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domingo, 2 de fevereiro de 2020

A relação entre impactos ambientais e o surgimento de doenças


Existe uma estreita relação entre impactos ambientais e o surgimento de doenças, uma vez que interagimos com o meio e com os seres vivos que nele se encontram.
Definimos como impacto ambiental qualquer alteração que aconteça no meio ambiente e cause modificações nas propriedades químicas, físicas e até biológicas desse local. Esses impactos podem ser positivos ou negativos, sendo esses últimos responsáveis por afetar negativamente a vida na região, inclusive a da espécie humana.
Como os impactos ambientais podem causar o surgimento de doenças?
Quando causamos danos negativos ao ambiente, é difícil compreender e prever os impactos dessas ações no que diz respeito à saúde humana. A poluição na água, por exemplo, pode causar problemas gastrointestinais, e a poluição atmosférica relaciona-se com problemas respiratórios. Mas não é só a poluição que causa danos, o desmatamento, a introdução de novas espécies e várias outras ações podem colocar em risco a saúde da população.
Veja alguns dos principais impactos ambientais e suas consequências no que diz respeito à saúde humana:
·  Poluição das águas: ao jogar lixo na água, podemos aumentar a proliferação de micro-organismos patogênicos, além, é claro, de substâncias tóxicas. O esgoto, se lançado sem o devido cuidado na água, pode transportar fezes de pessoas doentes e favorecer a transmissão de hepatite Agiardíaseascaridíase, diarreia infecciosa e outras. (Leia também: Doenças relacionadas com a água);
·  Poluição atmosférica: relaciona-se com problemas respiratórios, tais como o aumento dos riscos de bronquiteasma, câncer de pulmão e enfisema pulmonar. Vale destacar que a poluição do ar também afeta o coração, desencadeando até mesmo infarto.
·  Desmatamento: acelera o surgimento de doenças, principalmente, aquelas ocasionadas por vetores. Esses transmissores, que anteriormente estavam no interior das matas, passam a buscar outros locais para se abrigar e conseguir alimento, levando com eles vírus e outros organismos patogênicos.
A possível relação entre o acidente de Mariana e o aumento do número de casos de febre amarela
Em novembro 2015, a mineradora Samarco foi responsável por um grande acidente ambiental. A barragem denominada de Fundão, localizada na cidade de Mariana (MG), rompeu-se e derramou uma grande quantidade de lama, que atingiu uma extensa área de vegetação, rios, córregos e, até mesmo, o mar. Várias espécies de animais e plantas morreram no incidente, que causou a morte de 17 pessoas.
Esse acidente em Mariana teve grande impacto ambiental negativo e provavelmente tem relação com o aumento de casos de febre amarela em 2017. Provavelmente isso aconteceu em virtude do estresse causado nos animais da área, o que os tornou mais suscetíveis a doenças. No ambiente silvestre, a febre amarela é encontrada em macacos e é transmitida pelo mosquito Haemagogus. Com mais animais doentes, maior é a quantidade de mosquitos infectados. Em virtude da destruição de habitat, esses animais passaram a ter um maior contato com o homem, o que aumentou os casos da doença.



“A poluição pode agravar problemas respiratórios.”

Fonte: SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "A relação entre impactos ambientais e o surgimento de doenças"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/a-relacao-entre-impactos-ambientais-surgimento-doencas.htm. Acesso em 02 de fevereiro de 2020.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

O capitalismo e seus impactos ambientais


O capitalismo e seus impactos ambientais

Em decorrência de diversos impactos destrutivos ao cenário ecológico, essa dualidade no que se denomina evolução se choca com a realidade de destruição do meio ambiente.


Ao longo do tempo, a realidade emergencial para a preservação do meio ambiente teve a incumbência de expor ao homem que os recursos naturais não eram inesgotáveis. Porém, essa verdade persiste em ser ignorada pela economia capitalista, que ainda utiliza apenas sua estratégia de adicionar riqueza aos países desenvolvidos.
Desde a sua evolução até o convívio em sociedade, o ser humano, dotado de intelectualidade, aprendeu a construir, inventou a energia elétrica, o gás, a telefonia e tantas outras descobertas que revolucionaram - ou seja, transformações que alteraram bruscamente o habitat natural tanto para o bem como também pelo surgimento de tantos males.
Em decorrência de diversos impactos destrutivos ao cenário ecológico, essa dualidade no que se denomina evolução se choca com a realidade de destruição do meio ambiente. Consequentemente, mesmo antes do século XVIII, o capitalismo começava a dar mostras do poder e na Revolução Industrial na Inglaterra ocorreu o agravamento da relação entre o capitalismo e o meio ambiente.
Deste modo, o fato em que a natureza e o capitalismo, na pessoa do homem, estão se digladiando desde então, o contexto da crise ambiental e social se arrasta por muitos anos alterando as classes sociais.
De acordo a tantas alterações climáticas, causando mudanças nas regiões globais, não basta apenas responsabilizarmos o Capitalismo pela degradação ambiental, até mesmo o Socialismo, cometeram atentados contra a natureza. Ambos os sistemas produziram a crise ambiental com suas perversas políticas de: destruição de ecossistemas, exploração excessiva dos recursos naturais, geração de resíduos de toda a espécie, descarte de matérias nos esgotos e também pela massiva emissão de gases poluentes
Portanto, nesse estudo de caso, o capitalismo é responsabilizado pela situação degradante em que se encontra o meio ambiente, pois colabora com seus processos de alta produtividade e a continuidade dos fatores que causa danos e destruições.


Para tanto, existe a impossibilidade de eliminarmos a realidade capitalista de um modo geral, queiramos aceitar ou negar esse conceito, que depende de tantos fatores. Por isso, com a incapacidade do capitalismo, foi necessária a introdução do desenvolvimento sustentável para que se pudesse dotar a manutenção dos recursos naturais. A partir dessa mudança de comportamento, o homem, além de beneficiar a sociedade, também se contrapõe ao capitalismo quanto ao progresso irresponsável e pela atitude predatória utilizada por tantos anos.
Erros irreversíveis
Entre tantos elementos contraditórios, o capitalismo e o meio ambiente precisam de ajustes urgentes, pois a velocidade em que se esgotam os recursos naturais, a autodestruição se aproxima galopante.
Será o final de nossos dias, ou a esperança de uma rápida mudança?
É imperativo agir em função da preservação do meio ambiente para que as gerações futuras não nos condenem pelos erros irreversíveis e pela destruição gradativa do planeta.
Fonte: Gilberto Barros Lima é especialista em Relações Internacionais (IBES-SC) e professor de metodologia do ensino superior (ICPG-SC). Artigo originalmente publicado no portal MundoRI.

Desastres ambientais ampliam circulação de vírus da febre amarela



Desmatamento e desequilíbrios ecológicos são responsáveis pelo crescente número de mortes de primatas na Mata Atlântica. Com o avanço da zona urbana sobre as matas, humanos estão mais perto da doença


“Os macacos são altamente sensíveis ao vírus da febre amarela, especialmente os bugios ou guaribas e os saguis ou micos. E não têm acesso à vacina, como os humanos”

São Paulo – As manchetes sobre as filas nos postos de saúde, com pessoas assustadas em busca de vacina contra a febre amarela escondem um desastre ambiental: a morte de macacos em regiões de remanescentes de Mata Atlântica, especialmente na região Sudeste.
Só neste ano foram confirmadas 172 mortes de macacos por febre amarela em regiões próximas a Campinas, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto e Sorocaba. A prefeitura de Jundiaí, a 60 km da capital paulista, confirmou no início da semana a morte de 48 animais pelo flavivírus. Na capital foi confirmada a morte de um macaco devido à doença no Horto Florestal. E como apareceram animais mortos em outros parques, a prefeitura e o governo de São Paulo determinaram o fechamento de 15 deles, por tempo indeterminado, como medida preventiva. 
Para a Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr), as mortes de macacos devido à intensa circulação do vírus nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo expõem a gravidade de uma das maiores mortandades de primatas de toda a história da Mata Atlântica.
Em nota de esclarecimento, assinada por especialistas no tema que atuam no Ministério da Saúde, na vigilância em saúde dos estados, institutos públicos de conservação da biodiversidade, universidades públicas e privadas e organizações ambientalistas, entre outras, eles destacam que a febre amarela não é contagiosa, que os macacos, assim como os humanos, não a transmitem diretamente e que o vírus pode circular no chamado ciclo urbano, transmitido pelo Aedes aegypti, o que não é registrado no Brasil desde 1942. E que a febre amarela silvestre, com circulação apenas entre os macacos e outros animais, pode ser transmitida por algumas espécies de mosquitos, como o Haemagogus e o Sabethes.
“Ao entrar nas matas, humanos que não tenham sido vacinados podem ser picados por esses mosquitos que tenham se alimentado do sangue de animais ou de humanos contaminados com o vírus”, afirma a nota.
O que também preocupa os primatólogos é que a abordagem de diversos meios de comunicação leva o público a um erro de interpretação. Nessa distorção, segundo eles, os macacos passam de vítimas a vilões. E são vistos como vetores no ciclo de transmissão da febre amarela. Eles lembram que, entre 2008 e 2009, no Rio Grande do Sul, foram feitos ataques a macacos em função disso. E o bugio-ruivo voltou a ser listado como espécie ameaçada de extinção no país.
Ainda segundo a nota, os macacos não são reservatórios de doença, mas hospedeiros, porque vão adoecer ou morrer. Os reservatórios e responsáveis por sua manutenção na natureza são os mosquitos silvestres, que podem transmitir o vírus durante toda a sua vida – cerca de 30 dias.
“Na verdade, os primatas sinalizam a presença da doença. São sentinelas. Desflorestar ou matar macacos não impede a circulação do vírus da febre amarela. E ainda traz um efeito danoso para a saúde pública ao eliminar o papel de “sentinela” dos primatas que, ao morrerem pela doença, avisam as autoridades sobre a sua ocorrência. Os macacos têm, portanto, uma valiosa e insubstituível contribuição para a saúde pública.”

Horto Florestal e Parque da Cantareira, entre outros, foram fechados como medida preventiva contra o avanço da febre amarela
Não está ainda totalmente esclarecido o mecanismo pelo qual a doença pode percorrer extensões geográficas tão vastas, como estamos presenciando neste momento. Entretanto, os especialistas acreditam que os macacos não sejam os responsáveis pela chegada do vírus em suas matas e não sejam responsáveis pela disseminação da doença.
Todo o conhecimento disponível sobre os hábitos dos macacos indica que eles permanecem em áreas restritas nas suas matas e raramente usam o solo e áreas desmatadas para se deslocar de um local para outro. “Assim, é improvável que os macacos levem a doença adiante por grandes distâncias. Os mosquitos são vetores-reservatórios – transmissores do vírus – e, embora não seja cientificamente comprovado, pessoas não vacinadas e infectadas pelo vírus, poderiam, em tese, transportar o vírus por grandes distâncias e contribuir para essa disseminação.
“Horto Florestal e Parque da Cantareira, entre outros, foram fechados como medida preventiva contra o avanço da febre amarela.”
Estreita relação
Há consenso entre especialistas em primatas e em saúde pública da estreita relação entre o desmatamento de áreas florestais e os surtos da febre amarela. Uma das hipóteses mais defendidas é a de que, ao diminuir o tamanho do habitat natural dos macacos, a destruição de florestas os obriga a se concentrar em áreas menores. E essa concentração os tornaria presas mais fáceis para os mosquitos Haemagogus e Sabethes. Insetos esses que também são vítimas do desmatamento ao não terem outra opção de sobrevivência senão encontrar circunstâncias mais propícias para proliferação.
Nesse limite cada vez mais tênue entre espaços silvestres e urbanos, a febre amarela é outro aspecto da relação entre a saúde humana e ambiental. Somente neste ano, foram registrados mais de 797 casos da doença em todo o país, com 275 pessoas mortas. Em São Paulo, em 2017, foram registrados 22 casos, com dez mortes – todas vítimas do ciclo silvestre, picadas dentro ou perto de matas.
A bióloga Márcia Chame, que coordena estudos de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), disse à revista Radis, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, vinculada à mesma instituição (Ensp/Fiocruz), que a redução de ambientes naturais restringe as espécies a uma área menor, aumentando a concentração de agentes infecciosos em circulação.
“No caso da febre amarela, observa-se a mortalidade de macacos nos locais em que os fragmentos florestais são muito pequenos”, destaca à publicação. Dentro das faixas de matas, cada vez mais restritas, há menos recursos para sobrevivência, como alimentação e abrigo, e muitos tipos de seres vivos tendem a desaparecer naquele local. As espécies que permanecem são as que têm a capacidade de se adaptar às mudanças ambientais. “E o que a gente vem percebendo é que são boas mantenedoras e transmissoras de agentes infecciosos.”
Entre as razões de degradação ambiental, segundo ela, estão as mudanças no uso e ocupação da terra, a exploração dos recursos biológicos, a poluição e as atividades extrativistas predatórias, como a mineração.
Em janeiro, a bióloga disse ao jornal O Estado de S. Paulo que o surto de febre amarela poderia estar relacionado ao crime ambiental da Samarco, ocorrido em Mariana (MG), em dezembro 2015. No entanto, não há apenas uma causa para o grande surto da doença, conforme ela própria esclareceu à Radis. “É um processo complexo que vem sendo observado em diversas situações. São impactos de muitas origens, inclusive ao longo da história”, explicou ao órgão de comunicação da Fiocruz. Essa situação, segundo ela, não é nova. E já era esperado um “encontro marcado” com a doença.
Ainda segundo a publicação da , já existem estudos no Brasil que apontam a associação de algumas doenças com a degradação ambiental. É o caso da febre maculosa e da doença de Chagas, por exemplo. Nessa última, o inseto transmissor — o barbeiro — prefere se acomodar em palmeiras — plantas comuns em áreas que sofreram degradação. A perda da biodiversidade, ou seja, de um conjunto de espécies silvestres que estão relacionadas entre si em um mesmo ciclo, faz com que uma doença silvestre extravase para a zona rural e para a área urbana, como acontece em parques próximos a grandes centros como o Horto Florestal, na zona norte da capital paulista, que tem origem na Serra da Cantareira.
Conforme a Radis, quanto maior a diversidade de espécies dentro de áreas naturais, maior a chance de ser mantido o equilíbrio ambiental, assim como o ciclo natural das doenças tende a permanecer restrito a esses espaços.

Surto de febre amarela
Professora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) e integrante da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Maria da Glória Teixeira aprova o fechamento dos parques na capital como medida preventiva.
“O surto de febre amarela silvestre, ainda entre os animais, pode contagiar pessoas picadas por mosquitos que carregam o vírus”, disse, destacando que o ciclo urbana da doença, transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti (o mesmo que transmite doenças como dengue, zika e chikungunya) não tem registro no Brasil desde 1942.
Apesar de o vírus causador da febre amarela ser o mesmo nos dois ciclos, a contaminação do vetor urbano, o Aedes, não é um processo simples e rápido. Primeiro, é preciso que uma pessoa, após ter adquirido a doença em uma zona de mata, seja picada, pouco antes de adoecer ou logo nos primeiros dias da doença, por um mosquito Aedes aegypti.
Em seguida, é preciso que parte do ciclo do vírus se processe no organismo desse mosquito, tornando-o capaz de transmitir o vírus a outras pessoas. Glória ressalta que a transmissão da febre amarela não acontece de pessoa para pessoa, nem de macaco para macaco, nem de macaco para pessoa. Assim, não há nenhuma indicação de se eliminar macaco.
Fonte: Publicado por Cida De Oliveira, Da RBA 27/10/2017 11:42