segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O capitalismo e as políticas “naturais” de desastre

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Blog Passa Palavra

Mais um verão chegou e velhas enchentes voltaram. As catástrofes pouco têm de natural, mas muito da lógica do capital.
Mais um verão chegou e velhas enchentes voltaram.

Há quase um ano o Brasil acompanhou atento e solidariamente a destruição de Santa Catarina pelas águas. Na terça-feira, 08/12/09, São Paulo literalmente parou, estava intrafegável pelos transbordamentos dos rios Tietê e Pinheiros, somando 100 km de congestionamentos e 7 mortes. E agora no Início do ano de 2010 novamente a tragédia se repete. (São Paulo, Rio de Janieiro, São Luiz de Paraitinga... (grifo meu)*

As catástrofes pouco têm de natural, mas muito da lógica do capital. O modelo de desenvolvimento implementado, ao ter por único norte o lucro de qualquer forma possível, tira proveito das destruições do planeta, seja como desgraça ou nas conseqüências delas.
Por um lado, temos as autoridades governamentais que buscam se isentarem de suas responsabilidades ao culparem a natureza pelas tragédias, escondendo assim uma série de (não) políticas públicas que permitiram tal ocorrência. Evita-se uma discussão séria sobre os motivos – através do argumento de “não politizar a situação”, liberando a gestão pública e os interesses empresariais de responsabilidades. As catástrofes aparecem quase como um castigo divino, que nada têm a ver com o modelo de desenvolvimento aplicado e que se continua a aplicar.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, culpou a natureza, que fez chover mais do que deveria, tal qual o governador José Serra, que em setembro também culpou a natureza. Como eles não têm força para mandar prendê-la, as tragédias se repetem. Nada a ver com a tentativa de cortes na varrição de lixo, com o alargamento das pistas da Marginal, que colocou abaixo 18,9 hectares de área permeável (equivalente a 19 campos de futebol), ou com o fato de não ter sido gasto nenhum centavo dos R$ 87.325 milhões orçados para a conservação e manutenção de canais e galerias, que auxiliam no escoamento das águas das chuvas, nem tampouco o orçamento reservado para áreas de risco geológico ser quase dez vezes menor que os gastos com publicidade, como denunciou a Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/).

Por outro lado, tentando uma análise mais abrangente, culpa-se o ser humano pelas mudanças climáticas. Enxerga-se assim a sombra do problema, mas não a sua face. Há que se politizar o sucedido, pois por trás de tudo existe uma série de políticas públicas que têm permitido, em paralelo às causas naturais, a situação que hoje se vive e que se repete como num círculo infernal a cada verão.


O que poderia ser evitável segue se repetindo, sacralizado acima do poder humano e da política, essa transmutação impede que se percebam suas causas reais.
Os responsáveis por esses crimes contra a natureza e a humanidade não serão encontrados na explicação da moda, da “mudança climática”, ou pela nova-velha teoria de cima, elaborada pelos “especialistas acadêmicos” e comprada no supermercado das idéias pré-fabricadas, que culpam as vítimas pela sua desgraça. “Lixo nas ruas”, “Ocupação irregular do solo” nos dizem eles, mostrando a superfície e não a raiz do problema, como se o direito à habitação não fosse uma questão de políticas e responsabilidade públicas.
A mão do capital acompanha as destruições da natureza, via desflorestamento, esgotamento dos solos, contaminação, desequilíbrio ecológico, poluentes atmosféricos, especulação imobiliária, segregação social.

No caso de Santa Catarina os bilhões saídos dos cofres públicos que se somaram com as doações de solidariedade popular foram investidos na reconstrução da infra-estrutura da cidade, ou seja, na construção de pontes, estradas, créditos para (re)construção de moradias… E desta forma alimentou, uma vez mais, os lucros das empreiteiras, construtoras, propriedades agrícolas… O capital lucrou duplamente com as tragédias, na sua causa e nas suas conseqüências. As tragédias, assim, aparecem como oportunidade aos conglomerados empresariais que atuam nos processos de reconstrução.
Entretanto, o capitalismo, enquanto sistema, não é antagônico à proteção ambiental. Ele pode apropriar-se do discurso e prática ecológica como justificativa de novos negócios e, portanto, como mecanismo de sua reprodução, isto é, de acúmulo de lucro e multiplicação de explorações e desigualdades. Em que pese este fato, o aumento do consumo nos atuais padrões energéticos e a sombra da crise financeira pode influenciar o quadro geopolítico e econômico mundial, acirrando nacionalismos e conflitos, inclusive armados.
Como nos mostra Naomi Klein [1], os acontecimentos catastróficos são combinados com ataques à esfera pública e se transformam em estimulantes oportunidades de mercado, de um “capitalismo de desastre”, no qual políticos e empresários aproveitam os momentos de trauma coletivo e implementam uma engenharia social e econômica radical e duradoura. O processo de “reconstrução” significa concluir a obra de desastre original (seja natural ou provocada, sejam enchentes ou bombas), eliminando as comunidades ali enraizadas ou qualquer outro “empecilho” para substitui-los pelos novos projetos empresariais. Os exemplos são gritantes, dos “choques de ordem” no Rio de Janeiro às desapropriações para a construção de Parques Lineares em São Paulo.
E a população pobre, se não efetivar saídas coletivas e autônomas, se não se mobilizar para uma mudança substancial neste quadro e, ao invés disso, continuar a entregar sua vida aos gestores e políticos, deverá ser obrigada a, mais uma vez, reiniciar sua jornada do zero. Tal qual Sísifo, a subir os morros e encostas, para no próximo verão rezar para que todo seu trabalho (suas casas, seus bens, suas vidas) não role morro abaixo. Nova Orleans, Tabasco, La Paz, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Sudeste Asiático… Mudam-se as localidades, os nomes das cidades e os países, mas as causas das “tragédias naturais do capital” continuam as mesmas. Passa Palavra
[1] Naomi Klein. A Doutrina do Choque – A Ascensão do Capitalismo de Desastre.

* Este arquivo foi republicado com os acréssimos em azul.

A descoordenação da Defesa Civil



Por André Luiz da Silva
Dando apoio vírgula,
O que se viu foi uma total falta de organização das autoridades.
Se não Vejamos:
1) Do dia1o até hoje o pessoal do rafting da cidade (heróis maiores da tragédia) deram um duro tremendo. Só ontem o corpo de bombeiros enviou uma equipe. Um comandante e 5 soldados. Os 5 demoraram umas 5 horas para preparar barco e motor para por na água. Aí, depois de 2 viagens tiveram que parar tudo por falta de diesel para abastecer o motor. Tá cheio de caminhão de reunião do corpo de bombeiros, mas nenhuma ação concreta.
2) Não se comunicam com os moradores, principalmente como rafting que conhece cada palmo da cidade.
3) Comunicação não está sendo o forte nesta tragédia. Apesar de uma mesma casa estar servindo de comando para PM, Bombeiros, Defesa Civil e exército, estes órgãos não se comunicam entre si.
4) Os moradores desta casa (que apareceu na reportagem da Band). Se organizou para distribuir os donativos que receberam dos amigos de Taubaté e para oferecer lanche ao pessoal do rafting que vararam a madrugada trabalhando nos resgastes sem parar e nem comer. Mas acabaram tendo que alimentar os soldados da PM, Bombeiros e Exército!!!! (Isso mesmo eles chegaram da cidade e ficaram na dependência da alimentação oferecida pela própria população!!
5) Hoje pela manhã as autoridades não sabiam onde foi para o barco do corpo de bombeiros que ficou sem combustível ontem!!
6) O pessoal da cidade está P da vida com os helicópteros do Exército que não param de sobrevoar a cidade com equipes de cinegrafistas da Globo e da Band, mas não pousam para ajudar nos resgastes.
7) No sábado o coordenador da Defesa Civil, um comandante não sei do que (que arregaçou as mangas e trabalhou efetivamente), profere as seguintes palavras, depois de um telefonema de São Paulo: “Estou sem apoio externo. Eu literalmente não sei o que fazer”.
hoje pela manha (essa eu acompanhei pelo celular) enquanto gritavam por socorro para um morador que passava mal na parte baixa da cidade, os enfermeiros e médicos que montaram um posto na parte seca (na mesma rua) não se mobveram até o local, apesar da insistência da população.
Na parte isolada do centro da cidade, já há muitas noticias de saques nas casas!
9) Segundo relatos muita coisa ainda pode vir abaixo depois que as águas baixarem.
Mais notícias do Front:
10) Além de alimentação, precisaram da ajuda de um residente da casa que virou Comando Geral para arrumar , ligar e ajudar a operar um computador para registrar o nome das pessoas que eram trazidas da parte alta da cidade que está ilhada.
11) Pior, esse jovem teve que correr atrás de um aparelho 3G (Internet móvel) para se conectar e imprimir um mapa da cidade, porque as “otoridades” não trouxeram um.
12) O Exército também enviou um caminhão ontem com 1 tenente e 6 soldados que demoraram 1h30min. para montar uma barraca para armazenar as cestas básicas. O detalhe: num terreno muito ingreme, totalmente inadequado para o depósito de cestas básicas e desnecessário para abrigar meia dúzia de cestas.
13) Vi aqui no portal que o nosso governador após visitar a cidade pede à prefeita que não cancele o calendário de Carnaval na cidade. O cara é totalmente sem noção ou o quê. Essa foi pior do que uma senhora da defesa civil que ao ouvir um morador dizer “isso é uma calamidade pública”, volta-se contra quem proferiu a sentença e retruca: “Como é que você pode dizer que se trata de uma calamidade pública”. No que o esperto rapaz responde: “Ah! Não é? Então vamos lá no bar do Beto tomar uma cerveja!” Essa foi ótima.
Diante dos risos contidos em volta, ela ficou quieta, mas espero que tenha aprendido a lição.
Quem é de fora, não sabe o que é parar, de uma hora pra outra, de fazer aquilo que sempre se fez. Parar de ver o que sempre se viu…
É preciso um choque de formação nesse pessoal, não dá para ter a Defesa Civil como cabide de emprego para cabo eleitoral ou o que quer que valha (Há exceções entre os funcionários da DC é preciso dizer, mas sobretudo o alto comando não está preparado para agir em situações como esta).
Luis Nassif, proponho que organize uma discussão. É preciso tirar lição destas tragédas deste ano. Talvez 2 fóruns ou temas sejam importantes para a discussão desta comunidade:
A) Ocupação e uso do solo / estudos geológicos desta região da serra do mar e outras regiões do país.
B) Construção de um mecanismo de ação em momentos de tragédia no estado de São Paulo.
Os exemplos da capital paulista e de São Luís do Paraitinga revelam que não temos nenhum plano. Precisamos de um.

domingo, 3 de janeiro de 2010

O Dinheiro como Dívida ( documentário sobre como se cria e como funciona o dinheiro)



O Dinheiro como Dívida é um documentário didáctico onde se explica como é criado e como funciona o dinheiro. Depois de visto, ninguém mais poderá dizer que não sabe como funciona o estranho e iníquo mundo financeiro capitalista.
Sintomático é a frase que se ouve a certo momento do conhecido banqueiro Meyer Rothschild, fundador da dinastia financeira Rothschild, em que ele diz:
«Dêem-me o controle do dinheiro e não me importa saber quem faz as leis» ("Permit me to issue and control the money of a nation, and I care not who makes its laws."Mayer Amschel Rothschild, International Banker )
«O nosso sistema monetário é isto: se não houver dívidas, não há dinheiro» (“That is what our money system is. If there were no debts in our money system, there wouldn’t be any money.” ) Marriner S. Eccles, Chairman and Governor of the Federal Reserve Board
«O estudo do dinheirio na economia é, antes do mais, uma complexa forma que é usada para mascarar a verdade, isto é, para escondê-la em vez de a revelar » («The study of money, above all other fields in economics, is one in which complexity is used to disguise truth or to evade truth, not to reveal it.”»)
John Kenneth Galbraith , economist, author, Money: Whence it came, where it went - 1975, p15
«O dinheiro é uma nova forma de escravidão e distingue-se da antiga pelo simples facto de que agora a escravatura é impessoal, ou seja, não existe uma relação humana entre o senhor e o escravo» (“Money is a new form of slavery, and distinguishable from the old simply by the fact that it is impersonal, that there is no human relation between master and slave.” ) Leo Tolstoi
Compreender o dinheiro:http://wfhummel.net/
Veja o Documentário:

Parte 1



Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Fonte:
http://pimentanegra.blogspot.com/2010/01/o-dinheiro-como-divida-documentario.html
Para saber mais:http://www.moneyasdebt.net/
Compreender o dinheiro:http://wfhummel.net/

Surplus; uma crítica a sociedade de consumo

O documentário Surplus mostra os excessos da atual produção em massa e o consumo desenfreado que afligem a maioria dos paises e culturas mundiais e os problemas que vem sendo causados ao meio ambiente e para todos que estão nele.
John Zerzan é considerado o Guru da anti-globalização e o produtor Eric Gandini se baseia nos pensamentos de Zerzan para mostrar a destruição das reservas naturais e do meio ambiente que vem sendo causada pela vida consumista que vivemos.
Postarei o Documentário em 6 partes (com legendas em espanhol)

Parte 1




Parte 2




Parte 3




Parte 4




Parte 5




Parte 6









Fonte: http://www.youtube.com/user/Moiseocb

MOÇÃO DE REPÚDIO AOS CASOS DE TORTURA EM RIO PRETO



Por Adriano Brant Favarin (eviado por e-mail)

Na metade do mês de dezembro, ao menos vinte presas do Centro de Ressocialização de São José do Rio Preto foram obrigadas a apagar suas tatuagens com álcool, cloro, removedor, solventes e cinzas de cigarro, sob ameaça de transferência para outra unidade.
Esse é mais um dos inúmeros casos de tortura e tratamentos subumanos que são aplicados pelo sistema carcerário do país. Em uma sociedade em que os presídios são feitos quase que exclusivamente para negros(as) e pobres, esses fatos evidenciam o que se esconde por trás do falso discurso da existência de cadeias como espaço de reassocialização e reintegração com a sociedade. E, principalmente, escancara a intenção de limpeza social que é aplicada pela burguesia, por meio de seu órgão repressor – a Polícia Militar e o sistema penitenciário –, contra o povo pobre das favelas e periferias.
Sabemos que nessa sociedade o conceito de crime e criminoso é diferenciado de acordo com as classes sociais a quem ele é aplicado. O conceito que nos é transmitido pela mídia e ensinado nas diversas instituições burguesas (família, escola e igreja) enquadra o crime como um problema de setores sociais bem definidos, sendo considerados criminosos, a priori, os desempregados, trabalhadores precarizados, sem-terras, moradores de favelas e negros(as), pobres em geral e de preferência jovens. Em contraposição, atos de corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação, assassinatos políticos, não cumprimento das leis trabalhistas e dos direitos humanos, trabalho escravo, entre inúmeros outros cometidos por políticos, empresários, ricos, burgueses em geral, não são nem ao menos considerados crimes dentro do seu conceito mais difundido. Não à toa o ditado popular: cadeia foi feita para pobre.
A justiça atua rigorosamente sobre esses setores da sociedade e as cadeias são feitas exclusivamente para eles. Uma mesma lei é utilizada de maneira diferenciada para tratar com diferentes setores sociais, o que comprova mais uma vez, que a lei e a justiça burguesas servem única e exclusivamente para a manutenção da exploração capitalista e para a defesa da propriedade privada burguesa e da liberdade para os ricos.
Dentro da cadeia as coisas são ainda piores. Diferente de um local para reintegração com a sociedade como pregam os discursos dominantes, a cadeia é forjada para ser um local de punição – e assim o pregam os textos de políticas de segurança pública –, refletindo condições de vida piores do que aquelas que os presos tinham quando em liberdade. Como a maioria dos detentos são originários dos morros e favelas, é vendida e aceita a imagem de um presídio inóspito e cujas condições de vida sejam subumanas. A superlotação, as celas minúsculas, a falta de higiene, a má alimentação, as condições precárias de infra-estrutura e as privações básicas das condições mínimas de humanidade criam um ambiente propício para que ações de violência sejam corriqueiras e que torturas sejam praticadas pelos diretores, agentes penitenciários, delegados e policiais. No caso das detentas mulheres, os abusos são duplicados, pois contam com o “aval” de uma sociedade machista e opressora.
Não eram poucas as notícias de abusos contra os jovens nas FEBEM’s (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor) – atual Fundação CASA – que iam de torturas físicas, psicológicas até a exploração sexual de jovens e crianças. Nos presídios os abusos de poder e as péssimas condições de vida dão origem a diversas rebeliões, na maioria das vezes transmitidas pela mídia falsamente apenas como brigas de facções, sendo o caso mais conhecido o do massacre do Carandiru, no qual ao menos cem presos foram brutalmente assassinados pela polícia militar a mando do então governador Fleury Filho (PTB) e pelas mãos do coronel Ubiratan em 1992, que ficaram impunes.
A denúncia dos abusos cometidos nas cadeias e centros de ressocialização deve ser levado adiante pelos movimentos sociais e a defesa intransigente de condições de vida dignas para os detentos deve ser uma bandeira democrática assumida também pelo movimento estudantil, desmascarando essa falsa democracia e direitos humanos que apenas servem para os ricos, políticos burgueses, policiais, juízes e todo o tipo de gente que esteja do lado do poder e dos “homens do poder”.

* Basta de tortura e condições subumanas nos presídios.
* Direitos legais e humanos para as presas.
* Punição dos torturadores.
* Exoneração do diretor do presídio e de todos os responsáveis pelas torturas e maus tratos às presas.

Que os organismos de direitos humanos, centrais sindicais, entidades estudantis e personalidades democráticas e de esquerda se pronunciem contra mais essa barbaridade que já se configura como atos corriqueiros não apenas em nossa cidade, mas em todo o país.
DIRETÓRIO ACADÊMICO "FILOSOFIA"
GESTÃO 2010: RUPTURA
"Quebrando os muros do conhecimento. Por uma Universidade autogerida por trabalhadores, estudantes e professores. Sem privilégio de classe."

BORIS CASOY: A TELEVISÃO NÃO GOSTA DE PEDIR DESCULPAS



Aqui entre nós: você levou a sério as "profundas desculpas" que o serviçal da ditadura e prócer do CCC - Comando de Caça aos Comunistas - pediu na noite da última sexta-feira?





Fonte: http://cloacanews.blogspot.com/

sábado, 2 de janeiro de 2010

Bem vindo ao mundo 2010 de Orwell


Mentiras invertidas que "passaram à história e tornaram-se verdades"
por John Pilger
Em 1984, George Orwell descreveu um super-estado chamado Oceânia, cuja linguagem de guerra invertia mentiras que "passaram à história e tornaram-se verdades. 'Quem controla o passado', apregoava o slogan do partido, 'controla o futuro: quem controla o presente controla o passado'."
Barack Obama é o líder de uma Oceânia contemporânea. Em dois discursos no encerrar da década, o ganhador do Prémio Nobel da Paz afirmou que a paz não era mais paz, mas ao invés disso uma guerra permanente que "se estende bem para além do Afeganistão e do Paquistão", para "regiões desordenadas e inimigos difusos".
Ele chamou a isto "segurança global" e pediu a nossa gratidão. Para o povo do Afeganistão, que a América invadiu e ocupou, ele disse astuciosamente: "Não temos interesse em ocupar o vosso país".
Na Oceânia, verdade e mentira são inseparáveis. Segundo Obama, o ataque americano ao Afeganistão em 2001 foi autorizado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não houve autoridade da ONU. Ele disse que "o mundo" apoiou a invasão no rastro do 11/Set quando, na verdade, todos menos três dos 37 países inquiridos pela Gallup exprimiram uma oposição esmagadora.
Ele disse que a América invadiu o Afeganistão "só depois de os Taliban se recusarem a entrega [Osama] bin Laden". Em 2001, o Taliban tentou três vezes encaminhar bin Laden para julgamento, informou o regime militar do Paquistão, e foram ignorados. Mesmo a mistificação de Obama do 11/Set como justificação para a sua guerra é falsa. Mais de dois meses antes de as Torres Gémeas terem sido atacadas, o ministro paquistanês dos Negócios Estrangeiros, Niaz Naik, foi informado pela administração Bush de que um assalto militar americano ocorreria em meados de Outubro.
O regime Taliban em Cabul, o qual a administração Clinton secretamente apoiara, já não era encarado como suficientemente "estável" para assegurar o controle da América sobre os pipelines do Mar Cáspio de petróleo e gás. Tinha de acontecer. A mentira mais audaciosa de Obama é que o Afeganistão de hoje é um "abrigo seguro" ("safe haven") para todos os ataques da al-Qaeda ao Ocidente.
O seu próprio conselheiro de segurança nacional, general James Jones, disse em Outubro que havia "menos de 100" membros da al-Qaeda no Afeganistão. Segundo a inteligência dos EUA, 90 por cento dos Taliban dificilmente são Taliban mas sim "uma insurgência tribal localizada [a qual] considera-se como opositora dos EUA porque é uma potência ocupante".
A guerra é uma fraude. Só os idiotas rematados continuam a acreditar na espécie de "paz mundial" de Obama. Abaixo da superfície, contudo, há um objectivo sério. Sob o inquietante general Stanley McCrystal, o qual distinguiu-se pelos seus esquadrões de assassinato no Iraque, a ocupação de um dos países mais empobrecidos é um modelo para aquelas "regiões desordenadas" do mundo ainda além do alcance da Oceania. Isto é conhecido como COIN, ou rede de contra-insurgência (counter-insurgency network), a qual mobiliza em conjunto militares, organizações de ajuda, psicólogos, antropólogos, os media e assalariados de relações públicas.
A coberto do jargão acerca de ganhar corações e mentes, o seu objectivo é contrapor um grupo étnico contra outro e incitar a guerra civil: tajiques e uzbeques contra pashtuns. Os americanos fizeram isto no Iraque e destruíram uma sociedade multi-étnica. Eles corromperam e construíram muralhas entre comunidades que outrora casavam-se entre si, fizeram limpeza étnica dos sunitas e expulsaram milhões para fora do país. Os media incorporados [às tropas] relataram isto como "paz" e académicos americanos comprados por Washington e por "peritos em segurança" instruídos pelo Pentágono apareceram na BBC para difundir as boas notícias. Tal como no 1984, a verdade era o oposto. Algo semelhante está planeado para o Afeganistão.
O povo está a ser forçado a ir para "áreas alvo" controladas por senhores da guerra financiados pelos americanos e pelo comércio de ópio. Que estes senhores da guerra sejam infames pela sua barbárie é irrelevante. "Podemos viver com isso", disse um diplomata da era Clinton acerca da perseguição às mulheres num Afeganistão "estável" dirigido pelo Taliban. Agências de ajuda favorecidas pelo ocidente, engenheiros e especialistas em agricultura tratarão da "crise humanitária" e assim "proteger" as terras tribais subjugadas. Esta é a teoria.
Ela funcionou de certo modo na Jugoslávia onde a partição com base no sectarismo étnico liquidou uma sociedade outrora pacífica, mas fracassou no Vietname onde o "programa de aldeias estratégicas" da CIA foi concebido para encurralar e dividir a população do Sul e assim derrotar o Viet Cong – a expressão genérica dos americanos para a resistência, semelhante a "Taliban". Por trás de grande parte disto estão os israelenses, os quais há muito aconselham os americanos tanto nas aventuras do Iraque como do Afeganistão. Limpeza étnica, construção de muralhas, postos de controle (checkpoints), punição colectiva e vigilância constante – são inovações israelenses que tiveram êxito em roubar a maior parte da Palestina do seu povo nativo. E apesar de todo o seu sofrimento, os palestinos não foram divididos irreversivelmente e aguentam-se como nação contra todas as adversidades. Os mais notáveis antecessores do Plano Obama, os quais o vencedor do Prémio Nobel da Paz, o seu estranho general e os seus homens de RP preferem esquecer, são aqueles que fracassaram no próprio Afeganistão.
Os britânicos no século XIX e os soviéticos no século XX [1] tentaram conquistar aquele país selvagem pela limpeza étnica e foram despedidos, embora apesar de terríveis banhos de sangue. Os cemitérios imperiais são os seus monumentos comemorativos. O poder do povo, por vezes desconcertante, muitas vezes heróico, permanece em semente sob a neve e os invasores temem-no. "Era curioso", escreveu Orwell em 1984, "pensar que o céu era o mesmo para todos, na Eurásia ou na Ásia do Leste assim como aqui. E as pessoas sob o céu também era muito parecidas, por toda a parte, por todo o mundo ... pessoas ignorando a existência umas das outras, mantidas à parte por muralhas de ódio e mentiras, e ainda assim quase exactamente as mesmas pessoas que ... estavam a armazenar nos seus corações, barrigas e músculos o poder que um dia transformaria o mundo".
31/Dezembro/2009
[1] A afirmação é absurda pois os soviéticos nunca tentaram "conquistar" o Afeganistão e muito menos efectuar qualquer "limpeza étnica". A intervenção soviética deu-se a pedido do governo então democrático do Afeganistão, desestabilizado pelos atentados terroristas organizados e financiados pela CIA (em conluio com os serviços secretos do Paquistão).
A intervenção da URSS no Afeganistão foi uma manifestação de internacionalismo e do seu apoio ao progresso social e à libertação dos povos. Com esta frase John Pilger mostra que mantém preconceitos anti-soviéticos. [NR]
O original encontra-se em http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=16701 (Este artigo encontra-se em http://resistir.info/) .


E a mídia cumpre seu papel..

"Isso é uma vergonha!" Uma das faces da luta de classe no Brasil


Dedicado servidor da ditadura militar e prócer do CCC - Comando de Caça aos Comunistas - nos anos 60 e 70, o jornalista Boris Casoy acaba de confirmar, via satélite, sua verdadeira e odiosa índole.

Na última noite de 2009, ao apresentar as manchetes do Jornal da Band, o velhaco escarneceu dos garis que haviam acabado de desejar um Feliz 2010 aos brasileiros.

O vídeo abaixo dispensa explicações. Serve apenas para mostrar que o afetado âncora da Rede Bandalha, do alto da sua irrefreável estupidez, envergonha a espécie humana. Casoy é um lixo em forma de gente, escória excrementícia do que há de mais baixo na escala da dignidade. (Cloaca News)
Vídeo: Apresentador da Tv Bandeirantes Humilha Garis




Vídeo: Apresentador pede desculpas por ter ódio contra pobres




Vídeo: Uma Música sobre essa "Vergonha"



Fonte:
Cloaca News

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Vídeo: Os Palestinos da Amazonia

Vídeo em 3 partes com depoimentos de lavradores amazônicos nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres, no interior de Rondônia. A luta de um povo forte, que sofre o diabo, mas que não tem medo dele.

Parte 1


Parte 2


Parte 3

Fonte: http://www.youtube.com/user/Latuff

Soja: em nome do progre$$o

A expansão da soja na Amazônia tem atraído fazendeiros de outras regiões do Brasil, que se mudam com a ambição de se tornarem ricos rapidamente. Mas tudo tem seu preço... Comunidades locais são ameaçadas e expulsas de suas terras. E a floresta é destruída para dar lugar à soja. Para o Brasil, tudo em nome do "progresso". Mas, para aqueles que perderam suas terras e viram a destruição que a soja trouxe para a região de Santarém, o avanço da fronteira agrícola na Amazônia não significa nada a não ser devastação e miséria...
Veja o documentário "Soja: em Nome do Progresso" que aborda essa Questão;

Parte 1


Parte 2


Veja algumas máterias relacionadas ao Tema:
Município do Tocantins lidera ranking de soja e de pobreza
Fartura de grãos contrasta com precariedade de políticas sociais