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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Todo apoio aos presos políticos da USP (estudantes)

Estudantes da USP acusam policiais de abuso de autoridade na retomada da reitoria.











Estudantes da USP dizem não ter responsabilidades por depredação de prédio ocupado

São Paulo - Apesar da acusação formal de depredação do patrimônio público, os estudantes que ocuparam a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) por seis dias afirmaram não ter destruído o prédio. A destruição, segundo eles, foi feita pelos próprios policiais, durante a reintegração de posse realizada na madrugada da última terça-feira (8).
“Diferentemente da ocupação de 2007, neste ano, nós montamos uma equipe de segurança para garantir a integridade física do local", conta Pedro dos Santos, 27, estudante de Geografia. A ocupação, de acordo com ele, foi restrita ao térreo do prédio. "Os demais ambientes do prédio ficaram fechados durante todo o tempo, juntamente com todos os documentos da reitoria."
Mesmo diante da preocupação com o local, os estudantes assumem a responsabilidade de terem quebrado um dos portões do prédio – por onde eles invadiram o local, bem como pelas câmeras de segurança do térreo. "Medida para mantermos a segurança daqueles que aderiram ao movimento", apontou uma das estudantes detidas, que preferiu não divulgar o nome.
Os alunos também relatam ser responsáveis pelas pichações. "Todas mensagens políticas que integram o objetivo do movimento", diz Bruno, 25, estudante de Letras – que preferiu não ter o seu sobrenome divulgado.
Os demais danos no prédio, segundo Santos, são de autoria da própria polícia. "Além de terem quebrado portas e janelas ao entrarem no local, os policiais quebraram tudo. Até mesmo no momento em que todos os estudantes estavam sentados de cabeça baixa, por ordem dos próprios policias, só se escutava barulho de estilhaços de coisas", conta o aluno de Geografia.
Os estudantes também negaram a existência dos coquetéis, que, segundo os policiais, foram encontrados durante a revista do local. "Certeza que esses possíveis coquetéis foram implantados, até porque não houve nenhuma decisão coletiva para uso desse ou de qualquer outro explosivo", enfatiza João Denardi Machado, 20, estudante de História, que confirma apenas a existência de fogos de artifício. "Uma medida que recorremos para a comunicação, caso houvesse a ação policial."
Edvaldo Faria, coordenador da Central de Flagrantes da 3ª Delegacia da Seccional Oeste, negou as acusações de que os estudantes estão sofrendo perseguição política.

Reintegração de posse

O prazo para os estudantes deixassem o reitoria venceu na noite de segunda (7), às 23h. Em assembleia realizada no mesmo dia, os estudantes optaram por permanecer no prédio. Havia cerca de 600 estudantes na reunião. Ainda assim, segundo Bruno, os alunos não estavam esperando a reintegração de posse. "Até porque tinha marcada uma negociação com a reitoria da universidade para a quarta-feira (9)", conta o estudante de Letras.
A reintegração de posse da reitoria da USP terminou por volta das 7h20 da manhã desta terça-feira. Segundo Maria Yamamoto, coronel da PM, "não houve resistência; eles foram pegos de surpresa". Até uma estudante com uma garrafa de vinagre foi detida. Os policiais militares pensaram que a garrafa nas mãos da mulher era uma bomba caseira. A identidade da mulher não foi divulgada.
Para Santos, tudo começou por volta das 5h, quando foi informado por uma de suas colegas que a polícia estava cercando o prédio. "Quando ouvi dizendo polícia, confesso não ter dado muita bola, ter virado de lado e voltado a dormir. Mas, quando ouvi a palavra patrulha de choque, levantei na mesma hora", conta. A partir daí, segundo ele, todos os estudantes que estavam dentro do local deram início a plano de fuga previsto anteriormente. "A ideia era sair pelo lado oposto de onde estávamos. E só quando conseguimos sair do prédio é que vimos a proporção da ação policial. Eram muitos policiais, e todos os lados estavam cercados."
Segundo Machado, os estudantes conseguiram até sair do prédio, mas foram abordados logo em seguida e levados de volta para dentro do local. "Onde a visibilidade dos cinegrafistas que acompanhavam o caso era menor", diz. Homens e mulheres foram separados para as revistas, conforme ele aponta. "Nessa revista ouvimos os gritos de uma das meninas, que disse ter sido agredida fisicamente e moralmente pelos policiais e amordaçada."
Dentre os feridos também está Michael de Castro, 25, aluno de Letras. Ele afirma que não estava dentro do prédio durante a reintegração de posse. Mas disse ter ido até lá apoiar os colegas, quando foi arrastado por um dos policiais para dentro da reitoria. "Um dos policiais me empurrou e o outro colocou o escudo na frente. Foi quando eu cortei os supercílios."
Ao todo, 72 pessoas – sendo 68 alunos e outros quatro funcionários da USP – foram encaminhados para o 91º DP, onde prestaram depoimentos e passaram pelo exame de corpo de delito. Segundo o chefe da 3ª Seccional, Dejair Ribeiro, todos eles optaram em falar apenas em juízo.
Com o pagamento da fiança no valor de R$ 39.240 (R$ 545 por manifestante), arrecado por filiados da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), todos foram liberados e responderão pelos crimes de desobediência e depredação de patrimônio público em liberdade.

Greve geral

Os estudantes da USP, em assembleia realizada na noite de ontem (8), decidiram decretar greve geral do corpo discente, em protesto contra a prisão de manifestantes durante a reintegração de posse na reitoria. Eles também pedem a saída da Polícia Militar do campus.
A assembleia começou por volta das 20h30, no prédio da faculdade de História. Cerca de 3.000 estudantes participaram da assembleia.

Debate sobre a PM

O debate sobre a presença da PM no campus voltou à pauta na quinta-feira (27), quando policiais abordaram três estudantes que estavam com maconha no estacionamento da faculdade de História e Geografia. A detenção gerou confusão e confronto entre estudantes e policiais – que culminou com a ocupação da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e, posteriormente, da reitoria. 
A presença dos policiais no campus – defendida pelo reitor, João Grandino Rodas, e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) – passou a ser mais frequente e em maior número após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, em maio deste ano. Em setembro, o reitor e o governador assinaram um convênio, autorizado pelo Conselho Gestor do Campus, para regulamentar a atividade da PM na USP.
Os contrários à PM no campus dizem que a medida abre precedente para a polícia impedir manifestações políticas — que comumente ocorrem dentro do campus – e citam o episódio de junho de 2009, quando a Força Tática da PM entrou na universidade para reprimir um protesto estudantil e acabou ferindo os estudantes e jogando bombas dentro de unidades.
Como alternativa à PM, o DCE defende que a segurança do campus não seja militarizada, isto é, que seja de responsabilidade da Guarda do Campus. A entidade defende que haja mais iluminação das vias do campus e que a USP mais seja aberta à comunidade externa, aumentando a circulação de pessoas.
Uma parcela dos alunos – sobretudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e da Escola Politécnica – defende a presença da PM, argumentando que isso aumenta a segurança dos frequentadores do campus.
Fonte: http://www.d24am.com

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

USP: O LADO DA OPERAÇÃO MILITAR QUE O PIG NÃO MOSTROU

Esqueçam todas as bobagens que leram na grande imprensa sobre a desocupação da reitoria da USP. São tão confiáveis quanto qualquer item de guerra psicológica.

É esta, exatamente, a postura do PIG: está em guerra contra quem se insurge contra o autoritarismo, confrontando o estado policial em seu nascedouro. É isto que se deve fazer com os ovo de serpente: esmagá-los antes que eclodam.

Um relato confiável dos acontecimentos nos foi dado por Shayene Metri, repórter do Jornal do Campus que, embora discordando da ocupação da reitoria, a tudo assistiu como verdadeira jornalista, indignando-se com o que necessariamente indigna os bons seres humano -- o que não foi o caso de grande parte dos me(r)dalhões do PIG:
"...muitos PMs chegaram, saindo de carros, motos, ônibus, caminhões. Apareceram helicópteros e cavalaria. Nem eu e, acredito, nem a maior parte dos presentes já tinham visto tanto policial em ação. Estávamos em 5 pessoas na frente da reitoria. Dois estudantes que faziam parte da ocupação, eu e mais 2 amigos da minha sala, que também estavam lá por causa do JC [Jornal do Campus]. Assim que a PM chegou, tudo foi muito rápido:

os alunos da ocupação que estavam com a gente sugeriram: 'Corram!', enquanto voltavam para dentro da reitoria. Os dois amigos que estavam comigo correram para longe da Reitoria, onde a imprensa ainda estava se posicionando para o show. Eu, sabe-se lá por qual motivo, joguei a minha bolsa para um dos meninos da minha sala e voltei correndo para frente da reitoria, no meio dos policiais que avançavam para o Portão principal [e único] da ocupação.

Tentei tirar fotos e gravar vídeos de uma PM que estava sendo violenta com o nada, para nada. Os policiais quebravam as cadeiras no carrinho, faziam questão do barulho, da demonstração da força. Os crafts com avisos dos estudantes, frases e poemas eram rasgados, uma éspecie de símbolo.
Enquanto tudo isso acontecia, parte da PM impedia a imprensa de chegar perto da área, impedindo que os repórteres vissem tudo isso. Voltando para confusão onde eu tinha me enfiado: os PMs arrombaram a porta principal, entraram (um grupo de mais ou menos 30, eu acho) e, logo em seguida, fecharam o portão. Trancaram-se dentro da reitoria com os alunos. Coisa boa não era.

Depois disso, o outro grupo de PMs,que impedia a mídia de se aproximar dessas cenas que eu contei , foi abrindo espaço. Quer dizer, não só abrindo espaço, mas também começando (ou fortalecendo) uma boa camaradagem para os repórteres que lá estavam atrás de cenas fortes e certezas.

'Me sigam para cá que vai acontecer um negócio bom pra filmar ali agora', disse um dos militares para a enxurrada de jornalistas.
 A cena era um terceiro grupo de PMs, arrombando um segunda porta da reitoria, sob a desculpa de que queria'entrar. O repórter da Globo me perguntou (fui pra perto deles depois da confusão em que me meti com os policiais no início): "os PMs já entraram, não? Por que eles tão tentando por aqui também?'. Respondi: 'sim, já entraram. E provavelmente estão fazendo essa cena pra vocês terem algum espetáculo pra filmar'.
A palhaçada organizada pelos policiais e alimentada pelos repórteres que lá estavam continuou por algumas horas. A imprensa ia contornando a reitoria, na esperança de alguma cena forte. Enquanto isso, PM e alunos estavam juntos, dentro da Reitoria, sem ninguém de fora poder ver ou ouvir o que se passava por lá. Quem tentasse entrar ou enxergar algo que se passava lá na Reitoria, dava de cara com os escudos da tropa de choque, até o fim.

Enquanto amanhecia, universitários a favor da ocupação, ou contra a PM ou simplesmente contra toda a violência que estava escancarada iam chegando. Os alunos pediam para entrar na reitoria. Eu pedia para entrar na reitoria. Tudo que todo mundo queria era saber o que realmente estava acontecendo lá dentro. A PM não levava os estudantes da ocupação para fora e o pedido de todo mundo era 'queremos algo às claras'. Por que ninguém pode entrar? Por que ninguém pode sair?
Enquanto os alunos que estavam do lado de fora clamavam para entrar, ouvi de um grupo de repórteres (entre eles, SBT): 'Não vamos filmar essas baboseiras dos maconheiros não! O que eles pedem não merece aparecer'. Entre risadas, pra não perder o bom humor. Além dos repórteres que já haviam decidido o que era verdade ou não, noticiável ou não, tinham pessoas misturadas a eles, gritando contra os estudantes, xingando. Eu mesma ouvi muitas e boas como 'maconheirazinha', 'raça de merda' e 'marginal' .

Os estudantes que enfrentavam de verdade os policiais que faziam a 'corrente' em torno da Reitoria eram levados para dentro. Em questões de segundos, um estudante sumia da minha frente e era levado pra dentro do cerco. Para sabe-se lá o que.

Lá pras 7h30, depois de muito choro, puxões e algumas escudadas na cara, comecei a ver que os PMs estavam levando os estudantes da ocupação para dentro dos ônibus. Uma menina foi levada de maneira truculenta, essa foi a única coisa que meu 1,60m de altura conseguiu ver por trás de uma corrente da tropa de choque. Enquanto eu tentava entrar no cerco, para entender a história, a grande mídia já estava lá dentro. Fui conversar com um militar, explicar que era do JC. Ouvi em troca 'ai, é um jornal da USP. De estudantes, não pode. Complica'.

Os ônibus com os alunos presos saíram da USP. Uma quantidade imensa de outros alunos gritavam com a PM. Eu e os dois amigos da minha sala (aqueles da madrugada) pegamos o carro e fomos para a DP.

Na DP, o sistema era o mesmo e meu cansaço e raiva só estavam maiores. Enjoo e dor de cabeça, era o meu corpo reagindo a tudo que eu vi pela manhã. Alunos saiam de 5 em 5 do ônibus para dentro da DP. Jornalistas amontoados. Familiares chegando. Alunos presos no ônibus, sem água, sem banheiro, sem comida, mas com calor. Pelo menos por umas 3h foi assim.

Enquanto a ficha caia e eu revisualizava todo o horror da reintegração de posse, outras pessoas da minha sala mandavam mensagens para gente, de como a grande imprensa estava cobrindo o caso. Um ato pacífico, né Globo? Não foi bem isso o que eu vi, nem o que o JC viu, nem o que centenas de estudantes presenciaram"
Fonte: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com