quinta-feira, 28 de junho de 2018

Por que 2000?

Jesus nasceu antes da data oficial. Ou seja, o ano 2000 já passou. E, mesmo aceitando o nosso calendário gregoriano, o novo século só começa em 2001. Saiba por que as medidas de tempo são sempre arbitrárias.

Denis Russo Burgierman

O mundo celebra os 2 000 anos do nascimento de Cristo, no final do mês, apenas porque um abade de Roma, no século VI, fixou a suposta data em que Jesus teria vindo à Terra. Seu nome era Dionísio, o Exíguo (500-560), ou Pequeno Dionísio se você quiser ser informal. Acontece que os cálculos estavam errados. Os estudiosos do calendário que usamos, o calendário gregoriano, estabelecido pelo papa Gregório XIII, em 1582, não têm dúvida disso, como você vai descobrir nas páginas seguintes.
Apesar da falha, a cronologia do abade foi aceita pelos cristãos de todos os continentes, e por isso nós estamos entrando no ano 2000 agora. Esse fato mostra o quanto os calendários são arbitrários – não passam de convenções criadas para facilitar a contagem do tempo. Tanto que, para os judeus, estamos no ano 5760; para os muçulmanos, em 1420; e para os chineses, em 4635. Estaríamos em 5119 se usássemos o sistema dos maias da América Central, extintos há 1 000 anos. A questão não é que algum desses números seja melhor ou pior do que os outros.
A diferença se deve, simplesmente, ao fato de que cada um desses povos começou a computar os dias num momento diverso da História.
Aliás, mesmo que Dionísio tivesse feito as contas direito, a nossa festa continuaria sendo comemorada antes da hora. Na verdade, como estamos apenas terminando 1999, não se passaram ainda 2 000 anos do nascimento de Cristo. Ao final deste mês, portanto, faltarão doze meses para fechar o segundo milênio do nascimento de Cristo. Ou seja, o correto seria comemorar no final do ano que vem.
Mas, justamente porque a contagem do tempo é uma convenção, não custa decretar que o terceiro milênio começa em janeiro e pronto. É o que sugere o historiador da ciência americano Stephen Jay Gould, da Universidade Harvard, em seu livro O Milênio em Questão, lançado este ano no Brasil. “Por que não proclamar que o primeiro século teve 99 anos em vez de 100?”, propõe ele. Seria um modo descomplicado de sancionar o que já está decidido na prática – que agora é o momento de celebrar.
drusso@abril.com.br

Algo mais

Em 1650, o arcebispo irlandês James Usher fez as contas e concluiu que Deus criou o mundo às 15h30 do dia 23 de outubro de 4004 a.C. e que o apocalipse aconteceria no mesmo dia e horário em 1996. Bem, errou. Mas Usher inventou a expressão “antes de Cristo”, que usamos até hoje.

Contando anos e proibindo livros

O italiano Ugo Buoncompagni (1502-1585) entrou para a História com o nome de Gregório XIII (veja o desenho à direita) e a fama de ter sido o responsável pelo calendário que usamos. Chefiando uma comissão de matemáticos e astrônomos, ele ordenou pequenos ajustes no sistema de medida de tempo dos romanos e, em 1582, oficializou o costume de contar o tempo a partir do nascimento de Jesus Cristo. Mas nem tudo é positivo em seu currículo. Foi esse papa também que proibiu o De Revolutionibus, livro do astrônomo polonês Copérnico (1473-1543), que ousou decretar que a Terra girava em volta do Sol, e não o contrário.

O erro que mudou a idade de cristo

A história do nosso calendário começa no século VI, quando os anos ainda não eram numerados a partir do nascimento de Cristo, como hoje. O marco inicial do tempo, nessa época, era a data da posse do imperador romano Diocleciano, que se deu no ano 284, de acordo com a cronologia atual. Mas, como Diocleciano havia sido um feroz perseguidor de cristãos, que costumava jogar aos leões, o abade Dionísio decidiu que o sanguinário governante não merecia a honra de dar início ao calendário. Em 525, resolveu que em sua contagem o ano de número 1 seria o do nascimento de Jesus.
Para descobrir quando isso aconteceu, Dionísio partiu de um episódio marcante – a fundação de Roma –, cuja data estava registrada nos arquivos da cidade. Aí, ele também encontrou a duração de todos os reinados romanos desde essa época. Assim, o primeiro passo do abade foi adicionar todos esses períodos, verificando que tinham se passado 726 anos desde a fundação da cidade até a posse do imperador Augusto. Esse número era importante porque, segundo os dados levantados por Dionísio, Cristo havia nascido 27 anos depois dessa posse, durante o período em que Herodes governou a Palestina. Fazendo a soma, o abade concluiu que o nascimento ocorrera 753 anos após o surgimento de Roma.
Essa data foi a que ele adotou como marco inicial do seu calendário. Estaria tudo bem se Dionísio não tivesse cometido um deslize. “Ele provavelmente deixou de contar um período de quatro anos durante o qual o imperador Augusto governou com seu nome de batismo, Otávio, entre 27 e 31 a.C”, explica o astrônomo e matemático Othon Winter, da Universidade Estadual Paulista, autor do livro Fim de Milênio.
Equívoco chancelado
Os pesquisadores desconfiaram do engano porque, segundo a Bíblia, Herodes tentou matar Cristo quando esse era ainda bebê – embora muitos historiadores duvidem dessa narrativa evangélica, pela simples razão de que o assassinato de todos os bebês da Judéia de uma época seria um crime grande demais para não ser mencionado por nenhuma outra fonte além da Bíblia. Ao mesmo tempo, o historiador judeu Flavius Josephus (37-100) diz que o famigerado Herodes morreu no mesmo mês de um eclipse lunar que, para os astrônomos, ocorreu com toda a certeza em 4 a.C. Então, é claro que Cristo tem que ter nascido antes do ano 4 a.C.
De uma maneira ou de outra, aos poucos o calendário de Dionísio ganhou aceitação popular e por volta do ano 1000 já tinha se espalhado por toda a Europa. Em 1582, quando foi sancionado pelo papa Gregório XIII, no calendário gregoriano, que usamos até hoje, o seu erro se tornou oficial.

O mês dele é maior que o meu

Antes de Júlio César (100 a.C. – 44 a.C.), as datas das estações eram muito imprecisas em Roma, o que tornava difícil determinar a hora certa do plantio. Para resolver o problema, o imperador copiou a folhinha do país de sua amante, a egípcia Cleópatra, que sabia acompanhar muito bem as mudanças anuais da meteorologia. Nasceu assim o calendário juliano, no qual aparecem pela primeira vez os meses que usamos hoje.
O nome de julho foi escolhido pelo senado romano em homenagem ao imperador. Antes disso, esse mês se chamava quintilis, pois era o quinto a contar de março, que marcava o início do ano para os romanos. Então, aproveitando a onda de bajulação, o senado deu o nome do sucessor de César, Augusto, ao mês seguinte, que, em vez de sextilis, passou a se chamar agosto. Só que Augusto não gostou de esse mês ter 30 dias e julho 31. Assim, roubou 24 horas de fevereiro, que de 29 dias ficou com 28. Como resultado, apareceu uma eqüência de três meses longos: julho, gosto e setembro, que já tinha 31 dias.
A saída foi rebaixar setembro para 30. É mais um exemplo do quanto os calendários são arbitrários.

Daqui a oito anos tem outro 2000

Embora seja um país majoritariamente cristão, a Etiópia, no nordeste da África, não reconhece a autoridade do papa. Por causa disso, sua igreja não obedeceu à ordem de Roma de padronizar o calendário e conserva seu próprio sistema milenar. O ano etíope tem treze meses – doze com trinta dias e um com cinco ou seis no final do ano. Além disso, eles acreditam que Jesus Cristo nasceu no nosso ano 9. Assim, enquanto celebrarmos a entrada do ano 2000, os etíopes estarão ainda em abril de 1992. Portanto, se você por algum motivo perder a festa deste ano, fique sabendo que lá na África tem outra em 2008!

O ano está errado e o dia também

Se o ano não está correto, o dia exato do Natal é simplesmente desconhecido. “A data de 25 de dezembro só foi instituída por conveniência política”, afirma o astrônomo Othon Winter. “A Bíblia não diz em nenhum lugar quando nasceu o filho de Deus.” Sem a dica da data certa, diversas regiões da Europa e do Oriente Médio escolheram dias diferentes para comemorar o Natal, embora mais tarde aderissem à orientação romana. Assim, a festa era em 19 de novembro no Egito, 20 de maio na Palestina e 6 de janeiro na Etiópia, onde continua em vigor.
Não se sabe o motivo dessas opções, a não ser no caso em que a data tornou-se a mais popular, o 25 de dezembro: esse era o dia festejado pelos romanos como o aniversário do deus persa Mitra, que não tem nada a ver com o cristianismo, mas era muito popular naqueles tempos. Como Roma era a capital da cristandade e a cidade mais importante do mundo à época, sua data se impôs, prevalecendo até hoje. Vencida pelos fatos, a Igreja a adotou oficialmente em 440.
“Em vez de combater o ritual pagão, os bispos o incorporaram”, conta o historiador Edgard Leite, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aliás, o próprio Novo Testamento parece indicar que a data de 25 de dezembro está errada. O Evangelho de Lucas afirma que Jesus é seis meses mais novo que João Batista, que diversos registros indicam ter nascido em 27 de março. Nesse caso, o verdadeiro Natal cairia no final de setembro.

Reforma revolucionária

A tentativa mais conhecida de mudar a nossa contagem dos anos foi feita pela Revolução Francesa. A reforma foi implantada por meio de um decreto que entrou em vigor em 22 de setembro de 1792. Esse dia, a partir daí, passou a se chamar de primeiro de vindimário do ano 1. O novo mês ganhou esse nome por ser o tempo da colheita da uva, ou vindima. Os outros meses, todos com trinta dias, também foram rebatizados tendo como critério algum fato natural relativo a eles. Sobravam cinco dias não vinculados a nenhum mês. Eram de repouso coletivo.
As semanas tinham dez dias, nove de trabalho e um de descanso. “Foi um erro”, diz Winter. “Ninguém gostou das semanas longas.” De fato, treze anos depois de começar, a experiência foi encerrada por Napoleão Bonaparte.
Outro inovador foi o filósofo Augusto Comte. Em 1849, ele propôs um ano de treze meses com quatro semanas cada um. Nesse sistema, qualquer data cairia no mesmo dia da semana, todos os anos. O ano-novo, por exemplo, cairia sempre no domingo. Havia ainda um dia extra, fora dos meses e das semanas. A idéia não vingou.

A folhinha dos chineses é mais velha

Mesmo que Cristo estivesse realmente soprando 2 000 velinhas agora, este final de ano não teria nada de especial para a maior parte dos povos da Terra. Afinal, os cristãos representam somente 30% do planeta. Budistas, hindus, muçulmanos e judeus, que compreendem cerca de 40% da população mundial, seguem calmamente seus velhos calendários (veja nestas páginas).
De todos os que estão em vigor, o mais antigo é o chinês, dividido em ciclos de doze anos. Cada ano tem o nome de um bicho, como porco, tigre e dragão. Em fevereiro de 2000 estaremos entrando no ano do dragão, considerado de bom augúrio. É possível que Cristo também tenha nascido no ano do dragão, há 2 004 anos. Os ciclos se sucedem sem ser contados. “Os chineses não têm um ano inicial”, diz Winter. “Não há uma era chinesa, como a era cristã.” Se alguém quer situar um acontecimento no passado, diz o nome do governante daquela época.
Mas, apesar de não ser contados, os ciclos foram registrados em associação com as sucessivas dinastias chinesas. Assim, datando essas dinastias pelo calendário gregoriano, deduz-se que o calendário dos animais é seguido desde o dia 15 de fevereiro de 2 636 a.C. Ou seja, se ligassem para milênios, os chineses já teriam comemorado o segundo bem antes de Cristo nascer. Perto dos quase 5 000 anos da folhinha chinesa, nosso suposto segundo milênio é coisa de criança.
Embora possua o mais antigo sistema eficiente de contagem do tempo, a China curvou-se à força do dinheiro e adotou o esquema gregoriano em 1912 para controlar os negócios e os impostos. É a data oficial que aparece também nos jornais. Mas a população continua a seguir o sistema tradicional e o ano-novo cai em 5 de fevereiro. É a maior festa popular da China.
Portanto, nas ruas dos país mais populoso do mundo, a comemoração pode até ocorrer em locais freqüentados por estrangeiros, mas certamente será pífia entre a população. O mesmo pode-se esperar em vários países não cristãos, especialmente nos de língua árabe e na Índia. Em vista disso tudo – e do equívoco de Dionísio –, fica claro que celebramos este 31 de dezembro por uma convenção ocidental e cristã.
Quase por acaso, devido a um erro aritmético cometido 1 474 anos atrás, a data foi escolhida como o dia da festa. Mas, se é assim, estoure o champanhe e caia na gandaia. Contas malfeitas e arbitrariedades à parte, o ano 2000 está aí nos convidando para renovar as esperanças de um milênio melhor.

Novo milênio judeu é em 2040

A era judaica é ainda mais ambiciosa que a cristã. Se os cristãos baseiam-se no nascimento de Cristo, os hebreus afirmam computar os anos desde a criação do Universo.
O calendário judaico (na foto acima, você vê uma de suas mais antigas representações) está no ano 5760 e foi calculado no século XI por Hai Gaon, um rabino da Babilônia, atual Iraque. Gaon somou a duração da existência de vários personagens do Velho Testamento. Pelos seus cálculos, passaram-se 1 949 anos da criação até o nascimento do patriarca Abraão. De lá para cá, foram mais 3 811. Em 2040, será a vez de esse calendário fechar mais um de seus muitos milênios.

O Nilo vira um relógio

Os primeiros a usar o Sol para medir o tempo foram os egípcios, há 6 000 anos. Graças à secura do deserto. É que lá no norte da África a temporada das cheias, em agosto, chega todos os anos no mesmo dia, porque não há correntes úmidas nem El Niño para desregular o tempo. Assim, quando o Rio Nilo atingia seu ponto máximo, os egípcios sabiam com absoluta certeza que tinha chegado o verão. Como o Sol completa um ciclo de um verão a outro, os egípcios contavam quantos dias tinham decorrido entre uma cheia e outra para chegar ao número exato dos dias do ano. Devemos a esse rio confiável o calendário solar, que foi mais tarde copiado por Júlio César, que o disseminou pelo Ocidente.

Muçulmanos preferem a lua

O ano 2000 é o 1420 da era islâmica. E, nesse caso, a data é precisa. Se os cristãos jamais saberão ao certo o verdadeiro aniversário de Cristo, os muçulmanos não têm dúvidas quanto ao marco em que começaram a contar os anos.
Suas folhinhas partem do dia em que o profeta Maomé deixou sua cidade, Meca, e estabeleceu-se em Medina, ambas na atual Arábia Saudita. Era 16 de julho de 622. “É um dos poucos, entre os principais calendários, que iniciaram sua era no momento do evento e não séculos depois dele”, explica o astrônomo Roberto Boczko, da Universidade de São Paulo, que pesquisa o assunto.
No livro sagrado muçulmano, o Alcorão, Maomé definiu que marcaria o tempo com a trajetória da Lua, que leva algo como 29 dias e meio para percorrer suas quatro fases. O satélite natural da Terra, na fase crescente, tornou-se também o símbolo de sua nova religião.
Já o calendário cristão não leva em conta as voltas da Lua; computa apenas o caminho da Terra em torno do Sol no céu. Como o ciclo solar não bate com o lunar, o ano islâmico tem dez dias a menos.

Destruição do mundo

A extinta civilização maia, que floresceu no México e na América Central, entre os séculos III e IV, tinha um calendário notável, com um ano de 365 dias. Assim como os judeus, sua era começava com a criação do Universo. Mas, para eles, o mundo é recriado a cada 5 130 anos. Ao fim desse ciclo, o Universo acabaria, começando tudo de novo.
Se a contagem deles tivesse persistido, estaríamos no ano 5119. O curioso é que essa data da criação não difere muito da estabelecida pelos judeus. “Provavelmente os dois povos tentaram imaginar uma data no passado longínquo”, teoriza Winter. “E 5 000 anos pareceu longe o bastante para ambos.”
O calendário maia oferece outra oportunidade para os profetas do apocalipse. Se eles ficarem decepcionados quando o ano 2000 chegar e o mundo não acabar, terão outra chance em 2012. É quando termina o atual ciclo de 5 130 anos, que para os maias levará à destruição do Universo.

Para saber mais

Fim de Milênio, Bertília Leite e Othon Winter, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 1999.
O Milênio em Questão, Stephen Jay Gould, Companhia das Letras, São Paulo, 1999.
Fonte: https://super.abril.com.br/historia/por-que-2000/

Contagem do Tempo na História

A Contagem do Tempo na História varia de acordo com cada povo e época.
Os primeiros povos fizeram seus calendários tendo como referência os ciclos da natureza, suas crenças e seus costumes.
Por isso, nem todos os países seguem o mesmo calendário.

Tempo Cronológico e Tempo Histórico

O tempo cronológico é definido como o tempo onde se desenrolam as atividades humanas: nascimento, crescimento, ir para a escola, as festas, etc.
O tempo histórico são os acontecimentos que marcam um povo, uma nação, ou as vezes a humanidade.
Como exemplo poderíamos citar uma guerra, a construção de uma grande obra, a descoberta da cura de uma doença, etc.
Como nem sempre o tempo cronológico e o histórico coincidem, existem povos que vivem diferentes momentos históricos no mesmo tempo cronológico.
Exemplo: apesar de vivermos numa sociedade informatizada, várias pessoas ainda não tem acesso a essa tecnologia.
Mesmo dentro da sociedade informatizada existem vários níveis de conexão também.

Religião

A religião de um indivíduo e de um povo talvez seja o elemento que mais influencie na criação de um calendário.

Judaísmo

Calendario Judaico
Calendário judaico com os nomes dos meses em hebraico e seus correspondentes no calendário cristão
Os judeus contam o tempo a partir da criação do universo, que para eles teria ocorrido há cerca de seis mil anos.

Islamismo

Calendario Islâmico
Calendário islâmico com os nomes dos meses em árabe e seus correspondentes ao calendário cristão
Os muçulmanos têm como referência o ano em que Maomé fugiu de Meca para Medina, isso ocorreu 622 anos depois do nascimento de Cristo. Em países como a Arábia Saudita este é o calendário observado.

Cristianismo

calendário cristão
Calendário cristão e o tempo litúrgico observado pela Igreja Católica Romana
Para os cristãos os acontecimentos são registrados entre o que aconteceu antes de Cristo (a.C.) e depois do nascimento de Cristo (d.C.).
Para a história ocidental, as datas referenciadas antes de Cristo devem ser seguidas de a.C., já os fatos ocorrido depois não necessitam da sigla d.C.
É importante ressaltar que nem todas as igrejas cristãs seguem este calendário. A Igreja Católica Ortodoxa não aderiu à reforma gregoriana e manteve o calendário juliano.

Divisão dos Séculos

Quando nos referimos ao século I estamos focando os acontecimentos ocorridos entre o ano 1 e o ano 100.
O século II foca aos acontecimentos ocorridos entre o ano 101 e o ano 200.
O século III compreende os fatos ocorridos entre o ano 201 e o ano 300.
Vivemos hoje no século XXI que corresponde os fatos ocorridos no período que teve início no ano 2001 e vai se prolongar até o ano 2100.

Divisão da História

A atual divisão da história vem do cientificismo e do iluminismo do século XVIII e do positivismo do século XIX.
As ciências naturais dão grande importância para sistematização e classificação de objetos e isto acabou influenciando as ciências humanas.

Pré-história

Desta maneira, os escritores desta época determinaram que o que distinguiria os povos civilizados seria a escrita. Aqueles que não a desenvolveram seriam, portanto, considerados como bárbaros.
Os povos que viveram antes do surgimento da escrita são referidos nos livros como povos pré-históricos, não fazendo parte dos quatro grandes períodos da história da humanidade.
A pré-história é estudada em dois grandes períodos:
  • Idade da Pedra: está compreendido entre o aparecimento dos primeiros hominídeos a mais ou menos 10000 a.C.,
  • Idade dos Metais: quando os hominídeos iniciaram a fabricação de objetos com metal. Dura de 5000 a.C. até o surgimento da escrita, por volta de 3500 a.C.

Idade Antiga

A Idade Antiga ou Antiguidade é contada do surgimento da escrita, mais ou menos 4000 anos a.C., até a queda do Império Romano, no ano de 476 ( século V ).
Esse período é dividido também a partir da localização geográfica dos povos. Deste modo temos:
  • Antiguidade Oriental:incluindo a civilização egípcia, a mesopotâmica, os fenícios, hebreus e persas;
  • Antiguidade Ocidental ou Clássica:que envolve gregos e romanos.

Idade Média

A Idade Média é um período de aproximadamente mil anos. Começa com a queda do Império Romano, em 476, e vai até a tomada de Constantinopla pelos turcos-otomanos em 1453 (século XV ).
Esse período é dividido em:
  • Alta Idade Média:período compreendido entre os séculos V e XI, que corresponde, em termos de Europa, à formação, desenvolvimento e apogeu do sistema feudal;
  • Baixa Idade Média:período entre os séculos XI e XV, que corresponde à desagregação do sistema feudal e a consequente transição para o sistema capitalista.

Idade Moderna

A Idade Moderna é o período histórico que se estende de 1453 (século XV) até 1789 (século XVIII) início da Revolução Francesa.
No plano econômico, essa época foi marcada pelo desenvolvimento do capitalismo comercial (ou mercantil), forma inicial do sistema capitalista.
Foi uma época marcada pelas viagens de expansão marítima, onde Portugal realizou as Primeiras Grandes Navegações.

Idade Contemporânea

A Idade Contemporânea é o período que se estende do século XVIII até os dias atuais.
Ao longo dessas décadas, a Revolução Industrial atingiu seu ponto culminante. É uma era marcada pelas duas grandes guerras mundiais.
Na América Latina, o início da Idade Contemporânea foi marcado pelas lutas de independência que modelaram o novo mapa político do continente.

Linha do Tempo

No Ocidente, onde predominou a religião cristã, a História foi ensinada como um disciplina que possuía começo, meio e fim.
O começo seria o nascimento de Cristo, o meio seria a história atual e fim, o momento que Cristo voltasse a Terra.
Desta modo, as "linhas do tempo" foram se popularizando no mundo ocidental:
linha do tempo
No entanto, nem todos os povos pensavam que o tempo era uma linha reta.
Para os maias, astecas e outros povos nativos da América o tempo era uma repetição, ciclos que aconteciam uma e outra vez eternamente.
Por isso, o calendário asteca era presentado de forma circular e não linear:
calendário asteca
Pedra do Sol Asteca

Tempo cronológico e tempo histórico

Tempo cronológico e tempo histórico
As diferenças entre tempo cronológico e tempo histórico são fundamentais para se compreender bem a disciplina de História
O tempo cronológico é diferente do tempo histórico, mas ambos se complementam

·  Observação dos fenômenos naturais e contagem do tempo
O tempo é uma questão fundamental para a nossa existência. Inicialmente, os primeiros homens a habitar a terra determinaram a contagem desse item por meio da constante observação dos fenômenos naturais. Dessa forma, as primeiras referências de contagem do tempo estipulavam que o dia e a noite, as fases da lua, a posição de outros astros, a variação das marés ou o crescimento das colheitas pudessem metrificar “o quanto de tempo” se passou. Na verdade, os critérios para essa operação são diversos.
·  Consciência da finitude
Não sendo apenas baseada em uma percepção da realidade material, a forma com a qual o homem conta o tempo também pode ser visivelmente influenciada pela maneira com que a vida é compreendida. Em algumas civilizações, a ideia de que houve um início em que o mundo e o tempo se conceberam juntamente vem seguida pela terrível expectativa de que, algum dia, esses dois itens alcancem seu fim. Já outros povos entendem que o início e o fim dos tempos se repetem por meio de uma compreensão cíclica da existência.
·  Definição de tempo histórico
Apesar de ser um referencial de suma importância para que o homem se situe, a contagem do tempo não é o principal foco de interesse da História. Em outras palavras, isso quer dizer que os historiadores não têm interesse pelo tempo cronológico, contado nos calendários, pois sua passagem não determina as mudanças e acontecimentos (os tais fatos históricos) que tanto chamam a atenção desse tipo de estudioso. Dessa maneira, se esse não é o tipo de tempo trabalhado pela História, que tempo tal ciência utiliza?
O tempo empregado pelos historiadores é o chamado “tempo histórico”, que possui uma importante diferença do tempo cronológico. Enquanto os calendários trabalham com constantes e medidas exatas e proporcionais de tempo, a organização feita pela ciência histórica leva em consideração os eventos de curta e longa duração. Dessa forma, o historiador se utiliza das formas de se organizar a sociedade para dizer que um determinado tempo se diferencia do outro.
Seguindo essa lógica de pensamento, o tempo histórico pode considerar que a Idade Média dure praticamente um milênio, enquanto a Idade Moderna se estenda por apenas quatro séculos. O referencial empregado pelo historiador trabalha com as modificações que as sociedades promovem na sua organização, no desenvolvimento das relações políticas, no comportamento das práticas econômicas e em outras ações e gestos que marcam a história de um povo.
Além disso, o historiador pode ainda admitir que a passagem de certo período histórico para outro ainda seja marcado por permanências que apontam certos hábitos do passado, no presente de uma sociedade. Com isso, podemos ver que a História não admite uma compreensão rígida do tempo, em que a Idade Moderna, por exemplo, seja radicalmente diferente da Idade Média. Nessa ciência, as mudanças nunca conseguem varrer definitivamente as marcas oferecidas pelo passado.
·  Importância das duas formas de tempo
Mesmo parecendo que tempo histórico e tempo cronológico sejam cercados por várias diferenças, o historiador utiliza a cronologia do tempo para organizar as narrativas que constrói. Ao mesmo tempo, se o tempo cronológico pode ser organizado por referenciais variados, o tempo histórico também pode variar de acordo com a sociedade e os critérios que sejam relevantes para o estudioso do passado. Sendo assim, ambos têm grande importância para que o homem organize sua existência.
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
SOUSA, Rainer Gonçalves. "Tempo cronológico e tempo histórico"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/historia/o-tempo-cronologico-tempo-historico.htm>. Acesso em 28 de junho de 2018.