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quinta-feira, 26 de julho de 2012

O GRANDE PAI SÁBIO: Reconhecendo a Sagrada Trindade

Em Dezembro de 2011; por alguma razão, tivemos que realizar uma viagem ao México para um Congresso de Educação e Consciência que se realizaria em Mexicali.
Neste congresso, iriam pessoas relacionadas à Educação, mas ainda assim, sua organizadora, uma mulher de uns 80 anos com o espírito e vitalidade de 20, convidou, a mim e a Diego, junto com German e Vero, para falarmos da Educação de outra perspectiva. Claramente, o que eu e Diego tínhamos para compartilhar não tinha nada a ver com um sistema educativo, e sim com a aprendizagem de algo muito mais amplo, a saber, a aprendizagem Universal.
Nesta palestra, ou aula, foi  a primeira vez que falei do Grande Pai. Soubemos que Mexico tinha a forma de um homem, um sábio aborígene, sentado. Seu Coração se localizava em algum lugar no peito, a que chamam Chihuahua; Cidade Juarez era sua garganta, laringe (bastante suja e dolorida), seus rins frustrados e parte inferior das costas, a província de Sinaloa, seu estômago e plexo, a região central, onde estava a capital e suas pernas, joelhos, era Yucatán. Onde nós estávamos era seu ombro direito, sobre seu braço, que era a península da Baixa Califórnia.
México havia sido um país muito antigo e importante que abrigava muitos povos aborígenes civilizados, mas foi dominado pela Espanha, a Grande Mãe dando seus novos limites e objetivos.
Naquela estadia em Mexicali, nos demos conta de que estávamos, de certa forma, fazendo uma massagem nos ombros do Grande Pai, e foi assim que percebemos que a este padre faltava algo muito importante: a CABEÇA.
Os Estados Unidos haviam cortado a cabeça daquele Velho Sábio, deixando–o sem sentido. Desde aqueles tempos, quando os estados da Consciência, quais sejam: Novo México, Arizona, Colorado, Nevada e Califórnia, foram separados deste território de união, o espírito do Pai se perdeu, e, portanto, todo o sentido pelo qual existia. A partir desse momento, os povos aborígenes tiveram uma divisão  muito grande entre seus chakras superiores e os inferiores, fazendo com que os povos originais dos USA perdessem sentido na Terra, e fazendo com que o povo mexicano se tornasse emocional e irascível.
Mas era hora de reconhecer esta sabedoria a partir de um aspecto muito além das tribos, dos povos nativos, dos maias, navajo, hopi, astecas, isto devia ser observado de uma perspectiva  muito mais global: aquilo que a Grande Mãe tirou do Grande Pai devia ser liberado, para que sua sabedoria geográfica permita que a nova mensagem chegue à Nova Mãe: o sul Sulamericano.

Terra Hopi, o centro da Consciência

Foi por esta razão que a vida me levou a conhecer Roy.
Roy Littlesun, é um nativo da ilha de Java, Indonésia. Em suas viagens, chegou ao deserto do Arizona, várias décadas atrás, onde conheceu Titus, seu pai adotivo hopi.

Titus sabia que entre os Hopi havia se passado algo há muito tempo que fez com que, dentro da mesma família aborígene, houvesse confrontos e desentendimentos.
Isto levou a compreender que os Hopi não estavam preparados para levar sua milenar mensagem ao mundo, e teriam que ser aqueles que viessem de fora, aqueles que portavam a energia da viagem e da comunicação, os que levassem a mensagem dos Hopi para o mundo.
Foi por isso que Titus ensinou tudo que esteve em seu alcance a Roy, o qual seria encarregado de fazer esta mensagem chegar até as terras que deveriam recordar e liberar: Ibéria e Europa.
Ali conheci a este pequeno avô de setenta e tantos anos, com quem tivemos conversas sobre o futuro e as chaves da Nova Humanidade. Nunca pensei que no ano seguinte estaria pisando em suas terras, que me mostrariam realidades muito diferentes das que imaginava.
Ao chegar a Phoenix, uma energia muito estranha me envolveu...pareciam serpentes gigantes que saiam das montanhas e faziam com que meu campo se sentisse doente. Arizona me recebia com a sensação de que no deserto havia energias contraditórias muito grandes, e estes animais etéricos mostravam tal realidade. Depois de aterrissar em Flagstaff, me esperava uma viagem de duas horas de carro até a Granja de Titus, na reserva dos Navajo, em terras Hopi.

Roy me explicou que quando os Navajos começaram a atacar a Coroa Espanhola, os espanhóis ameaçaram fazer praticamente desaparecer este povo. Mas os Hopi interviram, pedindo que houvesse uma trégua e, para isto, em troca, os hopi pediram aos navajo que cuidassem de seus limites. É por isso que o território das Quatro Esquinas (Arizona, Colorado, Novo México e Utah) está sob custódia da Reserva dos Navajo, e, no centro, as Terras Hopi.
Ao chegar, me encontrei em pleno deserto, sem nada ao seu redor, uns poucos pés de milho crescidos, e duas casas, umas das quais era um trailer de caminhão enorme, e a outra, uma cozinha.
Sem luz nem água, ali vivia Roy, dividindo o lugar com algumas pessoas que estão, normalmente, de passagem. Caroline e seu parceiro do Japão, há dois anos estavam ali, e em março haviam tido seu pequeno bebê ali mesmo.
Um alemão, Fritz, uma colombiana, Camila, e um norte-americano, Rusty, estavam por ali de passagem por tempo indeterminado. De vez em quando aparecia algum xamã guatemalteco, mexicano, alguns visitantes de Los Angeles, mas todos iam e vinham.
Ali me dei conta de algo. Passeando pelo deserto com Roy, pude conectar-me com a energia do lugar, e percebi que estava adormecida.
Todos concordavam comigo. A consciência do Grande Pai dormia, e não podia despertar por meio daqueles que a habitavam.
Esta terra foi, supostamente, o Primeiro Polo Norte da Terra,por isso é um território completamente vulcânico, e com milhares de minerais que surgiram do centro da terra. A informação que possui este território é poderosa, mas ninguém a utiliza.

Desde que os Estados Unidos (a Grande Vaca), cortou a cabeça do Sábio, os povos nativos perderam seu sentido. O sentido da voz, do espírito, do coração, do ser, todos estavam separados. Isso se refletia em sua sociedade. O povo Hopi é um povo de tradições. Percorrer seus povoados é como transportar-se ao Altiplano Andino, uma imagem pouco esperada nos EEUU, mas este está, sem dúvida, ali, porém infiltrado entre eles; centenas de comércios americanos invadiram suas ideias e formas de vida: Mc Donald´s, Coca Cola, Hospitais, 4x4, negociados pelas terras, incluindo a atual disputa pela venda das únicas águas.
Os Hopi, observei, ainda possuem, como povo, uma inocência que mantém suas tradicções, suas histórias, mas pude notar que não acontecia o mesmo com sua Consciência. Como muitos povos aborígenes, absorveram apenas o mais degradante das culturas ocidentais, ou permanecem desconectados do mundo. Muitos nem sequer sabiam que as pessoas do mundo conhecem suas histórias e profecias, muitos jamais saíram do Arizona. É uma sociedade que reflete o mundo: dividida e em decadência, mas com uma esperança em suas intenções de manter o que são.
Sem dúvida, parecia que a Terra já não responde há séculos ou milênios, e que as Kachinas (mensageiros ou mestres de Luz) já não vêm por suas terras.
Roy e a maioria do Hopi não se dão muito bem. Roy pensa que os Hopi se desconectaram de seu propósito, e os Hopi pensam que Roy se mete muito. Sem dúvida, ambos estão cumprindo o que devem fazer...mas algo faltava ali, algo que a terra está constantemente refletindo, e que parece difícil compreender.
A mensagem dos Três Conceitos
Para observar a realidade Hopi, um dia nos dispusemos a ir de carro, Camila, Fritz e Rusty, a uma dança de Kachinas para pedir chuva, em um povoado que estava magicamente localizado sobre um planalto. Com surpresa vimos que chegamos justamente para a última kachina do ano, na qual os payasos seriam os anfitriões.

Segundo me contou Ruben, um nativo Hopi que compartilhou conosco os encontros de Barcelona e Madri, há milhares de anos as Kachinas eram mensageiros de luz que vinham ensinar aos homens e mulheres. Se pareciam com humanos, mas não eram. Em um momento, um dos humanos tentou aparentar ser como eles, e isso os aborreceu. Por esta razão, desde aquele momento, as kachinas não voltaram nunca mais. Somente às vezes voltavam em forma de elementos da natureza, como o vento, nuvens ou chuva. Estes enviavam mensagens, até que um dia uma pessoa conseguiu comunicar-se com eles, e após idas e vindas, discussões e oferendas dos sábios humanos, as kachinas decidiram ensinar a alguns deles como poderiam, eles próprios, humanos, a sua maneira, fazer aquilo que antes faziam estes mensageiros. Lhes disseram que se queriam tanto ser como eles, que deveriam praticá-lo. Desde esse momento, as cerimônias kachinas invadiram as culturas do sul norte-americano.
A festa era grandiosa, gente de todas as idades e arredores visitava o povoado. A praça central se encheu de gente feliz, e dezenas, senão umas poucas centenas, rodeavam caminhando, sentados ou correndo sobre os telhados dos vizinhos. A imagem de centenas de pessoas sentadas nos telhados, enquanto os payasos kachinas lançavam a todos: frutas e doces, que voavam pelo ares, enquanto todos felizes corriam para agarrá-los, era impressionante. As danças para a chuva começaram e duraram até que o sol se pôs no horizonte.
Infelizmente, proíbem as câmeras fotográficas, por isso lamento dizer que não pude obter nenhuma imagem de semelhante festa, já que me advertiram, inclusive, que me poderiam tomá-la.
Não havia ninguém tirando fotos...talvez, para não pegar os espírito do momento, mas esta é outra das razões pelas quais o mundo não pode aprofundar-se na mensagem atual do povo indígena.
Minha pergunta foi muito ocidental: por que fazem tanto esforço para pedir chuva, e não se mudam para onde chova?
Obviamente, me respondeu Roy, este seria o caminho fácil. Os antigos sabiam que o espírito puro, o espelho da vida, somente poderia ser encontrado no deserto, e por isso muitas das antigas tribos e civilizações procuraram viver no deserto ou perto dele, para poder encontrar a conexão com o espírito interno e externo. O esforço de consegui-lo, o caminho, era o importante, e as facilidades não ajudavam o povo a encontrar essas respostas.
Caminhando pelos telhados, enquanto a festa continuava, pude encontrar no céu algo que em seguida me atraiu e soube que queria me dizer algo. Então soube que de uma maneira ou de outra, essas nuvens eram uma daquelas kachinas
Antes do pôr-do-sol, uma estranha nuvem se formou no horizonte, tomando estranhas formas que com a luz do entardecer pareciam divinas e pintadas.
Três picos rodeados de três bolas mostravam três conceitos esquecidos, mas cravados como espinhos na terra. Três coisas que não podiam soltar-se e que as próprias pessoas haviam enterrado e esquecido. Esta terra estava adormecida e devia despertar. Faria isso quando suas três mensagens fossem compreendidas e fossem devolvidas ao redor da terra como mensagens, e assim, no novo amanhecer, o Leão se levantaria e a sabedoria floresceria nas novas terras.
Três conceitos, que não entendi naquele momento.
Ao retornar, comentei com Roy, e começamos a indagar sobre o que esta terra nos estava pedindo. Mas isso seria algo que entenderíamos quando as águas limpassem nossa âncora no deserto.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Milho transgénico: farsa e violência

Por Silvia Ribeiro

Em finais de 2009, o governo mexicano autorizou o cultivo experimental de milho transgénico em 12,7 hectares, rompendo uma moratória de mais de 10 anos, a favor das transnacionais Monsanto, DuPont (proprietária da Pioneer Hi-Bred) e Dow.

Em 2010, sem ter os resultados da sua suposta experimentação, aceitou outra vintena de solicitações das mesmas transnacionais, às quais se juntou a Syngenta. As novas solicitações para cultivos experimentais de milho transgénico estão em consulta pública, outro eufemismo governamental, já que as opiniões críticas são ignoradas.

Se lhe parece que 12,7 hectares das solicitações aprovadas em 2009 não é muito, imagine um metro quadrado e pense que são mais de 120 mil metros quadrados, em apertadas filas de milhares de plantas manipuladas geneticamente, cada uma das quais emite pólen suficiente para contaminar muitas mais. As novas solicitações pretendem ocupar mais de mil hectares, ou seja, mais de 10 milhões de metros quadrados.

Ao dar trâmite a estas novas solicitações, o governo evidenciou que não julga necessário esperar os resultados dos mal chamados "experimentos", como faria qualquer instituição séria, porque de qualquer modo não se trata de experimentar: os resultados mostrarão o que eles tiverem decidido previamente, uma vez que são apenas uma formalidade para legalizar as plantações comerciais das empresas. Cedo veremos um show mediático dizendo que comprovaram que «o milho transgénico produz mais, as pragas não sobrevivem, e nada foi contaminado». O que vai contra a evidência que existe da produção real, segundo estatísticas oficiais sobre dezenas de milhares de hectares e 13 anos de cultivos comerciais nos Estados Unidos, que mostram que 75-80% do aumento de produção de milho nesse país se deveu a enfoques agronómicos não transgénicos [1]. Plantar transgénicos não aumenta a produção, antes a detém. A semente é até 35 por cento mais cara e, estando patenteada, a contaminação torna-se num delito para as vítimas. Também está amplamente demonstrado que o milho transgénico contamina inexoravelmente outras variedades. Nos Estados Unidos, a contaminação difundiu-se de tal maneira por todo o país, que até se encontrou nos pacotes de sementes etiquetados como não transgénicos.

A razão pela qual os Estados Unidos e uns poucos países os plantam (em mais de 170 países não estão autorizados) não é que os transgénicos ofereçam algo melhor, senão que a Monsanto e algumas das outras cinco transnacionais que monopolizam as sementes, controlam de tal modo o mercado (e/ou os governos), que os agricultores não têm escolha.

Procuram que tudo isto se replique no México. Mas aqui a contaminação transgénica do milho implica muitas outras questões, ainda mais graves. O México é o centro de origem do milho e o cultivo está no centro das economias e da autonomia das culturas milenárias que o criaram. O milho integra a dieta quotidiana da grande maioria da população, urbana e rural, pelo que os impactos sobre a saúde se multiplicam como em nenhum outro lugar. A vasta maioria da população do país, desde artistas e intelectuais a cientistas e camponeses, opõe-se à sua liberalização. Os argumentos para isso são numerosos, diversos e sólidos.

Por outro lado, faça você uma busca electrónica para ver quem defende o cultivo de milho transgénico em México. Todos, começando por Agrobio México, fachada das multinacionais de transgénicos, têm vinculação directa ou indirecta com essas empresas. Todos recebem ou receberam dinheiro e favores destas, sejam académicos, directores de organizações de agricultura industrial, funcionários ou assessores que estão na maquinaria da bio(in)segurança no México, incluído o próprio secretário executivo da comissão de bio-segurança (Cibiogem).

O cultivo de milho transgénico no México é uma imposição do governo, contra os interesses do país e a favor de umas poucas multinacionais. Nem sequer cumprem as leis que eles mesmos delinearam, nem esperam pelo arranque da farsa de "resultados positivos" dos seus "experimentos". Tentam que as pessoas do campo e da cidade se acostumem também a esta forma de violência, que pensem que não há nada a fazer.

Muito pelo contrário, a Rede em Defesa do Milho, integrada por centenas de comunidades indígenas e camponesas, em conjunto com a Via Camponesa e a Assembleia Nacional de Afectados Ambientais denunciaram em Março passado esta farsa, assentaram que o milho transgénico na Mesoamérica é um crime contra a humanidade, que as transnacionais e o governo querem pisar 10 mil anos de história colectiva e que o seu objectivo é roubar-nos o futuro a todos e a todas. Estão a construir um caso colectivo para denunciar este crime em tribunais internacionais, mas sobretudo, continuarão a praticar a defesa territorial do milho, a partir das assembleias, das comunidades e das organizações, informando sobre os riscos, conservando e trocando as suas sementes, não deixando plantar milho de programas de governo. A violência imposta existe e cresce, mas também a experiência de mais de 500 anos de resistência.

[1] Failure to Yield, Union for Concerned Scientists, 2009.

Fonte: Diário da Liberdade