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segunda-feira, 13 de maio de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Bancada ruralista articula revisão da legislação trabalhista rural

A bancada ruralista no Congresso
Nacional começou a articular um trabalho para a revisão da
atual legislação trabalhista rural, considerada por ela
como atrasadas e impeditiva do desenvolvimento agrícola
brasileiro.
A reportagem é de Caio Junqueira e
publicada pelo jornal Valor, 11-03-2013.
Atualmente, é a Lei 5.889 de 1973
responsável por regular o trabalho rural. Para o que não
está previsto naquela lei, aplica-se a Consolidação das
Leis Trabalhistas (CLT), de 1943. A ideia é rever alguns
aspectos das duas e elaborar uma espécie de “CLT rural”,
específica para o setor.
Para tanto, a Frente Parlamentar da
Agropecuária (FPA) contratou um escritório de advocacia
que fará um levantamento das propostas de interesse do
setor e sugerirá novos projetos, a partir de uma ampla
consulta dos diversos setores agropecuários do país.
Depois que isso for feito, será definida
a estratégia política para que ela avance no Congresso.
Podem ser vários projetos esparsos ou todos reunidos em um
só texto. Alguns pontos já são dados como certos, como a
possibilidade de várias horas extras e a sobreposição dos
acordos entre empregadores e empregados sobre a
legislação.
Fala-se também em ajustes no regramento
sobre a terceirização do trabalhador rural. Atualmente, a
lei que rege essa forma de contratação impede que pessoas
físicas ou jurídicas terceirizem funções relacionadas às
suas atividades-fim. Na agricultura, essa vedação impede
as contratações extras durante as colheitas, quando é
necessário um número muito maior de trabalhadores do que o
existente nas propriedades rurais.
Outro alvo é a Norma Regulamentadora de
Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária,
Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura,
conhecida como NR-31. Expedida pelo Ministério do Trabalho
mediante uma portaria em março de 2005, ela traz
definições específicas sobre as condições de trabalho. Os
ruralistas a consideram exagerada e inaplicável. Querem
modificá-la. Desejam também que uma nova legislação
transfira ao Legislativo a competência para elaborar
normas desse tipo, cabendo ao Executivo apenas sua
fiscalização.
“Há muitos itens que, se retirados, não
farão falta nem aos trabalhadores. Mas da forma como foi
elaborada, a NR 31 não foi feita para beneficiar os
trabalhadores, mas para punir o empregador. Com o
trabalho, não vamos criticar ninguém. Só queremos mostrar
que é impossível cumprir todas as 252 exigências”, disse
na semana passada a presidente da Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia
Abreu (PSD-TO).
O vice-presidente da Comissão de
Agricultura da Câmara dos Deputados, deputado Moreira
Mendes (PSD-RO) disse que a ideia não é retirar direitos,
mas flexibilizar alguns pontos. “Precisa ter uma
legislação nova que, sem suprimir direitos garantidos pela
CLT, possa resolver os problemas que a atual legislação
tem nos causado”, afirmou.
Alguns projetos deverão sair da
conclusão dos trabalhos da Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) do Trabalho Escravo, cujos trabalhos estão
em fase final. “Vamos definir o que é trabalho escravo,
trabalho degradante e jornada exaustiva e incrementar
essas definições da proposta de emenda constitucional
(PEC) do Trabalho Escravo, que está no Senado”, disse o
vice presidente da FPA, deputado Luiz Carlos Heinze
(PP-RS). Segundo os ruralistas, o presidente da Câmara,
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), se comprometeu a colocar
os projetos na pauta.
(Ecodebate, 12/03/2013)
publicado pela IHU
On-line, parceira estratégica do EcoDebate na
socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo
Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do
Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Libertação envolve empresa de irmão da senadora Kátia Abreu
Carvão vegetal abastece altos fornos e faz parte de composição do ferro-gusa (Fotos: SRTE/TO)
Grupo de 56 pessoas foi resgatado de área com eucaliptos e carvoarias explorada por empresa que, segundo fiscalização, é de André Luiz Abreu
Por Bianca Pyl, Guilherme Zocchio e Maurício Hashizume
A Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins (SRTE/TO) libertou 56 pessoas de condições análogas à escravidão da Fazenda Água Amarela, em Araguatins (TO). A área reflorestada de eucaliptos, que também abrigava 99 fornos de carvão vegetal, estava sendo explorada pela RPC Energética. De acordo com apurações da fiscalização trabalhista, ainda que registrada em nome de um "laranja", a empresa pertence a Paulo Alexandre Bernardes da Silva Júnior e André Luiz de Castro Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), liderança ruralista que também é presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Dedicado à extração de eucaliptos e ao carvoejamento, o grupo produzia matéria-prima para a siderúrgica Fergumar (Ferro Gusa do Maranhão Ltda.). Instalada em Açailândia (MA), a Fergumar é dona da fazenda e recebeu os 18 autos de infração lavrados na operação - que foi concluída na semana passada. Esta não é a primeira vez que a empresa foi implicada em caso de trabalho escravo (confira mais detalhes abaixo).
De acordo com a fiscalização, a constatação de condições degradantes nas frentes de trabalho e nos alojamentos, servidão por dívida, jornada exaustiva e aliciamento fundamentou a caracterização do trabalho análogo à escravidão. Uma das vítimas não tinha sequer 18 anos completos, confirma o auditor fiscal do trabalho que coordenou a inspeção, Humberto Célio Pereira.
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| Sanitário de latão improvisado; extensas e pesadas jornadas e transporte irregular |
Não havia banheiros em condições de uso (foto ao lado). Aos trabalhadores que produziam carvão, os empregadores disponibilizaram um cercado de lona com uma lata improvisada, sem fossa, como latrina. Nos barracos em obras em que dormiam, os sanitários também não funcionavam. Na prática, as vítimas acabavam utilizando o mato para realizar suas necessidades.
Faltava água potável, tanto nos barracos como junto aos fornos. O aliciamento foi verificado por meio da atuação do "gato" (intermediador de mão de obra) Maurício Sobrinho Santos, que atraiu e recrutou trabalhadores nos municípios de Vargem Grande (MG), São João Paraíso (MG) e Boa Sorte (MG), além de Açailândia (MA), cidade que abriga a própria planta da Fergumar. A promessa, como de costume, era de condições de trabalho decente, evidentemente com a perspectiva de pagamento de fartos salários.
O esquema era consumado pelo depósito de um adiantamento emdinheiro por parte do "gato" que, dessa maneira, assegurava o vínculo dos trabalhadores. Essa verba ajudava não só a pagar o transporte dos locais de origem até o Norte de Tocantins, mas também era canalizada para o sustento das famílias dos migrantes. Além do adiantamento, o "gato" mantinha também uma cantina, na qual comercializava desde ferramentas de trabalho e equipamentos de proteção individual (EPIs), como peças de motosserra e botas, até combustíveis, produtos alimentícios, bebidas alcoólicas e itens básicos para higiene pessoal. Tudo era anotado, inclusive os custos relativos às refeições diárias, para que depois fossem descontados dos respectivos vencimentos. Por conta das subtrações, os pagamentos mensais eram inferiores ao salário mínimo. Cadernos com anotações foram apreendidos.
Apenas pela passagem de ida, os trabalhadores relatam ter pago R$ 350 cada um. Não havia fornecimento condizente de EPIs. Segundo depoimento de um dos trabalhadores, as luvas furadas oferecidas pelos empregadores colocavam em risco à saúde dos trabalhadores. Três dos resgatados admitiram ter sido atacados, por exemplo, por escorpiões. No local, não havia ainda material adequado para proceder os primeiros socorros.
Os alojamentos e as frentes de trabalho foram interditados. Além de uma construção inacabada (sem portas) e abarrotada onde viviam 17 pessoas (inclusive o "gato" e sua família), imóveis despreparados localizados na área urbana de Araguatins (TO) abrigavam outras dezenas.
A rotina os trabalhadores começava às 4h da manhã, quando eles pegavam o transporte fornecido pelo empregador para a Fazenda Água Amarela. A labuta na propriedade rural começava por volta das 6h e seguia até 16h, com uma pequena pausa de 15min para o almoço. O retorno aos alojamentos só se dava depois das 17h. Quando da libertação, eles estavam trabalhando no local há cerca de três meses. O motorista do ônibus que recolhia os empregados não era habilitado e o transporte entre as frentes de trabalho era feito em caminhões e tratores de carga, de modo completamente irregular.
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| Frentes de trabalho na extração de eucaliptos e na produção do carvão vegetal foram interditadas |
"Em se tratando de atividade de corte de madeira e produção de carvão, o esforço é muito maior e, portanto, o trabalho é muito mais penoso", assinalou o coordenador da operação Humberto, da SRTE/TO.
"Laranja"
Um contrato forjado de compra de "madeira em pé" era a base da empreitada que vinha se realizando na fazenda. Pelo instrumento de fachada, a Fergumar aparecia como vendedora de matéria-prima para a RPC Energética, cujo dono seria Adenildo da Cruz Sousa. Ocorre que o mesmo Adenildo vem a ser funcionário registrado da Reflorestar Comércio Atacadista de Produtos Florestais Ltda., conforme apurou a fiscalização. Ou seja, ele desempenhava, conforme investigações da auditoria fiscal do trabalho. o papel de "laranja" dos verdadeiros donos do negócio: Paulo Alexandre Bernardes da Silva Júnior (a quem inclusive havia concedido poderes por meio de uma procuração legal) e André Luiz de Castro Abreu, servidor do Minisério Público do Trabalho (MPT) em Palmas (TO) e irmão da senadora ruralista Kátia Abreu (TO).
O mesmo Paulo Alexandre estaria, ainda de acordo com as apurações da auditoria, à frente da Reflorestar, que já constou da "lista suja" do trabalho escravo (cadastro de empregados envolvidos na exploração desse tipo de crime mantido pelo governo federal) entre 2008 e 2010, por conta de uma libertação de abril de 2007, em Dois Irmãos (TO). Além da questão do "laranja", a inspeção constatou também que o "gato" que atuava na Fazenda Água Amarela havia sido demitido da RPC em março de 2012 e recontratado em junho, sem registro em carteira, enquanto ainda recebia o Seguro-Desemprego. A reportagem tentou contato com os responsáveis pela RPC e pela Reflorestar, mas não conseguiu parecer dos mesmos sobre o ocorrido. Também a senadora Kátia Abreu, que está temporariamente em licença médica do cargo parlamentar, não deu retorno até o fechamento desta matéria.
O recente flagrante foi motivado por uma denúncia que, após ser protocolada anteiormente em representações dos órgãos responsáveis na região, acabou chegando à Polícia Federal (PF), que encaminhou a demanda à sede da SRTE/TO na capital do Estado. Além do jovem com idade inferior a 18 anos que foi encontrado realizando tarefas insalubres e perigosas, outras quatro mulheres foram resgatadas no decorrer da operação.
A RPC pagou as verbas rescisórias à vítimas, que totalizaram mais de R$ 72 mil, mas se recusou a arcar com as despesas de retorno de migrantes vindos de outros Estados. Representante da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região (PRT-10) em Araguaína (TO) que acompanhou o início da inspeção, Alexandre Marin Ragagnin afirmou à Repórter Brasil que aguarda o relatório final da SRTE/TO, com todos os documentos e depoimentos, para tomar providências quanto a possíveis acordos ou ações judiciais. Ele confirmou o quadro grave de degradância, aliciamento e servidão por dívida.
Todo o carvão vegetal produzido na área tinha como destino a usina da siderúrgica Fergumar, que informa em seu site que escoa 80% de sua produção para os Estados Unidos da América (EUA), especialmente para grandes corporações do setor automobilístico. Todos os 18 autos de infração foram direcionados à Fergumar, que não atendeu aos pedidos de posicionamento perante o caso solicitados pela reportagem.
A Fergumar também foi incluída na "lista suja" em meados de 2007. Conseguiu, porém, uma liminar na Justiça que a retirou da relação em agosto do mesmo ano. O ingresso esteve relacionado ao resgate de 23 empregados encontrados em situação análoga à de escravo em outra carvoaria no município de Dom Eliseu (PA), que fornecia carvão vegetal para a empresa.
Com base no serviço de consulta pública, é possível verificar que a Fergumar mantém cadastro irregular junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). A empresa teve quatro áreas embargadas em São João do Paraíso (MA), em julho de 2006, por exercer atividade potencialmente degradadora sem licença ambiental; desmatar florestas sem autorização do órgão responsável; e devastar florestas ou demais formas de vegetações de preservação permanente.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Crianças bebiam água do gado em fazenda de deputado flagrada com escravos
Propriedade em que sete pessoas foram libertadas pertence ao deputado estadual Camilo Figueiredo, filho do ex-prefeito de Codó (MA), Biné Figueiredo
Por Bianca Pyl
Crianças e adultos bebiam a mesma água que o gado na Fazenda Bonfim, zona rural de Codó (MA), onde foram resgatadas sete pessoas de condições análogas às de escravos após denúncia de trabalhadores que não quiseram se identificar. A libertação aconteceu no início de março e foi realizada por ação conjunta de Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão (SRTE/MA), Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal.
A propriedade em que foram flagradas condições degradantes pertence à Líder Agropecuária Ltda., empresa da família Figueiredo, que tem como sócios o deputado estadual Camilo de Lellis Carneiro Figueiredo (PSD/MA), além de Rogério Carneiro Figueiredo, Rodrigo De Lellis Salem Figueiredo e Camilo De Lellis Carneiro Figueiredo Filho. À Repórter Brasil, o deputado Camilo afirmou desconhecer as denúncias e disse que a fazenda é administrada por seu pai, Benedito Francisco da Silveira Figueiredo, o Biné Figueiredo, ex-prefeito de Codó. Biné, por sua vez, nega que seja administrador e alega que não há trabalhadores na propriedade, "apenas moradores".
| Água utilizada pelo gado servia para os trabalhadores e para as crianças beberem e tomar banho. Fotos: Divulgação SRTE/MA |
A água consumida no local era a mesma que a utilizada pelos animais da fazenda. Retirada de uma lagoa imunda, repleta de girinos, ela era acondicionada em pequenos potes de barro e consumida sem qualquer tratamento ou filtragem. Os empregados tomavam banho nesta lagoa, e, como não havia instalações sanitárias, utilizavam o mato como banheiro. De acordo com o auditor fiscal Carlos Henrique da Silveira Oliveira, que coordenou a ação, todos estavam submetidos às mesmas condições degradantes, incluindo as crianças pequenas.
Pecuária
A propriedade da família Figueiredo era utilizada para criação de gado para corte. Os trabalhadores resgatados cuidavam da limpeza do pasto com a retirada de ervas daninhas e arbustos, atividade conhecida como roço da juquira, e ficavam alojados em barracos feitos com palha. Os abrigos não tinham sequer proteção lateral, apesar de serem habitados por famílias inteiras, incluindo crianças. Os resgatados declararam aos auditores fiscais que em noites de chuva as redes onde dormiam ficavam molhadas e que todos sofriam com o frio.
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| Barracos de palha serviam de alojamento para os trabalhadores |
A maioria dos trabalhadores era de Codó (MA), a 30 km de distância, e estava há cerca de dois meses na fazenda. Os resgatados não tinham Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CTPS) assinada e não contavam com nenhum equipamento de proteção individual no roço da juquira. "Todas as irregularidades e ilegalidades constatadas constituíram total desrespeito a condições mínimas de dignidade da pessoa humana, distanciando-se da função social da propriedade e ferindo assim, além dos interesses dos trabalhadores atingidos, também o interesse público", explica o coordenador da ação.
Responsabilidade
A empresa Líder Agropecuária consta na declaração de bens do deputado estadual Camilo Figueiredo. Por telefone, ele se disse surpreso ao ser informado pela reportagem sobre a libertação na Fazenda Bonfim. "Isso de trabalho escravo é novidade para mim. Até agora não tomei conhecimento desta situação, vou entrar em contato agora para saber o que houve", disse. Ele confirmou que seu pai, Biné Figueiredo, é o responsável por administrar a propriedade.
Biné, que foi prefeito do município de Codó em duas ocasiões, de 1993 a 1996 e de 2005 a 2008, negou, por telefone, qualquer responsabilidade. Ele alega que não é administrador da propriedade, e, questionado, disse não saber nem a quem a terra pertence. "Eu não acompanhei a fiscalização e não sei se a situação foi solucionada, mas acredito que sim", afirmou.
Não é a primeira libertação de escravos envolvendo políticos na região. Em 2009, equipes de fiscalização libertaram 24 pessoas na fazenda do então prefeito de Codó, José Rolim Filho (PV), o Zito Rolim.
Leia também:
domingo, 18 de março de 2012
Trabalhadores resgatados em Goiás dormiam com ratos e morcegos
Fiscalização encontrou condições degradantes e jornadas de até 16 horas em lavouras de soja, café e milho. Ao todo, 24 pessoas foram resgatadas
Por Daniel Santini
Trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão no final de fevereiro em lavouras de soja, café e milho, nos municípios de Montividiu e Rio Verde, em Goiás, dormiam com ratos e morcegos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). De acordo com o auditor fiscal Roberto Mendes, as jornadas de trabalho prolongadas, que chegavam a 16 horas, e as condições degradantes a que 24 pessoas eram submetidas sistemáticamente em fazendas do grupo Ypagel, caracterizam escravidão contemporânea, conforme previsto no artigo 149 do Código Penal. A ação de fiscalização contou com a participação do auditor Juliano Baiocchi e da procuradora Carolina Marzola Hirata, do Ministério Público do Trabalho (MPT), além de apoio da Polícia Federal.
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| Teto do alojamento infestado de animais em que trabalhadores dormiam. Fotos: divulgação/MTE) |
Os trabalhadores foram resgatados das fazendas Monte Alegre, Pindaíbas e Cachoeira de Montividiu, todas pertencentes ao grupo Ypagel, dos irmãos Valdemar Osvaldo Gonçalves e Jurandir Osvaldo Gonçalves, e suas filhas Geovana Eliza Gonçalves e Franciele Mendes Gonçalves. Questionado sobre as condições a que o grupo era submetido, o gerente responsável pela colheita de soja, Antônio Osvaldo Gonçalves, irmão dos dois proprietários, afirmou que todos da família estavam viajando e que não poderia se pronunciar. A Repórter Brasil tentou contato com Valdemar, mas, até o fechamento desta reportagem, ele não retornou aos recados deixados em seu celular.
Após o flagrante, a família Gonçalves pagou imediatamente R$ 175 mil de verbas recisórias para os trabalhadores e concordou em regularizar as condições para os libertados seguirem trabalhando, agora com os direitos respeitados. O MPT negocia Termo de Ajustamento de Conduta que prevê o pagamento de R$ 300 mil em danos morais coletivos e fiscalizações regulares para verificar se as condições determinadas serão cumpridas.
Colheita
A agilidade para regularizar a situação tem relação com os prejuízos decorrentes de atrasos na colheita da soja, que vai de fevereiro a março em Goiás. O MTE promete intensificar as ações de fiscalização até o final do período. "Na região do sudoeste goiano existem milhares de produtores de soja e suspeita-se que possa haver outros casos semelhantes. Como o período de colheita coincide com o período chuvoso, existe certa dificuldade de se realizar a colheita, uma vez que quando se chove não é possível colher. E como, após atingir o ponto ideal de colheita, os grãos não podem aguardar muito tempo, os agricultores costumam aproveitar ao máximo aqueles dias em que as condições estão ideais para tal (dias ensolarados). E é justamente aí que ocorre a exigência de jornadas de trabalho extremamente excessivas, que se prolongam até as 20h/23h", explica o auditor Roberto.
A agilidade para regularizar a situação tem relação com os prejuízos decorrentes de atrasos na colheita da soja, que vai de fevereiro a março em Goiás. O MTE promete intensificar as ações de fiscalização até o final do período. "Na região do sudoeste goiano existem milhares de produtores de soja e suspeita-se que possa haver outros casos semelhantes. Como o período de colheita coincide com o período chuvoso, existe certa dificuldade de se realizar a colheita, uma vez que quando se chove não é possível colher. E como, após atingir o ponto ideal de colheita, os grãos não podem aguardar muito tempo, os agricultores costumam aproveitar ao máximo aqueles dias em que as condições estão ideais para tal (dias ensolarados). E é justamente aí que ocorre a exigência de jornadas de trabalho extremamente excessivas, que se prolongam até as 20h/23h", explica o auditor Roberto.
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| Condições em que trabalhadores foram encontrados era degradante. |
"Outra causa da exigência de jornadas de trabalho além do limite legal é a busca pelo aproveitamento máximo das máquinas usadas na colheita da soja, geralmente equipamentos de última geração e de alto custo e que, em regra, só são usados por poucas semanas por ano, durante a colheita. Mas são problemas que os agricultores têm que encontrar soluções, como por exemplo, a contratar mais funcionários e o estabelecer dois turnos de trabalho", completa, lembrando que a legislação prevê jornada de oito horas diárias, com no máximo duas horas extraordinárias por dia. "Salvo exceções previstas no artigo 61, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que não se aplica ao caso da colheita da soja".
Degradação
O estado dos alojamentos em que os trabalhadores eram obrigados a dormir durante a época de colheita está entre um dos principais problemas encontrados. Havia apenas um chuveiro para um grupo de mais de 20 homens e condições inadequadas de higiene e habitação. "Esses locais estavam em péssimas condições. Eram sujos e sem higiene, não tendo nenhuma estrutura para servir como moradias. Os únicos móveis existentes no local eram as camas velhas. Tinha trabalhador que nem colchão tinha, estavam dormindo ‘na tábua’. Era uma situação de total degradância. Os alojamentos estavam infestados de ratos e morcegos, que, durante o dia, dormiam sossegadamente na cozinha", diz Roberto, que ressalta que, apesar da situação encontrada nos alojamentos, o maquinário usado na colheita e transporte da soja, bem como no plantio do milho safrinha era de última geração.
O estado dos alojamentos em que os trabalhadores eram obrigados a dormir durante a época de colheita está entre um dos principais problemas encontrados. Havia apenas um chuveiro para um grupo de mais de 20 homens e condições inadequadas de higiene e habitação. "Esses locais estavam em péssimas condições. Eram sujos e sem higiene, não tendo nenhuma estrutura para servir como moradias. Os únicos móveis existentes no local eram as camas velhas. Tinha trabalhador que nem colchão tinha, estavam dormindo ‘na tábua’. Era uma situação de total degradância. Os alojamentos estavam infestados de ratos e morcegos, que, durante o dia, dormiam sossegadamente na cozinha", diz Roberto, que ressalta que, apesar da situação encontrada nos alojamentos, o maquinário usado na colheita e transporte da soja, bem como no plantio do milho safrinha era de última geração.
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| Trabalhador dormia em barraca para tentar evitar contato com ratos e morcegos. |
A equipe de fiscalização encontrou uma barraca de acampamento na varanda da casa, armada por um dos trabalhadores que quis evitar o contato com os animais enquanto dormia. Segundo o relatório de inspeção do MPT, os trabalhadores que operavam as máquinas para borrifar veneno nas plantações estavam sujeitos a se contaminarem: "a depender do vento, o trabalhador acabaria molhado por veneno (especialmente no rosto, que não tem proteção)", diz o texto. Além disso, nas frentes de trabalho não havia nenhuma estrutura, nem equipamentos de primeiros-socorros, nem banheiros, e nem água. A que os trabalhadores consumiam tinha que ser levada por eles em garrafas próprias.
Além de estarem submetidos a condições degradantes no alojamento e nas lavouras, os trabalhadores também tinham que cumprir jornadas exaustivas prolongadas. O grupo, de acordo com as autoridades, começava a trabalhar por volta das 6h e 7h e seguia até a hora que fosse possível, alguns cumprindo jornadas de até 16 horas.
Fonte: http://www.reporterbrasil.org.br/
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
El sabor a esclavitud del pepino español
La crisis provocada por las autoridades alemanas al señalar el pepino de Almería como origen de la epidemia de E. Coli, desató una ola de indignación y patriotismo en la sociedad española, y especialmente en algunos medios de comunicación. Un vegetal que, como la mayoría en esta provincia, es cultivado por inmigrantes que trabajan, en muchos casos, en condiciones de esclavitud moderna.
27.09.2011 · Patricia Simón · Fotos: Javier Bauluz

Chabola en medio de los invernaderos almerienses (Javier Bauluz / Piraván)

Chabolas en medio de los invernaderos almerienses (Javier Bauluz / Piraván) Fotografías realizadas con Hipstamatic for iPhone, Lens: John S Flash: Off Film: Claunch 72 Monochrome
Miles de kilómetros de caminos de tierra flanqueados por muros de plástico que dejan pasar la suficiente luz para cultivar un negocio de 2000 millones de euros anuales y que, a su vez, ocultan la explotación de las miles de personas que lo hacen posible. Cuarenta grados bajo un sol aplastante que pueden superar los 50 dentro de este mar de toldos que cubre buena parte de la provincia de Almería, más de 350 kilómetros cuadrados, y que ha convertido esta frontera sur de Europa en un laboratorio industrial, económico y social.

Captura de pantalla de parte de la provincia de Almería cubierta por invernaderos de Google Maps
El polvo levantado por el coche se suma a las capas que van opacando los plásticos y que, junto al efecto destructor del sol, obliga a cambiarlos anualmente por esos hombres que vemos encaramados a escaleras y vigas, y entre los que aún se emplea algún español. Los únicos letreros que salpican el camino son los que anuncian “Berenjena Shakira. Eficaz, rendimiento elevado y homogéneo” o “Pimiento california de maduración en rojo para transplantes tardíos”, algunas de las nuevas variedades de la temporada. En esta colmena las calles no tienen nombres ni señales descifrables para los ojos de un visitante, pero están plagadas de ellos para sus habitantes. Por ejemplo, a la vuelta de una esquina, un montículo de basura putrefacta atravesada por un reguero verdoso procedente de una casetilla de madera, anuncia que hemos llegado a uno de los más de 100 núcleos chabolistas de la provincia en los que viven los trabajadores en situación más mísera.
Hakim es uno de ellos. Sale a recibirnos junto a otros hombres marroquíes que durante los últimos tres años han ido construyendo sus refugios con palés y restos del omnipresente plástico de unos cultivos que producen dos millones y medio de toneladas de residuos al año. Desde este alto, la vista se pierde en un horizonte que en algún punto desemboca en el mar Mediterráneo, el que les separa unos 200 kilómetros de su país, mientras ellos bucean en ese otro océano bajo el que desfallecen para conseguir su sustento.

Fuente: Consejería de Agricultura y Pesca de la Junta de Andalucía
Saludan cordialmente, pero serios. Son las once de la mañana y no están trabajando. No es poco habitual. La crisis desatada a finales de mayo por la acusación de las autoridades alemanas que señalaba el origen de la epidemia sanitaria de la bacteria E. Coli en Almería, y que se cobró la vida de más de 30 personas y 3.000 afectados, según el Centro Europeo de Control de Enfermedades, hundió las exportaciones almerienses. A ello hay que sumar el fin de la temporada de cultivos como el tomate y la sandía, de los más importantes en esta época en la región.
Hakim viajó desde Tánger hasta Barcelona en los bajos de un camión cuando tenía 19 años. Más o menos dos días de viaje, resistiendo su propio peso, el terrible calor del motor y el temor a caer y morir atropellado. Eso sólo por apuntar algunos de los pensamientos que atravesaron la mente de éste y de los cientos de jóvenes que han llegado por esta vía a la Península. Algunos murieron en el viaje.

Hakim en la chabola que comparte con su primo y un amigo (Javier Bauluz / Piraván)
Hakim tiene ahora 22 años, una sonrisa que parapeta un discurso agrio y que rompe en forma de risa en los momentos de mayor gravedad. “Mi padre me decía que me quedara, pero yo había visto a muchos amigos que cuando volvían a Marruecos lo hacían con coche, dinero, casa… Y yo quería eso. Escuchas que la cosa está mal aquí, pero nosotros sólo queremos España”.
Estamos dentro del cuartucho que Hakim comparte con un primo y otro amigo. El suelo es la misma tierra que apenas rozan los cultivos de los invernaderos en Almería. Las paredes, los palés y plásticos sobrantes. El zumbido de unas moscas pegajosas que apenas se inmutan ante los manotazos electrifica el caluroso ambiente. “Cuando hacen falta trabajadores, el jefe viene y coge la gente que quiere. Cinco personas o seis. Vamos al invernadero y es trabajar, trabajar, y trabajar. Cogemos sandías, tomates, quitamos las hierbas… Todo el trabajo del invernadero durante ocho horas. Cuando termina el día pagan 20, 25 euros. No hay contrato, no hay nada”.

Al caer la tarde los caminos de Almería se llenan de bicicletas. Es el transporte más utilizado por los trabajadores. Lo que vemos al fondo es la cocina de la chabola de Hakim (Javier Bauluz /Piraván)
Y ahí comienza una de los callejones sin salida que mantiene a miles de personas en la clandestinidad y en la vulnerabilidad. Hakim no tiene un contrato y como consecuencia de ello, no puede solicitar el permiso de residencia pese a que ya podría acogerse al período de los tres años de arraigo que establece la ley. A su vez, al no tener permiso de residencia no puede aspirar más que a la clandestinidad y al temor paralizante y contínuo de ser deportado después de tantos años de sufrimiento, y a la explotación practicada por algunos empresarios agrícolas. El último convenio firmado entre éstos y los sindicatos establecía en 44 euros el salario mínimo por una jornada de ocho horas. Pero entre los trabajadores con los que hemos podido hablar, los mejores pagados son los rumanos, con un jornal medio de 35 euros. Y, según Hakim y otras fuentes, los peor pagados son los subsaharianos, y a los que en cierta medida perciben como competencia desleal: “Los negros trabajan por diez o quince euros. Pero cuando el tomate vale mucho dinero, se paga entre 70 u 80 céntimos el kilo. El jefe gana entre 5000 y 7000 euros por un camión y nosotros cogemos un camión en dos o tres horas y nos paga unos nueve euros”. Cifras que se van encajando en un cuadrante en el que los márgenes de beneficio van aumentando exponencialmente hasta llegar a la mesa del consumidor, donde por un kilo de tomate se puede llegar a pagar en las grandes superficies más de 1,50 euros.
Mientras, las autoridades públicas y las organizaciones de empresarios agrícolas mantienen que en Almería hay tantos trabajadores no contratados como en cualquier otra región. Pero la crisis del pepino ha terminado de desvelar las contradicciones entre el discurso y las cifras oficiales. El cruce de datos es inmisericorde con las posturas oficiales. España es el segundo exportador de frutas, verduras y hortalizas del mundo, y Almería es la tercera provincia con mayor peso en este sector, después de Murcia y Valencia: el 18,3 % del total aportado por el país. En 2010 se exportaron 3,7 millones de toneladas según datos de las cooperativas, por un valor de 3.640 millones de euros. En el caso concreto de los pepinos y pepinillos, que proceden de esta provincia en un 87%, fueron 450.000 toneladas las que se dirigieron a la UE en 2010, mayoritariamente a Alemania, según datos de Aduanas en el mismo año. Un sector estratégico de la economía española que según la Federación Española de Asociaciones de Productores Exportadores de Frutas y Hortalizas, sufrió unas pérdidas semanales de 200 millones de euros durante la crisis del pepino.

Producción agrícola Fuente: Consejería de Agricultura y Pesca de la Junta de Andalucía
Como consecuencia de todo ello, el sindicato mayoritario, UGT-Federación de Industria y Trabajadores Agrarios (FITG), lamentaba que 50.000 trabajadores españoles se hubieran visto afectados por la crisis. Pero los datos publicado por el Ministerio del Trabajo e Interior sobre el mes de junio de 2011 revelan que el paro agrícola en junio sólo aumentó en 390 personas respecto al mes anterior. Y si lo ampliamos al sector servicios, que abarca tareas como la manipulación o el transporte de los alimentos, el aumento fue de 1162 trabajadores desempleados.

Chabolas en una nave industrial abandonada (Javier Bauluz /Piraván)
Ambas cifras son menores que las de junio en 2010, un mes en el que han acabado temporadas importantes, por lo que suele aumentar el paro. Pero es más, este año había 1.000 afiliados más en la Seguridad Social en el Régimen especial agrario, pasando de 40.800 a 41.900 trabajadores en este sector. Unos datos que difícilmente pueden corresponderse con un revés económico que efectivamente supuso que dos toneladas de vegetales terminaran diariamente en los vertederos y que, sumado a las
constatación sobre el terreno y a las denuncias que durante años llevan haciendo ONG y sindicatos como el Obrero del Campo, inevitablemente nos llevan a calcular que miles de personas tienen que estar trabajando sin contrato en esta provincia.
Fuente: Consejería de Agricultura y Pesca de la Junta de Andalucía
Unas conclusiones que terminan de apoyarse en los resultados del último padrón de 2010: el número de extranjeros registrados en la provincia almeriense se multiplicó por 9 en la última década. De los 15.000 empadronados en 1999 a los 170.000 nuevos habitantes empadronados en 2010 128.000 eran extranjeros. De ellos, 65.000 proceden de países de la Unión Europea (28.000 de ellos, de Rumanía), y la otra mitad de Marruecos (38.000), Latinoamérica (19.000), el África subsahariana (13.000) y países europeos no comunitarios (5.200), por este orden. Es decir, Almería ha aumentado su población con unos 90.000 extranjeros procedentes de países empobrecidos, en una proporción de entre 65 y 75 por ciento de ellos hombres. Pero el número de afiliados al régimen especial agrario sólo es de 41.000 personas, incluyendo a los españoles.
Para contrastar estas informaciones con las tres principales asociaciones de empresarios agrícolas almerienses, nos hemos puesto en contacto con la Asociación de Jóvenes Agricultores de Almería (ASAJA), la Unión de Pequeños Agricultores (UPA) y la Asociación de Empresas Cosecheras – Exportadoras de productos Hortofrutícolas de Almería (COEXPHAL). Sólo la primera ha contestado a nuestras preguntas a través de su gabinete de prensa. A la cuestión de cuántas personas calculan que trabajan sin contrato en la provincia de Almería la respuesta es contundente: “Mi respuesta tiene que ser que cero”. Sobre cuánto se está pagando por la jornada de trabajo, la portavocía de ASAJA mantiene que se está pagando por encima de los 44 euros estipulados por convenio “porque, en ocasiones, se da alojamiento, comida, bebida… servicios que no están contabilizados”.
Para contrastar estas informaciones con las tres principales asociaciones de empresarios agrícolas almerienses, nos hemos puesto en contacto con la Asociación de Jóvenes Agricultores de Almería (ASAJA), la Unión de Pequeños Agricultores (UPA) y la Asociación de Empresas Cosecheras – Exportadoras de productos Hortofrutícolas de Almería (COEXPHAL). Sólo la primera ha contestado a nuestras preguntas a través de su gabinete de prensa. A la cuestión de cuántas personas calculan que trabajan sin contrato en la provincia de Almería la respuesta es contundente: “Mi respuesta tiene que ser que cero”. Sobre cuánto se está pagando por la jornada de trabajo, la portavocía de ASAJA mantiene que se está pagando por encima de los 44 euros estipulados por convenio “porque, en ocasiones, se da alojamiento, comida, bebida… servicios que no están contabilizados”.

Spitou Mendy en una sede del SOC (J. B. /Piraván)
Spitou Mendy, un senegalés licenciado en Filología hispánica y profesor de español en su país que emigró a Europa “como todos, porque somos refugiados económicos”, se ha convertido en un rostro conocido en los últimos años. Como portavoz del Sindicato de Obreros del Campo (SOC), ha puesto cara y voz a la organización más combativa contra la vulneración de los derechos básicos de estos trabajadores. Tras ver y oler la miseria tercermundista en la que viven estas personas como si de un submundo invisible o escandalosamente ignorado por la administración, pero también por el rostro rico y desarrollista que le rodea, su discurso combativo y sin remilgamientos parece ser uno de los pocos que se hace eco de la miseria que ahoga a estos trabajadores. “Que el delegado de agricultura de la Junta de Andalucía diga que aquí no hay más personas indocumentadas trabajando o sin contrato que en otros lugares de Europa es… Lo que ocurre es que esta mano de obra no tiene coste añadido. Y eso se llama estafa. La Administración está ayudando a que se hunda este país. Y que yo, un ciudadano extranjero sepa explicarlo y decirlo, les parece mentira. Les parece imposible que un inmigrante sea capaz de hacer un análisis de la situación social”.

Datos básicos de Andalucía 2010 Fuente: Consejería de Agricultura y Pesca de la Junta de Andalucía
Desde el lado de los empleadores, de los empresarios agrícolas, hay que contar con las peculiaridades de la agricultura intensiva. Juan Miralles, presidente de Almería Acoge, recoge las dificultades administrativas que encuentra este colectivo para hacer contratos: “El convenio para el sector establece que los contratos deben tener un año de duración. Y la agricultura aquí es estacional y con picos de trabajo puntuales muy importantes. Además puede haber imprevistos, como una epidemia o lo que ha pasado con el E. Coli, que no haya trabajo, y al empresario se le penaliza por tener contratado al trabajador sin cobrar. A los agricultores no les interesa no tener contratada a la gente y exponerse a multas de 60.000 euros, pero el marco legal no se adecua a la realidad de estos cultivos”.
Eso mismo nos cuenta un agricultor que espera a una cuadrilla de hombres y mujeres rumanos para recoger un camión de perfectas y casi idénticas berenjenas. Es joven y con una musculatura de gimnasio. Es hijo de agricultores, licenciado en Informática, que terminó haciéndose cargo del negocio familiar “porque esto al final tira”. La tierra, perfectamente trazada en hileras de plantas del mismo tamaño, compactada y de color plomizo, muestra cómo ya no se fertiliza con abono natural. La agricultura intensiva se ha complejizado significativamente en la última década y la provincia no ha sabido subirse al carro, según este agricultor: “Es increíble que no haya una sola empresa de capital local que comercialice semillas, fertilizantes, o una sola conservera para envasar los tomates magullados que se van a Murcia o Valencia para convertirse en tomate frito”. Miguel Ángel tiene claro que las pérdidas ocasionadas por la acusación de las autoridades alemanas no se van a recuperar, pero añade que no es el único problema. “Hay veces que los precios son tan bajos que no merece la pena venderlas. Por ejemplo, el kilo de berenjena se paga a 10, 15 o 20 céntimos. Entonces las dejo en el arcén del camino, no mucho tiempo porque multan, por si las quiere recoger alguien”.
En un artículo publicado por el miembro del Consejo Científico de ATTAC, Gustavo Duch, sobre la epidemia del E. Coli, apuntaba: “El sistema en cuestión ha sido diseñado para producir algo parecido a alimentos, a costes muy bajos, tanto económicos, sociales como ecológicos; pero que puedan producir altos beneficios a quienes se dedican a su comercialización. Los alimentos, lejos de considerarlos como una necesidad y un derecho, se entienden como una mercancía sin más”. Y para seguir esa máxima, el margen de beneficio debe ser el mayor posible. En el caso del pepino, Duch calcula que “los esfuerzos para cultivar, regar y cosechar un pepino, representarán para el agricultor o agricultora 0’17 euros por kilo vendido. La población consumidora pagará 1’63 euros por kilo. Es decir, un incremento superior al 800%“.

Una joven rumana recoge berenjenas en el invernadero de Miguel Ángel (Javier Bauluz / Piraván)
Hay tres fórmulas de comercializar las cosechas: venderlas a las distribuidoras como Carrefour o Aldi–que controlan el 60% del comercio de la UE–, directamente a los comercios o a cooperativas. Miguel Ángel lo hará a una distribuidora con la que ya tiene el precio apalabrado antes de sembrarlas. Es más bajo que el que por ejemplo obtendría si estuviera asociado a una cooperativa, pero más estable y asegurado con anterioridad: 30 céntimos el kilo. En los supermercados se venderá a una media de un euro el kilo. Tres mujeres y un hombre rumanos recogen junto al agricultor el camión de berenjenas. “Les pago 35 euros por la jornada de 8 horas. Aquí trabajas hoy, cobras hoy”.
De los 210 millones de euros de ayudas aprobados por la UE tras la crisis del brote de E. Coli, 37 irán destinados a a los empresarios españoles afectados -aunque el gobierno español pidió 71- y que no recibieran subvenciones previamente por de la Política Agraria Común (PAC), unos 6.500 agricultores que recibieron 7 millones de euros este año. Según el portavoz de ASAJA, los empresarios agrícolas ya han empezado a recibir las resoluciones de las cifras que recibirá cada uno. A la pregunta de si los trabajadores recibirán parte de esas ayudas, responde: “No, los trabajadores tienen otras vías para recibir indemnizaciones”. Sin embargo, los miles de trabajadores indocumentados y sin contrato que no pudieron trabajar esos días, que, por tanto, no recibieron jornal alguno y que en muchos casos tuvieron que ser atendidos y alimentados por la Cruz Roja y otras organizaciones humanitarias, no se beneficiarán de forma alguna de estas grandes cifras. Cantidades que en muchos casos serán recibidas por empresarios que utilizan “mano de obra esclava”, como ha sido catalogada por la reputada institución Internacional Anti-Esclavitud, y que si estos periodistas encontraron sin ninguna dificultad, resulta cuestionable que no lo haga el Ministerio de Trabajo, por ejemplo.

Tejado de las chabolas construidas en una desvencijada nave industrial (J. B. /Piraván)
Éste es el caso de un grupo de hombres subsaharianos que viven al lado del poblado chabolista de Hakim. Comparten una casa y mientras uno de ellos cocina, el resto espera sentado en unos sofás con el escay desgastado hasta casi la transparencia y otros sentados junto a la puerta. Seguimos rodeados de invernaderos, con una alberca cerca que el propietario de esta casa les deja utilizar para beber y bañarse, pero no es potable, por lo que tanto ellos como Hakim y sus vecinos tienen que gastar una importante parte de sus ingresos en comprar garrafas de agua embotellada.
No quieren hablar, llevan tiempo sin trabajar y no ven luz al final del túnel. No conocen a compañeros que estén pudiendo regularizar su situación, su comida suele estar compuesta de las verduras que encuentran en los arcenes o que algunos de sus empleadores les dan, como ahora, una gran fritada de pimientos con cebolla y tomate, y apenas pueden enviar dinero a sus familias. Hace mucho calor en este salón a oscuras, están cansados de no tener trabajo y del racismo. En la escala social, ellos son los últimos.
El sindicalista Spitou nos recibe en un bajo convertido en centro del SOC, en un barrio de la periferia de El Ejido, la localidad donde un brote de xenofobia en el año 2000 llamó la atención de los medios nacionales e internacionales cuando tras el asesinato de una joven a manos de un inmigrante marroquí con problemas psicológicos, como ya habían avisado conocidos suyos que habían pedido que recibiera tratamiento o un internamiento que nunca se produjo. El caso desató que parte de la población local española se lanzase a la caza del inmigrante: decenas de sus casas y comercios fueron incendiados y durante días, muchos de ellos no salieron a la calle por miedo a ser atacados.

Inmigrantes en una asamblea, escondidos entre los invernaderos de El Ejido en el año 2000 (J. B. / Piraván)
Su alcalde, del Partido Popular por entonces, Juan Enciso, jugó un papel fundamental no sólo a través de la omisión de su obligación de asegurar la seguridad ciudadana, sino también a través de sus contínuas declaraciones en las que justificaba la reacción racista por el ambiente de inseguridad supuestamente creado por la inmigración. El entonces presidente del gobierno José María Aznar le apoyó al declarar “que era muy fácil criticar cuando no se estaba allí”, pero el ministro de Trabajo y Asuntos Sociales, Manuel Pimentel, pidió que se trabajara por la integración y criticó que se atrajera a los inmigrantes como mano de obra y que después se les negase sus derechos como personas.
El resultado de esta desavenencia fue la dimisión de Pimentel y la continuación de Enciso como alcalde, incluso después de ser expulsado del PP y montar su propio partido, el PAL, y conservar su puesto como regidor de El Ejido durante los 8 meses que pasó en prisión por cinco graves causas que sigue teniendo pendiente, vinculadas con una importante trama de corrupción. El alcalde que soltaba a quien le preguntara, sin pudor, que “a las ocho de la mañana todos los inmigrantes son pocos, a las ocho de la tarde sobran todos” gobernó 20 años El Ejido, músculo y ejemplo de un desarrollismo insostenible que arrasa Almería.

La Policía detiene a un inmigrante por protestar contra los ataques xenófobos en El Ejido en el año 2000 (Javier Bauluz / Piraván)
Spitou ha vivido esta última década, histórica por un crecimiento económico sin parangón, como trabajador y sindicalista. Y no ha visto ninguna evolución. “Diez años llevo en Almería y siempre he cobrado lo mismo. Cuando llegué, el inmigrante tenía un valor, el empresario tenía que salir a buscar la mano de obra. Hoy la precarización es una gran bolsa de mano de obra indocumentada destinada a abaratar los costes de producción. Y de ahí hemos retrocedido a siglos atrás, en vez de avanzar. Estas personas que vienen a hacer posible el único sistema que puede salvarnos de la crisis, porque la gente sigue comiendo, la agricultura sigue y todo el mundo compra a Almería. Sin embargo, los que han conseguido el permiso de residencia o la nacionalidad se han ido a buscar una vida mejor a Suiza o a Francia, a hacer lo mismo pero cobrando el doble que aquí. Almería no integra, no forma, no educa. Almería explota“.
“Lo único que piensan de nosotros es que somos fuerza de trabajo, no tenemos historia, ni derecho a ser personas con dignidad. Pero yo vengo de un país con cultura, tengo formación y muchos inmigrantes, como yo, tenemos formación universitaria, pero somos refugiados económicos. Muchos compañeros han tirado la toalla. Después de tantos obstáculos han terminado por creerse que no valen nada. Pero hay que ayudarles a recuperar la autoestima. Si no, nos matan vivos. Lo están haciendo, la explotación a tope y el mensaje de ‘tú no tienes que saber nada, lo único, rendir’. Y los que tenemos voz para decirlo no somos amigos, hay que ir a por nosotros”.
Spitou parece cansado. Y lo está. Acaba de pasar dos días mostrando el subdesarrollo que habita en Almería a un equipo de periodistas del norte de Europa que han venido a hacer un documental. Pero no es cansancio físico el que debilita a Spitou, es con el que cargan los defensores de derechos humanos donde son pocos los que se atreven a alzar la voz y donde la respuesta inmediata es el acoso o el aislamiento. A éstos tuvo que enfrentarse cuando acompañó y figuró en un reportaje del prestigioso periódico británico The Guardian, titulado “Los cultivadores de las ensaladas de España son esclavos modernos, según las ONG”. La prensa y las autoridades locales se lanzaron a desmentir el contenido de la noticia, y a acusar a Spitou y al SOC de perjudicar la imagen de la provincia. “Es una vergüenza que una sociedad civilizada, moderna, se comporte hoy así. Si hay gente que está reclamando algo tan básico como que la gente que trabaja de ocho de la mañana a nueve de la noche no gane menos de 37 euros, y los convenios dicen que tienen que cobrar 44 como mínimo… Pero nadie quiere pagar eso a los inmigrantes. Claro que hay españoles que lo cobran, como hay españoles que cobran el subsidio del paro gracias al trabajo del inmigrante que no está contratado. Pensamos que somos esclavos porque nos obligan. Ésa es la base de la servidumbre y hay que aceptarlo para poder comer“.
ASAJA defiende que definir estas condiciones de trabajo como esclavitud “está sacado de lugar. Es un trabajo duro, tanto que ha habido etapas en las que los españoles no han querido hacerlo por sacrificado”.
Pero el entramado de “servidumbre”, como lo llama Spitou, de “explotación laboral”, como lo catalogan otras organizaciones y sindicatos, o de “esclavitud moderna”, como lo denomina la ONG Internacional Antiesclavitud, no se limita a los trabajadores de los invernaderos. El disparatado crecimiento económico almeriense se visibilizó no sólo en el número de coches matriculados anualmente –20.000 turismos entre 2004 y 2007, frente al descenso a sólo 12.000 en 2008, con la llegada de la crisis–, o en los ‘brotes verdes’ en forma de llamativos jardines en las numerosas nuevas rotondas de El Ejido, sino que también los luminosos de los clubs de alterne se multiplicaron en la carreteras. Y en los ángulos muertos de carriles, invernaderos y chabolas, también las bicicletas descansan aparcadas ante cuartuchos desconchados. Es el hogar de las esclavas de los esclavos.
Continuará.
Chabolas (Javier Bauluz / Piraván)
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