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domingo, 10 de julho de 2011

Uso de herbicidas não diminuiu com transgênicos, diz governo dos EUA

agrotoxicos_proibidos

POR UM BRASIL ECOLÓGICO, LIVRE DE TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS!

Contrariando as afirmações da indústria, dados oficiais do governo dos EUA mostram que o uso de herbicidas não diminuiu com as lavouras transgênicas

Segundo o Relatório de 2010 sobre o Uso de Químicos na Agricultura, divulgado no último mês pelo Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas do Departamento de Agricultura do governo dos EUA (NASS/USDA), o uso do herbicida glifosato, associado às lavouras transgênicas, aumentou dramaticamente ao longo dos últimos anos, enquanto o uso de outros herbicidas ainda mais tóxicos, como a atrazina, não diminuiu.

Ao contrário das recorrentes afirmações dos fabricantes de agrotóxicos e transgênicos de que a proliferação das lavouras transgênicas tolerantes à aplicação do glifosato resultaria na diminuição de seu uso, os dados mostram que o uso em geral de agrotóxicos permaneceu relativamente constante, enquanto o uso de glifosato mais do que dobrou em relação a cinco anos atrás.

O Relatório mostra que, nos estados avaliados, 25,8 milhões de kg de glifosato foram aplicados no último ano apenas em lavouras de milho. Em 2000 este número era de 2 milhões de kg. Em 2005 o valor era ainda menos da metade do atual: 10,4 milhões de kg. Nas regiões de cultivo intensivo de milho o aumento nas aplicações de glifosato foi ainda maior. O uso do herbicida no estado de Nebraska aumentou em mais de cinco vezes em apenas 7 anos, passando de 567 mil kg em 2003 para mais de 3 milhões de kg no último ano.

Os defensores da biotecnologia frequentemente dizem que se os agricultores estão aumentando o uso de glifosato isto se deve ao fato de que eles estão usando menores quantidades de herbicidas mais tóxicos, como a atrazina. Entretanto, os dados mostram outra coisa. Em 2000, 24,5 milhões de kg de atrazina foram aplicados nos estados avaliados. Tendo o uso de glifosato aumentado em mais de cinco vezes entre 2000 e 2005, era de se esperar que o uso de atrazina tivesse caído drasticamente. Entretanto, ela aumentou em mais de 1,3 milhão de kg, nos estados avaliados, passando para 26,8 milhões de kg em 2005. Em 2010 o uso de atrazina reduziu um pouco, tendo sido aplicados 23 milhões de kg — quantidade próxima dos 25,8 milhões de kg de glifosato aplicados.

A atrazina está ligada a sérios efeitos sobre a saúde humana, incluindo malformações em bebês e problemas nos sistemas endócrino e reprodutor. É também uma grande ameaça aos ecossistemas por provocar problemas imunológicos, hormonais e reprodutivos em espécies aquáticas. O próprio glifosato também está associado a uma série de problemas ambientais e de saúde. No Brasil, 80% das variedades transgênicas liberadas são para uso associado de herbicidas.

O aumento no uso dos herbicidas nas lavouras transgênicas tolerantes ao glifosato se deve, em grande parte, ao desenvolvimento de resistência nas espécies de mato que o herbicida pretende controlar (devido ao excesso de uso do produto). Com a perda de eficácia do veneno, os agricultores tendem não só a utilizar maiores quantidades de glifosato, como a recorrer, de forma complementar, a outros herbicidas ainda mais tóxicos. Isto está levando também as empresas de biotecnologia a investir no desenvolvimento de plantas transgênicas tolerantes a múltiplos herbicidas, como glifosato e 2,4-D (componente do famoso Agente Laranja) ou glifosato e acetocloro. Ou seja, falsas soluções que também levarão, invariavelmente, ao aumento no uso de venenos — e o pior: cada vez mais tóxicos.

Extraído de: Beyond Pesticides Daily News Blog, 03/06/2011 (via GM Watch).

Fonte:http://terradedireitos.org.br

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Milho transgénico: farsa e violência

Por Silvia Ribeiro

Em finais de 2009, o governo mexicano autorizou o cultivo experimental de milho transgénico em 12,7 hectares, rompendo uma moratória de mais de 10 anos, a favor das transnacionais Monsanto, DuPont (proprietária da Pioneer Hi-Bred) e Dow.

Em 2010, sem ter os resultados da sua suposta experimentação, aceitou outra vintena de solicitações das mesmas transnacionais, às quais se juntou a Syngenta. As novas solicitações para cultivos experimentais de milho transgénico estão em consulta pública, outro eufemismo governamental, já que as opiniões críticas são ignoradas.

Se lhe parece que 12,7 hectares das solicitações aprovadas em 2009 não é muito, imagine um metro quadrado e pense que são mais de 120 mil metros quadrados, em apertadas filas de milhares de plantas manipuladas geneticamente, cada uma das quais emite pólen suficiente para contaminar muitas mais. As novas solicitações pretendem ocupar mais de mil hectares, ou seja, mais de 10 milhões de metros quadrados.

Ao dar trâmite a estas novas solicitações, o governo evidenciou que não julga necessário esperar os resultados dos mal chamados "experimentos", como faria qualquer instituição séria, porque de qualquer modo não se trata de experimentar: os resultados mostrarão o que eles tiverem decidido previamente, uma vez que são apenas uma formalidade para legalizar as plantações comerciais das empresas. Cedo veremos um show mediático dizendo que comprovaram que «o milho transgénico produz mais, as pragas não sobrevivem, e nada foi contaminado». O que vai contra a evidência que existe da produção real, segundo estatísticas oficiais sobre dezenas de milhares de hectares e 13 anos de cultivos comerciais nos Estados Unidos, que mostram que 75-80% do aumento de produção de milho nesse país se deveu a enfoques agronómicos não transgénicos [1]. Plantar transgénicos não aumenta a produção, antes a detém. A semente é até 35 por cento mais cara e, estando patenteada, a contaminação torna-se num delito para as vítimas. Também está amplamente demonstrado que o milho transgénico contamina inexoravelmente outras variedades. Nos Estados Unidos, a contaminação difundiu-se de tal maneira por todo o país, que até se encontrou nos pacotes de sementes etiquetados como não transgénicos.

A razão pela qual os Estados Unidos e uns poucos países os plantam (em mais de 170 países não estão autorizados) não é que os transgénicos ofereçam algo melhor, senão que a Monsanto e algumas das outras cinco transnacionais que monopolizam as sementes, controlam de tal modo o mercado (e/ou os governos), que os agricultores não têm escolha.

Procuram que tudo isto se replique no México. Mas aqui a contaminação transgénica do milho implica muitas outras questões, ainda mais graves. O México é o centro de origem do milho e o cultivo está no centro das economias e da autonomia das culturas milenárias que o criaram. O milho integra a dieta quotidiana da grande maioria da população, urbana e rural, pelo que os impactos sobre a saúde se multiplicam como em nenhum outro lugar. A vasta maioria da população do país, desde artistas e intelectuais a cientistas e camponeses, opõe-se à sua liberalização. Os argumentos para isso são numerosos, diversos e sólidos.

Por outro lado, faça você uma busca electrónica para ver quem defende o cultivo de milho transgénico em México. Todos, começando por Agrobio México, fachada das multinacionais de transgénicos, têm vinculação directa ou indirecta com essas empresas. Todos recebem ou receberam dinheiro e favores destas, sejam académicos, directores de organizações de agricultura industrial, funcionários ou assessores que estão na maquinaria da bio(in)segurança no México, incluído o próprio secretário executivo da comissão de bio-segurança (Cibiogem).

O cultivo de milho transgénico no México é uma imposição do governo, contra os interesses do país e a favor de umas poucas multinacionais. Nem sequer cumprem as leis que eles mesmos delinearam, nem esperam pelo arranque da farsa de "resultados positivos" dos seus "experimentos". Tentam que as pessoas do campo e da cidade se acostumem também a esta forma de violência, que pensem que não há nada a fazer.

Muito pelo contrário, a Rede em Defesa do Milho, integrada por centenas de comunidades indígenas e camponesas, em conjunto com a Via Camponesa e a Assembleia Nacional de Afectados Ambientais denunciaram em Março passado esta farsa, assentaram que o milho transgénico na Mesoamérica é um crime contra a humanidade, que as transnacionais e o governo querem pisar 10 mil anos de história colectiva e que o seu objectivo é roubar-nos o futuro a todos e a todas. Estão a construir um caso colectivo para denunciar este crime em tribunais internacionais, mas sobretudo, continuarão a praticar a defesa territorial do milho, a partir das assembleias, das comunidades e das organizações, informando sobre os riscos, conservando e trocando as suas sementes, não deixando plantar milho de programas de governo. A violência imposta existe e cresce, mas também a experiência de mais de 500 anos de resistência.

[1] Failure to Yield, Union for Concerned Scientists, 2009.

Fonte: Diário da Liberdade

quarta-feira, 30 de junho de 2010

ARROZ TRANSGÊNICO - ENTENDA O QUE ESTÁ EM JOGO


O JOGO SUJO DA BAYER

Dentro de poucos dias o Brasil pode se tornar a cobaia do mundo, ao permitir o plantio e o consumo de arroz transgênico não aprovado em nenhum país. O pedido da empresa alemã Bayer está praticamente pronto para ser votado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio. Tratase do Arroz Liberty Link LL 62, resistente ao herbicida glufosinato de amônio (processo 01200.003386/200379).

Neste caso, até os produtores e a Embrapa Arroz e Feijão estão contra. Parece que só a CTNBio está do lado da Bayer. Como vai se posicionar o governo LULA? Arroz com herbicida – riscos para a saúde A modificação genética torna o arroz resistente ao herbicida de princípio ativo glufosinato de amônio e nome comercial Basta ou Finale (ambos da Bayer). Ou seja, não há nenhum benefício para o consumidor. Pelo contrário. Com a resistência ao agrotóxico, a pulverização se dará sobre toda a lavoura, inclusive sobre o próprio arroz, que não morrerá mas absorverá o veneno, que irá

também para os grãos.

O glufosinto é considerado tóxico para mamíferos e por este motivo será proibido na União Europeia a partir de 2017 por determinação do Parlamento Europeu [1]. Pesquisadores japoneses mostraram que a substância pode dificultar o desenvolvimento e a atividade do cérebro humano, provocando convulsões em roedores e humanos [2].


A Bayer é a empresa que mais vende agrotóxicos no Brasil e sua aposta no arroz transgênico visa ampliar ainda mais esse mercado. A venda casada com o glufosinato reforça a posição do Brasil como principal destino de produtos tóxicos não mais aceitos em outros países [3].



Problemas agronômicos – a posição da Embrapa


Em audiência pública, o pesquisador Flávio Breseghello, da Embrapa Arroz e Feijão, apresentou a posição oficial “autorizada pela presidência”, frisando que a empresa não é contra os trangênicos e nem contra a modificação genética do arroz, mas que neste caso o produto da Bayer “agravará os problemas já existentes”. “Não devemos usar tecnologias que terão validade de poucas safras”, disse Breseghello.


O principal entrave técnico enfrentado pelos produtores de arroz é o controle do arroz vermelho, espécie ancestral do arroz comercial, que compete com a cultura. A preocupação é a constatação de que a planta transgênica inevitavelmente cruzará com sua parente vermelha, dando origem a arroz vermelho transgênico resistente a herbicida. O arroz vermelho pode germinar após mais de anos de dormência no solo. Segundo Breseguello, “a contaminação é irreversível” [4].





Problemas econômicos – a posição dos produtores


Na mesma audiência pública, os representantes dos produtores de arroz também manifestaram sua preocupação. Receiam perder mercado interno e externo caso a variedade seja liberada.


“Considerando que não existe consumo corrente nem mercado global para o arroz transgênico, concluímos que a entidade não é favorável nesse momento à liberação”, disse Renato Caiaffo Rocha, em nome dos produtores reunidos na Farsul e na Federarroz e do Instituto Rio Grandense do Arroz – IRGA.


Contaminação inevitável


Mais de 7 mil produtores de arroz processam a Bayer nos Estados Unidos por prejuízos sofridos pela contaminação de suas colheitas pelo arroz Liberty Link. A Justiça estadunidense já determinou o pagamento de mais de 50 milhões de dólares como indenização por danos materiais. A Justiça do estado de Arkansas determinou também indenização por danos morais por entender que houve má fé por parte da empresa [5].


Entre 1999 e 2001 a empresa realizou nos Estados Unidos testes de campo com o arroz modificado, mas não chegou a propor sua liberação comercial. A contaminação só foi descoberta cinco anos após a conclusão dos experimentos, quando o mercado europeu suspendeu as importações do produto. O Japão seguiu o mesmo caminho. Na ocasião, a empresa eximiuse de qualquer responsabilidade pelo ocorrido, alegando tratar-se de “circunstâncias inevitáveis, ato de Deus e negligência dos agricultores” [6].


Recentemente, um repesentante da Bayer no Brasil afirmou que o problema não está na contaminação, mas sim no fato de ela não estar prevista e regulamentada pelas leis de biossegurança. Para André Abreu, enquanto permanecer um regime de intolerância (sic) em relação à contaminação, problemas como esse continuarão acontecendo [7].


Falta transparência


Muitos questionamentos foram apresentados por pesquisadores, produtores e representantes da sociedade civil na audiência publica realizada em março de 2009, mas até hoje nenhum deles foi respondido. Não se sabe, por exemplo, o que a empresa pretende fazer para evitar a contaminação do arroz comum nem qual o nível previsto de resíduo de agrotóxico no grão. A CTNBio nega acesso aos dados apresentados pela empresa. Essa falta de transparência é prejudicial à participação da sociedade, à biossegurança e à saúde pública.


Falta isenção – a avaliação pela CTNBio


Até hoje a CTNBio aprovou todos os pedidos a ela submetidos. Nunca recusou nenhum. Suas decisões ocorrem por maioria simples, isto é, 14 de 27 votos. Cabe destacar que é grande a controvérsia técnica dentro da própria Comissão. O melhor exemplo está no fato de que até hoje todas as aprovações tiveram votos contrários fundamentados dos ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário. Anvisa e Ibama apresentaram formalmente recursos técnicos contra as liberações dos milhos LL da Bayer, MON810 da Monsanto e Bt 11 da Syngenta, mas o governo Lula delegou à CTNBio a decisão. Pior para todos nós que teremos produtos contendo esses milhos transgênicos, apesar da discordância da ANVISA e do IBAMA.


A falta de imparcialidade começa pelo próprio presidente da Comissão, que ao assumir o cargo no início deste ano já se declarou favorável à liberação do arroz transgênico [8], contra a rotulagem dos produtos [9] e a favor da exclusão do monitoramento dos impactos à saúde dos transgênicos. Antes de ser presidente, para defender a soja transgênica da Monsanto, Edílson Paiva, falando do glifosato usado na soja da Monsanto, chegou a dizer que os “humanos poderiam até beber e não morrer

porque não temos a via metabólica das plantas” [10].

Alterações genéticas imprevistas


O método de transformação utilizado para o arroz Liberty Link foi o da aceleração de partículas (biolística). A biolística é um método de transferência direta que consiste em projetar transgenes dentro das células alvo através de partículas de ouro ou tungstênio cobertos com moléculas de DNA recombinante (transgenes) aceleradas por um sistema de propulsão por hélio.


Neste método, há total descontrole do local da inserção dos transgenes nas células e genoma vegetal. O transgene pode tanto ser inserido no genoma nuclear quanto no DNA de organelas. Além disso, o número de transgenes também não é controlado. Várias partículas podem integrarse no genoma e em diferentes lugares. Finalmente, a integridade do transgene (sua sequência genética) também pode

não ser mantida, ou seja, o transgene pode integrarse no genoma de forma truncada, com deleções ou ainda com inserções de fragmentos de DNA da própria célula entre os transgenes.

No caso do arroz LL, nenhum estudo cientificamente robusto foi apresentado pela proponente a fim de confirmar o que foi inserido. Isto significa que sequer temos a certeza do que foi inserido, muito menos das conseqüências. Durante a audiência pública, um participante mencionou a possibilidade de ter ocorrido deleção de um nucleotídio (Adenina) no local de regulação da expressão da proteína que confere a tolerância ao herbicida glufosinato de amônio. Posteriormente à audiência, a empresa admitiu a deleção, afirmando haver a alteração de um aminoácido na proteína. Essa alteração significa que a proteína produzida pelo arroz difere daquela produzida naturalmente pela bactéria Streptomyces, doadora do gene.


No entanto, nenhum estudo foi apresentado a fim de investigar possíveis efeitos adversos na saúde humana e meio ambiente resultantes dessa alteração não intencional. Ou seja, além da incerteza do que foi realmente inserido, ignorase uma alteração genética detectada, mas não esperada. A proteína não perdeu a sua função de conferir a tolerância ao herbicida, mas pode gerar riscos não analisados.




A decisão está nas mãos do governo Lula


A Lei de Biossegurança (Lei 11.105/05) criou uma instância acima da CTNBio, o Conselho Nacional de Biossegurança, formado por 11 ministros e presidido pela Ministra Dilma Rousseff. O CNBS tem o poder de dar a última palavra em relação a uma liberação comercial de transgênico no país. Até o momento, a atuação do CNBS foi lamentável: deu razão à CTNBio e autorizou a liberação dos três milhos transgênicos que a ANVISA e o IBAMA recomendaram que não fossem autorizados.


A liberação do arroz LL tem também implicações econômicas bem graves, estando as principais entidades representativas dos produtores contra (Farsul, Federarroz e Instituto Rio Grandense do Arroz – IRGA). Como vai se posicionar o governo Lula: a favor da Bayer ou do Brasil?


Assinam este documento:



AAO Associação de Agricultura Orgânica ABRANDH – Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos

Humanos ACAN
Associação Catarinense de Nutrição AEPAC
Associação Estadual dos Pequenos Agricultores Catarinenses – ANA Articulação Nacional de Agroecologia ANAC

Associação Nacional de Agricultura Camponesa ANPA
Associação Nacional dos Pequenos
Agricultores – APATO
Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins – APPA Associação Paranaense de Pequenos Agricultores ARPA
Associação Riograndense de Pequenos Agricultores
ASPTA
Agricultura Familiar e Agroecologia – CESE Coordenadoria Ecumêmica de Serviços Cooperfumos
Cooperativa Mista de Fumicultores do Brasil Ltda. CONESANGO
Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Goiás CONSEASC
Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Santa Catarina – CPCPR
Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa do Paraná Ltda. – CPCRS
Cooperativa Mista de Comercialização Camponesa do Rio Grande do Sul Ltda. CPT
Comissão Pastoral da Terra FASE
Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional FBSSAN
Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional – FEAB Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil FESANSMS
Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Mato Grosso
do Sul – FNECDC Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor FOSANES
Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional do Espírito Santo IDEC
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Instituto Cultural Padre Josimo MAB
Movimento dos Atingidos por Barragens MMC
Movimento de Mulheres Camponesas MPA
Movimento dos Pequenos
Agricultores MST
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – Plataforma Dhesca
Relatoria de Direito Humano à Terra, Território e Alimentação PJR
Pastoral da Juventude Rural RECIDGO
Rede de Educação Cidadã de Goiás Terra de Direitos Via Campesiana.

NOTAS:


[1] EU Environment Ministers Keep Bans on Transgenic Maize. Environment News Service (ENS). http://

www.ensnewswire.
com/ens/mar2009/2009030201.
asp
[2] Nobuko Matsumura, Chizuko Takeuchi, Keiichi Hishikawa,Tomoko Fujii, Toshio Nakaki. Glufosinate
ammonium induces convulsion through Nmethyldaspartate
receptors in mice. Neuroscience Letters 304
(2001) 123125.
[3] Brasil é o principal destino de agrotóxico banido no exterior. O Estado de São Paulo, 30 de maio de
2010.
[4] A transcrição da audiência pública realizada em 18 de março de 2009 está disponível na página eletrônica
da CTNBio, no endereço http://www.ctnbio.gov.br/index.php/content/view/13289.html
[5] Bayer ordered to pay farmer $1 million is tab for modified rice. Arkansas DemocratGazette,
10/03/2010. http://www.allbusiness.com/legal/tortsdamages/
140796811.
html ;
Bayer to pay $1.5 mln in 2nd lawsuit over GM rice, Reuters, 05 de fevereiro de 2010.
http://www.reuters.com/article/idUSLDE61421W20100205 e GM rice litigation: defense. Delta Farm Press,
04 de maio de 2010. http://deltafarmpress.com/rice/gmricelitigationdefense0504/
[6] Firm Blames Farmers, 'Act of God' for Rice Contamination. Washington Post, 22 de novembro de 2006.
http://www.washingtonpost.com/wpdyn/
content/article/2006/11/21/AR2006112101265.html
[7] Mesa redonda sobre arroz transgênico. CTNBio, 19 de maio de 2010, Brasília.
[8] Novo presidente da CTNBio defende arroz transgênico. O Estado de São Paulo, 11 de fevereiro de 2010.
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,novopresidentedactnbiodefendearroztransgenico ,
509722,0.htm
[9] Novo presidente da CTNBio se diz contra rotular transgênico. Folha de São Paulo, 11 de fevereiro de
2010. http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u692636.shtml
[10] Avanço da soja transgênica amplia uso de glifosato. Valor Econômico, 24 de abril de 2007.
FONTE: http://port.pravda.ru/ Via Luta Popular

domingo, 22 de novembro de 2009

‘Poder de veto’ da indústria de biotecnologia para pesquisas sobre efeitos dos transgênicos


Cientistas denunciam perseguição e "poder de veto" da indústria de biotecnologia para pesquisas sobre efeitos dos transgênicos Finalmente os pesquisadores (norteamericanos, ao menos) estão começando a denunciar as pressões e ameaças que sofrem quando ousam desafiar a indústria de biotecnologia ao desenvolver e publicar pesquisas que analisem os efeitos dos transgênicos para a saúde ou o meio ambiente.
Já havíamos divulgado no Boletim 452 o editorial publicado pela revista Scientific American em agosto deste ano, relatando como as empresas conseguem se valer das leis de propriedade intelectual para obter controle absoluto sobre o que pode e o que não pode ser publicado em relação às suas sementes. Agora foi a vez da revista científica Nature Biotechnology publicar um artigo (outubro de 2009) denunciando o mesmo problema. Segundo o artigo, "não é segredo que a indústria de sementes tem o poder de moldar as informações disponíveis sobre lavouras transgênicas. Foram empresas privadas que desenvolveram praticamente todas as sementes que estão no mercado norteamericano, e os direitos de propriedade intelectual sobre a tecnologia permite que elas decidam quem vai estudar as lavouras e como."
O controle das empresas começa com um simples contrato para produtores. Qualquer pessoa que queira comprar sementes transgênicas precisa assinar um contrato de tecnologia que diz, entre muitas outras coisas, que o comprador não pode conduzir pesquisas com as sementes, e nem dá-las a outrem para a realização de pesquisas. Para fazer pesquisas, os cientistas precisam pedir permissão às empresas, especificando o que pretendem fazer com as plantas -- ou correm o risco de ser processados.
As empresas de sementes podem negar os pedidos com base em qualquer razão -- e, conforme ilustra o artigo, algumas vezes elas são bem criativas. Outras vezes, são simplórias: em um caso relatado, a Pioneer Hi-Bred disse a um pesquisador que "não dispunha de material apropriado para fornecer". Quando a empresa e os pesquisadores conseguem concordar em um projeto de pesquisa, eles precisam negociar os termos do acordo.
Segundo pesquisadores, muitos destes acordos costumam travar quando as empresas querem controlar ou bloquear a publicação da pesquisa. Também são impressionantes os relatos de manipulação de dados praticados pelas empresas. Um caso descrito no artigo foi de um milho da Pioneer tóxico a insetos. Em 2001 a empresa contratou alguns laboratórios de universidades para estudar efeitos indesejados do milho em uma espécie de joaninha.
Os laboratórios descobriram que quase 100% das joaninhas que foram alimentadas com o milho morreram no oitavo dia do ciclo de vida. Quando os pesquisadores apresentaram seus resultados à Pioneer, a empresa os proibiu de divulgar os dados. Como a variedade de milho ainda não era comercializada, o acordo de pesquisa dava à Pioneer o direito de vetar a publicação dos resultados. Dois anos depois a Pioneer recebeu autorização para comercializar um milho que continha exatamente a mesma toxina daquele usado nos experimentos com as joaninhas. Mas os dados submetidos ao EPA (Agência de Proteção Ambiental do governo americano, na sigla em inglês) não informavam os efeitos sobre as joaninhas -- apesar de a empresa ter seguido os protocolos normais de pesquisa.
Num dos estudos da Pioneer, a empresa forneceu a toxina purificada às joaninhas até o sétimo dia de vida -- um dia antes do que havia sido observado como o estágio mais suscetível. Em um segundo estudo, a empresa acompanhou as joaninhas até o final do ciclo de vida, mas usou um modo diferente de alimentação, fornecendo um pó homogeneizado contendo metade presas (pequenos animais dos quais elas se alimentam, como insetos e ácaros) e metade pólen, e não verificou nenhum efeito. Segundo um dos pesquisadores envolvidos com a primeira pesquisa, a EPA foi informada da pesquisa independente, mas preferiu não agir. E a Pioneer não daria permissão aos cientistas para refazer o experimento.
Também sobre este tema, um outro artigo [1] publicado pela renomada revista científica Nature em setembro deste ano apresentou em detalhes a saga que atravessam os cientistas que se arriscam a publicar pesquisas indicativas de efeitos maléficos dos transgênicos. O caso apresentado em maior detalhe é o das pesquisadoras Emma Rosi-Marshall e Jennifer Tank, que em 2007 publicaram um estudo indicando que as larvas de um inseto herbívoro da ordem trichoptera que vivem em pequenos cursos d’água no norte de Indiana (EUA), onde as lavouras de milho Bt (tóxico a insetos) se espalham até onde alcança a vista, também são afetadas pelo Bt. No artigo, publicado na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), as autoras concluem que o plantio disseminado de lavouras Bt provoca consequências inesperadas em escala de ecossistemas. A reação furiosa de cientistas pró-transgênicos foi imediata.
Em apenas duas semanas, diversos pesquisadores já haviam escrito para as autoras, para a revista PNAS e para a Fundação Nacional de Ciência (NSF, em inglês) do governo americano, que financiava o trabalho de Rosi-Marshall. O trabalho foi acusado de falho, omisso, mal desenhado, entre outras coisas. Um dado interessante apontado por Arthur Benke, um dos cientistas que prestaram apoio às autoras afirmando o valor dos dados publicados, é que absolutamente nenhuma das críticas sugere o aprofundamento das pesquisas sobre o caso.
"O que relatórios como este fazem é nos alertar sobre possíveis razões para analisarmos a questão com mais cuidado", diz ele. Allison Power, pesquisadora de ecologia e biologia evolutiva da Cornell University, complementa: "Tentar desmentir a pesquisa imediatamente é um ato que ignora como a ciência deve funcionar: você formula uma hipótese, testa-a, refina-a, testa-a e refina-a novamente. Você segue fazendo isso até conseguir uma resposta que seja tão próxima quanto possível da que se pode obter. Não entendo que exista resistência a esta noção".
Embora o artigo da Nature conceda muito espaço para os cientistas pró-transgênicos exporem seus argumentos e pontos de vista, a sua leitura deixa evidente o caráter preconceituoso e grosseiro dos supostos críticos. Um destes "críticos" relata que formou uma "equipe de refutação" chamado "ask-force" (algo como "força tarefa para questionamentos") para desafiar pesquisas sobre a biossegurança de lavouras transgênicas. Das 20 pesquisas já "criticadas" pelo grupo, nenhuma é positiva em relação aos efeitos dos transgênicos". O principal argumento dos detratores das pesquisas é que elas podem ser usadas por ativistas anti-transgênicos para fomentar ações e influenciar as políticas sobre o tema. Com base nisso, promovem todo o tipo de perseguição. Ignacio Chapela, um pesquisador da Universidade da Califórnia, em Berkeley, conta que estes ataques estão dissuadindo jovens cientistas a seguir carreiras em pesquisa sobre lavouras transgênicas. "Já tenho uma longa experiência com pessoas jovens que me dizem que não vão para este campo precisamente por serem desencorajados pelo que vêem", diz ele.
Para quem não se lembra, Chapela foi um dos primeiros cientistas a enfrentar este tipo de perseguição. Em 2001 ele publicou um artigo na mesma Nature relatando que variedades crioulas de milho no México estavam contaminadas por genes transgênicos. A reação negativa foi tão forte que, de maneira inédita, a Nature publicou uma nota reconhecendo que "as evidências disponíveis [no estudo de Chapela] não eram suficientes para justificar a publicação da pesquisa". Posteriormente, análises feitas pelo governo mexicano confirmaram a contaminação apontada por Chapela.
É muito importante que estas denúncias comecem a circular em publicações científicas respeitadas. Vamos esperar que estes artigos incentivem outros cientistas intimidados a sair do casulo. Especialmente por aqui: já passou da hora de os nossos pesquisadores começarem também a se indignar e se articularem para desmascarar a defesa pseudocientífica dos transgênicos no Brasil e tentar conter e reverter as atrocidades cometidas pela CTNBio "em nome da ciência".
Nota:
[1] Battlefield - Papers suggesting that biotech crops might harm the environment attract a hail of abuse from other scientists. NatureVol 4613 September 2009.Artigo disponível em inglês mediante
pagamento:http://www.nature.com/news/2009/090902/full/461027a.html
[POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS. Número 468 - 20 de novembro de 2009]
* Da Campanha Por Um Brasil Livre de Transgênicos e Agrotóxicos

domingo, 15 de novembro de 2009

Plantadores de soja transgênica apavorados

Fantasma assombra plantadores de soja transgênica
O artigo é de Alejandro Nadal.

A presença do sorgo resistente ao glifosato, em lavouras no norte da Argentina, já foi reconhecida pelo principal organismo encarregado de vigiar as ervas daninhas resistentes a herbicidas. Essa descoberta é um pesadelo que se tornou realidade para os produtores de soja transgênica. O glifosato é o herbicida seletivo de maior venda no mundo e sua expansão acelerou-se com os cultivos transgênicos como os da soja Roundup Ready, da Monsanto. O resultado era previsível: cedo ou tarde, apareceriam espécies resistentes às estratégias desenhadas e implementadas por este modelo de agricultura.
por Alejandro Nadal, em La Jornada, via Carta Maior
Um fantasma percorre os campos do Chaco, norte da Argentina. Após meses de investigação e acaloradas disputas, confirmou-se a existência de uma variedade de sorgo (Sorghum halepense – também conhecido no Brasil como capim Massambará, Pasto Russo ou Erva de São João) resistente ao herbicida glifosato, na província de Salta. É o primeiro caso de uma variedade de sorgo resistente ao glifosato desde que esse herbicida começou a ser usado no mundo, há três décadas. A difusão desta erva daninha através das colheitadeiras que circulam por todos os lados após cada safra não é um bom augúrio.
A presença do sorgo resistente ao glifosato já foi reconhecida pelo principal organismo encarregado de vigiar as ervas daninhas resistentes a herbicidas (
www.weedscience.org). Essa descoberta é um pesadelo que se tornou realidade para os produtores de soja transgênica. É também uma lição para a Sagarpa (organização mexicana de proteção fitossanitária), que acaba de autorizar ilegalmente as primeiras plantações experimentais de milho transgênico no México. É o primeiro passo no caminho para autorizar a plantação comercial e consolidar a liberação do milho geneticamente modificado no México, centro de origem deste cultivo de importância mundial.
Vamos por partes. O Sorghum halepense é uma das dez principais ervas daninhas que afetam a agricultura de climas temperados. É uma erva daninha perene, dotada de grande capacidade de reprodução e sobrevivência ao controle por meios mecânicos. A ironia é que em muitos países, incluindo a Argentina, foi introduzido como uma espécie forrageira, por sua alta produtividade e capacidade de adaptação. Em poucos anos, converteu-se em uma praga cujo combate com agentes químicos teve grandes custos para os agricultores e para a biodiversidade.
Na luta contra essa “erva daninha perfeita” vinha se usando o glifosato, herbicida de amplo espectro que destrói, em plantas superiores, a capacidade de sintetizar três aminoácidos essenciais. É o herbicida seletivo de maior venda no mundo e sua expansão acelerou-se com os cultivos transgênicos como os da soja Roundup Ready, da Monsanto, geneticamente modificada para aumentar sua resistência ao glifosato. Hoje, a soja transgênica é plantada em cerca de 18 milhões de hectares na Argentina. Esse cultivo transformou a paisagem rural do pampa, transtornando as relações sociais que permitiam a pequena agricultura e abrindo as portas para o agronegócio em grande escala. As exportações de soja são o principal sustento da política fiscal Argentina: 18% da receita fiscal total vêm do imposto sobre as vendas de soja ao exterior. Mas o colapso desta bolha da soja é uma questão de tempo. A aparição do sorgo resistente ao glifosato é só um aviso. A soja transgênica usa um pacote tecnológico de plantio direto (ou lavragem mínima), onde se deixa o mato cobrir a terra para protegê-la da chuva e do vento. Isso reduz os riscos de erosão, mas deve ser acompanhado de um incremento no uso de herbicidas. Esse tipo de cultivo está associado a um crescimento espetacular do uso destes insumos: em apenas dez anos, o consumo de glifosato passou de 15 a 200 milhões de litros.
O resultado, no final do caminho, era de se esperar: cedo ou tarde, apareceriam espécies resistentes às estratégias desenhadas e implementadas por este modelo de agricultura comercial. Com a difusão do pacote tecnológico da soja transgênica, essa resistência apareceria mais rapidamente, pois o processo de co-evolução (que, no fundo, é o que rege esse fenômeno) iria se acelerando. É o que acontecerá também com o milho transgênico cujo plantio está sendo autorizado agora no México. A aparição de insetos resistentes à toxina produzida nos cultivos transgênicos Bt é uma questão de tempo.
Ainda não há registro de grandes populações resistentes à toxina Bt, mas em parte isso se deve à estratégia que consiste em deixar refúgios de plantas não transgênicas nas áreas plantadas. Nos Estados Unidos, essa prática tem sido acompanhada pelo uso complementar de inseticidas. Mas a advertência de ecólogos e agrônomos segue vigente: essas estratégias só retardam o processo de aparição de insetos resistentes ao Bt, não o detém. O cultivo de milho transgênico no México aumentará a probabilidade de surgimento de populações de insetos resistentes ao Bt em um menor espaço de tempo. Esse não é o único problema, mas o exemplo do sorgo na Argentina é um sinal que não devemos ignorar.
A trajetória tecnológica dos cultivos geneticamente modificados nos conduz a um beco sem saída. É claro que, para as empresas e seus cúmplices no governo, este é um bom instrumento para tornarem-se donas do campo, transformando-o em seu espaço de rentabilidade. Para a Sagarpa e o governo (falando aqui do caso mexicano) nada deve se interpor entre as companhias transnacionais e a rentabilidade, nem sequer a débil legislação sobre biossegurança que foi desenhada para servir aos interesses dessas mesmas empresas.
* Alejandro Nadal é economista, professor pesquisador do Centro de Estudos Econômicos, no Colégio do México. Colaborador do jornal La Jornada, onde este artigo foi publicado originalmente dia 20 de outubro.
Tradução: Katarina Peixoto

sábado, 17 de outubro de 2009

Transgênicos: liberou geral!


Por Cândido Cunha
Seguem 3 notícias recentes sobre transgênicos nos links abaixo. Como se vê, corre solta a liberação de Organismos Geneticamente Modificados no governo Lula, apesar do compromisso assumido de que haveria restrições à produção e comercialização destes produtos.

Conselho libera venda do milho transgênico da Syngenta (http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid191951,0.htm )

Brasil produz primeiros caprinos transgênicos da América Latina para gerar medicamentos


CTNBio analisará liberação de mais 10 transgênicos agrícolas(http://noticias.terra.com.br/interna/0,,OI2957948-EI8177,00.html)


sábado, 26 de setembro de 2009

Agrotóxicos no seu estômago


Por João Pedro Stédile
Os porta-vozes da grande propriedade e das empresas transnacionais são muito bem pagos para todos os dias defender, falar e escrever de que no Brasil não há mais problema agrário. Afinal, a grande propriedade está produzindo muito mais e tendo muito lucro. Portanto, o latifúndio não é mais problema para a sociedade brasileira. Será?
Nem vou abordar a injustiça social da concentração da propriedade da terra, que faz com que apenas 2%, ou seja, 50 mil fazendeiros, sejam donos de metade de toda nossa natureza, enquanto temos 4 milhões de famílias sem direito a ela.
Vou falar das consequências para você que mora na cidade, da adoção do modelo agrícola do agronegócio.
O agronegócio é a produção de larga escala, em monocultivo, empregando muito agrotóxicos e máquinas.
Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra. Com isso, destroem a biodiversidade, alteram o clima e expulsam cada vez mais famílias de trabalhadores do interior.
Na safra passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química...), comemoraram que o Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos.
As lavouras que mais usam venenos são: cana, soja, arroz, milho, fumo, tomate, batata, uva, moranguinho e hortaliças. Tudo isso deixará resíduos para seu estômago.
E no seu organismo afetam as células e algum dia podem se transformar em câncer.
Perguntem aos cientistas aí do Instituto Nacional do Câncer, referência de pesquisa nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco? A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde humana. Mas ninguém avisa no rótulo, nem retira da prateleira. Antigamente, era permitido ter na soja e no óleo de soja apenas 0,2 mg/kg de resíduo do veneno glifosato, para não afetar a saúde. De repente, a Anvisa autorizou os produtos derivados de soja terem até 10,0 mg/kg de glifosato, 50 vezes mais. Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo de glifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.
Esse mesmo movimento estão fazendo agora com os derivados do milho.
Depois que foi aprovado o milho transgênico, que aumenta o uso de veneno, querem aumentar a possibilidade de resíduos de 0,1 mg/kg permitido para 1,0 mg/kg.
Há muitos outros exemplos de suas consequências. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT, revelou em suas pesquisas que nos municípios que têm grande produção de soja e uso intensivo de venenos os índices de abortos e má formação de fetos são quatro vezes maiores do que a média do estado.
Nós temos defendido que é preciso valorizar a agricultura familiar, camponesa, que é a única que pode produzir sem venenos e de maneira diversificada. O agronegócio, para ter escala e grandes lucros, só consegue produzir com venenos e expulsando os trabalhadores para a cidade.
E você paga a conta, com o aumento do êxodo rural, das favelas e com o aumento da incidência de venenos em seu alimento.
Por isso, defender a agricultura familiar e a reforma agrária, que é uma forma de produzir alimentos sadios, é uma questão nacional, de toda sociedade.
Não é mais um problema apenas dos sem-terra. E é por isso que cada vez que o MST e a Via Campesina se mobilizam contra o agronegócio, as empresas transnacionais, seus veículos de comunicação e seus parlamentares, nos atacam tanto.
Porque estão em disputa dois modelos de produção. Está em disputa a que interesses deve atender a produção agrícola: apenas o lucro ou a saúde e o bem-estar da população? Os ricos sabem disso e tratam de consumir apenas produtos orgânicos.
E você precisa se decidir. De que lado você está?
JOÃO PEDRO STÉDILE é economista e integrante da coordenação nacional do Movimento dos sem terra (MST).
Fonte: Jornal "O Globo" (24.09.2009)

terça-feira, 21 de julho de 2009

A MODERNIDADE TRANSGÊNICA - Dioclécio Luz


Nos idos de 1500 chegaram uns bandidos por esta terra brasilis trazendo a boa nova religiosa e capitalista, modernosa e modernista. Os que estavam aqui, ditos povos primitivos, atrasados, aborígenes, preguiçosos e indolentes, trataram bem aqueles. Afinal, os invasores, embora feios, barbudos e exalassem uma fedentina medieval, pareciam seres humanos feito eles.
O preço da amistosidade saiu-lhes caro. Os índios foram presos, torturados, massacrados. Quase foram exterminados. Eram 5 milhões quando esses bandidos chegaram aqui. Pois, resistiram, e hoje devem ser uns 300 mil. Sobreviveram à modernidade.
Passou o tempo, e o arado da modernidade rasgou terras, sujou os rios, destruiu as matas, poluiu o ar e a alma, fez guerras, ampliou a miséria, e então, dois pontos, revelou o caráter sujo da civilização. O que sobrou da Segunda Guerra foi uma divisão do mundo – o de lá e o de cá. Por azar ficamos do lado de cá, onde ficam os servos do império da norte-amerciano.
Nos idos de 60 foi imposto ao mundo, e ao Brasil em particular, uma modernidade especial: a agricultura tecnológica, também chamada de “agricultura moderna”. Essa modernidade, com o apoio da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), foi imposta ao planeta, obrigando-o a descartar todo seu conhecimento agrícola e ambiental – sua história - e substituí-lo por este. Ora, aqui havia pelo menos 10 mil anos de convívio dos índios com a terra e outros 400 anos de experiência negra e do europeu miscigenado. Foi tudo pro lixo em nome da modernidade nos campos.
E o que é essa modernidade? Primeiro ela é industrial (seu caminho é o interesse da indústria); segundo, ela é radical, fora dela nada presta. O bloco industrial capitalista, fortalecido no pós-guerra com a vitória no conflito mundial, criou produtos para o mercado. Pior para nós, o pacote de insumos para agricultura é todo ele casado: o agricultor compra sementes; as sementes são frágeis e precisam de adubação ou não crescem; por serem frágeis, também são facilmente atacadas pelos insetos, e daí o agricultor tem que usar agrotóxicos; os inseticidas fazem surgir tribos de insetos mais resistentes (são 400 espécies imunes hoje no mundo) e, por isso o agricultor tem que usar cada vez mais quantidade de veneno ou partir para um novo produto (moderno!) que a indústria oferece; como o agrotóxico é veneno, o trabalhador tem que tratar da saúde com remédios (produzidos pelos mesmos fabricantes, como Rhodia, Hoescht, Novartis...); as sementes são “selecionadas”, só produzem uma vez, o agricultor tem que ir ao mercado todo ano; como tudo isto custa caro, o agricultor tem que plantar em larga escala para que haja o lucro – usando o trator que eles vendem, claro. Eles vendem tudo. O agricultor não
vive sem ele. Quem tem mercado tem tudo.
No cerne desse balaio tecnológico, a indústria é a única entidade que não corre riscos. Se chover, se a terra tremer, se der geada, se cair granizo, se o Diabo vomitar na terra, mesmo assim, o lucro estará garantido para a indústria.
A agricultura moderna é isso aí. Uma das consequências óbvias deste modelo é a concentração de terras a expansão do latifúndio. Aliás, não há como produzir nenhuma das culturas tradicionais se não se pensar em larga escala, em monocultura.
Outras efeitos da introdução da agricultura moderna: poluição generalizada do meio ambiente, contaminação e morte de agricultores, produção de alimentos poluídos, dependência total do agricultor,... Este é o modelo adotado para se fazer a “revolução verde”. Qualquer alternativa dentro dele não é revolucionária, não é socialista. Verticalizar a produção, por exemplo, é um viés de lucro dentro do modelo. Tanto que o discurso ruralista inclui a verticalização. O ícone maior – dependência da indústria – se mantém gordo e bonito. Agora, considere fazer reforma agrária dentro deste modelo? Imagine um assentamento depender de insumos e dos preços determinados pelos financista de Wall Street?
O discurso modernista é o discurso ruralista. E ele pega, gruda na cultura porque vem embalado como ciência. As universidades deram o embasamento a este modelo negocista-colonialista e anti-ecológico. O Governo, através da Embrapa, colocou seus melhores pesquisadores a serviço da indústria, deste modelo, e, através da extensão rural, impôs este arrumado tecnológico aos agricultores do país. Disse para esta gente: “eis a modernidade, fora disto é o primitivismo”. Repare direitinho, que é a mesma conversa de Cabral e sua gangue quando chegaram aqui. O debate ecológico sobre o uso moderado, controlado, adequado, racional, ou integrado, de agrotóxico, portanto, é papo de aranha carangueijeira. Todas essas “alternativas” não são alternativas. É banda de pagode – é tudo igual, a diferença é só a grife do terno, não muda nada.
O problema é o modelo tecnológico. A pressão dos ambientalistas obriga os governos a buscarem solução para os problemas. Mas, veja bem, os problemas são gerados pelo próprio governo e pela indústria. E a solução que propõem não é para mudar o modelo. Pelo contrário. Por exemplo, se é grande o nível de contaminação por agrotóxicos no meio rural, o Estado procura os fabricantes que propõem uma saída; uma saída que não reduz o consumo de venenos.
Ela pode ser uma proposta moderna como o "manejo integrado de pragas", ou outra moderna, como "o controle biológico", mas, principalmente, os cursos de "uso adequado de defensivos agrícolas". Tudo isso para mostrar que: 1) se o agricultor morre ao manipular venenos, a culpa é sua, que não adotou as normas recomendadas pelos fabricantes; 2) o modelo não pode ser modificado; 3) o modelo é moderno e tem o aval acadêmico.. Enfim, o modelo se mantém. Nada se altera. Agora é a vez dos transgênicos, a biotecnologia. Todo mundo já sabe que isto é moderno. Exatamente como antes, quando impuseram os agrotóxicos, também dizem que se o Brasil não adotar os transgênicos, vai perder o metrô da história. Enfim, a gente que receber bem Cabral e sua gangue, mais uma vez. Quem diz isto? Ora, o Governo, a indústria e – como sempre – um bom número de cientistas.
O curioso na categoria dos cientistas (se é que é categoria) é que muitos se comportam como se a sociedade devesse ouvi-los e acata-los como se fossem enviados de Deus para nos trazer a verdade. Veja bem, olhe nos olhos de alguns deles, não parece que integram uma seita radical, absolutista, com seus dogmas suas imposições?...
Quando a indústria trouxe a "revolução verde" não faltaram (e não faltam ainda) cientistas para avalizar o grande crime ecológico, social e econômico contra a humanidade. Citam números, estatísticas, pesquisas, para mostrar que, apesar de algumas falhas (morte e devastação) a agricultura moderna produziu alimentos. Alguns consideram normal tem um quinto da população passando fome no planeta, outros acham até razoável que crianças se contaminem e morram ao manipular agrotóxicos nas lavouras, e há aqueles que acham lógico que a pequena propriedade rural tenha se tornado inviável economicamente. Há cientistas assinando a propaganda da indústria; algumas até mentirosas, como a barganha em cima da miséria humana, ao declararem que é preciso aumentar a produção de alimentos porque cresce a população mundial. Ora, a produção mundial de alimentos já daria para abastecer todo mundo. Se tem gente morrendo de fome não é por ter ou não alimento, o problema é que a comida está no mercado, e falta dinheiro para comprar.
A expansão da engenharia genética realça este debate. Antes de tudo, porém, é preciso compor a mesa: quem deve participar deste debate? Quem for à página eletrônica da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), o órgão que aprovou a entrada e comércio da soja transgênica, sem avaliar seus riscos sobre a saúde humana e ao meio ambiente, vai encontrar textos científicos favoráveis aos transgênicos. Tudo que está lá é prótransgênico. Não há uma linha citando as experiências (científicas) que mostram que os Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) são perigosos à saúde, ou representam riscos à flora. Enfim, a CTNBio tomou posição radical em defesa dos interesses da indústria. É a mais abjeta expressão de servidão de um órgão público ao império do momento; ainda mais que se instala no altar da ciência para impor seus argumentos. Usa desta prerrogativa cultural (a ciência como dona da verdade) para determinar o que a sociedade deve consumir.
No início, portanto, é o verbo. Ao invés de permitir que a verborragia burocrática, eivada de interesses ex-pátrios determine seu futuro, cabe a sociedade falar, e estabelecer seu norte. Nenhuma categoria tem o dom da verdade, e, por isso, deve a sociedade lhe entregar a última palavra sobre as coisas e as coisas. Cientistas, economistas, políticos, engenheiros, médicos, faxineiras, jogadores de futebol, ambientalista, é tudo gente, é tudo ser humano. Uns prestam e outros não prestam, uns são decentes e outros indecentes, mas todos são parte da sociedade e têm o mesmo peso de opinião neste debate. Todo mundo tem que entrar nele. Nas vezes em que se deixou para o Estado ou a classe empresarial, ou uma outra classe aí, decidir sobre a introdução de nova tecnologia, a sociedade se ferrou.
Também tem uma coisa: a discussão não é nem científica. A discussão é sobre se a sociedade deve aceitar ou não os transgênicos no mercado. Os fabricantes estão pensando em negócios, em monopolizar a produçãode alimentos; o Governo FHC pensa nos negócios desta gente; mas, e a sociedade? Deve engolir este tipo de comida só porque, dizem, é moderno?
No caso específico dos OGMs, o que está em jogo é uma revolução. Se alimentos engenheirados, ou com produtos engenheirados forem colocados no mercado, o que acontecerá com que os consumir? Quais os efeitos sobre o organismo? O corpo humano se adaptará facilmente ou algumas pessoas terão que morrer até que surjam os capazes de suportar a introdução da nova tecnologia? O pulmão aumentará de tamanho? Que novas doenças surgirão?
Ora, ora, ora, é tempo de se fazer um grande debate sobre o assunto. O que vem exatamente por aí não se sabe. Talvez a cura do câncer, talvez a cura da AIDS, novas armas letais, talvez novos vírus e novos fungos, novos seres,... Lá, naquele sorvete de maracujá com sabor de girimun, aonde foi instalada uma bactéria que lhe dá a cor vermelha... De uma coisa, porém, a gente tem certeza, trata-se da introdução no meio ambiente de novo tipo de poluição, a biotecnológica. Esta é muito pior e de efeitos menos conhecido que a nuclear ou a química. Se uma coisinha transgênica, uma quimera aí, escapar pro meio ambiente, pode fazer um estrago no planeta que o transformará em sucata.
O jeito será substituí-lo. Será que os seres humanos comuns, os que não têm ações da Monsanto ou da Novartis, estão preparados para esta possibilidade? Devem participar do debate ou comprar uma passagem para Júpiter em 345 prestações?