o individualismo, o sucesso pessoal, o consumismo e o egoísmo, cria um clima propenso permanente de exclusão, discriminação e humilhação dos diferentes, dos mais pobres e das mulheres.

Por isso, de certa forma, esses casos de bárbaros assassinatos por pessoas "bem formadas" são consequência desse ambiente perverso criado pela ideologia burguesa, que transforma as pessoas em mercadorias e transforma os detentores de dinheiro em "todo-poderosos", como se pudessem ser proprietários de tudo.

Inclusive da vida das pessoas. E mais: como tem dinheiro e podem contratar bons advogados, consideram-se impunes. Perguntem-se quantos dias de prisão teve o editor do Estadão, que há alguns anos assassinou estupidamente sua colega de trabalho e ex-namorada apenas por ciúmes? Nenhum. Está solto, gozando das brechas que a lei permite aos endinheirados. Imaginem quando a violência é cometida contra mulheres ainda mais pobres.

É mais do que urgente debater esses problemas em todos os espaços, a fim de ir gerando uma nova mentalidade sobre a necessidade ds urgência de mudanças sociais, não apenas na garantia de direitos, mas sobretudo no contexto socioeconomico que está gerando todas essas injustiças.

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Fonte: http://www.diarioliberdade.org

sábado, 12 de setembro de 2009

O Individualismo e a Crise Humana

Por Dennys Girardi
Vivemos o auge da era do indivíduo. Para onde olhamos vemos a queda dos ideais de coletividade. Desde a instituição familiar até as mais ideológicas linhas de pensamento coletivo perderam sua dinâmica interna.
Nas instituições se percebem numa crise interna, e esta crise está intimamente ligada ao novo modelo humano que passou a imperar, o humano individualista. Quando falamos em individuo nos remetemos ao latim, onde se diz "individuu", que significa aquele é único e indivisível. Ou seja, o indivíduo é algo que é por si e único. Não pode ser cindido nem separado.
Na seqüência vemos o surgimento dos termos "individualidade", que se remete ao modo de ser do individuo, e "individualismo", que se refere à doutrina, corrente, filosofia, ou seja, uma doutrina do individual. Se fizermos uma analogia com outro termo, por exemplo "cristianismo", notamos de um lado o "Cristo", naquilo que ele foi, e de outro lado o "cristianismo", o modo com que vivem e se relacionam os que crêem em Cristo, percebemos claramente que um nada tem a ver com o outro.
O "ismo" se refere à decadência (saída da cadência originária) de um elemento auto-suficiente e forte por si. Daí que a individualidade é valorosa e importante, mas o individualismo se apresenta como fator de permanente atenção, pois pode aparecer de várias formas, criando processos estranhos e perigosos a existência humana.
A individualidade é uma das mais fortes marcas do humano. É ele, enquanto indivíduo, que age no mundo. Contudo, a vida acontece na coletividade, somos um "nó de relações". Mas, hoje vemos acentuar-se a valorização do individuo, neste processo cada um coloca seus interesses acima de qualquer coisa. Ou seja, a autoridade do individuo está acima de qualquer definição apresentada anteriormente. Os valores universais não estão definidos e claros, pois cada um faz uma leitura do mundo a partir de valores individuais, que nem sempre são consensos humanos.
Todo este movimento pode ser presenciado publicamente na política, onde cada indivíduo busca o melhor para si, defendendo somente interesses particulares. De certo modo o entendimento de "pólis" é novo, pois não se enquadra no ideal de bem comum, mas de adequação ao individual. Assim, as estruturas políticas surgem para servir alguns indivíduos, em suas necessidades especificas, não se atendo às necessidades reais da coletividade.
O que chamamos de corrupção nada mais é do que a cristalização do individualismo na política. O corrupto se coloca acima de qualquer coisa, ele é o único individuo que deve ser beneficiado. Ou seja, nada existe além dele. Neste modo de pensar, onde o individuo é o centro, a punição se torna inútil, pois não age como regeneradora, mas vem motivar novas ações na mesma intensidade.
Vivemos uma crise universal de valores coletivos. "Tudo que era sólido, está desvanecendo no ar" . A humanidade urge por novos valores, por um novo ethos, onde aja um consenso mínimo que garanta a sobrevivência da espécie.
Fonte: http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_44566.html