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sábado, 13 de abril de 2013

Venezuela: Capturados paramilitares e mercenários com armas e explosivos


paramilitaresVenezuela - Pátria Latina - [Leonardo Severo] "Estamos desmontando um plano de violência da direita", afirmou o presidente Nicolás Maduro

O Comando Regional (Core) 4 da Guarda Nacional da Venezuela, localizado na região ocidental do Estado de Lara, capturou, nesta quinta-feira (11), paramilitares  colombianos com armas e explosivos, às vésperas das eleições presidenciais que ocorrerão no próximo domingo (14).
Além dos terroristas colombianos, foram presos mercenários salvadorenhos, ambos com estreitos e reconhecidos vínculos com a política de desestabilização promovida pela CIA contra a revolução bolivariana. Também foram detidas cerca de 30 pessoas acusadas de sabotar as redes de transmissão de energia.
"Temos capturado vários militares colombianos com uniformes de Venezuela que vieram para assassinar. Estamos desmontando um plano de violência da direita", denunciou o presidente em exercício e candidato bolivariano, Nicolás Maduro. Conforme o presidente, após uma investigação exaustiva, foram vasculhadas várias casas e encontrados explosivos C4 e armas.
Parte dos armamentos foi encontrado após inspeção no galpão da empresa Cargas da Venezuela, responsável por trazer ao país mercadoria procedente dos Estados Unidos. Somente neste galpão foram apreendidos 48 carregadores para pistolas Glock com capacidade para 32 cartuchos calibre 9 milímetros, um carregador tipo circular, chamado Caracol, calibre 9 mm com capacidade para 100 cartuchos, assim como um carregador circular, calibre 5-56 mm, para fuzis.
MATERIAL DE GUERRA
"Este material de guerra e carregadores de Glock são utilizados por bandos que se dedicam ao terrorismo. Há evidências de uma relação direta com pessoas desestabilizadoras treinadas em El Salvador", declarou o chefe da Gore 4, Octavio Chacon.
O ministro do Interior, Néstor Reverol, informou que o governo também "detectou" o ingresso de dois grupos de mercenários "vindos de El Salvador" e que a Venezuela fechará o cerco aos criminosos.
Após denúncia do governo venezuelano, o presidente de El Salvador, Maurício Funes, acionou uma ampla "investigação policial", já que os mercenários salvadorenhos foram financiados pela CIA para tentar matar no ano 2000 o presidente cubano Fidel Castro, assim como tiveram envolvimento em atentados com bombas em hotéis da Ilha Caribenha. As ações afetaram seriamente a economia cubana ao comprometer essa importante fonte de renda do país. Vale lembrar que o terrorista salvadorenho Francisco Abarca – procurado pela Interpol após ter colocado uma bomba na discoteca de um hotel de Havana – foi preso em julho de 2010 na Venezuela.
Para o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, que está acompanhando o processo eleitoral venezuelano, a tentativa frustrada de apelar à violência demonstra até onde chega o ódio da reação aos avanços da revolução bolivariana. "Isso é revelador de como, na América Latina, a banda pobre da direita não mede consequências e usa todos os métodos possíveis para manter seus privilégios de classe. Basta lembrar o que fizeram em Honduras e, mais recentemente, no Paraguai, onde produziram um conflito que não houve, mas assassinatos planejados", denunciou Stédile.
MÍDIA PRIVADA ESCONDE
O fato ganhou conotação de denúncia nos jornais públicos venezuelanos, "Correio del Orinoco" e "Ciudad Caracas", enquanto os grandes conglomerados de comunicação da direita tentaram dar uma conotação de crime comum, abrindo destaque para críticas às "provocações" da Coreia do Norte.
Como já alertava o presidente Hugo Chávez em relação à política belicista do império estadunidense, é importante continuar reforçando a capacidade de reação dos nossos países e povos. "O império não respeita os débeis. Os povos decididos a ser livres precisam estar bem armados", sublinhou Chávez, frisando que os norte-coreanos precisam ter capacidade de reação, até para persuadirem os que já fizeram uso do seu poder atômico contra civis e para não virarem um novo Iraque ou uma nova Líbia.
Fonte: http://www.diarioliberdade.org/

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Estados Unidos, principal exportador de terrorismo

 
Governo americano autorizou venda de armas que reprimem a primavera árabe
 
Enquanto critica a repressão a manifestações populares, Washington autoriza e estimula venda de armamento americano para países como o Egito e a Argélia

Uma cisão dentro do governo americano revela uma das maiores contradições no modo como o país se posiciona internacionalmente. Enquanto se anuncia como defensor da democracia, e apóia manifestações populares contra regimes totalitários pelo mundo, Washington autoriza vendas bilionárias de armas e equipamentos para controle de protestos (como gás lacrimogêneo) para esses mesmos regimes.
A contradição veio à tona depois de um racha na publicação de relatórios feitos por diferentes setores do governo em maio e junho desse ano. De um lado, os departamentos envolvidos com a proteção aos direitos humanos criticam os governos de outros países por falta de princípios democráticos, citando abusos ao direito de expressão, reunião, discurso e escolha política. Do outro, setores ligados aos assuntos político-militares exaltam o sucesso do governo americano no estímulo a um mercado bilionário que só cresce: à exportação de armamento.
Para se ter uma ideia do tamanho desse mercado, o relatório do Departamento de Estado sobre assistência militar, de 8 de junho, afirma que o governo aprovou U$44,28 bilhões em carregamentos e armas para 173 nações no último ano. Entre elas, há lugares onde há fartos relatos de violações de direitos humanos, como Emirados Árabes, Qatar, Israel, Djibouti, Honduras, Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein. E pelo menos três países onde o governo local reprimiu a resistência democrática no ano passado – Argélia, Egito e Peru. Além do governo do Egito, que comprou equipamentos para dispersar manifestante, como o gás lacrimogêneo, com o aval de Washington.
No mesmo ano em que estourou a primavera árabe, cresceu a exportação de armas americanas – comércio que o governo americano prefere chamar de “parceria”. As vendas de armas autorizadas alcançou U$44,28 bilhões no ano passado, U$10 bilhões a mais que em 2010. Segundo o departamento de estado americano, deve haver um aumento de 70% no ano que vem.
Essas vendas – somados à a exportação feita diretamente de governo para governo, que são supervisionados pelo Pentágono – fazem dos Estados Unidos o maior provedor mundial de armas convencionais, segundo o Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa sobre Paz (Stockholm International Peace Research Institute). Rússia, França e China estão logo atrás nesse ranking. Os EUA cresceu recentemente nesse setor graças à expansão das vendas para o Brasil, Arábia Saudita e Índia.
“Nós vamos continuar a pressionar e defender a venda de armas dos Estados Unidos”, disse Andrew Shapiro, Secretário Assistente da Secretaria de Assuntos Político-Militares do governo americano, em coletiva de imprensa sobre a exportação de armas em junho. “Estamos esperançosos de que as vendas para a Índia aumentem. Fizemos grande progresso nessa relação na última década”. Segundo ele, na última década, as vendas de armas para a Índia saltaram de “quase zero” para U$8 bilhões.
A visão da Secretaria para Democracia, Direitos e Trabalho sobre a Índia é bem diferente. Em maio, esse departamento emitiu um relatório sobre o país em que registrava: “abusos policiais e das forças de segurança, incluindo assassinatos extrajudiciais, tortura e estupro. Corrupção generalizada em altos níveis do governos”. Além de “desaparecimentos, condições precárias nas prisões que eram frequentemente ameaças para a vida, prisões e detenções arbitrária”.
A Índia não é a única engordar os fabricantes de armas americanos enquanto Washington apontam violações de direitos ligados ao uso desse armamento. Vendas para os Emirados Árabes no valor de U$2,4 bilhões foram aprovadas enquanto o Departamento de Estado afirmava que o país estava violando liberdades políticas fundamentai. Vendas totalizando U$1,7 bilhões foram aprovadas para o Qatar, país que carece de meios de comunicação independentes e restringe a liberdade de reunião. Por fim, vendas que somam U$1,39 bilhões foram aprovadas para Djibouti, país que, segundo o Departamento de Estado americano, assediou, abusou e prendeu críticos do governo.
“Quando julgamos que a cooperação com um aliado ou parceiro no setor de segurança irá contribuir para nossa segurança nacional, nós defendemos as empresas [de fabricação de armas] americanas”, disse Shapiro.
Não há uma lei nos Estados Unidos que determine que armas só podem ser vendidas para governos que traem bem seus cidadãos. Mas há uma restrição conhecida como “Leahy Law” (Lei Leahy), do Senador Patrick Leahy e aprovada em 1997, que proíbe a assistência a unidades militares e policiais responsáveis por violações de direitos humanos.
Mas, como ressalta o porta-voz de Leahy, David Carle, a lei só cobre transferências diretas de governo para governo – uma corrente de exportaçõe diferente das vendas comerciais (que também são aprovadas pelo Departamento de Estado). Portanto, por mais que os U$34,8 bilhões de dólares vendidos de governo para governo estejam regulados sob a Lei Leahy, há U$44,28 bilhões de dólares em vendas autorizadas pelo Estado norte-americano que estão livres das restrições dessa lei.
Adotei Akwei, o diretor de relações entre governos da Anistia Internacional, diz que “em todos esses países, existe a necessidade de um processo mais rigoroso para verificar o destino dessas armas e como elas estão sendo usadas. Mesmo que o Departamento de Estado americano identifique problemas, nós ainda vemos essas vendas acontecendo repetidas vezes”.
Shapiro garante que qualquer assistência para militares e empresas estrangeiras está de acordo com a política externa dos Estados Unidos. “Nós só permitimos a venda depois que examinamos cuidadosamente assuntos como direitos humanos, segurança regional e preocupações com a proliferação”, disse na coletiva de imprensa.
O Departamento de Estado argumenta ainda que muitos dos itens despachados para militares estrangeiros são usados somente para defesa externa desses países. No caso dos Emirados Árabes, por exemplo, uma venda autorizada em janeiro de 2012, no valor de U$29,4 bilhões , consistia na compra de 84 aviões de caça F-15. No entanto, o governo americano também autorizou bilhões de dólares em vendas de armas pequenas, munição e equipamentos toxicológicos (como o gás lacrimogêneo)  para vários países. (veja valores e tipo de armamento vendido para cada país abaixo).
Esse comércio carece de transparência. As informações públicas sobre exportação de armamentos listam categorias bastante abrangentes, não determina exatamente qual é o carregamento. O porta-voz David McKeeby se recusou a discutir se o Peru e a Argélia compraram equipamentos para controlar manifestações, apesar da confirmação de que o Egito havia comprado. Ele justifica dizendo que as informações são sigilosas. O Egito foi um caso muito único. Infelizmente, não posso dar mais detalhes sobre esses países ou essas licenças. O que eu posso falar sobre os casos do Bahrein e da Argélia é que várias dessas licenças datam de antes da Primavera Árabe”.
Representantes de várias empresas com contas ligadas ao carregamento de vasilhas de gás lacrimogêneo para o Oriente Médio não quiseram comentar o assunto. Jose Corbera, porta-voz do escritório comercial da embaixada peruana não deu resposta ao pedido de entrevista. Oficiais na embaixada da Argélia também não quiseram fornecer dados sobre importações de munições dos Estados Unidos.
Segundo a porta-voz do Departamento de Estado, Beth Gosselin, algumas armas exportadas foram feitas para as forças americanas no exterior, não para militares estrangeiros. Ela disse que no Bahrein, U$266,7 milhões de dólares, de U$280,3 milhões total em armas e equipamentos, eram itens para a estação “Fifth Fleet” da Marinha na ilha da nação. Gosselin não forneceu dados similares sobre outros países.
Matt Schroeder, diretor do Arms Sales Monitoring Project at the Federation of American Scientists (Projeto de Monitoramento de Vendas de Armas da Federação de Cientistas Americanos), disse que o veto dos Estados Unidos é melhor do que o de muitas outras nações que fornecem armas. Mas admite que a informação sobre quais armas vão para as forças dos Estados Unidos ou para outros usuários é raramente acessível. “É difícil ter o valor em dólares das armas enviadas para um país e estipular que seção desses itens podem ser vulneráveis ao mau uso,” Schroeder diz.
Uma cláusula escrita por Leahy e aprovada pelo Congresso em 2011 requer aprovação legislativa para a venda de materiais de controle de multidões para governos do Oriente Médio que enfrentam inquietação democrática. Essa cláusula forçou, de início, uma parada nas transferências de armas para o Bahrein, que tem enfrentado protestos desde a Primavera Árabe do ano passado. Mas, em maio, o governo americano liberou alguns itens e renovou a exportação de armas feitas originalmente para a defesa do país, como barcos de segurança de portos e motores para aviões a jato.
O assunto da exportação de armas para países envolvidos com repressão de suas populações tem sido debatido recentemente por oficiais de alta patente dos Estados Unidos e da Rússia. Hillary Clinton, secretária de Estado, em 12 de junho, acusou a Rússia de vender helicópteros de ataque para o regime do presidente da Síria, Bashar al-Assad, armas que estariam sendo usadas contra o povo sírio. Em réplica, Sergey Lavrov, Ministro de Exterior da Rússia, disse: “Nós não estamos fornecendo para a Síria ou qualquer outro país equipamentos usados em combate às manifestações pacíficas, ao contrário dos Estados Unidos, que regularmente envia tais equipamentos a países da região.”
Lavrov não mencionou o país, mas Shapiro considerou o comentário como uma crítica às exportações americanas ao Bahrein e falou que a crítica russa era “totalmente ilusória”. “Não estamos vendendo equipamento para o Bahrein até que haja melhoras nos direitos humanos”, ele disse. “Como a Secretária Clinton ressaltou, as vendas para a Síria estão diretamente implicadas em atacar pessoas inocentes, civis e inocentes. Então acreditamos que essa comparação não se sustenta.”
Atualmente, a Organização das Nações Unidas discute um tratado global que irá requerer relatórios anuais de todas as nações detalhando os valores e os tipos de armas que exportaram. Ainda que a administração do ex-presidente George W. Bush tenha se oposto ao Tratado sobre Comércio de Armas da ONU para rastrear as armas, Clinton reverteu essa posição em uma declaração de Outubro de 2009, dizendo que “Os Estados Unidos está preparado para trabalhar duro para um padrão internacional.”
Akwei, da Anistia, expressou esperança de que o resultado seja um sistema mais concreto para rastrear armas e garantir que eles não sejam usadas em casos de violação de direitos humanos.
“O tratado coloca uma lente internacional sobre esse comércio, cuja fiscalização é escassa e aleatória,” diz Akwei. “Vai depender da cooperação de países como a China e a Rússia, mas dará a possibilidade das ONGs verificarem esses registros e fazerem questionamentos sobre o comércio de armas”.
A seguir, a lista dos 10 países que mais receberam armas americanas em 2011. E como seus governos violam direitos dos cidadãos, segundo relatório do Departamento de Estado americano no mesmo ano.
Emirados Árabes Unidos
Gastos na compra de equipamento americano:
U$2,4 bilhões em mísseis, foguetes, torpedos, armas de fogo, equipamentos toxicológicos (como gás lacrimogêneo e agentes de controle de motim), aeronaves e munição.
Violações de direitos humanos, segundo relatório do governo americano:
“Limitações a liberdades civis da população (incluindo as liberdades de expressão, de imprensa, de reunião e associação) e falta de independência judicial. Partidos políticos não são permitidos. O governo continua a interferir com a privacidade e a restringir liberdades civis como o uso de Internet”.
“O governo não dá direitos iguais a mulheres e trabalhadores estrangeiros. As cortes dos Emirados Árabes conservam a opção de impor a flagelação como punição para adultério, prostituição, sexo consensual antes do casamento, gravidez fora do casamento, difamação de caráter e abuso de álcool e drogas”.

Catar
Gastos na compra de equipamento americano:
U$1,7 bilhões em explosivos, foguetes, torpedos, aeronaves e munição.
Violações de direitos humanos, segundo relatório do governo americano:
“A constituição prevê a liberdade de reunião, mas com regulamentações. Os organizadores têm restrições para conseguir a permissão para reunião pública. Por exemplo, o diretor de segurança pública no Ministério de Interiores deve dar permissão de reunião, uma decisão que é passível de recurso para o ministro do interior, que tem a decisão final.”
“A lei prevê procedimentos restritos para o estabelecimento de jornais. Também criminaliza calúnia e difamação, incluindo injúria à dignidade. Toda mídia impressa era de propriedade dos membros da família governante ou de proprietários que desfrutavam laços estreitos com funcionários do governo. Não havia difusão de mídia independente, e a televisão e a rádio mantidas pelo Estado refletiam as visões do governo. Em pelo menos um caso, as autoridades contataram um repórter com um aviso depois que ele publicou artigo crítico ao governo.” Não existe lei que criminalize violência doméstica”.

Israel
Gastos na compra de equipamento americano:
U$1,4 bilhão em armas de fogo, equipamentos toxicológicos (como gás lacrimogêneo), mísseis, foguetes, torpedos, veículos blindados, aeronaves e munição.
Violações de direitos humanos, segundo relatório do governo americano:
“Ataques terroristas contra civis; discriminação institucional contra cidadão Árabe – em questões particulares de acesso à habitação e oportunidades de emprego; e discriminação social e violência doméstica contra mulheres.”
“ONGs continuaram a criticar práticas de detenção consideradas abusivas, como isolamento, privação de sono, ameaças de interrogatório a familiares e demolição de suas casas.”

Djibouti
Gastos na compra de equipamento americano:
U$1,3 bilhão em armas pesadas, armamento, mísseis, foguetes, torpedos, câmeras e munição.
Violações de direitos humanos, segundo relatório do governo americano:
“Diminuição do direito dos cidadãos de influenciar de forma significativa seu governo por meio de assédio, abuso e detenção de críticos ao governo.”
“Várias pessoas foram detidas por razões políticas durante os meses prévios às eleições e foram soltas depois. Por exemplo, o governo acusou oito homens – incluindo Jean Paul Noel Abdi, ativista de direitos humanos – de conspiração contra o Estado. Os prisioneiros tiveram a permissão de representação legal e puderam encontrar-se com seus advogados antes do julgamento. Noel Abdi foi solto duas semanas depois. Os outros prisioneiros ficaram detidos por dois meses e foram liberados logo após a eleição.”
“Ainda que a constituição preveja a liberdade de reunião, o governo restringe esse direito. O Ministério de Interiores requer permissões para reuniões pacíficas e negou tais permissões para grupos opositores durante a campanha para as eleições.”

Honduras
Gastos na compra de equipamento americano:
U$ 1,3 bilhão em armas de fogo, aeronaves, sistemas de controle de fogo, mísseis guiados e equipamento de rastreamento.
Violações de direitos humanos, segundo relatório do governo americano:
“Junto aos problemas mais sérios de direitos humanos estava corrupção dentro da força nacional da polícia, fraqueza institucional do judiciário, e discriminação e violência contra populações vulneráveis. Agentes da polícia e do governo cometeram assassinatos ilegais. Vigilantes e ex-membros das forças de segurança realizaram assassinatos arbitrários e sumários. Ainda que a constituição e a lei proíbam tais práticas, havia instâncias em que a polícia e os militares empregaram esses atos, incluindo espancamentos por policiais e outros abusos a detentos.”
“Em 7 de dezembro, pistoleiros desconhecidos em uma motocicleta mataram a tiros o ex-assessor sênior de segurança do governo Alfredo Landaverde. Nas semanas anteriores à sua morte, Landaverde havia pedido por uma limpeza na Polícia Nacional e alegou que a liderança da Polícia estava ligada ao crime organizado. Uma investigação sobre sua morte continuou até o final do ano.”

Arábia Saudita
Gastos na compra de equipamento americano:
U$877 milhões em armas de fogo, equipamentos toxicológicos (como gás lacrimogêneo), armas pesadas, armamento, explosivos, mísseis, foguetes, torpedos, veículos blindados, aeronaves e sistemas de mísseis guiados
Violações de direitos humanos, segundo relatório do governo americano:
“Restrições em direitos universais como a liberdade de expressão, incluindo o uso da Internet, a liberdade de reunião, associação, movimento e religião. Falta de direitos iguais a mulheres e crianças, bem como para trabalhadores.”
“Em 27 de julho, oficiais da segurança levaram um proeminente ativista de direitos humanos, Mekhlef bin Daham al-Shammary, de sua cela na Prisão Geral de Damman para uma sala em que não havia câmeras de segurança, onde bateram nele com severidade. Um guarda teria derramado líquido antisséptico de limpeza na garganta de al-Shammary, que teve de ser levado ao hospital.”

Kuwait
Gastos na compra de equipamento americano:
U$ 693 milhões em armas de fogo, equipamentos toxicológicos (como gás lacrimogêneo), armas pesadas, mísseis, foguetes, torpedos, veículos blindados e aeronaves
Violações de direitos humanos, segundo relatório do governo americano:
“Relatos de que alguns policiais e membros das forças de segurança abusaram de detidos durante um ano. Foi reportado que as forças de segurança detiveram, assediaram e abusaram sexualmente de pessoas transexuais.”
“O governo restringiu a liberdade de expressão, particularmente em instâncias supostamente ligadas à segurança nacional. A lei também proíbe material que insulte o Islam, o emir, a constituição ou a neutralidade das cortes ou o escritório do Promotor Público. A lei estipula termos de prisão para qualquer um que “difama a religião,” e qualquer cidadão muçulmano pode apresentar acusações criminais contra uma pessoa que o cidadão acredite que tenha difamado o Islam, a família governante ou as morais públicas.”
“Em dezembro de 2010, autoridades fecharam os escritórios locais da rede de televisão Al Jazeera e retiraram suas credenciais depois que ela veiculou imagens de policiais usando a força para separar uma reunião não autorizada de opositores e em sequência deu tempo no ar para parlamentares da oposição criticarem ferozmente o governo pelas ações policiais.”

Argélia
Gastos na compra de equipamento americano:
U$ 406 milhões em armas de fogo, armas pesadas, explosivos, equipamentos toxicológicos (como gás lacrimogêneo), veículos blindados e aeronaves.
Violações de direitos humanos, segundo relatório do governo americano:
“Houve relatos de dúzias de indivíduos detidos por razões políticas, incluindo reuniões pacíficas em Argel. Em praticamente todas as instâncias, policiais detiveram ativistas que participavam de protestos ou marchas e os mantiveram ou nas traseiras de caminhões ou os transportaram para delegacias próximas. A polícia liberou os ativistas sem acusações no fim dos protestos. Outras preocupações de direitos humanos foram relatos de assassinatos sem julgamentos, uso excessivo de prisões preventivas, condições precárias nas prisões, abuso de prisioneiros e falta de independência judicial.”
“Todo sábado desde 12 de fevereiro até o último abril, as forças de segurança do governo impediram protestantes do grupo político de oposição Coordenação Nacional para Mudança e Democracia (CNCD, na sigla em inglês) de realizar uma marcha em Argel. Em diversas ocasiões, os organizadores da CNCD submeteram uma papelada para oficiais locais pedindo a permissão para marchar, mas os pedidos foram negados por razões de segurança. Em alguns casos a polícia prendeu protestantes e machucou alguns deles como resultado da participação em protestos não sancionados.”

Peru
Gastos na compra de equipamento americano:
U$ 404 milhões em armas de fogo, armas pesadas, equipamentos toxicológicos (como gás lacrimogêneo), veículos blindados e aeronaves.
Violações de direitos humanos, segundo relatório do governo americano:
“Assassinatos de protestantes durante manifestações pela forças de segurança, condições de prisão rigorosas, abuso de detentos pelas forças de segurança prisionais, detenção preventiva longa e atrasos de julgamento, intimidação da mídia, registro incompleto de pessoas deslocadas internamente, discriminação contra mulheres.”
“Alegações de abuso surgiam com frequência logo depois de uma prisão, quando as famílias eram proibidas de visitar os suspeitos e quando os advogados tinham acesso limitado a eles. Em alguns casos, a polícia e as forças de segurança ameaçaram ou assediaram vítimas, parentes e testemunhas para impedi-los de prestar acusações de violação de direitos humanos.”

Bahrein
Gastos na compra de equipamento americano:
U$ 280 milhões em armas de fogo, armas pesadas, munição e aeronave.
Violações de direitos humanos, segundo relatório do governo americano:
“Em diversas ocasiões as forças do governo usaram força desnecessária e desproporcional para dispersar protestos. O governo usou força excessiva em 17 de fevereiro quando utilizou gás lacrimogêneo, espingardas, cassetetes, bombas de som, e balas de borracha para dispersar protesto do GCC/Pearl Roundabout. Aproximadamente, mil agentes do Ministério de Interiores entrou no GCC/Pearl Roundabout às 3 da madrugada para dispersar pessoas que acampavam. As forças de segurança atiraram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. A operação de limpeza e os embates subsequentes entre agentes de segurança e manifestantes levou à morte de quatro, além de 50 manifestantes feridos.”
“[Nas prisões] Muitos relatos seguiram um padrão similar de abuso: prisão arbitrária, espancamento sem interrogatório, espancamento com interrogatório, assédio e intimidação”

Tradução: Jéssica Mota

domingo, 8 de julho de 2012

A desinformação dos media "de referência"



 Quando os respeitáveis se tornam extremistas e os extremistas se tornam respeitáveis

por James Petras
Por qualquer padrão histórico, quer envolva o direito internacional, convenções de direitos humanos, protocolos das Nações Unidas ou indicadores sócio-económicos padrão, as políticas e práticas dos regimes dos Estados Unidos e da União Europeia podem ser caracterizadas como extremistas. Com isso queremos dizer que as suas políticas e práticas resultam na destruição sistemática de vidas humanas, habitat e meios de vida em grande escala e a longo prazo que afectam milhões de pessoas através da aplicação directa de força e violência. Os regimes extremistas abominam a moderação, a qual implica a rejeição da guerra total em favor de negociações pacíficas. A moderação busca a resolução de conflitos através da diplomacia e do compromisso e a rejeição do terror de estado e paramilitar, a expulsão e deslocamento de populações civis e o assalto sistemático a sectores populares da sociedade civil.

Na primeira década do século XXI testemunhámos a adopção pelo Ocidente espectro completo do extremismo tanto em política interna como externa. O extremismo é uma prática comum dos auto-intitulados conservadores, liberais e sociais-democratas. No passado, ser conservador implicava preservar o status quo e, no máximo, efectuar ajustes com mudanças nas margens. Os "conservadores" de hoje exigem o desmantelamento por atacado de todos os sistemas de bem-estar social e a eliminação da protecção legal tradicional de trabalhadores e do ambiente. Liberais e sociais-democratas que no passado questionavam ocasionalmente sistemas coloniais estão agora na linha de frente de prolongadas guerra coloniais em múltiplas frentes, as quais mataram e deslocaram milhões de pessoas no Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria.

O extremismo, nos termos dos seus métodos, significado e objectivos, apagou as distinções entre políticos de centro esquerda, centro e direita. Moderados que se opõem às actuais políticas de subsidiar os grandes bancos enquanto empobrecem dezenas de milhões de trabalhadores, são agora etiquetados como "esquerda dura", "extremistas" ou "radicais".

No rastro das políticas extremistas de governo, os respeitáveis e prestigiosos media impressos empenharam-se nas suas próprias versões de extremismo [1] . Guerras coloniais, que devastam a sociedade civil e culturas estáveis enquanto empobrecem milhões no país colonizado, são justificadas, embelezadas e apresentadas como avanços legais e humanos em valores democráticos laicos. Guerras internas por conta de oligarquias e contra trabalhadores assalariados, as quais concentram riqueza e aprofundam o desespero dos esbulhados, são descritas como racionais, virtuosas e necessárias. As distinções entre os media prudentes, equilibrados, prestigiosos e sérios e os sensacionalistas, a imprensa amarela, desapareceram. A fabricação de factos, as omissões flagrantes e a distorções de contextos são encontradas tanto numa como noutra.

Para ilustrar o reino do extremismo entre o funcionalismo e a imprensa prestigiosa examinaremos dois estudos de caso. Eles envolvem as políticas dos EUA em relação à Colômbia e Honduras e as coberturas do Financial Times e New York Times dos dois países.

Colômbia: A "mais antiga democracia na América Latina" X "A capital mundial de esquadrões da morte"

A seguir a elogios absurdos do surgimento da Colômbia como modelo perfeito para a democracia na América Latina no número de Abril da revista Time, bem como do Wall Street Journal, New York Times e Washington Post, o Financial Times publicou uma série de artigos incluindo a inserção de um caderno especial sobre o "milagre" político e económico do país intitulado "Investir na Colômbia" [2] . Segundo o principal jornalista do FT na América Latina, John Paul Rathborne, a Colômbia é a "mais antigas democracia no hemisfério" [3] . A enlevada louvação de Rathbone do presidente Santos, da Colômbia, vai desde o seu papel como um "influente mediador emergente" para o continente sul americano, tornando a Colômbia segura para investidores estrangeiros e "provocando a inveja" de outros regimes na região com menos êxito. Rathbone dá destaque a um líder de negócios da Colômbia o qual afirma que a segunda cidade do país, Medellin, "está a viver os seus melhores tempos" [4] . Em acordo com a opinião da elite estrangeira e de negócios, o respeitável media da imprensa descreve a Colômbia como próspera, pacífica, amistosa para com os negócios, cobrando os mais baixos pagamentos de royalty de mineração do hemisfério e um modelo de democracia estável a ser emulado por todos os líderes progressistas.

No governo do presidente Santos, a Colômbia assinou um acordo de livre comércio com o presidente Obama, o seu mais estreito aliado no hemisfério
[5] . Durante o mandato do antecessor de Obama, George W. Bush, sindicatos, grupos de direitos humanos e de igrejas, bem como a maioria democrata do Congresso tiveram êxito em bloquear qualquer acordo semelhante devido às violações contínuas de direitos humanos na Colômbia. Qualquer oposição semelhante da AFL-CIO e de legisladores democratas evaporou-se quando o presidente Obama adoptou o livre comércio, afirmando [haver] uma grande melhoria em direitos humanos e o compromisso do presidente Santos e acabar com assassinato de líderes sindicais e activistas [6] .

A paz, segurança e prosperidade da Colômbia, louvada pela elite do petróleo, mineração, banca e agro-business, são baseadas nos piores registos de direitos humanos da América Latina. De 1986 a 2011, mais de 60% de todos os assassinatos de sindicalistas no mundo tiveram lugar na Colômbia pelo conjunto de esquadrões da morte, militares, policiais e paramilitares, em grande medida às ordens de líderes corporativos estrangeiros e internos [7] . A "paz", tão entusiasticamente louvada por Rathbone e seus colegas no Financial Times, chegou a um preço pesadíssimo. Verificaram-se mais de 12 mil prisões, ataques, assassinatos e desaparecimentos de sindicalistas entre 1 de Janeiro de 1986 e 1 de Outubro de 2010 [8] . Nesse espaço de tempo cerca de 3000 líderes sindicais e activistas foram assassinados, centenas mais desapareceram e são considerados mortos. O actual presidente colombiano, Santos, era o ministro da Defesa no governo anterior do presidente Alvaro Uribe (2002-2010). Naqueles anos, mais de 762 responsáveis sindicais e activistas foram assassinados pelo estado ou por forças paramilitares aliadas [9] .

Sob os governos dos presidentes Uribe e Santos (2002-2012), mais de 4 milhões de camponeses e moradores rurais foram forçados ao exílio interno e os seus lares e terras foram tomados pelos grandes latifundiários, especuladores e narco-traficantes
[10] . A estratégia de contra-insurgência do governo colombiano serve uma função dupla de reprimir a dissenção e acumular riqueza para os seus apoiantes. Os jornalistas do Financial Times encobrem este aspecto do "crescimento ressurgente" da Colômbia pois aplaudem os resultados da "segurança" dos esquadrões da morte, incluindo os mais de US$6 mil milhões de investimento estrangeiro em grande escala que em 2012 entrou nas regiões de mineração e petróleo – em áreas "antigamente perturbadas pela agitação" [11] .

Alguns importantes barões da droga, ligados claramente ao regime Uribe-Santos, foram presos e extraditados para os EUA. Eles testemunharam como financiaram e elegeram um terço dos membros do Congresso filiados ao partido de Uribe-Santos – que o
Financial Times descreve como a "mais antiga" democracia da América Latina. Salvatore Mancuso, ex-chefe de 30 mil membros da Auto Defesa Unida da Colômbia (AUC), descreveu como se encontrou com o então presidente Uribe em diferentes regiões do país a fim de lhe dar dinheiro e apoio logístico para a sua campanha de reeleição de 2006. Mancuso, que liderou o maior exército paramilitar de esquadrões da morte da Colômbia (agora fragmentado mais ainda activo), também afirmou que corporações nacionais e multinacionais financiaram o crescimento e expansão dos esquadrões da morte.

O que Rathbone e seus colegas jornalistas do
FT celebram como a ascensão da Colômbia a paraíso do investidor [NR] é feito evidentemente com o sangue e a tortura de milhares de camponeses colombianos, sindicalistas e activistas de direitos humanos. A história brutal do reinado de terror Uribe/Santos foi completamente apagada do presente relato da "história de êxito" da Colômbia. Registos pormenorizados da brutalidade das matanças e torturas dos esquadrões da morte patrocinados por Uribe/Santos, que descrevem a utilização de moto-serras para mutilar camponeses suspeitos de simpatias de esquerda, estão disponíveis para qualquer jornalista que queira consultar as principais organizações de direitos humanos da Colômbia [12] .

Os esquadrões da morte e os militares actuam combinados. Os militares colombianos são treinados por mais de um milhar de conselheiros das Forças Especiais dos EUA. Eles travam guerra de estilo contra-insurgente na Colômbia rural, chegando a aldeias em ondas de helicópteros fornecidos pelos EUA, encerrando num anel de segurança áreas alvo das guerrilhas e enviando as AUC e outros esquadrões da morte para destruir as aldeias, torturar e assassinar camponeses, camponesas e crianças suspeitas de serem simpatizantes da guerrilha e cometendo violações generalizadas. Esta campanha de terror com o patrocínio do Estado expulsou milhões de camponeses das zonas rurais permitindo que generais e barões da droga se apossassem da sua terra.


Advogados de direitos humanos (ADH) são frequentemente alvejados pelos militares e esquadrões da morte. Os presidentes Uribe e Santos habitualmente acusam previamente os trabalhadores de direitos humanos de serem colaboradores activos das guerrilhas devido ao seu trabalho de revelarem os crimes do regime contra a humanidade. Uma vez etiquetado, os ADHs tornam-se "alvos legítimos" para esquadrões da morte e os militares que operam com impunidade total. De 2002 a 2011 houve 1470 ataques contra ADH, com um número recorde de 239 em 2011, incluindo 49 mortes sob o presidente Santos
[13] . Mais da metade dos trabalhadores de direitos humanos são índios e afro-colombianos.

O terrorismo de estado era e continua a ser o principal instrumento de dominação sob os governos dos presidentes Uribe e Santos. Os "campos da morte" colombianos, segundo a Procuradoria Geral, incluem dezenas de milhares de homicídios, 1597 massacres e milhares de desaparecimentos forçados de 2005 a 2010
[14] .

Membros corajosos da imprensa colombiana revelaram uma prática, conhecida como "falsos positivos", com numerosas ocorrências em que os militares sequestram secretamente camponeses jovens e rapazes urbanos forçando-os a vestirem-se como guerrilheiros, assassinando-os a sangue frio e a seguir exibindo os seus corpos à imprensa colombiana e internacional como "prova" do êxito do combate de Santos/Uribe contra as guerrilhas. Há 2472 casos documentados de assassínios de "falsos positivos" por militares
[15] .

Honduras: o New York Times e o terrorismo de estado


O
New York Times publicou um artigo sobre Honduras, onde enfatizava a "cooperação" do regime com a guerra estado-unidense às drogas [16] . O redactor do Times, Thom Shanker, descreve uma "parceria" baseada na expansão de três novas bases militares e no estacionamento de Forças Especiais dos EUA no país [17] .

Shanker informou acerca do êxito da operação das Forças de Operações Especiais de Honduras sob a direcção de treinados das US Special Forces. Na cobertura de Shanker, uma delegação do Congresso dos EUA louvava as Forças de Operações Especiais hondurenhas quanto ao "respeito pelos direitos humanos", citando a descrição do embaixador dos EUA do regime de Honduras como "parceiros entusiastas e capazes neste esforço conjunto"
[18] .

Há paralelos flagrantes entre a lavagem cerebral do
NY Times do criminoso regime extremista em Honduras e a promoção bruta do Financial Times da democracia dos esquadrões da morte na Colômbia.

O actual regime extremista hondurenho, encabeçado pelo "presidente" Lobos, o qual convidou o Pentágono a expandir seu controle militar sobre enormes extensões do território do país, é um produto do golpe militar apoiado pelos EUA que derrubou um presidente liberal eleito democraticamente em 28 de Junho de 2009, um ponto histórico recente que Shanker evita na sua cobertura. Lobos, o presidente predador, mantém o controle através de matanças, prisões e torturas dos seus críticos, incluindo jornalistas, advogados de direitos humanos e juristas, bem como camponeses agora sem terra que exigem uma devolução das suas propriedades depois de terem sido tomadas violentamente por grandes latifundiários aliados de Lobos.


A seguir ao golpe militar, milhares de manifestantes hondurenhos em favor da democracia foram mortos, espancados e presos. Segundo estimativas conservadores do Observatório de Direitos Humanos, 20 dissidentes pró democracia foram assassinados abertamente pelos militares e a polícia
[19] . De Janeiro de 2010 a Novembro de 2011 pelo menos 12 jornalistas, críticos do regime Lobos, foram assassinados.

Nas zonas rurais, onde o repórter Shanker do
NY Times descreve um festival de amor entre as Forças Especiais dos EUA e os seus equivalentes hondurenhos, 30 trabalhadores agrícolas no vale de Bajo Aguan, no norte de Honduras, foram mortos por esquadrões da morte contratados por poderosos aliados de Lobos [20] . Nenhum militar, polícia ou esquadrão da morte assassino foi levado à justiça. O líder original do golpe, Roberto Micheletti e o seu sucessor, o presidente Lobos, atacaram reiteradamente manifestações a favor da democracia, particularmente aquelas lideradas por professores, estudantes e sindicalistas. Centenas de dissidentes políticos presos foram torturados. Durante o período dos artigos mais eufóricos do NY Times sobre as confortáveis relações entre os EUA e Honduras, o número de mortes entre advogados democratas subiu precipitadamente. Oito jornalistas e comentadores de TV foram mortos durante os primeiro quatro meses de 2012 [21] . No fim de Março e princípio de Abril de 2012 nove trabalhadores agrícolas e empregados foram assassinados por latifundiários apoiantes de Lobos [22] . Com a impunidade reinante no território centro-americano de bases militares dos EUA, nenhum foi preso por estes assassinatos. A cobertura do NYTimes segue a regra da omertà adoptada pela Máfia – silêncio e cumplicidade.

Síria: Como o Financial Times absolve terroristas da Al Qaeda


Quando terroristas islâmicos apoiados pelo Ocidente vitimam o regime laico da Síria, a imprensa ocidental, especialmente o Financial Times, continua a absolver a utilização de enormes carros bombas por terroristas, os quais mataram e mutilaram centenas de cidadãos sírios. Com cinismo brutal, repórteres ocidentais encolhem os ombros e papagueiam as afirmações dos propagandistas anti-regime baseados em Londres, de que o regime Assad estava a destruir as suas próprias cidades e a matar os seus próprios cidadãos e forças de segurança
[23] .

Conclusão


Quando o regime Obama e seus aliados europeu abraçaram publicamente o extremismo, incluindo o terrorismo de estado, assassinatos direccionados e os carros bomba em bairros urbanos cheios de gente, a imprensa respeitável aderiu. O extremismo assume muitas formas – da recusa a informar honestamente acerca da utilização de forças mercenárias e a violência para derrubar mais um regime anti-colonial até a expulsão de milhões de camponeses e agricultores. As "classes educadas", o respeitável público leitor rico estão a ser continuamente doutrinadas pelos respeitáveis media ocidentais para acreditarem que o sorridente e pragmático presidente Santos na Colômbia e o eleito presidente Lobos em Honduras têm êxito em estabelecer a paz, a prosperidade com base no mercado, acordos de livre comércio mutuamente benéficos e concessões de bases militares aos EUA – mesmo quando estes dois regime actualmente lideram o recorde mundial de assassinatos de sindicalistas e jornalistas. Em 15 de Maio de 2012, a Comissão Hispânica do Congresso dos EUA concedeu a Lobos um prémio por liderança em democracia – no mesmo dia em que a imprensa hondurenha relatava o assassinato do director de noticiário da estação de rádio HMT, Alfredo Vilatoro, o 25º jornalista crítico morto entre 27 de Janeiro de 2010 e 15 de Maio de 2012
[24] .

A adopção do extremismo pela imprensa respeitável e a sua utilização de linguagem demonológica e vitriólica para descrever regimes opostos ao imperialismo vão a par da sua eufórica e efusiva louvação da brutalidade mercenária de estado e pró ocidental. O encobrimento sistemático de crimes pelo jornalismo extremista vai muito além dos casos da Colômbia e das Honduras. O repórter do
Financial Times Michael Peel "cobriu" o assalto ao governo líbio de Kadafi sem mencionar a campanha de bombardeamento da NATO que destruiu o mais avançado estado previdência da África. Peel apresentou o surgimento das gangs armadas de fanáticos tribais e terroristas islâmicos como uma vitória da democracia sobre uma "ditadura brutal" [25] . A desonestidade e hipocrisia de Peel é evidente nas suas afirmações ultrajantes de que a destruição da economia líbia, a tortura em massa e os assassinatos com motivações raciais, que se seguiram à guerra da NATO, foram uma vitória para o povo líbio.

O viés totalitário da imprensa respeitável é uma consequência directa do seu servilismo duradouro a políticas extremistas seguidas pelos regimes ocidentais. Uma vez que medidas extremistas, como a utilização da força, violência, assassínio e tortura, tornaram-se rotina de presidentes e primeiros-ministros no exercício do cargo, os repórteres não têm opção senão fabricar mentiras para tornar "respeitáveis" tais crimes, cuspindo um fluxo constante de adjectivos altamente agressivos a fim de converter vítimas em carrascos e carrascos em vítimas. O extremismo em defesa de regimes pró EUA levou aos mais grotesco relatos imagináveis: os presidentes da Colômbia e do México são os líderes das mais perfeitamente economias narcotizadas do hemisfério mas eles são louvados pela sua guerra às drogas, ao passo que a Venezuela, o mais marginal produtor de qualquer droga, é estigmatizado como um grande narco-pipeline
[26] .

Artigos sem base factual, os quais são inúteis como fontes de informação objectiva, levam-nos a procurar uma lógica subjacente. A Colômbia assinou um acordo de livre comércio, o qual beneficiará exportações estado-unidenses para a Colômbia num rácio de dois para um
[27] . A política do acordo de livre comércio do México beneficiou o agro-business estado-unidenses e retalhistas gigantes num rácio semelhante.

Todas as formas de extremismo permeiam os regimes ocidentais e encontram justificação e racionalização junto aos media respeitáveis cujo trabalho é doutrinal a sociedade civil e transformar cidadãos em cúmplices acríticos do extremismo. Ao infindavelmente anteceder "reportagens" sobre o presidente Putin da Rússia qualificando-o como tirano autoritário da era soviética, os media respeitáveis evitam qualquer discussão da melhoria do padrão de vida russo e do triunfo eleitoral com mais de 60%. Ao exagerar um passado autoritário do presidente líbio assassinado, as suas vastas obras públicas, programas de bem-estar social, de generosa imigração e de ajuda à África sub-saariana podem ser relegadas ao esquecimento. O louvor da imprensa respeitável aos esquadrões da morte dos presidentes Santos e Lobos faz parte de uma mudança sistemática em grande escala e duradoura da pretensão hipócrita de seguir as virtudes de uma república democrática para a adopção aberta de um império virulento e assassino. No novo código dos jornalistas, o extremismo em defesa do império já não é vício.

26/Maio/2012
Notas [1] Há um consenso geral de que os media respeitáveis incluem The Financial Times, The New York Times, The Washington Post e The Wall Street Journal. [2] Financial Times (FT) 5/8/12; Ver também FT (5/4/12) " Colombia looks to consolidate gains in country of complexities" [3] FT 5/8/12 (p. 1) [4] FT ibid [5] BBC News , May 5, 2012 [6] ibid [7] Renan Vega Cantor Sindicalicidio! (Un cuento poco imaginativo) de Terrorismo Laboral Bogotá, Feb. 25, 2012. [8] ibid. [9] ibid. [10] Inforrme CODHES Novembre 2010. [11] FT 5/8/12 p. 4. [12] Ver os Annual Reports of CODHES, Reiniciar and Human Rights Watch [13] Claroscuro Informe Anual 2011; Programa Somos Defensores Bogota 2012; Corporacion Colectivo de Abogados. Jan. – March 2012. [14] Fiscalia General. Informe 2012 [15] http://www.falsos.positivos.blogspot.com [16] Thom Shanker "Lessons of Iraq Help US Fight a Drug War in Honduras" New York Times, May 6, 2012.6 [17] ibid [18] ibid [19] Human Rights Watch, World Report 2012 [20] Honduran Human Rights, May 12m, 2012. [21] ibid [22] ibid [23] O infame encobrimento dos carros bomba é obra do jornalista-estrela do FT no Médio Oriente. Ver Michael Peel e Abigail Fielding-Smith "At Least 55 Die in two Damascus Explosions: Responsibility for Blasts Disputed", FT 5/11/12. [24] Honduras Human Rights, April 24, 2012. [25] Michael Peel, "The Colonels Last Stand" FT 5/12 – 13/12 [26] Um dos mais infames narco-traficantes paramilitares da Colômbia descreveu os estreitos laços financeiros e políticos entre os terroristas das Autodefesas Unidas da Colômbia e o regime de Uribe-Santos. Ver La Jornada 5/12/12. [27] BBC News, 5/15/12. Segundo a US International Trade Commission as estimativas do valor das exportações dos EUA para a Colômbia poderiam subir a US$1,1 mil milhões ao passo que o crescimento das exportações da Colômbia podia crescer US$487 milhões.

[NR] O Estado português também promove o investimento na Colômbia.   Ver Missão empresarial à Colômbia, 28 de Maio a 1 de Junho de 2012 , iniciativa da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP)


O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=31056

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

É a OTAN que está à conquista de Tripoli




por Manlio Dinucci

Uma foto publicada pelo New York Times conta, mais do que muitas palavras, o que está em vias de acontecer na Líbia: ela mostra o corpo carbonizado de um soldado do exército governamental, ao lado dos restos de um veículo queimado, com três rebeldes em torno que o olham com curiosidade. São eles que testemunham que o soldado foi morto por um raid da OTAN. Em menos de cinco meses, informa o Comando conjunto aliado de Nápoles, a OTAN efectuou mais de 20 mil raids aéreos, dos quais 8 mil com ataques por bombas e mísseis. Esta acção, declaram ao New York Times altos funcionários estado-unidenses e da OTAN, foi decisiva para apertar o cerco em torno de Tripoli.

Os ataques tornaram-se cada vez mais precisos, destruindo as infraestruturas líbias e impedindo assim o comando de Tripoli de controlar e aprovisionar suas forças. Aos caça-bombardeiros que lançam bombas guiadas por laser de uma tonelada, cujas cabeças penetrantes com urânio empobrecido e tungsténio podem destruir edifícios reforçados, juntaram-se os helicópteros de combate, dotados de sistemas dos sistemas de armamentos mais modernos. Dentre eles, o míssil guiado por laser Hellfire, que é lançado a 8 quilómetros do objectivo, utilizado também na Líbia pelos aviões telecomandados estado-unidenses Predator / Reaper.

Os objectivos são localizados não só pelos aviões radar Awacs, que decolam de Trapani (costa Sudoeste da Sicília) e pelos Predator italianos que decolam de Amendola (Foggia, província de Puglia), sobrevoando a Líbia 24/24 horas. Eles também são assinalado – indicam ao New York Times os funcionários da
OTAN – pelos rebeldes. Estes, embora "mal treinados e mal organizados", estão em condições, "graças a tecnologias fornecidas por países da OTAN", de transmitir importantes informações à "equipe OTAN na Itália, que escolhe os objectivos a atingir". Além disso, relatam os funcionários, "a Grã-Bretanha, a França e outros países instalaram forças especiais sobre o terreno líbio". Oficialmente para treinar e armar os rebeldes, na realidade sobretudo para tarefas operacionais.

Assim, vê-se emergir o quadro real. Se os rebeldes chegaram a Tripoli isso deve-se não à sua capacidade combate, mas ao facto de que os caça-bombardeiros, os helicópteros e os Predator da
OTAN lhes abrem o caminho, praticando a terra queimada. No sentido literal do termo, como mostra o corpo do soldado líbio carbonizado pelo raid da OTAN. Por outras palavras, criou-se para a utilização dos media a imagem de uma resistência com uma força capaz de bater um exército profissional. Mesmo que rebeldes morram nas confrontações, como é natural, não são eles que estão em vias de se apoderar de Tripoli. É a OTAN que, graças a uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, está em vias de demolir um Estado a fim de defender os civis. Evidentemente, desde que há um século as tropas italianas desembarcaram em Tripoli, a arte da guerra colonial deu grandes passos em frente.
23/Agosto/2011
O original encontra-se em il manifesto e a versão em francês em
www.legrandsoir.info/...


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

EUA infectaram cidadãos da Guatemala com sífilis e gonorréia para estudo


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Opera Mundi - Médicos pesquisadores do governo dos Estados Unidos infectaram intencionalmente nos anos 1940 um grupo de cidadãos da Guatemala com gonorréia e sífilis para a realização de estudo sobre a eficácia de medicamentos.

A denúncia foi feita por Susan Reverby, pesquisadora do departamento de estudos de saúde da mulher da Faculdade Wellesley, estado de Massachusetts.
Hoje (1/10), a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e a secretária de Saúde Kathleen Sebelius, afirmaram que pedirão desculpas oficialmente em nome do governo dos EUA, informou reportagem da emissora norte-americana NBC News . O pedido de desculpas será feito aos guatemaltecos e aos imigrantes latinos residentes nos EUA.
Como parte do estudo, infectados guatemaltecos foram encorajados a transmitir a doença para outras pessoas, entre eles deficientes mentais. Estima-se que um terço dos infectados nunca teve tratamento adequado. Aparentemente, o experimento foi encerrado em 1948 e “nunca gerou informações úteis e registros foram apagados”, segundo Susan.
De acordo com site da NBC News, a pesquisadora detalhará o estudo em seu site ainda nesta sexta-feira.
A primeira discussão pública sobre o assunto será uma feita às 11h do horário local (12h de Brasília) entre Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Saúde e Arturo Valenzuela, subsecretário de Estado norte-americano para as Américas.

Reincidência
O episódio é semelhante ao experimento Estudo da Sífilis Não-Tratada de Tuskegee – feito pelo governo dos EUA em Tuskegee, Alabama, entre 1932 e 1972, no qual 399 sifilíticos afro-americanos pobres e analfabetos, e mais 201 indivíduos saudáveis para comparação, foram usados como cobaias na observação da progressão natural da sífilis sem medicamentos.
Um membro da equipe denunciou o caso à imprensa e, por conta da repercussão negativa, o estudo foi encerrado. Alguns descendentes de sobreviventes da experiência foram indenizados pelos governo dos EUA.

Fonte: Diário da Liberdade

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mais de 100 sindicalistas assassinados em 2009

O número de sindicalistas mortos subiu 30% em relação a 2008, com a América Latina a destacar-se na perseguição à luta pelos direitos dos trabalhadores.

O ano passado terminou com 101 sindicalistas assassinados no mundo, a maior parte na América Latina.
De acordo com os números divulgados pela Confederação Sindical Internacional na Conferência da Organização Internacional do Trabalho, o ano passado terminou com 101 sindicalistas assassinados. Quase metade (48) na Colômbia, 16 na Guatemala, 12 nas Honduras, seis no México, seis no Bangladesh, quatro no Brasil, três na República Dominicana, três nas Filipinas, um na Índia, um no Iraque e um na Nigéria.
"A Colômbia foi, uma vez mais, o país onde, mais do que noutro lugar, lutar pelos direitos fundamentais dos trabalhadores conduziu à morte, apesar da campanha de relações públicas do governo colombiano para convencer (a opinião pública) do contrário", declarou o Secretário-geral da CSI, Guy Rider, citado pela agência Lusa num comunicado.
O relatório da central sindical aponta o agravar da crise económica como razão para o desrespeito pelos direitos sindicais, com a repressão a aumentar em países como a Argélia, Argentina, Bielorrússia, Birmânia, Costa de Marfim, Egipto, Índia, Irão, Quénia, Nepal, Paquistão e Turquia.
Os sindicalistas criticaram ainda o facto de países como os EUA, a China ou Índia ainda não terem ratificado a Convenção da OIT de 1949 sobre direito de organização e negociação colectiva, deixando cerca de metade da população activa do planeta sem garantias.