por Credit Suisse Research Institute [*]
A riqueza pessoal varia entre os adultos por muitas razões. Alguns indivíduos com pouca riqueza podem estar nas etapas iniciais das suas carreiras, com pouca oportunidade ou motivação para acumular activos. Outros podem ter sofrido contratempos nos negócios ou infortúnios pessoais, ou viverem em partes do mundo onde oportunidades para a criação de riqueza são severamente limitadas. No outro extremo do espectro, há indivíduos que adquiriram uma grande fortuna através de uma combinação de talento, trabalho árduo ou simplesmente por estar no lugar certo no momento certo. A pirâmide de riqueza na Figura 1 mostra estas diferenças com notável pormenor. Ela tem uma grande base de possuidores de baixa riqueza, mais acima camadas ocupadas por cada vez menos pessoas. Em 2013 estimámos que 3,2 mil milhões de indivíduos – mais de dois terços dos adultos do mundo – têm riqueza inferior a US$10.000. Uma nova camada acima com mil milhões (23% da população adulta) cai dentro da amplitude dos US$10.000 – US$100.000. Se bem que a riqueza média possuída seja modesta nos segmentos da base e médios da pirâmide, sua riqueza total monta a US$40 milhões de milhões (trillion),destacando o potencial para produtos de consumo original e serviços financeiros inovadores destinados a este segmento muitas vezes menosprezado. Os remanescentes 393 milhões de adultos (8% do mundo) têm valor líquido acima dos US$100.000. Eles incluem 32 milhões de milionários em dólares, um grupo compreende menos do que 1% da população adulta mundial, ainda que colectivamente possua 41% da riqueza familiar global. Dentro deste grupo estimamos que 98.700 indivíduos possuem mais dos US$50 milhões e 33.900 possuem mais de US$100 milhões. A base da pirâmide Riqueza da classe média Os mil milhões de adultos situados na amplitude dos US$10.000 – 100.000 constituem a classe média no contexto da riqueza global. A riqueza média possuída está próxima da média global para todos os níveis de riqueza e o patrimônio líquido total de US$33 milhões de milhões proporciona a este segmento considerável poder económico. Esta é a camada cuja composição regional acompanha mais de perto a distribuição regional de adultos no mundo, embora a Índia e a África estejam sub-representadas e a China esteja super-representada. O contraste entre a China e a Índia é particularmente interessante. A Índia abriga apenas 4% da classe média global e a sua participação tem estado a elevar-se bastante vagarosamente nos últimos anos. A participação da China, por outro lado, tem estado a crescer rapidamente a agora representa mais de um terço da pertença global, quase dez vezes mais elevada do que a da Índia. O segmento de alta riqueza da pirâmide O padrão de pertença altera-se mais uma vez quando a atenção se volta para os milionários em dólares no topo da pirâmide. O número de milionários em qualquer país dado é determinado por três factores: a dimensão da população adulta, a riqueza média e a desigualdade de riqueza. Os Estados Unidos têm classificação elevada em todos os três critérios e têm de longe o maior número de milionários: 13,2 milhões, ou 42% do total mundial (ver Figura 3). Há poucos anos o número de milionários japoneses não estava muito longe do número dos Estados Unidos. Mas o número de milionários em dólar tem subido gradualmente assim como o número de milionários japoneses tem caído – especialmente este ano. Em consequência, a proporção de milionários globais do Japão afundou abaixo dos 10% pela primeira vez em 30 anos ou mais. Os onze países remanescentes com mais de 1% do total global são encimados pelos países europeus do G7, França, Reino Unido e Itália, todos os quais têm proporções na amplitude dos 5-7%. A China está pouco atrás com uma pertença de 4% e parece provável que ultrapasse os principais países europeus dentro de uma década. A Suécia e Suíça tem populações relativamente pequenas, mas as suas altas riquezas médias elevam-nas às lita dos países que têm pelo menos 300.000 milionários, o número exigido para 1% do total mundial. Alteração de pertença do grupo milionário Alterações nos níveis de riqueza desde meados de 2012 afectaram o padrão da sua distribuição. A ascensão em riqueza média combinada com um aumento de população elevaram o número de adultos com pelo menos US$10.000, dos quais só os Estados Unidos representam 1,7 milhão de novos membros (ver Tabela 1). Pode parecer estranho que a Eurozona tenha adquirido tantos novos milionários no ano passado, mais notavelmente a França (287.000), Alemanha (221.000), Itália (127.000), Espanha (47.000) e Bélgica (38.000), mas isto simplesmente compensa em parte a grande queda no número de milionários experimentada um ano atrás. A Austrália, Canadá e Suécia também reduziram o número de milionários em 2011-2012 e agora surgem entre os dez principais ganhadores. O Japão dominante completamente a lista de países que perdem milionários, representando perdas de 1,2 milhão, ou 98% do total global.
Indivíduos com riqueza líquida elevada
[*] Excerto de Global Wealth Report 2013, elaborado por Hans-Ulrich Meister e Robert S. Shafir, do Credit Suisse Research Institute, 64p., Outubro/2013. O seu texto integral pode ser descarregado aqui (2121 kB). Indivíduos com riqueza líquida ultra elevada Conclusão Diferenças em haveres pessoais de activos podem ser detectadas através de uma pirâmide de riqueza, na qual milionários estão situados no estrato do topo e as camadas da base são preenchidas com pessoas mais pobres. Comentários sobre riqueza muitas vezes centram-se exclusivamente na parte do topo da pirâmide, o que é lamentável porque US$40 milhões de milhões de riqueza familiar é possuída nos segmentos da base e médios, e satisfazer as necessidades destes possuidores de activos pode muito bem conduzir a novas tendências no consumo, na indústria e na finança. O Brasil, China, Coreia e Formosa são países que já estão a ascender rapidamente através desta parte da pirâmide de riqueza, com a Indonésia logo atrás e a Índia a crescer rapidamente a partir de um baixo ponto de partida. Ao mesmo tempo, o segmento do topo da pirâmide provavelmente continuará a ser o mais forte condutor das tendências de fluxos e investimento de activos privados. Nossos números para meados de 2013 indicam que há agora mais de 30 milhões de indivíduos HNW, com mais de um milhão localizado na China e 5,2 milhões a residirem em outros países da Ásia-Pacífico além da China e Índia. Fortunas cambiantes No cume da pirâmide, cada um 98.700 indivíduos UHNW agora vale mais de US$50 milhões. As fortunas recentes criadas na China levam-nos a estimar que 5.830 chineses adultos (5,9% do total global) agora pertencem ao grupo UHNW, e um número semelhante são de residente no Brasil, Índia ou Rússia. Apesar da haver pouco informação confiável sobre tendências ao longo do tempo nos dados da pirâmide de riqueza, parece quase certos que a riqueza tem estado a crescer mais rapidamente no estrato do topo da pirâmide desde pelo menos o ano 2000 e que esta tendência continua. Por exemplo: o total global de riqueza cresceu 4,9% desde meados de 2012 a meados de 2013, mas o número de milionários no mundo cresceu 6,1% durante o mesmo período, e o número de indivíduos UHNW ascendeu em mais de 10%. Parece portanto que a economia mundial permanece propícia à aquisição e preservação de fortunas de grande e média dimensão. Este documento encontra-se em http://resistir.info/ . |
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sábado, 28 de dezembro de 2013
A pirâmide da riqueza globa
sábado, 13 de abril de 2013
A diminuição da Maioridade Penal e as Prisões da Miséria.
Por Claudemir Mazucheli
Todas as vezes as vezes que "filhos da classe média" sofrem algum tipo
de violência, surgem na MÍDIA especialistas com suas "soluções" geniais para o problema (na maioria das vezes
proposituras fascistoides . (muito diferente quando a violência é contra jovens
negros e pobres da periferia - o que a mídia e seus especialistas defenderam quando a policia exterminou dias atrás frente a uma câmera de segurança um menor de idade - nada! apernas noticiou o fato).
Em nenhum momento ouviu-se um debate profundo sobre os problemas da
violência. Não se discutiu mudança radical na desigualdade social brasileira, não
se discutiu os problemas dos modelos educacionais brasileiros, não se discutiu
inclusão das periferias, não se discutiu a exposição dos jovens à violência....
É clarividente que a exposição à violência (fortemente marcada
pela exploração sexual, violência doméstica, homicídios, tráfico e uso de
drogas) e a exclusão dos direitos sociais básicos como educação, saúde, lazer e
trabalho, são os principais fatores que caracterizam a vulnerabilidade da
população infanto-juvenil. Em decorrência destas situações, há um crescente
envolvimento de crianças e adolescentes em grupos ociosos de rua, favorecendo a
formação de gangues, o uso de drogas, o abandono escolar, o acirramento de
conflitos no espaço familiar e, finalmente, o encaminhamento para instituições
do Estado, onde estão sujeitos a diversas formas de violência e violação de
direitos.
Nesse sentido será correto punir somente o infrator, menor de
idade, jogando-o em uma carceragem carcomida pelo ódio, pelas drogas e pelo
crime organizado?
Não seria para esse infrator uma escola do crime?
Imagine
esse jovem moldando seu caráter dentro
de uma penitenciária com milhares de outros condenados...
É A UNIVERSIDADE DO
CRIME...
É A PRISÃO DA MISÉRIA... (parafraseando Löic Wacquant, título de seu livro - comentado abaixo) ,
Ao propor essa “barbárie” a CLASSE DOMINANTE E MIDIÁTICA, está
criminalizando a pobreza, e condenando essa sociedade a um sistema sócio metabólico de terror.
Lembrei-me do Filme MAD MAX!
A arte imita a vida ou a
vida imita a arte?
Todas as vezes as vezes que "filhos da classe média" sofrem algum tipo de violência, surgem na MÍDIA especialistas com suas "soluções" geniais para o problema (na maioria das vezes proposituras fascistoides . (muito diferente quando a violência é contra jovens negros e pobres da periferia - o que a mídia e seus especialistas defenderam quando a policia exterminou dias atrás frente a uma câmera de segurança um menor de idade - nada! apernas noticiou o fato).
AS PRISÕES DA MISÉRIA
Por comendolivros.blogspot.com.br
“Há sim a necessidade de o Estado seguir o que se propôs, de defender a Segurança Social e impedir que esse processo de criminalização da pobreza marche a trote a cada crise política ou econômica, mas ocorre que há ainda a mídia, aliada ao discurso do neoliberal, agindo como lobos que disfarçados de cães pastores conduzem a massa para o covil.”
“Há sim a necessidade de o Estado seguir o que se propôs, de defender a Segurança Social e impedir que esse processo de criminalização da pobreza marche a trote a cada crise política ou econômica, mas ocorre que há ainda a mídia, aliada ao discurso do neoliberal, agindo como lobos que disfarçados de cães pastores conduzem a massa para o covil.”
Por Jônatas Tiago*
Em as “As Prisões da

Miséria”, do sociólogo francêsLöic Wacquant, é apresentado - em forma de denúncia - a nova face das doutrinas da penalidade neoliberais que surgiram recentemente nos Estados Unidos e que têm vilmente atraído a atenção da Europa e o mundo, recriando novas formas de opressão. O autor demonstra como os Estados Unidos têm substituído as políticas sociais por políticas criminais e a “Seguridade Social” por um “Sistema Penal vingativo e intolerante”, tratando a população mais pobre e carente não com uma assistência governamental para que possam se desenvolver em prol da sociedade, mas empurrando essa enorme parcela da população para dentro das cadeias para serem exploradas de todas as formas por uma nova indústria prisional.
Em face da crescente onda de violência que tem submergido das periferias dos centros urbanos, fruto da desigualdade e da ausência de um Estado provedor, e em meio ao discurso eloquente das emoções na mídia que cerca os populares difundindo o medo no seio da sociedade há a emergência de se debater um caminho alternativo para todos. Ou, na pior das hipóteses, estamos sendo mergulhados num caminho sem volta? Tomados não pela razão, mas manipulados pelas circunstâncias, podemos fazer sucumbir os valores democráticos, de justiça social e de igualdade sobre o disfarce de arma contra o crime.
“O Estado-Previdência (creio que o autor queria dizer: da Segurida de Social) europeu deve doravante ser enxugado, depois punir suas ovelhas dispersas e reforçar a segurança pública, definida estritamente em termos físicos e não em termos de risco à vida (salarial, social, médico, educativo etc.), ao nível de prioridade da ação pública” (página 19)
O autor demonstra que por trás do repetitivo discurso neoliberal da falência do welfare state e as novas teorias que este movimento tem proposto, surgiu nas últimas décadas, mesmo os Estados mais engajados nas políticas sociais têm retroagido às pressões da oposição com o enxugamento do Estado durante as crises econômicas, o que indiretamente provoca um processo de marginalização intenso que tem esmagado milhares de desempregados no funil das possibilidades de sobrevivência, forçando-os a se contentar com subempregos ou mergulhar na informalidade e consequentemente no crime.
Isso tudo principalmente nas camadas mais pobres da população jovem, que por não haver perspectiva de futuro e nem apoio do Estado para desenvolverem suas capacidades para adentrar ao mercado de trabalho altamente competitivo, acabam convencidas (e não somente persuadidas) a arriscar-se na ilegalidade, ou seja, ao contrário do que cremos, não há necessidade de um caminho alternativo como a doutrina que a “Lei & Ordem” propõe, há sim a necessidade de o Estado seguir o que se propôs, de defender a Segurança Social e impedir que esse processo de criminalização da pobreza marche a trote a cada crise política ou econômica, mas ocorre que há ainda a mídia, aliada ao discurso do neoliberal, agindo como lobos que disfarçados de cães pastores conduzem a massa para o covil.

“Para os membros das classes populares reprimidas à margem do mercado de trabalho e abandonadas pelo Estado assistencial, que são o principal alvo da “tolerância zero”, o desequilíbrio grosseiro entre o ativismo policial e a profusão de meios que lhe é consagrada, por um lado, e a sobrecarrega dos tribunais e a progressiva escassez de recursos que os paralisa, por outro, tem todas as aparências de uma recusa de justiça organizada.” (pagina 39)
A indústria do medo (que nos EUA conduziu ao cúmulo da gigantesca máquina do setor de serviços e industrial que sustentam o sistema penitenciário americano) tem derrotado qualquer esboço de nos preservar no caminho certo.
Com um discurso persuasivo baseado no apelo ao medo das massas e prometendo devolver a ordem ao meio social com medidas simplistas, essa nova doutrina nos convida a uma nova cartilha de políticas públicas impondo a desregulamentação da economia, combatendo a seguridade social, e fortalecendo um projeto de política pública criminal de “tolerância zero” redesenhado o Estado do Bem-Estar Social num novo e perverso Leviatã, no qual se empurra milhões para a criminalização e, logo depois para cadeia, num vicioso e perigoso processo retroativo, com a tendência de ser cada vez mais tirânico. “Todas essas palavras de ordem – no sentido forte do termo – atravessaram o Atlântico e a Mancha antes de encontrar uma acolhida cada vez mais hospitaleira no continente, onde, cúmulo da hipocrisia ou ignorância política, seus partidários as apresentam como inovações nacionais exigidas pelo crescimento inédito da violência urbana e da criminalidade local” (página 52)
O livro nos provoca inúmeros questionamentos sobre os caminhos que o Brasil tem se inclinado. As tendências totalitárias do grande público brasileiro, que é leigo e incapaz de criticar as ideias que são vendidas pelos meios de comunicação por serem facilmente manipulados pelas próprias emoções, fazem-nos sentir uma enorme incapacidade e cria-nos uma enorme desilusão com os segredos que a história ainda nos guarda. Quanto amanhã? O que será?
“O assombroso crescimento do número de presos na Califórnia, como no resto do país, explica-se, em três quartos, pelo encarceramento dos pequenos delinqüentes e, particularmente, dos toxicômanos. Pois, contrariamente ao discurso político midiático dominante, as prisões americanas estão repletas não de criminosos perigosos e violentos, mas de vulgares condenados pelo direito comum por negócios com drogas, furto, roubo, ou simples atentados à ordem publica.” (página 83)
Será que chegaremos ao ponto de oficializar a criminalização da pobreza? Ressuscitaremos o maldito instituto da escravidão nas nossas cadeias? Criaremos bancos de dados e estratificaremos novamente a sociedade em castas de famílias de bem e famílias de culpados? Mas o pior é que com todo o desenho dos acontecimentos e com pleno respaldo do conhecimento do egoísmo e mesquinhez do ser humano dentro do acentuado processo de desumanização do homem, apenas experimentamos uma péssima sensação de mau presságio, e a única pergunta infeliz que fazemos é: Quando? (“AS PRISÕES DA MISÉRIA”, de Löic Wacquant, sociologia, 176 págs., editora Jorge Zahar – 2001)

fotos: reprodução
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Pobres são consequência dos ricos. Você sabe. Mas não comenta...
Por Leonardo Sakamoto*
O que é roubo? Tirar algo de alguém sem o seu consentimento?
Se assim for, há práticas que hoje são consideradas legais que estão dentro dessa definição.
Podemos não colocar uma arma na cara de uma pessoa e levar a sua
carteira para estar roubando. Afinal, existem formas mais delicadas para
arrancar dinheiro da sociedade sem que ela possa reagir a isso.
Ouvi uma miríade de prefeitos eleitos dizer que vai reduzir o fosso
entre os pobres e ricos criando “cidades para todos” – da mesma forma
que governadores e a presidente disseram a mesma coisa quando foram
(re)eleitos em 2010. Mas quando analisamos os programas de governo, não
encontramos nenhuma mudança estrutural. Só perfumaria.
A desigualdade social pode até diminuir dependendo do ponto de vista. Mas o fosso continua lá, intransponível para a maioria.
Com a justificativa de que “estamos levando desenvolvimento ao país”,
nós, os mais ricos, ganhamos rios de dinheiro. A elite deve muito mais
ao governo Lula e Dilma do que os mais pobres, apesar da gratidão do
segundo grupo ser maior.
Subsídios, isenções fiscais, financiamentos e demais benefícios a que o
setor empresarial e os mais ricos têm acesso mantém a ordem das coisas.
Ao povão, se não tiverem brioches, que comam pão com ovo (nada contra o
pão com ovo, que gosto demais, mas pelo menos seria bom dinheiro para o
bacon, né?).
O fato é que sonegar milhões dá foto em coluna social. Já Maria
Aparecida foi mandada para a cadeia por ter furtado um xampu e um
condicionador. Perdeu um olho enquanto estava presa. Sueli também foi
condenada pelo roubo de dois pacotes de bolacha e um queijo minas.
São dois, mas poderia ter dado muitos outros exemplos de um país que
julga com celeridade casos de reintegração de posse contra sem-terra e
sem-teto e que proíbe rapidamente manifestações populares, mas é moroso
nos casos de desapropriação de terras griladas que deveriam retornar ao
poder público. Implacável com pequenos, preguiçosos com os grandes.
Considerando que a renda de capital é estratosfericamente maior que a
renda do trabalho e os recursos usados para o pagamento de juros são bem
maiores que os usados em programas sociais (em todos os governos, de
FHC a Dilma), fico extremamente incomodado quando ouço pessoas
reclamando que “dar dinheiro aos pobres os torna vagabundos”.
E o dinheiro que vai às classes mais abastadas, que investem em fundos
baseados na dívida pública federal? Já perguntei aqui se “dar dinheiro
aos ricos os torna vagabundos?” e quase fui esfolado.
Porque usar essa frase para os pobres é ser um “analista sensato da
realidade” e usar a frase aos ricos é ser um “sacripanta de um comunista
safado”. E eu nem sou comunista. Sou palmeirente de segunda divisão.
Cansei (se tem gente que pode usar esse termo ridículo, também posso) de
ter que financiar com meus impostos o crescimento de empresas, enquanto
elas alcançam ganhos enormes que permanecem na mão de poucos
investidores.
Lucros são privatizados. Prejuízos, socializados. Montadoras de
automóveis que o digam… E ainda por cima tenho que ouvir de empresários
que o governo deveria abrir mais o cofre para investir em infraestrutura
e não exigir contrapartidas trabalhistas, sociais e ambientais.
Enquanto isso, demitem.
Fico pensando qual a chance de ser realmente rico no Brasil sem ter se
beneficiado direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, do
trabalho de terceiros ou dos cofres públicos e, portanto, do conjunto
dos trabalhadores (que é quem gera valor de verdade).
Como eu disse, isso é mais elegante que apontar uma pistola, mas tem
consequências mais nefastas. Quantos sofrem a fome, doenças e violência
decorrentes da existência desse sistema?
Está na moda dizer que basta de dividir o Brasil entre ricos e pobres,
como se isso fosse feito preleção de time de escola – “você, gordinho e
perna-de-pau, fica no time C e, nós, ficamos no time A”
(#infanciafeelings). Um discurso que tende a ser vazio por continuarmos
querendo domar os mais pobres, garantindo uma frágil pax brasiliana e
não universalizando o acesso à dignidade que uns poucos desfrutam. Pois
sabemos que, no atual modelo de desenvolvimento, é impossível ir além
de passar manteiga nas migalhas antes de entregá-las à xepa.
Defendemos que haja espaço no Brasil para ricos e pobres e não atuamos
nas causas que levam à existência de ricos e pobres. Até porque, em
grande parte das vezes, o que se vê são os pobres como consequência
lógica dos ricos.
Tudo isso não é novidade há dois séculos. Mas como não dormi direito, hoje estou sem paciência para ouvir certas coisas.
Enfim, gostamos da sensação de mudança. Desde que, para o nosso estilo de vida, tudo permaneça como está.
(*) Leonardo
Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos
armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no
Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG
Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a
Erradicação do Trabalho Escravo.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Apenas 147 conglomerados empresariais controlam 40% da riqueza mundial
A maior parte das corporações mundiais está no Hemisfério Norte e controlam a economia mundial com graves riscos para o mundo
O pequeno grupo está estreitamente interligado através das diretorias corporativas e constitui uma rede de poder que poderia ser vulnerável ao colapso e propensa ao “risco sistemico”, segundo diversas opiniões. O Project Censored (Projeto Censurado, em tradução livre) da Universidade Estadual de Sonoma, na Califórnia, EUA, desclassificou esta notícia e sua repercussão foi sepultada pelos meios de comunicação norte-americanos. Mas Peter Phillips, professor de sociologia naquela universidade, ex-diretor do Projeto Censurado e atual presidente da Fundação Media Freedom/Project Censored, fez referência a ela em seu trabalho The Global 1%: Exposing the Transnational Ruling Class (O Um Por Cento Global: Exposição da Classe Dominante Transnacional), assinado com Kimberly Soeiro e publicado em projectcensored.org.
Os autores do estudo são Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battiston, pesquisadores da Universidade de Zurich (Suíça), os quais publicaram seu trabalho a 26 de outubro 2011, sob o título A Rede de Controle Corporativo Global (The Network of Global Corporate Control) na revista científica plosone.org.
Na apresentação do estudo publicado na PlosOne, os autores
escreveram: “A estrutura da rede de controle das empresas transnacionais
afeta a concorrência do mercado mundial e a estabilidade financeira.
Até agora, foram estudadas somente pequenas mostras nacionais e não
existia uma metodologia adequada para avaliar o controle a nível
mundial. Apresenta-se a primeira pesquisa da arquitetura da rede de
propriedade internacional, junto ao cálculo da função mantida por cada
contendor global”.
“Verificamos que as corporações transnacionais formam uma gigantesca
estrutura como gravata de laço e que uma grande parte dos fluxos de
controle conduzem para um pequeno núcleo muito unido de instituições
financeiras. Este núcleo pode ser visto como um bem econômico, uma
“super-entidade” que propõe novas questões importantes, tanto para os
pesquisadores como para os responsáveis políticos”.
O diário conservador britânico Daily Mail foi talvez o único
do mundo a publicar esta notícia, em 20 de outubro 2011, assinada por
Rob Waugh com o chamativo titulo: Existe uma ‘super-corporação’ que
dirige a economia global. O Estudo ressalta que esta célula empresarial
gigante poderia ser terrivelmente instável. A pesquisa concluiu que 147
empresas criaram uma “super entidade” dentro do grupo, controlando 40%
da riqueza mundial”.
Waugh explica que o estudo da Universidade de Zurich “prova” que um
pequeno grupo de companhias – principalmente bancos – exerce um poder
enorme sobre a economia global. O trabalho foi o primeiro a examinar um
total de 43.060 corporações transnacionais, a teia de aranha da
propriedade entre elas e estabeleceu um “mapa” de 1.318 empresas como
coração da economia global.
“O estudo encontrou que 147 empresas desenvolveram em seu interior
uma “super entidade”, controladora de 40% de sua riqueza. Todos possuem
parte ou a totalidade de um e outro. A maioria são bancos – os 20 top,
incluídos Barclays e Goldman Sachs. Mas o estreito relacionamento
significa que a rede poderia ser vulnerável ao colapso”, escreveu Waugh.
O 1% do mundo
“Efetivamente, menos de 1% das empresas foi capaz de controlar 40% de
toda a rede”, disse ao Daily Mail James Glattfelder, teórico de
sistemas complexos do Instituto Federal Suíço de Zurich, um dos três
autores da investigação.
Alguns dos supostos que subjazem no estudo foram criticados, como a
ideia de que propriedade equivale a controle. “No entanto, os
pesquisadores suíços não têm nenhum interesse pessoal: limitaram-se a
aplicar à economia mundial modelos matemáticos utilizados habitualmente
para modelar sistemas naturais, usando o Orbis 2007, um banco de dados
que contém 37 milhões as companhias e investidores”, informou Waugh.
O economista John Driffil, da Universidade de Londres, especialista em macroeconomia, disse à revista New Scientist
que o valor do estudo não radicava em ver quem controla a economia
global, mas em mostrar as estreitas conexões entre as corporações
maiores do mundo. O colapso financeiro de 2008 mostrou que este tipo de
redes estreitamente unidas pode ser instável.
– Se uma empresa sofre uma angústia, esta se propaga – disse Glattfelder.
– Se uma empresa sofre uma angústia, esta se propaga – disse Glattfelder.
Para Rob Waugh e o Daily Mail há um “senão”: “Parece pouco
provável que as 147 corporações no coração da economia mundial pudessem
exercer um poder político real, pois representam demasiados interesses”,
assegurou o diário conservador britânico.
A riqueza global do mundo estima-se que se aproxima dos US$ 200
bilhões, ou seja, duas centenas de milhões de milhões. Segundo Peter
Phillips e Kimberly Soeiro, 1% mais rico da população do planeta agrupa,
aproximadamente, 40 milhões de adultos. Estas pessoas constituem o
segmento mais rico da população dos países mais desenvolvidos e,
intermitentemente, em outras regiões.
Segundo o livro de David Rothkopf Super-classe: a Elite de Poder Mundial e o Mundo que está Criando,
a super elite abarcaria aproximadamente 0,0001% (1 milionésima parte)
da população do mundo e compreenderia umas 6 a 7 mil pessoas, embora
outros assinalem 6,6 mil. Entre esse grupo, teria que se procurar os
donos das 147 corporações a que se refere o estudo dos pesquisadores de
Zurich.
Ernesto Carmona é jornalista e escritor chileno.
• Artigo publicado originariamente em Diário da Liberdade.
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quinta-feira, 8 de março de 2012
LEI GERAL DA COPA: Um “chute no traseiro” do povo brasileiro
Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP)
Na última sexta feira (02 de março), o Secretário Geral da FIFA Jerome Valcke, em entrevista, disse que precisaria “chutar o traseiro” dos governantes brasileiros para que agilizassem os trâmites relacionados à organização da Copa do Mundo de 2014.
Agilidade, para Valcke, significa rapidez para aprovar medidas que garantam os interesses mercantis da FIFA. Definitivamente, acelerar a superação das mazelas da saúde pública, ou o atendimento às dezenas de milhares de pessoas atingidas pelas chuvas, ou mesmo pelas obras relacionadas aos mega-eventos esportivos não é a sua preocupação. Tampouco interessa à entidade agilizar a redução da histórica desigualdade social do país ou do déficit habitacional que assola suas cidades. Quanto à nossa justiça, notoriamente morosa, celeridade para a FIFA diz respeito aos procedimentos extraordinários e aos tribunais de exceção para julgar os crimes especiais que pretende criar. A entidade visa, portanto, apenas seus interesses/lucro em detrimento do bem comum e das necessidades da população. Também os congressistas e os nossos governantes parecem pouco se importar com os direitos sociais dos brasileiros. Onde está o suposto “legado social” dos jogos? Até agora, nada encontramos que permita justificar as dezenas de bilhões já investidos em nome da Copa e das Olimpíadas.Com esta polêmica frase, Jerome Valcke se referia à Lei Geral da Copa, fruto do Projeto de Lei 2330 de 2011, elaborado pelo governo federal e que tramitava, até terça-feira (06 de março) na Comissão Especial da Câmara dos Deputados e foi aprovada, nessa instância, na forma do texto consolidado pelo relator Vicente Cândido (PT-SP). Atendendo ao cartola da FIFA, a comissão atropelou manifestações democráticas, não permitindo a realização de um debate público sobre a lei em questão. No mesmo dia, o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) protocolou requerimento de urgência para a aprovação da lei no plenário da casa, agendando-a para a próxima terça feira, dia 13 de março.
A expressão grosseira “chute no traseiro dos governantes brasileiros” utilizada pela FIFA não causa surpresa. A Lei Geral da Copa já é, em si mesma, um verdadeiro “chute no traseiro” do povo brasileiro. Ela constitui o documento central de um conjunto de leis de exceção que vem sendo editadas nos três níveis federativos do país, de forma a garantir que a Copa do Mundo maximize o lucro da FIFA, de seus patrocinadores e de um conjunto de corporações nacionais, ampliando o canal de repasse de verbas públicas a particulares e fortalecendo um modelo de cidade excludente, que reproduz a lógica da especulação imobiliária e do cerceamento ao espaço público.
A Lei Geral da Copa não é tão “geral” assim. Em primeiro lugar, porque, longe de proteger o interesse público, ela tem por base contratos e compromissos particulares, ou seja, interesses privados. Além disso, não abrange a totalidade das intervenções no ordenamento jurídico brasileiro para os mega-eventos, já que não é a primeira e pode não ser a última das leis aprovadas sobre o assunto. Em cada cidade já foram emitidas “leis de segurança”, “leis de isenção fiscal”, “leis de restrição territorial”, “leis de transferência de potencial construtivo”, etc. No Senado, ainda, para onde seguirá, caso os deputados aceitem a submissão à FIFA, a Lei Geral se associará a pelo menos outros dois PLs (394/09 e 728/11) que, entre outras propostas, restringem o direito à greve a partir de três meses antes da Copa, abrem a possibilidade de proibição administrativa de ingresso de torcedores em estádios por até 120 dias, inventam o tipo penal de “terrorismo” – hoje inexistente no Brasil – e estabelecem justiças e procedimentos de urgência para julgá-lo. Criam, ainda, as chamadas “Zonas Limpas”, de exclusividade da FIFA nas cidades e privatizam o hino, símbolos, expressões e nomes para a Confederação Brasileira de Futebol – a tão “idônea” CBF.A FIFA manda e desmanda, desrespeita e humilha as populações mundo afora. O povo brasileiro, hoje, é a “bola da vez”. Ela deseja construir um reinado de exploração itinerante durante seu evento, para o qual o Estado assume o duplo papel de “policial” – reprimindo, criminalizando e encarcerando sua sociedade – e de “financiador” – assumindo os ônus, riscos e a responsabilidade desta empreitada privada. A Lei Geral da Copa está no centro de todo este processo e consolidará, caso seja aprovada, uma Copa do Mundo excludente e com graves prejuízos ao povo brasileiro.
Dentre outras premissas, o projeto a ser votado na Câmara:
a) Preconiza a retirada de direitos conquistados por vários grupos sociais, como a meia-entrada e outros direitos dos consumidores (Artigo 26);
b) Restringe seriamente o comércio de rua e popular durantes os jogos (Artigo 11);
c) Impede que o povo brasileiro possa assistir aos jogos como achar melhor, limitando a transmissão por rádio, internet e em bares e restaurantes (Artigo 16, inciso IV);
d) Coloca a União em posição de submissão à FIFA, sendo responsável por quaisquer danos e prejuízos de um evento privado (artigo 22, 23 e 24);
e) Cria novos tipos penais e restringe a liberdade de expressão e a criatividade brasileira. Chargistas, imprensa e toda a torcida que usar os símbolos da Copa podem ser processados (Artigos 31 a 34);
f) Desestrutura o Estatuto do Torcedor em favor do monopólio da FIFA (Art. 67);
g) Coloca em risco o direito à educação, pela possível redução do calendário escolar (Artigo 63);
h) Permite a venda de bebidas alcoólicas durante os jogos, retrocedendo em relação à legislação existente (Artigo 29);
i) Transforma o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) numa espécie de “cartório particular”, abrindo caminho para abusos nas reservas de patente (Artigo 4 a 7) e na privatização de símbolos oficiais e do patrimônio cultural popular.
Dessa forma, a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP, organizada nas 12 cidades sede e constituída por diversas entidades da sociedade civil que lutam para enfrentar, impedir e minimizar os prejuízos sociais advindos com a Copa, mais uma vez, vem a público repudiar este ato de submissão brasileira perante os interesses privados de grandes monopólios da FIFA e seus patrocinadores, totalmente financiados com recursos públicos, atropelando direitos e garantias arduamente conquistados, ferindo princípios democráticos e onerando o povo brasileiro.O Brasil tem condições objetivas de sediar a Copa do Mundo sem produzir este legado autoritário e anti-democrático. Já sediamos grandes eventos, dos mais diversos tipos. A aprovação de novas leis não é necessária e representa um cavalo-de-tróia para modificações que, supostamente transitórias, terminam por incorporar-se definitivamente em nosso direito interno.À luz disso, os Comitês Populares da Copa vêm exigir do Poder Legislativo brasileiro, na figura de todos os congressistas, que formalize o veto que a população já deu ao PL 2330/2011, votando contrários ao mesmo. Sabemos que isso não ocorrerá sem pressão e mobilização popular e, portanto, estaremos atentos para legitimamente defender a justiça social e a soberania popular acima de tudo. Assim não dá jogo! Queremos respeito às regras e leis já existentes na Constituição Federal que garantem ao povo brasileiro direitos e soberania.
As exigências da FIFA são um GOL contra o povo brasileiro.
FIFA BAIXA A BOLA!
FIFA BAIXA A BOLA!
A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP) é formada pelos Comitês Populares nas 12 cidades-sede da Copa: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Fonte: http://virusplanetario.net
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